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A competência que falta ao agronegócio brasileiro

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

EM 15/05/2009

4 MIN DE LEITURA

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O agronegócio brasileiro tem inegável eficiência em diversas cadeias produtivas. Em algumas delas, já somos líderes mundiais; em outras, é questão de tempo. Todas as análises futuras apontam que o Brasil será o pivô do crescimento da produção de alimentos necessário para abastecer uma população de 9 bilhões de pessoas em 2040, mais de 2 bilhões acima do número atual, sem contar a melhoria da renda que certamente incorrerá em aumento da quantidade de calorias ingeridas por pessoa, implicando em mais alimentos.

Voltando ao presente, sabemos que o setor é responsável por uma parcela significativa do PIB brasileiro e tem mantido o superávit da balança comercial, pilar fundamental da estabilidade econômica que nos fez começar a ser visto pelo mundo como um país emergente, e não subdesenvolvido.

Mesmo com toda essa importância, o setor ressente-se de não ser ouvido o suficiente. Tem de lidar com a implantação de um Código Florestal que, se levado ao pé da letra da forma como foi concebido, inviabiliza grande parte da produção agropecuária do país. Tem enorme dificuldade de converter sua importância para o país em investimentos que consolidem sua competitividade, como em estradas e portos.

Enfrenta constantemente abordagens negativas na imprensa (produtores caloteiros tendo que renegociar dívidas, desmatamento, perda de biodiversidade, poluição de mananciais e rios, trabalho escravo, preços elevados), resultando em uma opinião pública que raramente está ao seu lado. Apesar da eficiência e do progresso, ainda carrega a imagem de patriarcal, oportunista, subdesenvolvido politicamente e socialmente atrasado.

Esse descompasso entre a importância do agronegócio e o reconhecimento dessa importância pela sociedade brasileira contribui para a resolução de uma série de dificuldades que poderiam tornar o segmento ainda mais competitivo.

O que falta ao setor? Lobby? Antes disso, falta compreender que a imagem e a comunicação são peças fundamentais no jogo político e econômico que rege o mundo atual. Não basta ser, é preciso parecer ser. O agronegócio é, mas não parece.

É realmente difícil ter um viés de marketing e de mercado quando sua principal competência está da porteira para dentro. Mas, queiramos ou não, essa é a competência faltante, que precisa ser trabalhada, por três razões básicas. Primeiro, porque a imagem, boa ou má, reflete na opinião pública, que por sua vez reflete na política.

É importante lembrar que o país está cada vez mais urbano e, portanto, distante da realidade rural. Por mais que o produtor se sinta injustiçado, o seu cliente urbano não tem a obrigação de reconhecer sua situação, mesmo porque a desconhece por completo. É muito diferente do que ocorre em alguns outros países, onde, seja por questões culturais ou por um trabalho de comunicação consistente feito ao longo dos anos, o setor goza de maior prestígio junto à sociedade.

Nesse cenário, explica-se o que se vê, por exemplo, na Inglaterra: restaurantes anunciando que só servem carne britânica; ou o "proudly american", nos EUA; ou a disposição do canadense de pagar mais caro pelo produto do país; ou, ainda, o "buy local" ("compre produtos locais"), que vem crescendo em vários países da Europa, sendo muito bem aproveitado pelos produtores do país sob a argumentação de menor emissão de gases de efeito estufa por causa do menor gasto de combustíveis fósseis para o transporte.

A outra razão pela qual o trabalho de imagem se faz necessário é que o agronegócio está sendo envolvido de forma definitiva em questões de interesse global, bem mais complexas e que não domina, diretamente relacionadas ao futuro da sociedade, como o aquecimento global e tudo que a ele se relaciona: desmatamento, emissão de gases de efeito estufa, assoreamento de rios, e assim por diante.

Em outras palavras, o preço a se pagar (como estamos vendo na questão do Código Florestal) no caso de um não-posicionamento ou de uma má comunicação tende a ser cada vez significativamente maior. O mundo começa a olhar para o campo não simplesmente com um provedor de alimentos, mas também como um guardião da água, do solo, do carbono, da vegetação nativa, da biodiversidade, da paisagem, enfim, da chamada multifuncionalidade da agricultura. Entender esse jogo e se preparar para ele é absolutamente essencial. E a comunicação é parte importante desse processo.

