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Mortalidade de Cordeiros - da cobertura ao desmame

POR PABLO COSTA

PRODUÇÃO

EM 08/07/2010

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A rentabilidade dos sistemas produtivos ovinos está diretamente relacionada com o número de cordeiros viáveis e a taxa de desmame, visto que, hoje em dia, o principal produto do ovinocultor é o cordeiro. Sendo assim, é imprescindível o conhecimento dos fatores causadores de mortalidade, para que se possam tomar medidas e, consequentemente, reduzir as perdas.

Mortalidade Embrionária

A maioria das perdas embrionárias ocorrem durante os primeiros dias após a fertilização e durante o processo de implantação do embrião no útero materno que se inicia nos dias 15-16 de gestação, podendo apresentar causas tanto infecciosas quanto não-infecciosas. Embora agentes patogênicos como vírus, bactérias e protozoários possam causar morte embrionária por alterar o ambiente tubárico-uterino, por afetar diretamente o embrião ou por provocar efeitos sistêmicos como febre e luteólise, as causas não-infecciosas são responsáveis por mais de 70% das perdas embrionárias existentes.

Dessa forma, fatores externos como temperatura ambiental elevada, deficiências nutricionais específicas (como vitamina A, Cu, Zn, I e Se), balanço energético negativo ou má-nutrição, estresse (transporte, manejo, dor, isolamento, etc.) e substâncias tóxicas (micotoxinas, metais pesados e compostos teratogênicos) podem afetar o desenvolvimento folicular, a qualidade do oócito, a atividade secretora e a motilidade das tubas uterinas, assim como, influenciar negativamente o metabolismo endócrino a nível de hipotálamo e ovários.

Além disso, fatores relacionados à mãe ou à ovelha, como deficiência de progesterona, falhas no reconhecimento do embrião/gestação, insuficiência útero-placentária, idade e nível de endogamia no concepto podem contribuir para um aumento nas taxas de morte embrionária. As aberrações cromossômicas também são um fator crucial que determina a inviabilidade do embrião com subsequente morte do mesmo (SOUZA, 2008).

Mortalidade Perinatal

O período de maior vulnerabilidade na vida animal ocorre imediatamente antes e logo após o nascimento, período caracterizado como perinatal. Diferente dos animais adultos, os recém nascidos não apresentam maturidade e a plena competência dos diferentes sistemas orgânicos para regular de maneira eficiente funções vitais para a sua sobrevivência, como por exemplo o controle da temperatura corpórea e do sistema imune que atua no combate às doenças.

No útero os filhotes permanecem em um meio estéril até o nascimento, quando então se inicia a colonização bacteriana através da passagem pelo canal do parto. Ao nascer o ruminante neonato passa de um ambiente térmico bastante estável, de temperatura similar à sua temperatura interna para um ambiente térmico variável e instável devido a fatores climáticos, tais como ventos, chuvas e frio.

Em função da maior susceptibilidade dos recém nascidos nos estágios iniciais de desenvolvimento, altas taxas de mortalidade são registradas nesse período, sendo que fatores relacionados às condições ambientais e de manejo contribuem, na maioria das situações, para o estabelecimento de doenças e morte neonatal.


As mortes após o parto podem ocorrer no pós-parto imediato, quando ocorrem no primeiro dia de vida, no pós-parto dilatado, quando ocorrem até o terceiro dia de vida e no pós-parto tardio, quando o registro do óbito é feito entre o terceiro e vigésimo oitavo dia.

Dentre as causas de mortalidade perinatal, que atuam individualmente ou relacionadas entre si, incluem-se abortos no final da gestação, distocias, malformações, infecções neonatais, predação, condições ambientais adversas e fatores maternos como raça, nutrição, falhas na amamentação, inabilidade ou inexperiência materna no cuidado da prole, má nutrição da matriz durante a gestação resultando no nascimento de filhotes debilitados e em uma baixa produção leiteira, além das falhas de manejo nas propriedades sobretudo no tocante a medidas gerais de higiene com as instalações.

