Além da intolerância: a ascensão dos laticínios com baixo teor ou sem lactose

O mercado de laticínios sem lactose cresce de forma consistente nos EUA, impulsionado por leite, iogurtes e sorvetes que unem saúde digestiva, alto teor de proteína e sabor. Marcas como fairlife, Chobani e Fage lideram a inovação, enquanto consumidores buscam alternativas funcionais que oferecem nutrição, bem-estar e menos desconforto.

Publicado em: - 2 minutos de leitura

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O mercado de laticínios sem lactose nos Estados Unidos está vivendo um dos seus melhores momentos. As vendas e os volumes seguem em alta, e a categoria, antes vista apenas como alternativa para quem tinha intolerância, virou tendência de longo prazo — com crescimento consistente ano após ano.

E os analistas não têm dúvidas: esse movimento está só começando.

De produto “especial” a protagonista da gôndola

Leite líquido e sorvete continuam sendo os pilares do segmento, mas a onda de novos formatos — como iogurtes proteicos e bebidas funcionais — transformou a imagem da categoria. O que antes era nicho virou parte do universo maior da saúde digestiva e funcional.

Até mesmo consumidores que tinham migrado para os leites vegetais estão voltando ao leite de vaca pela porta do “sem lactose”: reconhecem o valor nutricional dos laticínios, mas querem evitar desconfortos digestivos.

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“Produtos adaptados às necessidades específicas de saúde, como os sem lactose, estão em alta. Esse é o selo de maior crescimento nos laticínios há anos — e continua sendo”, explica Melissa Altobelli, vice-presidente sênior da consultoria Circana. Segundo ela, no primeiro semestre de 2025, as vendas já superam o ritmo do ano anterior.

O leite é quem mais cresce, mas o iogurte dispara em velocidade: as vendas subiram 43% em um ano.

Digestão, proteína e a nova onda de saúde

Outro motor de crescimento é a saúde digestiva, que se tornou uma das alegações mais fortes na categoria, junto com probióticos. Mas há também um elo poderoso com proteínas.

Com o aumento do uso dos medicamentos GLP-1, que auxiliam no controle de peso, os consumidores passaram a buscar mais proteína, menos gordura e menos açúcar. E muitos produtos lácteos ricos em proteína — processados por ultrafiltração — conseguem entregar esse pacote completo: proteína de qualidade e baixo teor de lactose.

“Isso expandiu ainda mais a demanda”, resume Altobelli.

Quem está liderando a inovação

No front da inovação, alguns nomes se destacam. A fairlife, da Coca-Cola, popularizou a ultrafiltração, criando uma linha de leites e shakes sem lactose e ricos em proteína que já chega a um quarto dos lares americanos. O sucesso é tão grande que a marca enfrenta limitações de produção e vai abrir uma nova fábrica em Nova York em 2026.

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A Chobani, gigante do iogurte, também aposta alto. Em 2024, lançou uma linha de iogurtes gregos proteicos, sem adição de açúcar e 100% sem lactose — em versões de copo e para beber.

Figura 1

A Fage não ficou atrás: sua linha BestSelf de iogurtes sem lactose atende desde o consumo tradicional em casa até os lanches rápidos do dia a dia.

Figura 2

Outras novidades recentes incluem:

  • leites com proteína A2, que prometem digestão mais fácil;

  • versões sem lactose de marcas próprias de supermercado;

  • leites ultrafiltrados com alto teor de proteína, como os da Darigold e DairyPure, além do TruMoo Zero, leite achocolatado proteico sem açúcar adicionado.

Até o kefir entrou na onda. A Lifeway Foods lançou smoothies probióticos com colágeno, uma linha de leite integral com probióticos e até kefir funcional em embalagens individuais saborizadas.

O futuro é sem lactose

Com o consumidor cada vez mais interessado em saúde e bem-estar, as marcas apostam em um caminho claro: combinar alegações funcionais (como alto teor de proteína) com benefícios digestivos (como baixo ou nenhum teor de lactose).

No fim das contas, o que antes era apenas uma solução para intolerância virou um estilo de consumo em ascensão. E, ao que tudo indica, o “sem lactose” deve continuar ganhando espaço não só nas prateleiras, mas também no hábito alimentar de milhões de pessoas.


As informações são do Dairy Reporter.

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Material escrito por:

Juliana Santin

Juliana Santin

Médica veterinária formada pela FMVZ/USP. Contribuo com a geração de conteúdo nos portais da AgriPoint nas áreas de mercado internacional, além de ser responsável pelo Blog Novidades e Lançamentos em Lácteos do MilkPoint Indústria.

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