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A polêmica da alta de preços dos ingredientes e custos de dietas: atenção!

POR JOÃO PAULO V. ALVES DOS SANTOS

COWTECH

EM 22/08/2012

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Buscar alternativas para o barateamento de dietas de animais não produtivos deve ser uma medida responsável. Para animais em produção, devemos avaliar cada rebanho e nível de produção do mesmo. Para vacas de alta produção, por exemplo, sabemos que o balanceamento de aminoácidos é um fator muito importante, ou seja, a qualidade da fonte protéica da dieta passa a influenciar significativamente o resultado produtivo. Sabemos que quanto mais próximos estivermos da relação precisa de 2,9:1 em lisina (LIS) e metionina (MET), de acordo com o NRC, 2001, mais próximos estaremos da proporção adequada destes aminoácidos da proteína mais nobre para vacas de em produção (a proteína microbiana, que por sua vez é a que mais se "assemelha" à composição da caseína, principal proteína do leite). Diversos artigos e revisões já foram publicados sobre o tema, inclusive no site MilkPoint. Para vacas de menor produção, ou seja, abaixo de 25 litros/vaca/dia, em alguns casos, conseguimos manter a produção com redução parcial de soja e substituição por outros ingredientes (dependeremos também da combinação e interação positiva de muitos outros fatores como: genética, estágio de lactação, manejo e conforto, por exemplo). Para desafios acima de 25 litros/dia, principalmente produções acima de 30 litros/dia, o uso de fontes protéicas de alto valor nutricional (nesse caso, leia-se: balanceamento de aminoácidos) é altamente recomendável o uso de farelo de soja.

Para ilustrar e fundamentar os conceitos acima elaborei simulação com dieta em uso, atualmente, numa propriedade para traduzirmos em números a presente discussão. A dieta /base formulada para este exemplo contém, silagem de milho, feno, resíduo de cervejaria (cevada), caroço de algodão, polpa cítrica, farelo de milho, farelo de soja, gordura protegida, bicarbonato de sódio e núcleo mineral. O preço da soja (farelo) considerado foi de R$1500,00/ton e do farelo de milho R$550,00/ton, os principais "atores" e protagonistas da "novela" atual. O desafio de produção foi 33 litros/vaca/dia. Os valores obtidos foram:

Custo da dieta: R$12,70/cab/dia
Custo da dieta: R$0,38/L

Custo da soja: 35,5% da dieta

Substituindo o farelo de soja por insumo de R$933,00/ton (farelo de amendoim ou genérico, por exemplo) de um modo bastante simples, apenas para rápido raciocínio, qual seria um possível resultado? Vejamos, abaixo:

Custo da dieta: R$10,98/cab/dia

Custo da dieta: R$0,33/L

Custo da fonte protéica (no lugar da soja): 25,5% da dieta

Ótimo, resolvemos o problema! Abaixamos o custo da dieta e custo/litro produzido. Ops! Mas isso é verdadeiro? Somente será verdadeiro, novamente, se não houver queda na produção. Então vem a pergunta: um desbalanço de aminoácidos impactaria de que forma em termos de resultados produtivos? Estudos já demonstraram que quanto mais produtivos forem os animais avaliados, maior será "peso" da eventual substituição de fontes nobres por fontes alternativas. Considerando uma queda de 10% na produção, ou seja, com a substituição em discussão, o animal de 33 litros passaria a produzir 30 litros. Então teríamos o quadro:

Custo da dieta: R$10,98/cab/dia
 
Custo da dieta: R$0,37/L (apenas 1 centavo abaixo da situação com soja)

Custo da fonte protéica (no lugar da soja): 25,5% da dieta
Logo, cuidado! Se estivermos abordando animais de alto desempenho a simples substituição não é muito fácil e pode causar resultados enganosos. É necessário avaliar bem o que fazer, mesmo com a situação anômala de mercado. Tecnicamente, falando, é recomendável aplicar o presente raciocínio nos fóruns em discussão sobre o tema para animais não produtivos. Posteriormente efetuar o enquadramento do rebanho em produção quanto às médias praticadas para a tomada de decisão entre trabalhar com farelo de soja ou não.

