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Fatores que afetam o combate ao estresse térmico nas fazendas leiteiras

POR ISRAEL FLAMENBAUM

COWCOOLING - FLAMENBAUM & SEDDON

EM 14/12/2020

7 MIN DE LEITURA

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O combate ao estresse térmico em vacas leiteiras é fundamental para o bom desempenho da atividade, porém alguns fatores afetam a eficácia do processo de resfriamento. Entre eles estão a incidência de radiação solar direta e indireta, a qualidade e disponibilidade de água e a intensidade da aspersão e ventilação. 

Em pesquisa realizada recentemente em Israel, encontramos uma grande variação entre as fazendas em termos do número de horas ao longo do dia em que as vacas ficam em condição de estresse térmico. Essa variação está correlacionada com a produção de leite e o desempenho reprodutivo durante os meses de verão. Como o tempo do dia em que as vacas enfrentam o estresse por calor é maior, a queda na produção de leite e na taxa de concepção no verão (em comparação com os níveis de inverno) é maior.

Neste artigo, pretendemos abordar alguns fatores que podem contribuir significativamente para a eficácia do tratamento de resfriamento e reduzir o impacto negativo do verão na lucratividade da fazenda.

Os tópicos que discutirei neste artigo incluem o impacto negativo da radiação solar direta e indireta nas vacas, a disponibilidade e a qualidade da água potável, bem como a qualidade e intensidade da umidade e ventilação forçada na eficácia do processo de resfriamento.

 

Prevenção da exposição à radiação solar

A geração de calor pelas vacas leiteiras é muito alta devido ao metabolismo intenso. Uma vaca de alto rendimento gera cerca de 2.000 watts de calor (20 vezes mais que um homem) e precisa dissipá-lo para o meio ambiente. Isto é impossível nos meses de verão e, mesmo com a ventilação forçada, não consegue fazer isso sozinha. Um tratamento de resfriamento mais intensivo é necessário e pode ser feito evaporando a água da superfície corporal da vaca (resfriamento direto) ou do ar (resfriamento indireto). O resfriamento intensivo das vacas permite que elas dissipem o calor corporal e não sejam expostas à radiação solar direta ou indireta.

A exposição das vacas à radiação solar direta aumentará a "quantidade de calor" que elas precisam dissipar para o meio ambiente em 1.600 watts (quase dobrando a produção de calor metabólico), tornando impossível a dissipação.

Onde nas instalações da fazenda as vacas podem sofrer por exposição à radiação solar? Isso depende, é claro, do tipo de instalação que a fazenda possui. Em sistema de confinamento completo, as vacas podem ser expostas à radiação solar enquanto caminham para a sala de ordenha (especialmente em fazendas de grande escala), onde têm que caminhar centenas de metros, além do caminho de volta, 2 a 3 vezes por dia (Figura 1 e 2).

Figura 1 - Vacas caminhando até a sala de ordenha. 

https://images.engormix.com/E_articles/45720_655.jpg

Figura 2  -Vacas retornando da sala de ordenha. 

https://images.engormix.com/E_articles/45720_737.jpg

A radiação solar pode penetrar indiretamente no galpão das vacas, em certas horas do dia, dependendo da configuração dos prédios da fazenda, como pode ser visto nas fotos a seguir. Meios de sombreamento simples e baratos, como redes de plástico e cortinas, podem ser instalados em passarelas e nas laterais de pátios de espera (Figuras 3 e 4), corredores de alimentação (Figura 5a) e áreas de descanso. Aliás, as cortinas instaladas nas laterais do pátio de espera (Figura 5b) também podem ajudar a bloquear os ventos laterais que podem prejudicar a intensidade dos ventiladores colocados nesses locais.

Figura 3 - Meios de sombreamento simples nas laterais do galpão

https://images.engormix.com/E_articles/45720_685.jpg

Figura 4 - Meios de sombreamento na lateral do galpão com lona

https://images.engormix.com/E_articles/45720_663.jpg

Figura 5a - Corredores de alimentação com sombreamento

https://images.engormix.com/E_articles/45720_886.jpg

Figura 5b - Cortinas instaladas nas laterais do pátio de espera


 

Água potável

A água potável é considerada o ingrediente mais importante na dieta das vacas leiteiras. Elas consomem cerca de 4,5 litros de água por litro de leite produzido. No verão, o consumo de água aumenta em 50% ou mais em comparação com o inverno, pois bebem mais para diminuir o calor. Para permitir o consumo ideal de alimentos no verão, a temperatura da água deve variar entre 15 e 20 graus Celsius. Água em temperaturas mais altas suprime a ingestão de alimentos e aumenta a temperatura corporal da vaca. 

Para permitir o consumo máximo de água no verão, é recomendável instalar pelo menos dois bebedouros por grupo de vacas (isso evitará que uma vaca dominante impeça o consumo de água das outras mais fracas). Em regiões quentes, recomenda-se que haja espaço de pelo menos 15 cm de bebedouro por animal, para que a qualquer momento haja bebedouro para 20% das vacas do grupo.