Em sistemas extensivos desenvolvidos em países tropicais, estima-se uma mortalidade perinatal para ovinos varia entre 16 a 60%, sendo que em sistemas mais intensivos e tecnificados reportam-se índices inferiores ao redor de 8 a 17%.
No Rio Grande do Sul o complexo inanição/desidratação/hipotermia, a distocia e a predação, por ordem de importância, foram as principais causas de mortalidade perinatal, segundo MEDEIROS et al., (2005), que citam que a grande maioria das mortes ocorre no período pós-parto avançado.

A mortalidade após este período, até o cordeiro completar um ano de vida, é menos representativa, ocorrendo geralmente devido ao manejo incorreto nas propriedades, sendo a parcela mais significante ocasionada por infestações agudas por verminoses. Em menor proporção são responsáveis pela mortalidade neste período a ocorrência de surtos de doenças como o ectima contagioso e o foot-rot, a ocorrência de míases e o estresse no momento da desmama.



Tomando conhecimento dos principais fatores que causam mortalidade em seus rebanhos, os produtores podem tomar medidas preventivas, que se não eliminem, ao menos reduzam as perdas, e consequentemente aumentem a produtividade e a lucratividade da criação.

De forma geral, a mortalidade pode ser reduzida consideravelmente com medidas simples, tais como:

- Realizar um bom manejo de parição, com a formação de lotes específicos de fêmeas com a mesma idade gestacional;

- Adequado suporte nutricional das fêmeas gestantes, sobretudo nos terços finais da gestação quando se observam as maiores taxas de crescimento fetal;

- Adequação de instalações visando à diminuição dos efeitos ambientais (chuva, frio, predadores);

- Conscientização da necessidade de práticas de higiene no cuidado com a fêmea gestante, no caso do parto assistido e sobretudo com o recém nascido;

- Adoção de cuidados básicos com o neonato como a cura de umbigo, aquecimento após parto laborioso ou demorado e garantia do fornecimento de um colostro de boa qualidade.

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CARLOS EDUARDO SILVA DA ROCHA

JAPARATINGA - ALAGOAS - ESTUDANTE

EM 28/08/2019

Meus borregos chegar até três meses e depois ele fica triste não come más e depois morrer o que pode ser
EA MOREIRA

EM 21/05/2019

estou com os carneiros ate 6 meses morrendo. sintomas olhos brancos, dificuldade em se locomover, tosse e alguns deles espuma na boca antes de morrer
PELEGO PRETO DO CONFLITO

EM 21/05/2019

Boa tarde amigo, moras em qual região do país?
Pelos sintomas existem algumas possibilidades de enfermidades... de repente envie um e-mail (pablocostta@hotmail.com) que podemos conversar melhor sobre teu problema e buscar uma solução.
No aguardo.
EVALDO LOPES

RECIFE - PERNAMBUCO - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 24/01/2015

oi, tenho uma criação de ovelhas santa ines e estou com um problema de mortalidade o parto ê duplo e um deles mase morto e um vivo. Gostaria de obter ajuda.  



EVALDO LOPES.

RECIFE (PE)

E-MAIL EVALDOGK@HOTMAIL.COM

VICTOR HUGO CUNHA

LAVRAS DO SUL - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 24/06/2014

Prezado Pablo ,



Tenho uma criação de ovelhas Corriedale em Lavras do Sul , 87 cabeças com dois carneiros PC adquiridos de um criador da Região . Fiz o ultra -som e tive 78 ovelhas

prenhas . Achas que posso melhorar meu rebanho pois quero produzir comercialmente

minha produção . Quero adquirir mais matrizes Corriedale . Quais as dicas que poderia me dar para começar uma boa criação de ovelhas ?

