FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO

Vale a pena ler de novo! Crescimento excessivo do casco de animais confinados

POR MARIA ANGELA FERNANDES

E CARINA BARROS

PRODUÇÃO

EM 18/11/2013

13
0
Os caprinos e ovinos são animais biungulados pois possuem duas unhas ou dedos. Na figura abaixo podemos observar as regiões do casco dos caprinos e ovinos.

Figura 1 - Regiões do casco dos ruminantes.



O objetivo do nosso artigo não é discutir a anatomia do casco e a função de cada um dos tecidos ou regiões do casco. Caso deseje obter mais informações sobre esse assunto, sugerimos a leitura do artigo:

Sistema Locomotor dos Ruminantes (2005), da UFMG.

Os cascos dos caprinos e dos ovinos crescem continuamente com certa velocidade para compensar o desgaste natural que ocorre devido o seu contato com terrenos e pisos duros, pedregosos ou áridos. Quando os animais são criados em sistemas extensivos ou pelo menos semi-intensivo, esse desgaste natural do casco geralmente ocorre porque os animais andam bastante em busca de alimento.

Figura 2 - Desgaste adequado do casco em solo duro e pedregoso. Fonte: freethumbs.dreamstime.com/54/big/free_547790.jpg.



Quando os caprinos e ovinos são criados confinados, em instalações com pisos macios ou ripados de madeira, o crescimento dos cascos dos animais é maior e mais rápido do que o seu desgaste. É importante ressaltar que o desgaste do casco dos animais criados a pasto com solo macio nem sempre é suficiente para assegurar as boas condições dos cascos.

O solário com piso árido é uma boa alternativa para auxiliar no desgaste dos cascos dos animais confinados. Os animais podem permanecer no solário durante todo o dia ou parte do dia para tomar sol, fazer exercícios e para que o casco sofra o desgaste natural devido o atrito com o piso.

Figura 3 - Solário independente do aprisco com piso de cimento rústico
(LAPOC UFPR).



Outro ponto importante que favorece a velocidade de crescimento maior do que a de desgaste do casco de animais confinados é que com o aumento do consumo de nutrientes, principalmente de proteína, os cascos tendem a crescer mais rápido.

Por isso, é muito importante estar atento e realizar inspeções periódicas nos cascos dos animais para avaliar a necessidade de casqueamento pois esse crescimento irregular e exagerado dos cascos poderá dificultar a locomoção e o desenvolvimento de todas as atividades que exijam que o animal esteja de pé (alimentação, pastoreio, ingestão de água, reprodução, entre outros). Além disso, quando o casco cresce muito e se deforma, o animal pode apresentar dificuldade de apoiar o casco de forma adequada no chão, o pode provocar desvios dos eixos dos membros e, conseqüentemente, graves defeitos nos aprumos.

Figura 4 - Casco apoiado de forma inadequada no chão devido ao seu crescimento irregular. Fonte: Daneke Club Lamb



Além disso, o crescimento excessivo dos cascos facilita o acúmulo de matéria orgânica, umidade e fezes e cria um ambiente favorável ao desenvolvimento de bactérias causadoras de inflamações e afecções podais (manqueiras).

Figura 5 - Acúmulo de matéria orgânica na dobra do casco devido o seu crescimento excessivo.



Mas afinal, com que freqüência devemos aparados os cascos (casquear) dos animais? A freqüência com que seus animais irão necessitar do casqueamento irá depender das condições de manejo, do ambiente, do nível de exercício, da velocidade de crescimento e desgaste do casco. Sugerimos que seja feita a avaliação dos cascos dos animais para verificar a necessidade de casqueamento com intervalos não superiores a 2 ou 3 meses. Você poderá realizar essa inspeção toda vez que manejar o seu rebanho para vacinação, desverminação, tosquia, etc. O aparo do casco deve ser feito sempre que iniciar a formação de dobras ou de qualquer anormalidade anatômica nas unhas.