Para a tomada de decisão correta, recomendamos o acompanhamento e simulação de possíveis resultados de acordo com a dinâmica de preços de cada propriedade e realidade de cada fazenda (sistema de produção) por nutricionistas competentes e experientes capazes de gerar respostas e soluções inteligentes para seu manejo.

JOÃO PAULO V. ALVES DOS SANTOS

Espaço para artigos e debates técnicos expostos por especialistas e equipe de consultores.

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JOÃO PAULO V. ALVES DOS SANTOS

LENÇÓIS PAULISTA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 11/12/2012

Prezada Sibeli Thais Hepp,

Agradeço pelas suas palavras.

A disponibilidade destes ingredientes é relativamente boa (ou seja, há boa oferta), em SP e PR. Tudo depende muito da questão do frete e acerto de cargas. Se tiver condições de estocar, pode planejar, fazer compras estratégicas (época certa) e trabalhar com muitos ingredientes. Num programa de arraçoamento, quanto mais ingredientes conseguir colocar numa dieta maior será a chance de obter um custo mais baixo na formulação.

A uréia é uma boa opção quando não temos necessidade de inserir grandes quantidades de proteína na dieta, ou seja, vacas de maior produção, por exemplo no terço médio de lactação. Nesses casos, prefiro trabalhar com fontes de proteína verdadeira (ex. farelo de soja), procurando oferecer uma melhor qualidade protéica em termos de aminoácidos (balanceamento destes).

O maior problema da uréia em formulações é que por ser altamente concentrada, a mesma massa a ser "eficiente", possibilitando o fechamento da demanda protéica com apenas a inserção de algumas gramas da mesma. No entanto, a mesma costuma aumentar muito o nível de PDR (proteína degradável no rúmen), sendo necessário atentar na correlação desta com a disponibilidade de energia na dieta, caso contrário haverá um "custo metabólico" para degradação da mesma e/ou em alguns casos mais severos, excesso de PDR, podendo sobrecarregar fígado, com comprometimento da reprodução (há muitos estudos publicados sobre o tema) e que pode e deve ser monitorado através da NU (nitrogênio uréico) no leite.

A recomendação técnica padrão é o uso de uréia pecuária (sem impurezas). Na prática muitos usam a agrícola, sem problemas. A uréia protegida é uma excelente opção, desde que inserida com cuidados e critérios, sendo uma opção interessante se houver vantagem econômica (é necessário fazer simulações). Recomendo atenção quanto ao fornecedor e tecnologia de proteção da mesma para que, de fato, os resultados sejam alcançados.

Um abraço!
SIBELI THAIS HEPP

MARECHAL CÂNDIDO RONDON - PARANÁ

EM 11/12/2012

Bom dia Joao Paulo...
Parabens pelo artigo.
Sugestões muito interessantes, entretanto fico reciosa quanto a disponibilidade desses ingredientes. Moro no extremo oeste do Paraná, e por aqui nao tenho visto esses ingredientes nas dietas.
Gostaria saber qual a sua experiencia com uréia na dieta, tanto a convencional agrícola, quanto a protegida, de liberaçao lenta.
Desde já agradeço a atenção.
Abraço.
JOÃO PAULO V. ALVES DOS SANTOS

LENÇÓIS PAULISTA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 21/11/2012

Prezado Fábio S. Cerqueira,

Não tenho trabalhado, nem tive oportunidade de avaliar e ou acompanhar trabalhos envolvendo essa tecnologia (metionina protegida).

Recomendo entrar em contato com o Prof° Flavio Portela Santos (ESALQ/USP), no Departamento de Zootecnia (19) 3429-4134 (secretaria).

