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A silagem mais cara...

POR COWTECH - CONSULTORIA E PLANEJAMENTO

COWTECH

EM 24/03/2013

11 MIN DE LEITURA

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Quem arriscou não plantar, economizou, mas uma insegurança sobre o inverno futuro provoca aquele tradicional “friozinho” na barriga. A decisão de plantar e cultivar forrageiras como estratégia para suplementação na seca ou fornecimento de alimento o ano todo (no caso de sistemas confinados) deve ser sempre bem planejada e bem executada, uma vez que os custos que envolvem a realização de um silo de milho, são bem altos em termos de valor a ser desembolsado por unidade de área.

Então vem a pergunta: O que é uma silagem cara? E o que seria uma silagem barata? O preço de hoje, em fazendas que acompanhamos e monitoramos custos de produção de silagem de milho tem chegado a valores entre 2.500,00 a 2.800,00/ha. Nas áreas de boa produtividade, ou seja, acima de 40 ton de matéria original (MO)/ha, para os custos acima obtemos valores de 62,50/ton a 70,00/ton de MO. Em alguns casos, com solos mais férteis e fazendo uso de híbridos de ponta, obtemos produtividades até mesmos superiores a 50 ton MO/ha, encontrado áreas capazes de atingir 60 ton MO/ha, valores considerados muito altos ou fora da realidade prática num passado não muito distante. Quando produzimos “´pra valer”, com eficiência, para a amplitude de custos/ha descrita acima (2.500,00 a 2.800,00/ha), podemos produzir silagens mais baratas e extremamente competitivas em relação ao custo de outras forrageiras, principalmente quando avaliamos o fator: qualidade. Se considerarmos uma produtividade de 55 ton de MO/ha, para os custos acima, chegamos a um custo de 45,00 a 51,00/ton de MO, com silagem de milho. Quando apresentamos estes números para produtores tradicionais, que nunca trabalharam com silagem de milho, enfrentamos (nós técnicos) grande resistência e/ou preconceito. “Silagem de milho é muito cara! Silagem de milho é coisa para gente rica!”. “Silagem de milho é para quem não vive da atividade...!”. Inúmeras frases poderiam ilustrar e servir de exemplo o ponto de vista de muitos produtores sobre a escolha desta forrageira como estratégia de suplementação no inverno ou mesmo fornecimento constante deste volumoso para programas de alimentação em regime de confinamento total.

Outrora conversando com um amigo produtor, discorríamos sobre custos de alimentos volumosos, especialmente, forrageiras conservadas, ou seja, novamente, as tradicionais silagens. Vantagens e desvantagens em se fazer e/ou escolher a realização de uma “silagem A” ou “silagem B”. Qual caminho devemos escolher? A conversa resultou em diferentes considerações interessantes e aspectos importantes foram levantados. O que fazer, então? Investir em forrageiras com alto potencial de produção de massa/unidade de área como capins tropicais bem adubados (o tradicional e ainda bem utilizado, napier ou excedentes de pastagens como Panicum sp) ou culturas mais caras como o milho, produzindo menos, mas gerando um produto com maior valor nutricional? Infelizmente, muitos conceitos básicos e simples, envolvendo a conservação de forragens ainda são avaliados corretamente. Conceitos importantes na conservação de forragens não são aplicados em muitas propriedades em nosso país, por tradição e falta de conhecimento técnico ou orientação adequada sobre o tema. Em alguns casos, por incrível que pareça, é possível encontramos propriedades mantendo capineiras (napier) em pleno crescimento para serem colhidas (cortadas) em maio, junho, por exemplo, quando encontramos plantas “enoooormes!!”, mas extremamente fibrosas, ricas em lignina (fração da fibra, não digestível para ruminantes), que promovem boa produção por área, porém de baixíssimo valor nutricional, levando a desempenhos pífios em termos de produção ou ganho de peso animal. O produtor acha que está conservando alimento, quando na realidade está guardando um material de péssima qualidade. É possível encontramos, também, casos do que classificamos como “capineiras-invertidas”, ou seja, sendo cortadas diariamente em pleno inverno. Com exceção da cana-de-açúcar que tem seu valor nutricional melhorado no inverno em função do acúmulo de sacarose, todas as gramíneas tropicais no período seco do ano apresentam queda na sua qualidade e menores produtividades. Logo o corte diário de uma dada gramínea tropical, bem manejada, no verão pode satisfazer a demanda de um dado sistema de produção neste período. O mesmo não podemos afirmar (de forma alguma), no inverno.