E a deficiência de imagem do setor já vem sendo levantada há algum tempo. De forma até simbólica, o primeiro editorial que escrevi para o MilkPoint, no dia 6 de abril de 2000, dia de lançamento do site, tratava exatamente dessa questão (leia aqui: A agricultura e o Brasil urbano).

A terceira razão pela qual o setor precisa priorizar a comunicação e a imagem tanto quanto a eficiência técnica é o fato de que, como bem colocou Roberto Waack, Presidente do Conselho Consultivo do Instituto Ares (http://www.institutoares.org.br/), no mundo atual "ter a opinião pública contra é pior do que ter a justiça contra". O mercado simplesmente não perdoa.

Por tudo isso, pareceu-me bastante alvissareiro o pronunciamento da senadora Kátia Abreu, presidente da CNA, em homenagem recebida durante o evento Interfeed, em São Paulo. Inteligente, envolvente e bem articulada, a senadora foi direto na ferida: seu principal desafio é mudar a imagem do setor junto à sociedade. Sem isso, as brigas serão sempre muito difíceis.

Ela que, ao ser eleita presidente da CNA, representa em si uma possibilidade de mudança de imagem: mulher que venceu desafios e conquistou espaço em uma seara tradicionalmente masculina. É a chance da maioria urbana que hoje nos governa começar a identificar um agronegócio diferente, motivo de orgulho para o país e que precisa ser levado a sério. Resta, logicamente, começar o quanto antes esse árduo e necessário trabalho. As expectativas são elevadas e a urgência, evidente.

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

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ADAUTO

CUIABÁ - MATO GROSSO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/05/2009

Prezado Marcelo,

Sou engenheiro agronomo e não faz muito tempo que estou no MT e comprei uma pequena propriedade aqúi próxima a Cuiabá e ao pantanal, para trabalhar com pecuária leiteira. E para encontrá-la pesquisei outras dezenas de outras, a grande maioria trabalhada com pecuária extensiva, e infelizmente, com raríssimas exceções, não existe a menor preocupação ambiental pelos proprietários, áreas são e estão sendo desmatadas até a beira de rios, grotas que provavelmente eram nascentes estão totalmente secas e limpas de qualquer vegetação, pastagens degradadas, etc, quer dizer, pelo menos aqui, como disse, com raras exceções, a questão ambiental é secundária, assim como já foi nos estados do sul em outras épocas.

Não sou ecologista nem nada nesta linha, apenas sei que pode-se produzir bem e em quantidade com mínima interferencia com meio ambiente.
E o que vi acredito que pode ser extrapolado para outras regiões aqui no centro oeste e norte, sem dúvida.

Não conheço o novo código florestal, mas, em minha opinião, a certa razão de ser de pessoas radicais na defesa do meio ambiente, em função da grande maioria dos produtores serem na verdade, uma versão moderna dos antigos caboclos, que sugavam o solo até terem que trocar de área, e assim sucessivamente.
Vai demorar um bom tempo ainda para que somente os profissionais assumam a área. Mas até lá não vai sobrar muita árvore para contar a história. Estou sendo pessimista? É só pegar um carro e sair a campo. Nada mais. A propriedade que comprei possui uns 30% de reserva, mas mesmo assim vão demorar alguns anos até eu repor a mata ciliar da área desmatada.
Não sei se é o momento de se discutir se a questão ambiental é limitante a produção. Primeiro teríamos que dobrar a produtividade (o que é possível e a Embrapa está aí para não me deixar mentir), e usar bem o que temos para depois quem sabe, discutir isso.

Finalizando, acho que só marketing não basta. É preciso primeiro ter um bom produto.

<b>Resposta do autor:</b>

Caro Adauto,

Obrigado pela participação e comentários, que apresentam um ponto de vista válido e relevante para o problema.

Grande abraço,

Marcelo
MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/05/2009

Caro Marcelo,
Parabens pelo artigo, onde mostra com muita propriedade que, apesar da sua importância, o agronegócio não é reconhecido pela sociedade berasileira, cada vez mais urbana, ao contrário do que ocorre em outros paises onde o agronegócio goza de prestigio junto à sociedade.

Na cadeia produtiva do agronegócio podemos classificar os agentes em 3 elos basicos: produção primária ou produção rural, indústria e comércio.