Abraço!
FABIO SILVA CERQUEIRA

UBERABA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 21/11/2012

Prezado João Paulo,

Obrigado pela aula, muito úteis as informações.

Você tem trabalhado ou visto algum resultado prático na utilização de metionina protegida??
Andei dando uma estudada no assunto e nao encontrei dados suficientes.

obrigado.
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 19/10/2012

Prezado Mykel Stefanni Pereira: Por ser uma "atividade econômica como qualquer outra que visa lucro", a atividade leiteira não pode, por óbvio, manter-se, apenas e tão somente, ao nível da simples produção de leite. O comércio de animais é um veio a ser considerado. Daí, como lido com animais de alta força genética e voltados tanto para produção quanto para pista, o gasto com bezerras e novilhas é investimento em seu valor de mercado. Há muitas fazendas leiteira que mantêm rebanhos nas mesmas características e que devem utilizar o mesmo sistema que o meu.
Porém, nada impede que eu seja original, se minha experiência está dando certo, não é mesmo? Alguém tem que iniciar um manejo (rsrsrs).
Por óbvio, a alimentação tem que vir aliada à sanidade, senão, não faz sentido.
Um abraço,


GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
MYKEL STEFANNI PEREIRA

CRUZEIRO DO OESTE - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 19/10/2012

Prezado João Paulo,

O que penso é exatamente isso que você abordou. Nem sempre economizar é o melhor caminho, porém gastar excessivamente também não concordo. A pecuária leiteira é uma atividade econômica como qualquer outra que visa lucro.

O Guilherme é um grande debatedor, porém é meio polêmico, o que é até interessante em fóruns como este. No meu caso particular, respeito as considerações dele, no entanto, estou longe de concordar com o mesmo.

Prezado Guilherme,

Eu não disse que não é preciso gastar para se ter uma novilha de alta produção aos 24 m. Porém além de você, eu não conheço mais ninguém que faça o mesmo, com relação aos 12 litros de leite dia por bezerra.... Por isso o questionamento.
Agora, por outro lado, há muitos produtores que conseguem criar bem suas novilhas, até mesmo com sucedâneo. E quando digo criar bem a novilha é fazer com que ela tenha o primeiro parto aos 24 m e com lactação satisfatória dentro do rebanho.
Tão importante quanto a nutrição das bezerras é a sanidade, e nesse ponto é onde vejo o maior problema.

JOÃO PAULO V. ALVES DOS SANTOS

LENÇÓIS PAULISTA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 17/09/2012

Prezados Mykel e Guilherme,

Concordo com o Mykel que nem sempre o menor custo de alimentação (é bom que se esclareça isso), representa maior lucratividade. Por este motivo que recomendo avaliar sempre o que chamamos, tecnicamente, de "Retorno Menos o Custo de Alimentação", ou simplesmente, RMCA. Exemplo (para preço/litro de R$0,95)

Caso 1.:

Custo da dieta: R$13,50/vaca/dia

Produção de leite (média individual do lote): 32 litros

Receita bruta (individual): R$30,40/vaca/dia

RMCA: R$16,90/vaca/dia

Caso 2.:

Custo da dieta: R$9,50/vaca/dia

Produção de leite (média individual do lote): 25 litros

Receita bruta (individual): R$23,75vaca/dia

RMCA: R$14,25/vaca/dia

Os casos acima, respondem, creio eu, as considerações do Mykel, correto, Guilherme?

Mykel, entendo o que quis dizer e suas colocações. Acredito que tenhamos que ter como premissa básica, investir mais para lucrar mais. Caso contrário, nada se justifica. Pensando em nutrição, podemos aplicar essa metodologia bem simples e rápida para analisarmos cada situação. Se o RMCA for favorável, vale a pena gastar mais capital.