Para avaliarmos forragens, não podemos levar em consideração o quesito produtividade sem avaliarmos a qualidade das mesmas, ou seja, o valor nutricional (VN). Em outras palavras é necessário saber, pelo menos, o teor de energia e proteína do volumoso oferecido para nossos animais e, principalmente a composição e perfil da fração fibra (FDN e FDA) do mesmo que é determinante para atingirmos o consumo de matéria seca predicado numa formulação de dieta ou não. Elevados teores de FDN (e FDA) são inimigos do consumo animal e, por tabela, de nutricionistas de rebanhos. Para explicitarmos tal conceito vamos recorrer a um exemplos simples, como a comparação de silagem de capim mombaça e silagem de milho. Produtores desprovidos de conhecimento técnico associam o custo mais baixo do capim em relação ao milho pelo fato do mesmo poder produzir num corte 80 ton de MO/ha, por exemplo, contra 40 ton de MO/ha para uma silagem de milho bem conduzida. Se considerarmos um custo de 45,00/ton para silagem de mombaça e 70,00/ton para silagem de milho para os exemplos citados acima chegamos à conclusão de que o mombaça é uma excelente opção como forrageira. O primeiro-passo para avaliarmos custos e qualidade de forrageiras é trazer para a base seca os custos destes alimentos, ou seja, calcularmos o custo unitário do nutriente. Dessa forma, temos que saber o teor de matéria-seca (MS) dos alimentos e a concentração e energia e proteína dos mesmos (ou do teor que desejamos avaliar). Considerando 25% de MS para silagem de mombaça e 35% de MS para silagem de milho temos: 180,00/ton MS e 200,00/ton MS para silagem de mombaça e silagem de milho, respectivamente. Considerando um teor de NDT (energia) de 58% e 68% e teor de 15% e 9% de PB (proteína) para ambas as silagens, respectivamente (mombaça e milho), elaboramos a tabela comparativa abaixo:

Tabela 1. Comparativo Silagem de Mombaça x Silagem de Milho:
Silagem            Mombaça          Milho
R$/ton MS           180,00          200,00
% NDT                  58                   68
% PB                    15                     9
R$/ton NDT         310,34           294,12
R$/ton PB         1.200,00         2.222,22


A tabela acima permite verificarmos dados interessantes. Primeiro a divergência entre o volume produzido. Para o exemplo, acima, consideramos 80 ton de MO de silagem de mombaça/ha xs 40 ton de silagem de milho/ha, ou seja, o dobro de massa para o capim mombaça. Em termos de custo, quando avaliamos o preço em matéria-seca (MS) verificamos que a diferença, outrora, de cerca de 55% entre a silagem mais barata (mombaça) e a mais cara (milho) na base original, temos uma diferença reduzida para cerca de 11% na base seca (180,00 x 200,00). Quando avaliamos o “custo energético”, temos nova surpresa ao percebemos que a silagem de milho é uma opção mais barata em termos energéticos, em relação à silagem de mombaça. Em outras palavras, por volume de unidade produzida a silagem de mombaça é mais barata que a silagem de milho (45,00 x 70,00/ton), mas quando avaliamos o custo/qualidade os valores são diferentes. Ambas as silagens são opções caras como fonte de proteína. A silagem de mombaça leva clara vantagem em relação à silagem de milho neste quesito (R$/ton PB), no entanto, em programas nutricionais, a deficiência protéica pode ser facilmente corrigida com custos baixos, o mesmo não acontecendo com a energia (importante fator a ser considerado/avaliado). A conta acima pode ser chamada de “conta nutricional” ou como gosto de classificar: “conta da vaca”, ou seja, aquela fundamentada e voltada para o consumo e desempenho animal.