Refletindo sobre o assunto, não me parece que a imagem dos agentes da indústria e do comércio junto à sociedade seja tão ruim. A imagem pior e generalizada como grande vilão é o elo primário, a produção rural. São os produtores rurais que são apontados pela midia como os grandes responsáveis pelo aumento dos preços dos alimentos, pelo desmatamento, pela degradação ambiental.

Então a grande falta de competência, particularmente no que tange à comunicação, seria da produção rural. E essa falta de competência seria dos produtores ou de lideranças?

Não há duvida que faltou competência às lideranças particularmente com relação à comunicação, mas evidencia-se também que faltou competência aos produtores rurais para escolher suas lideranças.

Precisamos de novas lideranças rurais, competentes e capazes de estabelecer comunicação adequada entre o Brasil rural e o Brasil urbano.

Nesse sentido parece-me também alvissareira a mudança na CNA, onde sua presidente, senadora Katia Abreu, colocou como seu principal desafio mudar a imagem do produtor rural junto à sociedade.

Grande abraço/Marcello de Moura Campos Filho

<b>Resposta do autor:</b>

Caro Marcello,

Muito obrigado pela participação e pelo comentário.

Abraço,

Marcelo
MARCO ANTONIO PARREIRAS DE CARVALHO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS

EM 25/05/2009

Marcelo,
Muito interessante e abrangente seu artigo, como sempre!

Creio, que neste país continental, com hábitos diversos, níveis de educação do agricultor e do pecuarista muito distintos, fazem com que a visão, por boa parcela da sociedade, seja extremamente fragmentada em relação ao homem do campo. Tem razão? Por um lado, pode-se assistir pela TV leilões de gado leiteiro onde uma vaca ou um boi custam fortunas. Por outro, existem pecuaristas que jogam uma vaca morta num curso de riacho.

Minha região hoje é fonte de carvão, desmatam e fazem carvão há anos e nada acontece. Há alguns anos comprei uma pequena propriedade vizinha e fui criticado porque na seca não teria água para algumas cabeças de gado. Protegí e cerquei aproximadamente 20 metros ao longo do "curso seco" onde, no período chuvoso, corria alguma água. Não esperava por tanto mas, após cinco anos, tenho uma pequena cachoeira no local. A água, maravilha Divina, passou a nascer cerca de 100 metros acima e corre por um pequeno leito durante todo o ano! Maravilhosa, cristalina, sem qualquer poluição. Tentando comparar com potenciais mananciais por todo este país, que resultados teríamos? Creio que incalculáveis!

O que, lamentavelmente, percebo é que parcela importante de nossos colegas não têm qualquer nível de educação e de cultura, para investir na terra, esperar os resultados do nascimento das sementes, do seu crescimento, na produção das flores e dos frutos. Assim, com tristeza, vejo muitos que exploram a terra, sem lhe dar nada em troca. No caso da vaca leiteira, esperam um mês para ver seu potencial produtivo para depois calcular quanto lhe dariam de concentrado. Até lá a pobre vaca emagreceu, reduziu seu potencial produtivo e não dará cio antes do desmame.

Não aplicam antibióticos na secagem das vacas e depois dizem que a contagem das células somáticas de seu leite foi realizada de maneira errônea pela indústria. Trocam a entrega de seu leite, da indústria considerada séria e com tecnologia de ponta pela "associação" que, embora pague preços inferiores aos de mercado, não lhes cobram qualidade. Por outro lado, a indústria considerada "séria e com tecnologia de ponta", ao ver sua captação de leite reduzida, sobretudo no período seco, compra o "leite", ordenhado sem qualquer escrúpulo, da "associação". Paga-se menos porque a qualidade é ruim, mas o montante a ser pago passa a ser maior, porque há escala de produção!

Considero a senadora Kátia Abreu uma dádiva para nós pecuaristas, mas se não houver investimento pesado na educação e na cultura dos nossos colegas pecuaristas, toda a luta será em vão. As conquistas na vida são lentas, conseguidas a cada passo, ao longo dos anos. Por outro lado, as quedas são instantâneas, basta a notícia de um leite adulterado em algum local do planeta.

Assim, precisam os grandes de menos vaidade e de artificialismos. Os pequenos, de educação no trato com a terra. E, todos nós, de mais amor, espiritualidade e compromisso com o que fazemos!

