O mercado de laticínios sem lactose nos Estados Unidos está vivendo um dos seus melhores momentos. As vendas e os volumes seguem em alta, e a categoria, antes vista apenas como alternativa para quem tinha intolerância, virou tendência de longo prazo — com crescimento consistente ano após ano.
E os analistas não têm dúvidas: esse movimento está só começando.
De produto “especial” a protagonista da gôndola
Leite líquido e sorvete continuam sendo os pilares do segmento, mas a onda de novos formatos — como iogurtes proteicos e bebidas funcionais — transformou a imagem da categoria. O que antes era nicho virou parte do universo maior da saúde digestiva e funcional.
Até mesmo consumidores que tinham migrado para os leites vegetais estão voltando ao leite de vaca pela porta do “sem lactose”: reconhecem o valor nutricional dos laticínios, mas querem evitar desconfortos digestivos.
“Produtos adaptados às necessidades específicas de saúde, como os sem lactose, estão em alta. Esse é o selo de maior crescimento nos laticínios há anos — e continua sendo”, explica Melissa Altobelli, vice-presidente sênior da consultoria Circana. Segundo ela, no primeiro semestre de 2025, as vendas já superam o ritmo do ano anterior.
O leite é quem mais cresce, mas o iogurte dispara em velocidade: as vendas subiram 43% em um ano.
Digestão, proteína e a nova onda de saúde
Outro motor de crescimento é a saúde digestiva, que se tornou uma das alegações mais fortes na categoria, junto com probióticos. Mas há também um elo poderoso com proteínas.
Com o aumento do uso dos medicamentos GLP-1, que auxiliam no controle de peso, os consumidores passaram a buscar mais proteína, menos gordura e menos açúcar. E muitos produtos lácteos ricos em proteína — processados por ultrafiltração — conseguem entregar esse pacote completo: proteína de qualidade e baixo teor de lactose.
“Isso expandiu ainda mais a demanda”, resume Altobelli.
Quem está liderando a inovação
No front da inovação, alguns nomes se destacam. A fairlife, da Coca-Cola, popularizou a ultrafiltração, criando uma linha de leites e shakes sem lactose e ricos em proteína que já chega a um quarto dos lares americanos. O sucesso é tão grande que a marca enfrenta limitações de produção e vai abrir uma nova fábrica em Nova York em 2026.
A Chobani, gigante do iogurte, também aposta alto. Em 2024, lançou uma linha de iogurtes gregos proteicos, sem adição de açúcar e 100% sem lactose — em versões de copo e para beber.
A Fage não ficou atrás: sua linha BestSelf de iogurtes sem lactose atende desde o consumo tradicional em casa até os lanches rápidos do dia a dia.
Outras novidades recentes incluem:
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leites com proteína A2, que prometem digestão mais fácil;
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versões sem lactose de marcas próprias de supermercado;
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leites ultrafiltrados com alto teor de proteína, como os da Darigold e DairyPure, além do TruMoo Zero, leite achocolatado proteico sem açúcar adicionado.
Até o kefir entrou na onda. A Lifeway Foods lançou smoothies probióticos com colágeno, uma linha de leite integral com probióticos e até kefir funcional em embalagens individuais saborizadas.
O futuro é sem lactose
Com o consumidor cada vez mais interessado em saúde e bem-estar, as marcas apostam em um caminho claro: combinar alegações funcionais (como alto teor de proteína) com benefícios digestivos (como baixo ou nenhum teor de lactose).
No fim das contas, o que antes era apenas uma solução para intolerância virou um estilo de consumo em ascensão. E, ao que tudo indica, o “sem lactose” deve continuar ganhando espaço não só nas prateleiras, mas também no hábito alimentar de milhões de pessoas.
As informações são do Dairy Reporter.