Figura 6 - Crescimento excessivo do casco e formação de dobras. Fonte: Baalands



Figura 7 - crescimento excessivo e formação de dobras no casco. Fonte: Hoof Trimming



Todas as dobras ou anormalidades anatômicas nas unhas devem ser retiradas, mas tome muito cuidado para não cortar em excesso e sangrar!

Figura 8 - Casqueamento incorreto: as lesões provocadas durante o casqueamento além de dolorosas podem comprometer a locomoção do animal e abrir portas para a entrada de bactérias. Fonte: Hoof Trimming



No final, as unhas devem estar simétricas e o mais próximo possível da normalidade anatômica.

Figura 9 - Aspecto do casco do animal da Figura 7 após o casqueamento. Fonte: Hoof Trimming



Atenção: quando o crescimento ou deformação do casco for muito grande, a correção deve ser feita em etapas, aparando os excessos semanalmente até que o casco fique perfeito.


Lembre-se que o casqueamento é fundamental para manutenção e preservação da saúde do casco!


Referências bibliográficas

BAALANDS. Disponível em: http://www.flickr.com/photos/baalands/3474025608/in/set-72157624398280375/

Daneke Club Lamb. Foot Disorders & How to Trim Hooves. Disponível em: www.danekeclublambs.com/overgrown_hooves2.JPG

FERREIRA, P.M.; CARVALHO, A.U.; FACURY FILHO, A.U.; et al. Sistema Locomotor dos Ruminantes, 2005, UFMG. Disponível em: www.vet.ufmg.br/.../Sistema%20Locomotor%20dos%20Ruminantes.pdf

HOOF TRIMMING. Disponível em: www.ag.ansc.purdue.edu/.../hooftrim_image014.jpg

NICOLETTI, J.L.M. (2004). Manuel de Podologia Bovina. Editor: J.L.M. Nicoletti. Editora Manole, Brasil.

RIBEIRO, SÍLVIO DORIA DE ALMEIDA. Caprinocultura - Criação Racional de Caprinos, Livraria Nobel, Brasil, 1997.

SILVA SOBRINHO, A. G. Criação de ovinos. Jaboticabal: FUNEP, 2001.

VIEIRA DE SÁ,FERNANDO; A Cabra - Da Produção Do Leite à Proteção Da Natureza, Clássica Editora, Lisboa, 2ª edição, 1990.

MARIA ANGELA FERNANDES

Médica Veterinária pela UFPR
Doutoranda do Programa de Ciências Veterinárias da UFPR
Integrante do LAPOC - Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos da UFPR

CARINA BARROS

Médica veterinária
Mestre em Ciências Veterinárias UFPR
Doutora em Nutrição e Produção Animal FMVZ-USP
Pós-doutorado FMVZ-USP
Atuação na avaliação econômica e modelagem

13

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

ZULEIDE DA CUNHA LOURO

ARARUAMA - RIO DE JANEIRO

EM 26/12/2013

Gostei da matéria, foi de grande ajuda, pois tenho 5 cabras e 1 bode e eu mesma faço esses trabalhos procurando ajuda pela internet. Grata.
MARIA ELISABETH RAMOS

CAMPINA GRANDE - PARAIBA - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 26/11/2013

Parabéns, pela matéria, mas tenho o mesmo problema que nosso colega Paulo Alencar de Oliveira Neto comentou, falta capacitação e tempo para os devidos cuidados com os criadores da nossa região.
WALDIR MARTINS DE OLIVEIRA

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL

EM 23/08/2013

Parabéns pela forma sucinta, clara, objetiva de como foi elaborado esse artigo. Valeu!
ROBERTO LOTÁRIO SCHOLZ

TOLEDO - PARANÁ - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 16/08/2013

Parabéns pela matéria, ficou esclarecido as dúvidas que eu tinha.Obrigado
PAULO NERES

DORMENTES - PERNAMBUCO - ESTUDANTE

EM 04/05/2013

parabéns, pela matéria.