<b>Resposta do autor:</b>

Caro Marco Antonio,

Muito obrigado pela carta e pelo seu belo depoimento.

Abraço,

Marcelo
JANETE ZERWES

CUIABÁ - MATO GROSSO - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 25/05/2009

Prezado Marcelo,

Seu artigo aborda questões cruciais para o agronegócio brasileiro:

.Otimização da imagem do produtor rural;

.Maior visibilidade para a sociedade urbana sobre complexidade da realidade do campo através da mídia;

.Fortalecimento da prática democrática no produtor;

.Recuperação da autoestima do produtor pelo entendimento do seu valor e certeza de seus direitos.

Otimização da imagem do produtor rural: Em geral a imagem do produtor rural está, para sociedade urbana, atrelada à imagem de alguns mega empresários e seus latifúndios. A sociedade urbana desconhece que mais de 90% da população dos que atuam no campo são de pequenos e médios produtores; homens e mulheres verdadeiramente vocacionados para a atividade agrícola e com valiosas competências para produzir. Pessoas que enfrentam muitas vezes sérias dificuldades lojísticas e privações de confortos mínimos para se estabelecer em suas atividades, pessoas com as quais a população urbana facilmente se identificaria.

Visibilidade: Quando a mídia coloca imagens de áreas de florestas derrubadas como causa das sérias alterações climáticas observadas no planeta, está reduzindo parcialmente opiniões científicas, deixando de lado a industrialização, o aumento populacional e o consumo exacerbado de bens descartáveis altamente poluentes.

Prática da democracia: O agricultor pode ter adquirido ao longo do tempo boa capacidade de gerenciamento da porteira pra dentro. No entanto, debruçado em seus afazeres diários ou por falta de acesso a informação não têm agido em defesa de seus interesses e direitos diante de um mundo globalizado; não tem agido contra o protecionismo de mercados concorrentes que se utilizam do argumento ambiental em seu favor; não tem usado a força democrática implícita no valor dos commodities agrícolas, para impedir que o Estado atue em desfavor da sociedade através da ação do Executivo, na decretação aleatória de Leis Fundiárias e Ambientais, distanciadas da realidade socioeconômica brasileira que é dependente diretamente do agro negócio.

Recuperação da auto estima do agricultor: O agricultor vem sofrendo abalos severos na sua autoestima por ter sua imagem associada à imagem de bandidos usurpadores de recursos naturais, devedores em potencial, entre outros títulos pejorativos.

É preciso que a sociedade modifique essas opiniões e valorize mais aqueles que se dispõem com sacrifícios morais e financeiros a abrir novas fronteiras do território nacional para que populações de brasileiros usufruam com conforto e dignidade o espaço que lhes pertence por direito fundamental, mesmo que essa ocupação contrarie interesses externos, ou interesses internos obscuros.

Abraço,
Janete Zerwes
Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso
Comissão de Produtoras Rurais da Famato

<b>Resposta do autor:</b>

Prezada Janete,

Obrigado pela participação e pelas colocações mais do que apropriadas.

Abraço,

Marcelo
GILSON GONÇALVES COSTA

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/05/2009

Marcelo,
Cumprimento-o pelo artigo com o qual me identifico plenamente. Mas se com todo o descaso da sociedade (sobretudo dos governos) para com o agronegócio e com os agropecuaristas e as produções continuam aumentando, julgo uma tarefa difícil reverter essa situação em pouco tempo.

Estamos numa situação em que, para comprarmos (insumos, equipamentos e etc), temos de pedir favor e para vender (leite, carne, grãos e etc) também temos de pedir favor.

<b>Resposta do autor:</b>

Caro Gilson,

Obrigado pela sua mensagem!

Abs

Marcelo
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 19/05/2009

Prezado Marcelo: Antigamente, em face dos grandes latifúndios, casar com o filho ou filha de fazendeiro era sinal de sorte, de riqueza, de felicidade. Hoje, coitado de quem tem esta ventura (rsrsrs). Correo risco de herdar muita poeira e um saco de dívidas.

Quanto ao agronegócio, temos que reconhecer, durante anos foi amador, classista e pouco preparado para a concorrência. Daí, a pecha imposta pela população urbana aos campesinos, de pobreza, de falta de cultura, de atraso. Não se tinha eletricidade, televisão, maquinário e, principalmente, gado. Com a chegada da energia elétrica, aquele panorama primevo foi se modificando, modificando, até chegar ao conceito de empresa que, hoje, norteia a lida do campo: ou se impõe severa administração ou se fecha a porteira. Ou se evolui com o mercado (inseminação artificial, transferência de embriões, qualidade do leite, ordenha mecância, sistemas de produção eficientes) ou ele nos descarta.