Para esclarecermos ainda mais os conceitos supracitados, faremos um cálculo nutricional simplificado. Consideremos uma dieta com 10 kg de MS/cab/dia de volumoso e a possibilidade de fornecermos como fonte de energia, apenas 2 kg de farelo de milho e fonte de proteína apenas 1 kg de farelo de soja + 0,120 kg de núcleo mineral/cab/dia. Estas seriam condições práticas e restritivas em termos de manejo, atrelado a custos, ou seja, limitação financeira (bolso do produtor). A quantidade de concentrado acima (milho e soja) foi corrigida para a base seca nas tabelas abaixo:

Tabela 2. Silagem de Mombaça
Volumoso                                 kg MS/cab/dia  Teor NDT%      kg NDT/cab/dia

S. de Mombaça                              10,0                  58                    5,80
Farelo de Milho                              1,76                  85                    1,49
Farelo de Soja                               0,88                  81                     0,71
Núcleo Mineral                               0,12                   0                        0
Total                                             12,76                                          8,00

Teor NDT (dieta) - 62,6 %

Tabela 3. Silagem de Milho
Volumoso                                 kg MS/cab/dia    Teor NDT%      kg NDT/cab/dia

S. de Milho                                    10,0                    68                   5,80
Farelo de Milho                             1,76                    85                   1,49
Farelo de Soja                               0,88                   81                    0,71
Núcleo Mineral                               0,12                    0                         0
Total                                              12,76                                          9,00

Teor NDT (dieta) - 70,5%

Para um mesmo nível de suplementação de farelo de milho, com diferentes volumosos, encontramos um verdadeiro “abismo” em termos de concentração energética entre uma dieta e outra (por conta da diferença entre o teor de energia de uma silagem e outra). Em outras palavras, para um mesmo nível de suplementação com concentrados (mesmo custo com farelados e núcleo) obtemos dietas com perfis muito diferentes em termos de desempenho animal. Neste exemplo considerando, 680,00/ton farelo de milho + 1.100,00/ton de farelo de soja e 1.900,00/ton para núcleo mineral, teremos um custo de suplementação com concentrado de 2,69/cab/dia. A diferença está no volumoso fornecido. Temos um custo de 1,80/cab/dia com silagem de mombaça e 2,00/cab/dia com silagem de milho. O custo total/cab/dia será de 4,49 (2,69+1,80) e 4,69 (2,69+2,00) no caso da silagem de milho, com desempenhos muito diferentes (o desafio nesta dieta fica por conta da capacidade de ingestão de fibra relativamente alta para ambos os casos, cerca de 78% da MS total da dieta, mas essa seria uma dicussão para outra ocasião. O exemplo acima é meramente ilustrativo para evidenciar a grande diferença final que podemos encontrar na fração energética da dieta x qualidade do volumoso).

Quando calculamos e escolhemos forrageiras, o raciocínio acima é importante e válido para não fazermos confusão. Voltando a conversa inicial, do nosso amigo, mesmo com todos os problemas, chegamos à conclusão de que avaliar custos comparativos entre alimentos volumosos é importante. Apesar de todos os fatores envolvendo custo, a conclusão final da nossa conversa foi a de que custos são importantes, mas não ter forrageiras suplementares em muitos casos é comum e desesperador! Animais são soltos em pastos baixos, temos casos de desnutrição e, praticamente fica impossível almejarmos produção de leite quanto mais pensarmos e reprodução. Nesta hora, o pecuarista de leite procura chamar o técnico : “para resolver”... este, se não tiver maturidade e capacidade para expor os fatos ao produtor pode assumir um desafio impossível e por em risco sua reputação (e conseqüentemente a classe, pois tentará fazer seu trabalho que será em vão).

A temática deste texto está abordando, antes de tudo a necessidade do planejamento da produção de alimentos em fazendas de leite, maior entrave e desafio para o crescimento de fazendas e produção de leite dentre tantos outros existentes na atividade. É importante colocarmos na cabeça dos produtores que custos e comparações existem quando temos alimento disponível nas propriedades. Em tempos de vacas magras, a silagem mais cara será sempre aquela que você não possui!