tec. Agropecuária.
JOSIAS FEITOSA DE FARIAS

RIO BRANCO - ACRE - PRODUÇÃO DE CAPRINOS DE CORTE

EM 19/01/2013

crio dorper com santa ines, todos confinados aprendi a casquear por conta propria, mas sempre acho que nâo casqeio certo auguem pode ajuda

JOÃO JOSÉ VALENTE BOTAS

SANTARÉM

EM 24/10/2012

Boa noite,



Sou Português e tenho formação académica na área de produção animal de pequenas e grandes espécies. Tenho uma quinta com instalações e todas as condições para criação de ovinos e/ou caprinos, depois de vários de anos inativas, penso reativar a produção destas espécies animais. Tendo consultado vários sites no sentido de atualização e conhecimento de novas técnicas e práticas de criação e maneio, não posso nem quero deixar de reconhecer o vosso exelente trabalho, e o contributo inestimável para o enrequecimento dos meus conhecimentos, e, claro, vou continuar e consultar e a estudar tudo aquilo que forem publicando.



Desejo-vos continuação de sucesso, e tudo de positivo, quer no campo profissional, quer no pessoal.



João José Valente Botas



(jjpetisca@mail.com)



PAULO ALENCAR DE OLIVEIRA NETO

MACEIO - ALAGOAS

EM 17/10/2012

Apenas uma coisa que cito mais como curiosidade do que comentário científico e gostaria de algum luz por parte dos veterinários.

Desde criança fui criado convivendo com ouvinos principalmente os mestiços de Santa Inês, criados soltos dentro das caatingas do sertão nordestino em enormes grupos de cerca de 600 ou mais animais  que retornavam a tardinha para os currais com piso de areia  e nunca ví  um vaqueiro que tivesse  sequer a lembrança de casquear tal rebanho. Rarissimas eram as vezes que esses cuidados eram tomados e quando feitos seria ja por algum mínimo problema que ocorria.  Como justificar tal ocorrência. Seria a grande extensão de terra que percorriam caatingas afora em busca de açudes a procura  de água? Seria proteção natural do solo nordestino seco por natureza? Perdiamos sim alguns animais perseguidos por predadores como os cães mas nunca por falta de casqueamento. Hoje torna-se difícil quando tento ensiná-los como deve ser feito e até entendo a repulsa de como fazer isso com tantos animais para cuidar.
ERNANDES F. SANTOS

SOBRADINHO - BAHIA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 16/10/2012

Parabéns, gostei muito de sua matéria.
TARCÍSIO DOS SANTOS PESSANHA

CAMPOS DOS GOYTACAZES - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 11/09/2012

Parabéns pela matéria, estou com uma dúvida e gostaria de saber como proceder. Esta semana soltei 1 borrego de 1o meses que sempre esteve em baias para cobrir algumas fêmeas, o local tem algumas pedrinhas e o borrego voltou sentindo muito das patas, como se estivesse espalmado, tem algum remédio ou produto que pode ser aplicado ou simplesmente voltar ele para baia e dar repouso?
PAULO ALENCAR DE OLIVEIRA NETO

MACEIO - ALAGOAS

EM 09/09/2012

Parabéns pela ótima matéria. Lembro aos colegas que o não casqueamento e a consequente falta de aprumo dos animais de pista, ou seja os que concorrem em exposições, é uma fator de deslassificação por parte dos juizes.
OSORIO ALMEIDA RETUMBA CARNEIRO MONTEIRO

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL - PRODUÇÃO DE CAPRINOS DE LEITE

EM 23/06/2011

Fantástico! Era o que eu precisava. Valeu.
ADILSON CARVALHO DA FONSECA

SÃO MANUEL - SÃO PAULO

EM 13/01/2011

Prezada Maria Angela e Carina!
Parabéns pela ótima matéria.

Adilson Carvalho da Fonseca
Zootecnista - CATI São Manuel SP/Extensão Rural