O conceito de que a atividade pecuária e a agrícola se restringem aos luzeiros fronteiriços da fazenda não é mais verídico. Hoje, nem o mundo consegue aprisionar o agronegócio. Só nos falta respeito, não só dos outros mas, também, de nós mesmos. É preciso que tenhamos a consciência de que o setor agropecuário move o País e representa parcela não descartável do produto interno bruto e da balança comercial. Não seríamos suficientemente gratos se louvássemos, pelo menos mil vezes, a ação de periódicos como MilkPoint, voz maior do campo, onde se pode, democraticamente, trocar ideias e externar opiniões, que sempre fazem crescer a cultura e a tecnificação do setor.

Caro Marcelo, ainda sonho com o dia em que poderemos receber os louros por termos carregado o Brasil nos ombros, apesar de navegarmos, cotidianamente, contra a maré dos interesses governamentais, suando não só as camisas, mas, também, os bolsos (estes, até então, vazios até de incentivos). Quanto à questão ambiental, precisamos parar de criticar as leis e começar a fazer a nossa parte. Em minha propriedade, ao invés dos vinte por cento de matas que a lei exige, tenho quarenta, mais de dezenove fontes de água catalogadas e protegidas, caça proibida e mata atlântica preservada ao extremo. Mas, e meus vizinhos? Degradação, degradação, degradação.

Por isso, temos esta imagem, também degradada, de devastadores, de inimigos do meio ambiente, de irresponsáveis exploradores. Vamos assumir nossas culpas antes que tarde seja (se é que já não é) e mudar nossas mentalidades e a dos urbanos cidadãos também.

Parabéns pelo artigo e pelo alerta: que todos saibam ouví-lo e entendê-lo.
Um grande abraço,

GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA -MG

<b>Resposta do autor:</b>

Caro Guilherme,

Obrigado pela carta e pelo depoimento, que sempre acrescenta ao que procuramos passar.

Grande abraço,

Marcelo
L. FERREIRA DE AGUIAR

PATROCÍNIO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/05/2009

Sr. Marcelo

O que falta ao Agronegócio brasileiro é competência de seus órgãos representativos. A forma que conheço de ter uma classe unida é se organizando em sindicatos ou associações de produtores.
O produtor rural sempre reclama ao pagar o imposto sindical, pois nunca viu nada de concreto feito por essa entidade a seu favor, se alguma coisa foi feita falta informação. A Senadora Kátia Abreu, (uma figura bem mais agradável que aqueles senhores mal humorados que antes dirigiram essa entidade), devia olhar para o passado e seguir o exemplo dos Sindicatos do ABC Paulista, que começaram pequenos na sua luta contra o regime militar de 1964, e hoje elegeram um Presidente da República. Acho que entre outras coisas o dinheiro do imposto sindical poderia ser usado para fazer marketing a favor do agronegócio. Melhorar a imagem do produtor rural, mostrando para as populações urbanas que esse não é um marginal que explora e destrói a natureza por simples ignorância. Eu em toda minha vida nunca vi uma propriedade rural que tivesse uma rede de esgoto lançada em algum leito d´água, sempre usam fossa céptica. Lógico que como em toda atividade existe aqueles que não respeitam as leis, mas no campo são minorias, e grande parte são cidadãos urbanos que se transformaram em empresários rurais. O antigo homem do campo "o chamado fazendeiro" esse apesar de pouca cultura sempre respeitou o ambiente onde vivia. Devemos esperar também que a CNA pressione a bancada ruralista para que se resolva logo a situação do Código Florestal. Depois que vimos nos telejornais de todas as televisões brasileiras, o Senhor Ministro do Meio Ambiente, numa manifestação a favor da liberalização do uso da maconha, (isso mesmo da cannabis sativa, a droga que destrói milhares de lares no mundo), a nossa preocupação com o rumo que isso pode tomar é muito maior. Lendo o artigo que o senhor escreveu no ano dois mil parece que poucas coisas mudaram talvez agora com essa crise mundial o setor acorde e tome atitudes que melhorem um pouco essa situação. Principalmente que se consiga um maior equilíbrio nos lucros da cadeia produtiva, dando condições de sobrevivência também ao produtor.