Guilherme, as considerações do Mykel, são válidas quando abordamos animais que não estão em produção. Nosso objetivo deve ser colocar novilhas no leite o mais breve possível com o menor desembolso possível, o que equivale a um produto final mais barato, menor período de amortização desse animal (quando entrar em produção) e maior rentabilidade, certamente. O questionamento dele foi esse. Ele consegue fazer a sua proposta com menor investimento e questiona se não seria o caso de você tentar o mesmo (isso está subentendido na colocação do mesmo; correto Mykel?!).

Abraço à todos!
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/09/2012

Prezado Mykel Stefanni Pereira: Para isto são estes debates, para aprender e, quem pode, para ensinar. Basta nos dizer como conseguir lactações expressivas na primeira cria, que acontece antes dos vinte e quatro meses, sem gastar? Alimentação é o esteio da produção de leite, seja ela em que estágio de vida do animal esteja considerada. Com ela se economiza tempo, medicamentos e se alcança a plenitude da produção do animal, portador, é claro, de genética apurada, voltada à produção leiteira (de nada adinate alimentar bem o animal que não será, nunca, produtivo). Economia de "minerim", neste caso, é "porquera" (rsrsrs).
Um abraço,


GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
JOÃO PAULO V. ALVES DOS SANTOS

LENÇÓIS PAULISTA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 13/09/2012

Prezados Guilherme A. de Mello Franco e Mykel Stefanni Pereira (agradeço, desde já as considerações e comentários),

O espaço está aberto para o debate entre as partes.

Abraços!

MYKEL STEFANNI PEREIRA

CRUZEIRO DO OESTE - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 13/09/2012

Prezado Guilherme,

Nem Parece que vive em Minas, tá muito mão aberta para um mineiro, rs.
O que se discute é a eficiência na produção leiteira, e isso significa equilíbrio entre investimento e produção para se ter rentabilidade. Nem sempre o menor custo é o mais lucrativo, bem como o contrário.
Então porque gastar tanto, para se ter o mesmo resultado?
Na criação de bezerras e novilhas, se consegue os mesmos resultados citado por você, gastando bem menos.
JOÃO PAULO V. ALVES DOS SANTOS

LENÇÓIS PAULISTA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 13/09/2012

Guilherme,

Obrigado pelos esclarecimentos. Acredito que tenhamos a mesma opinião sobre animais especializados e concordo com suas considerações deste último comentário.

Sobre a bezerras, ok. Você trabalha com um processo de adaptação, estimulando o consumo gradual. É uma sugestão interessante e seria um tema bacana de ser discutido com a nossa especialista, Profª Carla M. Bittar (ESALQ-USP).

Um abraço, até!
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/09/2012

Prezado João Paulo V. Alves dos Santos: Esclarecendo, para mim, vacas comerciais são aquelas comuns, que se encontram em qualquer propriedade, o que não implica dizer que não sejam boas. Por lado outro, de elite seria aquele gado voltado a uma composição genética que sobressai tanto pela produção elevada quanto pelo perfil biotécnico da raça (morfologia), podendo ser consideradas de pista e, também, de produção (seria, a grosso modo, uma "true type", ainda que paire dúvidas sobre a sua existência real), enfim, excepcionais. Outra diferença entre estes animais é que submetidas aos rigores produtivos de uma criação profissional de gado de leite, voltada para a produção em escala, estas últimas se apresentam acima das médias de produção individual mediana (que, em tese, gira em torno de trinta quilogramas/dia) ao ponto de trazerem, para si e para o rebanho em que se encontram insertas, um valor agregado maior que as primeiras. Isto sem contar o desempenho de pista em Exposições especializadas da raça (caso de Castro e de Carambeí, citados por você).
Quanto ao volume de leite destinado às bezerras, o mesmo deve ser introduzido de forma gradual, até que o animal aceite consumir o necessário. Isto demanda paciência, mão de obra hábil e cuidadosa, de sorte que, em alguns casos (principalmente animais em fase de colostragem) há acomentimento de diarreias, que determinam a suspensão ou redução do volume aplicado, por certo lapso temporal, até que o organismo do animal se adapte.
No meu caso particular, o limite de noventa dias se nos apresentou mais adequado, porque houve substancial redução do estresse da desmama abrupta e promoveu um ganho de peso mais consistente na transição de dietas. Além do mais, amplia o espaço para que o animal esteja consentâneo com os sistemas de manejo da propriedade, evitando desgastes futuros. Por isso, não adotamos o modelo de modificação alimentar aos setenta dias.
Todavia, isto é todo um processo e, não, uma engrenagem isolada, tal como foi quando da adoção de dieta única, consttuindo-se, em muitos aspectos, em particularidade do meu sistema, o que não impede a adoção, em igual escalada, por outros produtores.
Um abraço,


GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
JOÃO PAULO V. ALVES DOS SANTOS

LENÇÓIS PAULISTA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 12/09/2012

Prezado Guilherme,

Obrigado pela participação e considerações.

Não consegui compreender muito bem a correlação entre vacas de elite (mais caras) Xs vacas comerciais. Certamente vacas com valor entre 5.000,00 a 6000,00 não são animais "de pista", no caso de holandesas, sendo enquadradas como comerciais. Entretanto, em regime de produção comercial, as "pressões" de manejo, são semelhantes, ou seja, os desafios são semelhantes, tanto para uma vaca de 5.000,00 como para uma de 20.000,00 inserida no mesmo sistema de produção. Se você vende genética, naturalmente seus animais "comerciais" terão maior valor. Se você produz leite, uma vaca de 5.000,00 bem manejada irá lhe atender de maneira muito satisfatória. No final, após anos trabalhando comercialmente, a tendência natural é que seu rebanho seja valorizado pelo pedigree que "carrega", caso dos maiores produtores comerciais e grandes "geneticistas" (por consequência) da colônia holandesa do paraná (Castro/Carambeí).

Sobre as novilhas, creio que possa estar havendo confusão na nossa troca de ideias. Não acho que a criação novilhas "não é negócio" ou que representa apenas "despesas". Acho que a criação de novilhas é um processo natural e necessário, em rebanhos brasileiros. No entanto, durante a fase de crescimento, geram despesas que serão amortizadas e revertidas em lucro tão maior quanto for a permanência da mesma num dado sistema de produção. As novilhas podem ainda ser um "negócio" no caso de rebanhos estabilizados, ou seja, com boa distribuição entre animais em lactação e vacas secas, permitindo com que o excedente seja vendido, passando a ser mais uma fonte de receita para o produtor (sendo ainda grande minoria dos produtores com índices expressivos, praticando este último exemplo).

Em relação ao leite adicional, como disse, anteriormente, respeito as recomendações do NRC e pesquisas comprovando 4 litros de leite/dia + suplementação com concentrado como manejo suficiente para bezerras. Isso não quer dizer que volume adicional esteja errado. Muitos trabalhos apresentaram resultados positivos outros indiferentes sobre a questão. Acredito que o produtor deve trabalhar com aquilo que julgue adequado e que feche suas contas. Num manejo bem conduzido de bezerras, é possível efetuar o desmame entre 45 a 70 dias de idade, sem problemas, com animais desmamados entre 90 a 110 kg de PV. Como exemplo, com 4L/dia x 60 dias e leite a 0,95/L temos um custo de 228,00/cabeça, somente com leite. Com 12L/dia x 60 dias (para compararmos), temos um custo de 684,00 (ou investimento), dando uma diferença no período de 456,00/cabeça. Dando resultado, e funcionando, como no seu caso, não vejo problemas (o impacto no valor de venda do animal pode não ser tão signficativo, no mercado atual). O único fator que me chama atenção é que com meus animais novos não consigo fazer com que os mesmo mamem mais do que 2L/fornecimento. Enfim, particularidades do manejo de cada um.

Vamos lá, seguindo em frente.

