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Selênio como marketing positivo para a carne

POR LETICIA DE ABREU FARIA

PRODUÇÃO

EM 17/10/2008

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A crescente preocupação com hábitos alimentares visando reduzir o risco de doenças e melhorar a qualidade de vida vem sendo destaque no mundo moderno e, em conseqüência disso existe uma demanda emergente por alimentos oriundos de sistemas de produção diferenciados visando atender as exigências deste mercado.

Nesta categoria de mercado consumidor se destacam os alimentos com propriedades funcionais e de saúde caracterizados por contribuições na prevenção de doenças. Conforme as definições da ANVISA (1999), as propriedades funcionais dos alimentos se relacionam ao papel metabólico ou fisiológico que o nutriente ou não nutriente tem no crescimento, desenvolvimento, manutenção e outras funções normais do organismo humano. A alegação de propriedade de saúde sugere ou implica a existência da relação entre o alimento ou ingrediente, com doença ou condição relacionada à saúde.

Visando essas determinações, estudos referentes ao selênio tem sido destaque devido sua relação com a possibilidade de curar certas disfunções dos homens e dos animais com seu papel ativo no sistema imune, no crescimento assegurando metabolismo adequado, melhorando a contagem de espermatozóides e sua capacidade de tornar lento o avanço do câncer (SELÊNIO..., 2002). Hintze et al. (2001) relataram o crescente interesse em aumentar o consumo deste elemento em conseqüência das publicações sobre seus benefícios na proteção contra o câncer, porém, há poucas alternativas para isso, pois a concentração nos alimentos pode variar e depender da origem geográfica assim, a carne produzida em solo com alta concentração pode aumentá-lo na dieta humana. Neste cenário verificam-se possibilidades de favorecimento do marketing da carne e do leite no consumo para a dieta humana.

O teor de selênio nas forragens varia de solo para solo e até no mesmo solo, pois, há fatores que podem influenciar sua absorção pelas plantas (LEWIS, 2000). Em alguns países a deficiência das pastagens tem sido solucionada de forma viável com a aplicação do elemento via fertilizante em que, as plantas o absorvem transformando-o em compostos orgânicos e melhorando a produtividade das forragens para a saúde animal, a qualidade do leite e o ganho de peso vivo (SELÊNIO..., 2002).

No Reino Unido demonstrou-se que para elevar os níveis de selênio no sangue dos animais, o aumento dos níveis de sódio e selênio no capim era mais eficiente do que utilizar suplementos minerais, pois com a correção da deficiência destes no capim, a produção de leite aumentou em 9%, o nível de proteína em 9.6% e a gordura em 15.6% (SELÊNIO..., 2002).

Em regiões deficientes no oeste da Austrália considera-se a aplicação de 3g/ha na forma de selenato para alcançar níveis apropriados em até dois anos, sendo a aplicado em faixas, por recomendação de agrônomos, em 25% da área garantindo o consumo da forragem enriquecida pelos animais, para que o sangue desses alcancem e mantenham 60 ppb (0.06 mg) de Se/L com cerca de ganho de peso 10% maior e produção de lã 5% a mais quando comparados aos animais não tratados (SELÊNIO..., 2002).

Áreas geográficas com baixo teor de selênio produziram animais com baixos teores deste elemento nos tecidos, ocorrendo o inverso nas áreas com alto teor e, embora a correlação entre a forragem e o músculo esquelético tenha sido maior do que entre a do solo e o músculo esquelético, incluiu-se como preditor de selênio no músculo a quantidade deste contida no solo (HINTZE et al., 2001).

Em âmbito nacional há relativamente poucas pesquisas sobre este elemento, principalmente relacionadas aos solos e plantas tropicais. Em 1984 foi realizado uma pesquisa por Lucci e colaboradores em 12 regiões do estado de São Paulo concluindo que as gramíneas de pastagens destas áreas apresentaram deficiência generalizada de selênio encontrando-se 0,076 mg de Se/kg massa seca para as épocas das águas, considerando que a exigência para bovinos varia entre 0,1 a 0,3 mg de Se/kg na massa seca (NRC, 2001).

Zanetti e Cunha (1997) comprovaram a maior biodisponibilidade do selênio orgânico proveniente principalmente do farelo de trigo em relação ao inorgânico (selenito de sódio) para a suplementação de ovinos. Pesquisas como esta evidenciam a importância em se conhecer melhor os comportamentos do elemento fornecido através de fertilização de solos em diferentes plantas em nível nacional.

Na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo - FZEA/USP vêm sendo desenvolvida uma pesquisa com objetivo de levantar informações sobre os níveis de selênio em diversos solos brasileiros, além de avaliar de aplicação de selênio nos solos tropicais.

Este experimento visa conhecer o comportamento do elemento no sistema solo x planta com a utilização de plantas forrageiras utilizando o selenato de sódio como fonte de selênio. A realização desta pesquisa possibilitará a tomada de decisão para solucionar de maneira viável os problemas relacionados à deficiência de selênio em pastagens, quer seja via fertilização de solos ou suplementação estratégica.

Referências Bibliográficas
ANVISA, Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Alimentos com alegações de propriedades funcionais e ou de saúde no rótulo (Resolução nº 19, de 30 de abril de 1999 Resolução nº 18, de 30 de abril de 1999). Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/alimentos/legis/especifica/regutec.htm. Acesso em: 07 out. 2008.

HINTZE, K.J. et al. Areas with high concentrations of selenium in the soil and forage produce beef with enhanced concentrations of selenium. J. Agric. Food Chem., v. 49, p. 1062-1067, 2001.

LUCCI, C.S. et al. Selênio em bovinos leiteiros do estado de São Paulo. II. Níveis de selênio nas forragens e concentrados. Rev. Fac. Med. Vet. Zootec. Univ. S.Paulo, v. 21, n.1, p. 71-76, 1984.

NATIONAL RESEARCH COUNCIL. Nutrient Requirements of Dairy Cattle. Washington, D.C. National Academy of Sciences, 7 ed., 420 p., 2001

SELÊNIO Tradução condensada de "Fertilizer International", maio/jun 2002, por Fernando P. Cardoso. Disponível em: . Acesso em: 21 ago. 2006.

ZANETTI, M.A.; CUNHA, J.A. Biodisponibilidade de fontes orgânicas e inorgânicos de selênio. Rev. Bras. Zootec., v. 26, n.3, p. 623- 627, 1997.

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REGINALDO CAMPOS

JABOTICABAL - SÃO PAULO

EM 24/05/2009

Parabéns pelo material Letícia !

Caso você possua, procuro por mais materiais que tratem da utilização de alimentos funcionais em ovinos.
Obrigado.