Lucas.

<b>Resposta do autor:</b>

Caro Lucas,

Obrigado mais uma vez pela sua participação e comentários.

Grande abraço,

Marcelo
CARLOS MARCELO SAVIANI

EM 18/05/2009

Marcelo,

Concordo plenamente contigo se estivermos falando de alimentos com marca. Mas ainda a principal requisição do mundo é por comida barata e é por isso que seremos cobrados e exigidos futuramente, seja internamente ou externamente. E para isso temos que nos concentrar no aumento de produção via aumento da produtividade. Não é o frances comendo o seu bife na champs elyses que irá sustentar o nosso mercado.

Um Abraço,

Saviani

<b>Resposta do autor:</b>

Olá Saviani,

Obrigado pela carta e pela observação complementando o artigo. Acho que uma imagem favorável junto à opinião pública será cada vez mais importante para remover obstáculos que implicam em perda de competitividade mesmo quando falamos de commodities baratas. Exemplos: os investimentos em infra-estrutura e o próprio Código Florestal.

Abraço,
Marcelo
PAULO VARELA SENDIN

LONDRINA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 18/05/2009

Marcelo,

Ótimo texto, em qualidade de redação e conteúdo. É interessante ver que nós, Engenheiros Agrônomos, estamos tomando consciência sobre o fato de que a Agricultura não termina na porteira...
Há cerca de 15 anos, junto com outros colegas, comecei a discutir a temática de Cadeias Produtivas e Agronegócio em uma instituição de pesquisa agropecuária. Os conceitos desenvolvidos nos Estados Unidos na década de 50 do século passado não haviam chegado no Brasil, a não ser por algumas poucas publicações. Se você pesquisar nos jornais e revistas da grande imprensa, no início da década de 90 praticamente não vai encontrar a palavra "agronegócio". Quando muito, falava-se em "agroindústria", mas como algo totalmente desvinculado da "agricultura"...

Mesmo hoje, ainda há muitas escolas de Agronomia que dão muito pouca atenção aos conceitos de Agronegócio, até porque a palvra tem sido apropriada de forma negativa por algumas correntes ideológicas que se recusam a discutir conceitos e se preocupam apenas em repetir dogmas.

Parabéns,

Paulo Varela Sendin
Engº Agrº - Londrina PR

<b>Resposta do autor:</b>

Caro Paulo,

Muito obrigado pela participação e pela mensagem, com a qual concordo 100%.

Grande abraço,

Marcelo

SEBASTIÃO POUBEL

RIO DE JANEIRO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 17/05/2009

Boa noite Marcelo. Parabens por mais este artigo.

Muito ajuda o não reconhecimento do agronegócio por parte da população urbana, devido ao fato de que grande parte desta população são migrantes que já foram do campo e de lá sairam por falta de opções, quando o agronegócio ainda não era profissional e o trabalhador rural nada representava. E por isso teve que procurar outra opções. Portanto, o que devemos por em prática é uma política de esclarecimentos e divulgação da grande qualidade dos nossos produtos e a parceria entre os dois setores (produtores/consumidores urbanos). Temos que mudar a nossa imagem.

ssaudações,
Sebastião Poubel

<b>Resposta do autor:</b>

Caro Sebastião,

Muito obrigado pela participação e pela mensagem.

Grande abraço,

Marcelo
RENATO CALIXTO SALIBA

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/05/2009

Boa noite Marcelo, mais uma vez parabéns pelo seu artigo.

A sociedade urbana acha que somos uns jecas-tatu, e primeiro temos que mudar a nós mesmo, enquanto não nos unirmos e defendermos nossos interesses estamos fadados ao insucesso. Até hoje não investimos em propaganda e marketing, seja para mostrarmos como estamos avançando em materia de produção, onde usamos o que tem de melhor e mais moderno em termos de tecnologia seja para plantar, seja para manufaturar.