Os bebedouros devem ser colocados à sombra e a uma distância inferior a 20 metros dos animais. A profundidade do bebedouro permitirá limpeza frequente e rápido fluxo de água, o que manterá a água fresca. Vimos muitos casos em que o encanamento que abastece os bebedouros fica exposto ao sol e, se for muito longo, as vacas encontrarão água quente, beberão e terão menor desempenho. Certificar-se de que as tubulações que fornecem água para os bebedouros estão bem enterradas no solo, ou bem isoladas, é altamente recomendável.

 

Requisitos de umidade e ventilação

Em um dos artigos intitulado "Água, vento, hora e uma vaca: é tudo o que você precisa para resfriar seu rebanho leiteiro no verão", destacamos a importância de otimizar a aspersão e a ventilação forçada, bem como o tempo de resfriamento das vacas durante o dia, necessário para atingir a dissipação total da carga de calor. A fim de obter uma boa aspersão, grandes gotas devem ser usadas, que, juntamente com a pressão de linha e tempo adequados, permitirão que a água penetre no pelo da vaca e entre em contato com sua pele.

Somente quando isso acontece e a água que toca a pele evapora, as vacas são resfriadas adequadamente. Você pode ver na figura 6, uma vaca que foi adequadamente molhada e na figura 7, as pequenas gotas de água que ficam nas pontas do pelo (mal molhada), então o contato direto com a pele não ocorre. Uma vez que a "qualidade de molhagem" é influenciada por diferentes condições, não é possível dar uma recomendação geral do tempo de molhamento necessário e isso deve ser determinado empiricamente em cada fazenda e para cada grupo de vacas. Minha recomendação é que, para uma duração ideal de molhamento, o produtor deve observar as vacas durante o processo e determinar duração desde o início até o escoamento da água.

Em fazendas leiteiras com controle computadorizado de operação do sistema de resfriamento (principalmente nos pátios de espera/resfriamento), recomenda-se estender o primeiro ciclo de molhagem (para cerca de dois minutos), o que pode permitir a imersão completa da vaca, enquanto o restante das aplicações de água deve ser mais curto, conforme recomendado acima.

Figura 6 - Vaca adequadamente molhada

https://images.engormix.com/E_articles/45720_631.jpg

Figura 7 - Vaca que não foi molhada adequadamente

https://images.engormix.com/E_articles/45720_722.jpg

No que diz respeito à ventilação, recomenda-se uma velocidade do vento no dorso da vaca de 3 metros/segundo. Essa ventilação deve fazer parte do processo de resfriamento, que também combina o molhamento. Recomenda-se a velocidade do vento de 2 metros/segundo quando se trata de ventilação de vacas em áreas de descanso, fornecidas sem molhar. Ao definir as distâncias dos ventiladores, é aconselhável usar um anemômetro, medindo a velocidade do vento no nível do dorso da vaca e levar em consideração o possível efeito dos ventos laterais que podem afetar a velocidade real do vento produzido pelos ventiladores.

Em relação à duração total do tratamento de resfriamento ao longo do dia e à frequência, gostaríamos de trazer aqui os resultados de um experimento realizado por pesquisadores israelenses (Honig et al, 2012), publicado no Journal of Dairy Science. A pesquisa comparou o resfriamento das vacas, combinando aspersão e ventilação forçada em duas durações e frequências ao longo do dia. Um grupo de vacas foi resfriado por cinco sessões de 45 minutos e um total de 3,5 horas cumulativas por dia. O outro grupo foi resfriado 8 vezes por dia e por 6 horas cumulativas. As vacas resfriadas por mais tempo e mais vezes ao dia consumiram mais comida e produziram significativamente mais leite. Essas vacas apresentavam temperatura corporal mais baixa e, apesar da obrigação de ficar em pé por mais tempo, descansaram e ruminaram por mais tempo.

Com base nessas descobertas do experimento e na experiência adquirida em "fazendas de sucesso" em Israel (alta taxa de desempenho de verão e inverno), nossa recomendação é resfriar as vacas combinando aplicações de água curta com ventilação forçada, por 45-60 minutos em cada sessão de resfriamento e fornecido a cada 4 horas durante o dia. Este tratamento permitirá que vacas de alto rendimento mantenham a temperatura corporal normal no verão, melhorando significativamente seu desempenho e aumentando a lucratividade da fazenda.

Leia mais sobre mitigação do estresse térmico em vacas leiteiras aqui > Cowcooling – Flamenbaum & Seddon

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ISRAEL FLAMENBAUM

Especialista no estudo do estresse térmico em vacas leiteiras, professor na Hebrew University of Jerusalém, tem ministrado cursos e treinamentos sobre o assunto em diversos países.

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