Colaborou neste post, Eng° Agr° MSci Paulo Farano Stacchini (ESALQ-USP), sócio-consultor da AgroScience - Consultoria e Planejamento
 

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COWTECH - CONSULTORIA E PLANEJAMENTO

LENÇÓIS PAULISTA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 04/04/2013

Prezado Edson Luiz Hacker,

Obrigado pela participação e comentários,

Um abraço!
EDSON LUIZ HACKER

CANOINHAS - SANTA CATARINA

EM 04/04/2013

Muito importante as tabelas comparativas da silagem. Cada detalhe de custo na pecuária deve ser considerada.
COWTECH - CONSULTORIA E PLANEJAMENTO

LENÇÓIS PAULISTA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 04/04/2013

Prezada Polyana Amancio,

Obrigado pelas palavras e leitura!

Um abraço!
POLYANA AMANCIO

SALVADOR - BAHIA - ESTUDANTE

EM 04/04/2013

Excelente post!! Mosta muito bem a nossa realidade.
COWTECH - CONSULTORIA E PLANEJAMENTO

LENÇÓIS PAULISTA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 28/03/2013

Prezado Teodoro Teles Martins,

Agradeço suas considerações e comentários.

Este custo é elaborado através de uma planilha que divide o mesmo em: a-) formação (insumos), b-) operacional (tratos culturais) e c-) corte, carregamento e transporte.

Já escrevemos, anteriormente, sobre o tema e disponibilizamos até uma planilha. Recomendo a leitura. Segue o link:

http://www.milkpoint.com.br/mypoint/11521/p_custo_de_silagem_de_milho_planilha_custo_de_producao_de_silagem_silagem_de_milho_3428.aspx

Caso não consiga acessar, entre em contato comigo, novamente.

Um abraço!

TEODORO TELES MARTINS

VARGINHA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/03/2013

Muito bom e pertinente o artigo! Parabens!
Um ponto importante a ressaltar é que existe a diferença entre preço alto (que não se traduz em resposta) e custo alto (quando temos resposta), uma relação benefício x custo que muitos esquecem de fazer!
Porem fiquei com algumas duvidas, o custo de produção de silagem (R$2500-R$2800), como foi apurado, o que foi considerado/compos esse custo?
COWTECH - CONSULTORIA E PLANEJAMENTO

LENÇÓIS PAULISTA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 28/03/2013

Prezados Bruno da Silva Pereira e Luiz Linardi,

Agradecemos as considerações,

Um abraço!
LUIZ LINARDI

TREZE TÍLIAS - SANTA CATARINA - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 28/03/2013

eu sempre falei para o meu produtor que a silagem mais cara é aquela que você não tem para oferecer aos animais...
muito bom este artigo
COWTECH - CONSULTORIA E PLANEJAMENTO

LENÇÓIS PAULISTA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 28/03/2013

Prezado Eduardo Hara,

Obrigado pela participação e comentários.

De acordo com seus números, 2.000,00/ha com 52 ton/ha, por exemplo, fechamos em 38,50/ton + 15,00/ton em corte, carregamento e transporte, fechamos em 53,00/ton, conferindo com os valores apresentados para maiores produtividades (custo de 45,00 a 51,00/ton).

Devemos, certamente atentar para níveis de adubação potássica e quanto à compactação, realmente temos este problema, principalmente em solos mais argilosos, ressaltando a importância de trabalharmos com um bom plantio direto e ocupação do solo com outras culturas (inverno) entre os ciclos de milho.

Um abraço, até!
EDUARDO HARA

RIO VERDE - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 28/03/2013

Caro João Paulo,
Acompanho as planilhas de custo de silagem em minha região (Rio Verde/GO) e os resultados tanto de custos como produtividade do milho safra estão nos mesmos patamares que os apresentados por você. Por se tratar de uma região de agricultura foi possível como você citou, produtividades de 52-55 toneladas de MO/ha. Os valores somente da lavoura de milho ficaram por volta dos R$ 2.000,00/ha, fora a ensilagem que fica por volta dos R$ 15-17,00/ton (aprox. 30-35% do custo total da silagem pronta)
Acredito que a silagem de milho de mais 2 aspectos: o primeiro diz respeito a resposição de potássio que o produtor precisa levar em consideração e o segundo, diz respeito a compactação do solo, uma vez que na roça de milho silagem o solo fica descoberto e a silagem é geralmente feita na época das chuvas e com tráfego intenso de máquinas.

abraços e parabéns!

Eduardo
BRUNO DA SILVA PEREIRA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/03/2013

Otimo conteúdo. Parabéns.
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