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Uso da PGF2α na sincronização de estro em pequenos ruminantes

POR MARIA EMILIA FRANCO OLIVEIRA

PRODUÇÃO

EM 09/03/2010

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O atual desenvolvimento e tecnificação dos sistemas produtivos em pequenos ruminantes, caracterizado por sistemas mais intensivos, têm incrementado o número de produtores interessados nas biotécnicas da reprodução, como por exemplo, a sincronização do estro e inseminação artificial.

O uso de agentes luteolíticos, como a prostaglandina-F2α (PGF2α), ou seus análogos, para sincronização de estro iniciou-se na década de 70, com a descoberta destes fármacos. Atualmente tem sido amplamente utilizadas na reprodução de ruminantes.

A PGF2α atua induzindo a regressão luteal prematura, de modo a interromper a fase progesterônica do ciclo estral, com consequente retorno ao estro e subsequente ovulação. Baseado nisto, a utilização deste fármaco deve restringir-se a fêmeas cíclicas.

O intervalo para a manifestação de estro em resposta ao tratamento é variável (2 a 5 dias), fazendo-se necessário a observação de estro, comprometendo, assim, o seu uso associado à inseminação artificial em tempo fixo (IATF). Esta dispersão é atribuída aos diferentes "status" ovarianos entre os animais no momento do início do tratamento. Desta maneira, se um grande folículo está presente no início do tratamento, este folículo continua seu desenvolvimento e, o estro e a ovulação vão ocorrer logo após a aplicação da PGF2α. Contudo, se a luteólise é induzida quando o maior folículo estiver em regressão, um novo folículo precisa emergir e crescer, e em consequência o estro e a ovulação vão ocorrer mais tardiamente (Rubianes e Menchaca, 2006).

Por outro lado, para responder ao tratamento com PGF2α o corpo lúteo deve estar em seu período responsivo a este fármaco. Foi demonstrado por Rubianes et al., 2003 que esta refratariedade, em ovinos, restringe-se aos dois primeiros dias após a ovulação.

Os tratamentos tradicionais com PGF2α consistem na administração de duas doses intercaladas de 9 a 14 dias, devendo-se realizar a observação de estro. Assim, a inseminação artificial ou monta controlada deve ocorrer após 12 horas da detecção.

Baseado no período de refratariedade do corpo lúteo e na dinâmica folicular em ovinos, Rubianes et al. (2003) propuseram um protocolo para sincronização do estro e ovulação, permitindo a IATF. Neste protocolo, SynchovineT, recomenda-se a administração de duas doses intercaladas de 7 dias. Em suma, quando a primeira dose de PGF2α é aplicada sem o conhecimento do "status" ovariano, a ovulação ocorre em um intervalo de 2 a 4 dias, determinando a emergência da primeira onda do próximo ciclo.

O maior folículo continua a crescer por 4 a 7 dias, simultaneamente ao desenvolvimento do novo corpo lúteo. Dessa maneira, a segunda aplicação de PGF2α (7 dias após a primeira dose), coincide com os dias 3-5 após ovulação, quando o maior folículo da onda permanece em fase de crescimento e o corpo lúteo torna-se responsivo à PGF2α (Rubianes e Menchaca, 2006). Assim, há indução da luteólise, da manifestação de estro e a ovulação ocorre de forma sincronizada em 60 horas após a segunda aplicação da PGF2α em 81% das ovelhas tratadas (Rubianes et al., 2003). Contudo, os autores relatam que a taxa de concepção obtida variou entre 30 e 55% após uma única inseminação artificial em tempo fixo (cervical), 42 horas após a segunda aplicação da PGF2α. Vários fatores podem influenciar estes resultados, como: condição corporal e ordem de parto.

Contudo, o protocolo com a PGF2α pode ser considerado eficiente para a sincronização de estro. Trata-se de um método prático e de baixo custo. Entretanto, sua utilização deve restringir-se a animais cíclicos e o aumento de sua eficiência pode ser observado selecionando animais com melhores condições corporais, entre outras características.

Embora a utilização dos protocolos hormonais para sincronização do estro seja aparentemente simples, é fundamental o acompanhamento e orientação de um médico veterinário para a escolha do protocolo ideal para o grupo de animais que se pretende sincronizar. Da mesma forma que com conhecimento de todas as particularidades da fisiologia dos animais e recursos das biotécnicas, o profissional pode associar técnicas e práticas de manejo visando o aumento da eficiência.

Referências bibliográficas

Chemineau, P.; Cognié, Y. Training manual on artificial insemination in sheep and goats. INRA, FAO, France, 222 p., 1991

González, R. S.; Hernández, J. A. M. Reproducción de ovejas y cabras. UNAM Cuautitlán. 1ª Edição, México, 335p., 2008

Rubianes, E. & Menchaca A. Dinâmica folicular, sincronização do estro e superovulação em ovinos. Acta Scientiae Veterinariae. 34 (Supl 1): 251-261, 2006.

Menchaca, A.; Miller, V.; Gil, J.; Pinczak, A.; Laca, M.; Rubianes, E. Prostaglandin F2α treatment associated with Timed Artificial Insemination in ewes. Reproduction Domestic Animal. 39:352-355, 2004.

MARIA EMILIA FRANCO OLIVEIRA

www.mariaemilia.vet.br

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CLAUDIO MORAES TRINDADE

SÃO LUIZ GONZAGA - RIO GRANDE DO SUL - TÉCNICO

EM 19/10/2011

Gostaria de saber sobre protocolos de indução de cio em ovinos para estes ciclarem nos  meses do ano que normalmente estariam em anestro, ou seja, nos meses com luminosidade crescente. Para tanto solicito a bibliografia disponível referente ao tema, bem como cursos e palestras sobre o mesmo.

Att.
REINALDO JORIS NETTO

PIRAÍ DO SUL - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/05/2010

Dra Maria Emilia, estamos em nossa cidade instituindo um projeto para produção de carne de cordeiro. Um entrave para o sucesso dessa empreitada se deve que os ovinos de lã são poliestricos estacionais, portanto produzindo seu cordeiros em época especifica do ano (primavera), sendo que esses cordeiros estarão prontos para serem abatidos 5 meses após o nascimento, gerando uma safra. Sei que existem protocolos de indução de cio em ovinos para estes ciclarem nos demais meses do ano, escalonando a produção. Para tanto solicito a vós bibliografia disponível referente ao tema, bem como cursos e palestras sobre o mesmo. Sem mais fico grato.
CAIO VIOLA

FERNANDÓPOLIS - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 14/03/2010

Parabéns Dra. Maria Emilia pelos artigos!