Conceitos e manejo de bezerros em aleitamento

Conceitos e manejo de bezerros em aleitamento

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Quando visitamos propriedades de leite percebemos sempre uma grande preocupação com a dieta dos animais em produção, mais especificamente dos animais em lactação. Mesmo assim, chama atenção a diversificação dos sistemas de aleitamento praticados pelos produtores. Quando indagados a respeito da quantidade de leite fornecida e qual o motivo de fornecimento de volume maior para animais recém-nascidos ou fornecimento reduzido para animais mais velhos, ou então, no caso de sucedâneos, qual o motivo da introdução de produtos desta natureza no aleitamento de bezerros, as respostas são, muitas vezes, dispersas e nem sempre conclusivas. Desta forma, o texto a seguir discorrerá sobre conceitos envolvendo a criação de bezerros e o correto manejo do fornecimento do leite ou substituto.

Conceitos:

A alimentação de bezerros, muitas vezes "deixada de lado" em algumas fazendas, deve ser encarada como uma delicada e importante etapa na vida do animal. Assim, o crescimento de bezerros está atrelado a uma série de fatores dos quais destacamos a demanda e consumo de energia e proteína. Da mesma forma que animais adultos (produção xs manutenção), a demanda nutricional de bezerros é subdividida em duas categorias: demanda protéica e energética de manutenção e demanda protéica e energética de crescimento. A demanda de manutenção pode ser descrita como a quantidade de energia e proteína necessária para atender às necessidades funcionais do organismo e está associada ao tamanho corporal, ou seja, quanto maiores forem os bezerros, maiores serão suas exigências de manutenção (funções vitais). A demanda de crescimento, por sua vez, está associada à quantidade de nutrientes necessários para o crescimento e desenvolvimento de tecidos corporais. Assim como animais adultos, em bezerros, a primeira exigência a ser atendida é a de manutenção. Uma vez atendida a necessidade de energia e proteína para manutenção, o excedente de nutrientes passa a ser utilizado no crescimento.

Mediante tais conceitos, é importante ter conhecimento que o aporte de energia atua como fator limitante no crescimento. Em outras palavras, um animal consumindo energia além da sua necessidade de manutenção utiliza o excedente na conversão da proteína da dieta em tecido corporal. O fornecimento de pouca energia ou um desbalanceamento na quantidade de energia e proteína na dieta de bezerros atua, também, como fator limitante no desenvolvimento dos mesmos.

Atenção no tamanho corporal:

Um manejo alimentar adequado de animais consumindo leite, deve levar em consideração o tamanho do animal. Conforme mencionado acima, a demanda dos bezerros varia de acordo com seu tamanho. Bezerros maiores apresentam maior demanda de manutenção do que bezerros menores, devendo ingerir maiores quantidades de leite/dia em relação a estes últimos.

Quantidade:

Uma questão amplamente debatida refere-se a quantidade ideal de leite a ser fornecida para o desenvolvimento de bezerros. Tradicionalmente, em função de diversos resultados experimentais, tem-se adotado, como padrão, o fornecimento de 4 litros/dia. De acordo com os dados apresentados em pesquisas, comparando o crescimento de bezerros submetidos a diferentes quantias diárias de leite, não encontramos diferenças no desenvolvimento de bezerros alimentados com 4 litros de leite em relação a animais submetidos a doses maiores de leite/dia. Entretanto, a recomendação básica, de acordo com pesquisas mais recentes, seria o fornecimento associado ao peso corporal, ou seja, uma dieta liquida representando 12% do peso dos bezerros (peso vivo). Assim, por exemplo, um animal com 45kg deveria, teoricamente, receber 5,4kg de leite/dia. Desta forma, devemos ter em mente que, ao padronizarmos a oferta de leite para bezerros, de uma forma ou de outra, estaremos sub ou superalimentando um determinado animal.

Fornecimento de concentrado e/ou forragem:

Para o animal recém-nascido, o nosso objetivo deve ser de fazer com que seu rúmen venha a se tornar funcional o mais rapidamente possível. O desenvolvimento ruminal está associado a desenvolvimento das papilas deste compartimento estomacal, via suprimento de ácidos graxos voláteis, especialmente propionato, advindo do fornecimento de concentrado. O concentrado deve ser fornecido à vontade e a sua ingestão, monitorada, sempre que possível. Geralmente, a desmama é realizada quando o animal está ingerindo entre 0,75kg e 1,00kg de concentrado/dia.

O fornecimento de forragem também é importante para o desenvolvimento do rúmen, entretanto, o seu consumo depende da sua qualidade. Muitos produtores adotam o manejo do fornecimento de feno para esta categoria animal. No entanto, o fornecimento de material de baixa qualidade (elevado FDN), devido a baixa eficiência (baixo consumo), torna-se ineficiente e mais caro que o fornecimento de concentrado.

Comentários do autor: devido a complexidade, magnitude e quantidade de trabalhos envolvendo o manejo de bezerros lactentes, dificilmente conseguiremos destacar todos os aspectos importantes envolvendo o manejo desta categoria num único texto. Desta forma, o objetivo principal deste artigo consiste na transmissão de conceitos básicos nutricionais e definição da quantidade de leite a ser fornecida diariamente para bezerros, com intuito de evitar possíveis erros e gastos desnecessários nesta etapa da criação de animais.
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Material escrito por:

João Paulo V. Alves dos Santos

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Renato Fonseca
RENATO FONSECA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 24/11/2003

A individualização do fornecimento de leite pode ser teoricamente correta, porém de difícil aplicação prática. Outra consideração a ser feita é que a ingestão de uma quantidade teoricamente menor de leite estimularia o bezerro a consumir o concentrado, preparando-o para a desmama. Na minha fazenda forneço 6 litros de leite/dia (2x por dia) até os 30 dias, mais concentrado peletizado à vontade. Após os trinta dias, reduzo o leite para 4 litros/dia (1x por dia) e desmamo com 100kg de peso ou 70 dias de vida, o que ocorrer primeiro.

O feno de gramínea é fornecido de forma limitada nos primeiros 30 dias e à vontade daí em diante, até cerca de 100 dias. Cerca de 10 dias após a desmama, a ração peletizada é substituída por ração farelada a base de milho e soja, com 25% de proteína. Este sistema funciona bem e creio ser economicamente eficiente, levando-se em conta a repercussão que esta fase tem na vida produtiva do animal. Bezerras com ganho de peso ruim, tristes e frágeis jamais se tornarão vacas eficientes para sistemas de produção que exigem altas lactações, sob pena de se inviabilizarem economicamente.
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