Abraço



Victor Hugo Cunha
PABLO COSTA

PINHEIRO MACHADO - RIO GRANDE DO SUL - ZOOTECNISTA

EM 09/11/2010

Prezada Nivalda,

entre em contato através de meu e-mail pablocostta@hotmail.com, e se possível me passe mais informações sobre o problema, que tentaremos encontrar uma solução.

aguardo contato!

abraços!

att,

Pablo Costa
NIVALDA DE SANTA CRUZ LINS ARAUJO

MACEIO - ALAGOAS - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 08/11/2010

Oi, crio ovelhas Santa Ines em Alagoas, estou com um problema de mortalidade em cordeiros entre 10 e 15 kg. Ficam triste e morrem, mais só nesta idade.
suspeito de intoxicação por brachiaria. Gostaria de obter ajuda.
CECÍLIA JOSÉ VERÍSSIMO

NOVA ODESSA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 27/08/2010

O autor não citou a mastite como doença causadora de muitas perdas de cordeiro imediatamente após o parto, ou até 15 dias pós-parto. A mastite tem sido uma doença de ocorrência comum no sudeste e no nordeste, principalmente em rebanhos da raça Santa Inês. É muito importante verificar no dia do parto se a ovelha está sadia e produzindo leite nos dois quartos. Se não tiver, tomar providências imediatas quanto à amamentação artificial do(s) cordeiro(s), ou adotá-los em outras ovelhas ou cabras, a fim de evitar mortaliade.
Cecília
LUCIANO OLIVI MONARI

ADAMANTINA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAPRINOS DE CORTE

EM 22/07/2010

Tenho uma criação de aproximadamente 300 ovelhas e ainda não enxerguei lucro na ovinocultura com essa taxa de mortalidade.
ELIANE DAMASCENO

PINHEIRO MACHADO - RIO GRANDE DO SUL - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 13/07/2010

Parabéns pelo belessímo artigo, muito esclarecedor, é fundamental que os ovinocultores tenham conhecimento das principais causas que acarretam em mortalidade dos cordeiros, para que possam tomar medidades de prevenção, elevando sua produtividade.
PABLO COSTA

PINHEIRO MACHADO - RIO GRANDE DO SUL - ZOOTECNISTA

EM 12/07/2010

Prezado Luiz Ribeiro,

Muito obrigado pelo comentário, tocaste num ponto muito interessante, a esquila pré-parto consiste em uma ferramenta muito importante para melhorar a viabilidade dos neonatos, acredito que o mais dificil seja conscientizar os produtores dos beneficios em realizar esse procedimento durante o outuno, pois vai contra o manejo adotado à decadas pelas propriedades, sendo assim, concordo plenamente com o que frizaste "a esquila pré-parto seria uma medida de manejo a ser recomendada, especialmente a criadores gaúchos".

abraços!

att,

Pablo Costa
PABLO COSTA

PINHEIRO MACHADO - RIO GRANDE DO SUL - ZOOTECNISTA

EM 12/07/2010

Prezado Nilson Missel, muito obrigado pelo comentário, será um prazer publicar o artigo no periódico do Sindicato Rural de Palmares do Sul, peço a gentileza do amigo entrar em contato pelo e-mail pablocostta@hotmail.com.
abraços!
att,
Pablo Costa
LUIZ ALBERTO OLIVEIRA RIBEIRO

PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 12/07/2010

Caro Pablo
Mortalidade Perinatal de Cordeiros (MPC) tem sido um assunto bastante estudado por pesquisadores gaúchos desde longa data. Nosso grupo de pesquisa na Fac. Vet. UFRGS estuda a relação entre o peso ao nascer de cordeiros e sua vulnerabilidade ao sindrome exposição/inanição ou modernamente hipotermina primária e secundária. O peso médio ao nascer de cordeiros em rabanhos do RS (Corriedale, Ideal, Romeney) é de 3,5kg abaixo do ideal apontado pela leteratura que seria entre 4,0 e 4,5kg. Nosso grupo de pesquisa provou que a esquila pré-parto ao redor dos 70 dias de gestação aumenta em 700 g o peso ao nascer de cordeiros. Assim, como en outros países, a esquila pré-parto seria uma medida de manejo a ser recomendada, especialmente a criadores gaúchos.
NILSON PAULO MICHEL MISSEL

CIDREIRA - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 10/07/2010

Parabéns pelo artigo, muito bom. Temos que aumentar o índice de natalidade e sobrevivência dos cordeiros, imediatamente, para podermos suprir a demanda nacional dessa carne de qualidade. Pergunto ao autor da possibilidade de publicar este artigo num periódico do Sindicato Rural de Palmares do Sul/RS, dado a importância do assunto tratado. Att. Nilson Missel.