Abraço!
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 12/09/2012

Prezado João Paulo V. Alves dos Santos: O preço das vacas de elite, que são as que devem sempre fazer parte de nossos rebanhos, eis que criadas da maneira correta, adaptadas ao manejo de produção em escala e com produção realmente expressiva, está, mesmo, no patamar aventado por mim. As que você cita, são vacas de boa produção (comerciais), mas não podem ser consideradas de elite, eis que - se assim fosse - por este preço, compraria todas (rsrsrs).
Há quesitos a serem considerados (idade, participação genética em sua apresentação racial, registro, classificação morfológica e produtiva, qualificação do criador e de seu rebanho, valor agregado pela marca).
A visão do custo não pode ser divorciada do benefício. Por isso, considero lucrativa a criação que, mesmo em grau de futuro, vai gerar lucro, tanto no poder de revenda quanto no de aproveitamento do indivíduo na montagem do rebanho (reposição). Não consigo abstrair o futuro da despesa atual e, portanto, considero, sim, a criação de novilhas lucrativa e, não, somente dispendiosa.
Experimente destinar a uma só bezerra sua doze litros de leite/dia, divididos em três refeições de quatro litros. Destine a ela, também, todo o manejo que você já oferece às outras. Depois, conte-me se esta não será a mais sadia, a maior, a de melhor perspectiva futura.
Um abraço,


GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARA - MG
=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
JOÃO PAULO V. ALVES DOS SANTOS

LENÇÓIS PAULISTA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 06/09/2012

Prezado Guilherme,

Obrigado por mais uma participação!

Concordo com suas considerações. Em relação ao manejo, entretanto, creio que cada produtor acaba encontrando uma forma adequada para conduzir seu sistema de produção, ficando registrado neste espaço sua experiência e aquilo que você considera sucesso.

Já trabalhei com fornecimento de sucedâneo, parei, voltei a fornecer leite de matrizes. No momento atual, estou novamente com sucedâneo e com sucesso. No caso de bezerras acho que o rendimento das mesmas nessa fase está muito mais correlacionado com cuidados com higiene, manejo e qualidade do concentrado/ração fornecida, sendo que prefiro concentrado peletizados, laminados e extrusados. Já forneci quantidades superiores a 4 litros/bezerra/dia (recomendação técnica padrão segundo NRC, 2001). Já vi fazendas praticarem volumes diários de 8 a 9 litros como alternativa de manejo. Doze litros ainda não tinha ouvido nenhum relato. Assim como considero o valor de R$20.000,00/matriz extremamente elevado, fora de cogitação para rebanhos comerciais, cujos preços praticados atualmente giram em torno de 4500,00 a 6000,00/ vaca. O valor de 20.000,00 seria uma proposta compatível para programas de melhoramento genético mais intensivo como venda de embriões, torneios ou conformação.

Acho que bezerras e novilhas representam investimento e antes de entrarem em produção respondem apenas por despesas. Se bem conduzida a criação e distribuição do rebanho, temos possibilidade de obtermos lucro, com as mesmas (o objetivo final é esse). No final você coloca que investir nelas é ter lucro. Concordo plenamente com esta colocação.

De uma maneira geral, acredito que concordamos sobre as premissas básicas e aspectos abordados no post.