O agronegócio tem que aparecer na mídia como o responsavel pelo superavit comercial brasileiro. Precisamos urgentemente mostrar a sociedade urbana que consumir produtos lacteos é muito melhor e muito mais saudável do que beber refrigerante, que tomar agua com sabores, e que os produtos lácteos são extremamente baratos em relações as outras bebidas e só conseguiremos fazer isso nos cotizando e fazendo marketing e propaganda e por que não lobby.
BRUNO SOARES

POMPÉU - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/05/2009

Caro Marcelo;
Gostaria de expor a minha profunda gratidão ao senhor. Temos aqui um artigo que resume fielmente a situação difícil que passa o Produtor agropecuário brasileiro. Como é complicado trabalhar todo santo dia para conseguir fazer um produto viável a nosso bolso e ao mesmo tempo, que atenda ao consumidor lá da cidade. E quando conseguimos o fazer, temos ainda que aguentar todas esses dizeres da sociedade urbana de que estamos reclamando de barriga cheia, de que somos ingratos, de que não pagamos nossas contas em dia, de que somos uma classe rica e que só sabe reclamar dos laticínios e do governo, etc, etc, etc.

Não tenho o desejo de um dia ser agradecido por alguém pelo alimento que produzi, mas apenas que eu não seja injustiçado por estar o produzindo. Peço somente justiça e respeito.

Parabéns, Marcelo. Muito obrigado.

<b>Resposta do autor:</b>

Caro Bruno,

Muito obrigado pela calorosa mensagem.

Grande abraço,

Marcelo
GUILHERME AUGUSTO VIEIRA

SALVADOR - BAHIA - PESQUISA/ENSINO

EM 15/05/2009

Marcelo, parabéns pelo artigo e como você aborda as questões do agronegócio brasileiro. Desde os tempos de Faculdade de Veterinária que sofríamos preconceitos pelo fato de ter escolhido uma profissão rural. Devemos acabar com estes preconceitos (fato discutido por diversos autores neste site), trabalho isto cosntantemente em minhas aulas no curso de agronegócios e na Faculdade de Veterinária. Também sou entusiasta do desempenho da Senadora Kátia Abreu.

Mais uma vez parabéns, vamos empreitar nesta cruzada de valorização deste que é o principal negócio do Brasil, o agronegócio.
JOSÉ HUMBERTO ALVES DOS SANTOS

AREIÓPOLIS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/05/2009

Mesmo os formadores de opinião não consideram o Brasil do agronegócio. Recordo-me quando optei por trabalhar no negócio, muitos amigos me alertavam para o conservadorismo do interior, que foi recentemente fundamentado por artigo publicado na Folha (PIG) de São Paulo sobre sua experiência (um cientista social) em morar num centro de excelência como São Carlos. Mesmo voce, Marcelo, deve conhecer bem Piracicaba e quão conservadora ela é. Todo mundo quer ser urbano; porque será?

Certa vez um colunista (que é de S. Sebastião da Grama) economico referiu-se ao Jeca-Tatú de M.Lobato e afirmou o que voce disse acima. Somos empresários da porteira para dentro e a nossa imagem é a do personagem do Mazzaropi, da porteira para fora. Veja a frente ruralista, que lástima... Esta é a imagem que temos nos grandes centros. Somos oportunistas, pois além de juros subsidiados, ainda não pagamos os nossos compromissos.

Concordo com voce sobre a presidente da CNA; acho que estamos evoluindo, lentamente, como o nosso preço do leite; mas acho que essa evolução é concreta, fundamentada.
Vamos em frente.

Qual o setor que tem um site igual ao nosso?
Coisa de primeiro mundo... vamos chegar lá.
Um abraço.

<b>Resposta do autor:</b>

Caro Zé Humberto,

Obrigado pelas palavras, que complementam muito bem a ideia que tentei passar no artigo.

Vamos em frente.

Grande abraço,

Marcelo
FRANCISCO ARMANDO DE AZEVEDO SOUZA

BANDEIRANTES - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 15/05/2009

Prezado Marcelo. Parabéns pelo seu texto muito bem feito ou elaborado.

Sou professor convidado na Universidade estadual do Norte do Paraná e venho trabalhando estas questões com os alunos na disciplina de agronegócio e marketing. A distância crescente entre o urbano e o rural vem dificultando cada vez mais a compreensão da nossa importância pela sociedade urbana. Nós precisamos urgentemente começar a trabalhar estas questões senão, realmente, as nossa crianças vão continuar a tomar leite da "caixinha" e não da vaca!

Parabéns!
Prof Francisco Armando
MilkPoint AgriPoint