Um abraço, até!
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/09/2012

Prezado João Paulo V. Alves dos Santos: Infelizmente, como você mesmo constatou, os produtores de leite nacionais ainda nutrem a ideia de que investimento em produção quer dizer aumento imediato do volume produzido, o que ampliaria o lucro. Esquecem-se que as vacas são seres vivos e, como nós, envelhecem a cada dia e, certamente, terão que ser substituídas em breve. Quando chega esta hora, como fazer se não cuidamos, adequadamente, de nossas bezerras? Trocar ua vaca de quarenta litros de leite por outra que não produz vinte é por por terra toda a ideologia do lucro pelo aumento imediato de produção, ou seja, fará nada valer a arrancada inaugural que, portanto, será como a velocidade de um guepardo - muito grande em determinado espaço de tempo, mas irrisória dali para frente. Em pecuária de leite não podemos nos dar ao luxo de perder embalo, ou pereceremos, já que, ao contrário do guepardo, não teremos outra chance para sobreviver.
Comprar vacas de alta produção no mercado. É possível, desde ue se tenha capital suficiente para adquirir animais com média de preço em torno de R$ 20.000,00 (vinte mil reais). Criar as próprias matrizes é bem mais vantajoso, além de podermos ter a certeza de sua progênie e possibilidade de produção. Quem é profissional é excelente criador de bezerras e novilhas.
Por isso sou adepto da criação elitizada destes animais, tanto que dispenso a cada uma das minhas lactantes, quantidades abusivas de leite (doze litros/dia, por, pelo menos noventa deles, divididas em três alimentações), não substituo o mesmo por suscedâneos e nem adoto desmana precoce. Resultado são novilhas parindo antes de vinte e quatro meses, saudáveis e com produção acima de trinta litros/animal/dia. Por conseguinte, o futuro produtivo do meu rebanho está sempre garantido.
Destarte, bezerras e novilhas são, sim, animais que representam lucros e, não só despesas. Isto sem contar o preço de venda destes animais, que pode significar o grande veio da criação, mais que a produção de leite em si. Investir nelas, garanto, é ter lucro.
Um abraço,

GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
JOÃO PAULO V. ALVES DOS SANTOS

LENÇÓIS PAULISTA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 24/08/2012

Prezado Otávio R. N. Barreira,

Obrigado por suas considerações e palavras.

Nosso papel como técnico do setor é exatamente esse. Alertar para questões importantes em relação ao manejo, nutrição e gerenciamento de propriedades. Muitas vezes, em atos repentinos, decisões erradas são tomadas. O caso do nosso colega José J. R. de Souza acima ilustra bem a questão. O mesmo fez consulta sobre a possibilidade de substituir soja por farelo de algodão 38% . Se fosse trabalhar mediante os conceitos explicitados pelo Ronaldo Gontijo, que adequadamente chamou atenção para não confundirmos fluxo de caixa com custo de produção, talvez viesse a fazer a substituição, que não seria adequado no caso específico dele que possui um rebanho com elevada média de produção. Aproveitando os exemplos deste fórum de discussão, o contrário se aplica no caso do Thiago Alves de Oliveira. Seu rebanho produz menos. Desafios menores. Neste caso uma eventual substituição pode ser empregada com maior facilidade e bom resultado.

Um abraço!
OTAVIO ROXO NOBRE BARREIRA

MOCOCA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/08/2012

Prezado João Paulo , parabenizo -o pela excelente matéria , sem dúvida as modificações nas dietas de vacas de alta produção devem ser feitas com extremo cuidado pois o custo da mesma pode ser menor porém no resultado final a conta não fecha , sem contar o impacto que pode acontecer no restante da lactação dos animais ou a queda do leite no período de adaptação aos novos insumos.
ANDRÉ LUIZ TEIXEIRA

LORENA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/08/2012

boa noite! eu com produtor só tenho a dizer ao amigo produtor coca cola não é igual a pepis! valeu
JOÃO PAULO V. ALVES DOS SANTOS

LENÇÓIS PAULISTA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 24/08/2012

Prezado Ronaldo Gontijo,

Obrigado pela participação!

Realmente os conceitos e indicadores econômicos financeiros muitas vezes são polêmicos, mal interpretados gerando confusão e tomadas de decisão inadequadas.

O seu raciocínio é correto. Muitos acreditam que trocando um carregamento de um insumo caro por outro barato irão revolucionar o fluxo da fazenda causando alívio, no entanto sua conclusão procede: o custo de produção pode aumentar se a produção (conforme texto), for afetada.

Um abraço!
MilkPoint AgriPoint