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Manejo e alimentação de cordeiros para abate precoce

POR INGRID MONTEIRO MEDINA

E ANDRESSA NATEL

PRODUÇÃO

EM 15/05/2009

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Em qualquer sistema de produção agropecuário, a meta principal é a produtividade com lucratividade. Para isto, devemos nos basear em quatro pontos importantes para o sucesso da ovinocultura: mercado, genética, saúde e nutrição. Destes quatro pontos iremos explorar um a um de forma a propiciar aos interessados um conjunto de informações úteis para tomada de decisões importantes ao planejamento da ovinocultura. Este texto não tem a pretensão de ser um modelo de exploração da ovinocultura nacional, porém deseja fornecer subsídios para auxiliar os interessados em criar ovinos em sistemas de produção mais intensificados tomarem certas decisões.

Mercado

A produção de carne ovina no centro-sul brasileiro é insuficiente para atender a demanda do mercado, de forma que atualmente o Brasil é um importador de carne ovina de tradicionais produtores como a Argentina, Uruguai e Nova Zelândia, entre outros. Entretanto, nossa extensa área territorial, com extensas áreas de pastagens, nos permitiria ser um exportador de carne ovina para atender o mundo como já estamos fazendo com a carne bovina, suína e de aves.

Atualmente, em função da incapacidade de atender a demanda do mercado interno, o preço do quilo da carne de ovinos posiciona-se ao redor de R$ 3,00 a R$ 4,00/kg vivo. Isto leva-nos a calcular um preço de R$ 90,00 a R$ 120,00/arroba produzida. Preço que é 50 a 100% superior ao preço pago pelos frigoríficos no estado de São Paulo por uma arroba bovina. Aliado ao bom preço devemos considerar o ciclo produtivo relativamente curto quando comparado ao ciclo de produção da carne bovina, principalmente quando os outros 3 pontos, genética, saúde e nutrição, são bem manejados dentro do sistema de produção.

Genética

No Brasil podemos contar com mais de 10 opções de raças para corte, todas com importantes características para serem exploradas dentro dos diferentes sistemas de produção adotados no território nacional. Entretanto, vamos discutir algumas características mais importantes e direcionadas ao sistema de produção de ovinos superprecoces.

Quando pensamos em produzir animais superprecoces, características relacionadas a crescimento, conversão alimentar, musculosidade, acabamento de carcaça e rusticidade são importantes quando da escolha de uma raça paternal, enquanto características ligadas à fertilidade, prolificidade, rusticidade, produção de leite e principalmente capacidade de reprodução o ano inteiro, devem ser consideradas na escolha da raça maternal.

Dentre as características que devem ser levadas em conta na escolha de uma raça maternal, a capacidade de se reproduzir o ano inteiro deve receber atenção especial em função da demanda pela carne ovina ser constante ao longo do ano, de forma que o produtor de cordeiro superprecoce deverá ter ocorrência de partos bem distribuídos ao longo do ano no rebanho, permitindo abates contínuos sem risco de deixar o consumidor desabastecido. Neste quesito devemos considerar a raça Santa Inês, que ao contrário da maioria das raças ovinas que são poliéstricas estacionais, apresenta cio o ano inteiro desde que não limitada por condições de baixo nível nutricional.

Nutrição

Conforme já exposto acima no início do texto, após definirmos a genética, devemos nos concentrar na alimentação dos animais, pois por melhor que seja a composição genética do rebanho que passa a ser estabelecido, a não observação de um manejo nutricional adequado irá impedir o aproveitamento pleno da genética adquirida.

Desta forma, alguns itens deverão ser considerados quando discutimos nutrição. Primeiramente devemos ficar atentos ao planejamento da produção forrageira da propriedade, de forma a maximizar a produção e utilização das pastagens no verão, além de produzir volumosos de forma eficiente e economicamente viável para suplementação do rebanho nos meses de inverno, período em que ocorre a redução da capacidade produtiva das pastagens.

Neste contexto, devemos considerar a necessidade de suplementação das matrizes com volumosos, para suprir a queda de produção das pastagens, e de confinamento dos cordeiros para acabamento e abate. Nas duas situações a utilização de rações com 18% de proteína bruta e alta energia deverá ser considerada para atender as exigências nutricionais destas categorias.

Creep-feeding

A produção de cordeiros superprecoces depende da exploração do elevado potencial de crescimento dos cordeiros, de forma que nenhum fator nutricional e/ou sanitário seja limitante à expressão máxima do potencial genético dos animais. Desta forma, o uso da técnica de creep-feeding, consiste em um manejo que visa suprir os cordeiros com ração de alto valor nutritivo, com 19% de proteína bruta e alta energia, adequada para elevar o desempenho destes animais, para que não sofram com a desmama precoce (ao redor de 45 a 60 dias de idade), sendo a maioria destes cordeiros abatidos após 30 dias de confinamento, com idade média entre 75 a 90 dias.

Outro benefício do creep-feeding, refere-se à rápida reconcepção das matrizes, que são menos exigidas pelos cordeiros, além de sofrerem o desmame antecipado quando comparado ao manejo normal. Assim podemos conseguir até dois partos por ano em algumas matrizes do rebanho. Uma observação importante para quem adota o sistema de creep-feeding é que os cordeiros devem mamar à vontade, e por isso atenção deverá ser dada à nutrição das matrizes que deverão ter a sua disposição pastagens de boa qualidade e com excelente disponibilidade no verão, ou volumoso de boa qualidade no inverno. Uma suplementação com ração com 18% de proteína bruta e alta energia, sempre deverá ser considerada durante a lactação, principalmente quando os partos são gemelares, para sustentar uma produção de leite adequada para garantir que os animais sejam desmamados com peso ao redor de 15 a 18 kg, para que sejam confinados e rapidamente abatidos.



Confinamento

Para a produção de animais superprecoces, o ganho de peso individual em confinamento deve ser ao redor de 200 a 300 gramas/dia para que os animais cheguem rapidamente ao peso de abate, com um bom grau de acabamento de carcaça. Assim, a utilização da silagem de milho passa a ser determinante como volumoso, uma vez que este é o volumoso de maior valor nutritivo dentre as opções brasileiras. O fornecimento de uma dieta composta por 40% de silagem de milho e 60% de ração, com 18% de proteína bruta com alta energia, garantirá um desempenho conforme exposto acima.

Além da relação volumoso:concentrado e da qualidade dos alimentos com relação à proteína e energia, a picagem do volumoso é de suma importância para garantir boa digestibilidade e consumo de matéria seca. Desta forma recomenda-se um tamanho médio de partícula do volumoso inferior a 5mm, e o fornecimento de ração na forma peletizada, o que melhora a digestibilidade da dieta, aumenta a taxa de passagem, maximizando o consumo de matéria seca que se refletirá em bons ganhos de peso, com boa conversão alimentar. Sugere-se um período de confinamento de 30 a 40 dias, com 10 dias de adaptação, momento em que altera-se a relação volumosos:concentrado de 70:30 para 40:60.

Sanidade

Com a intensificação dos sistemas de produção de carne ovina, os desafios sanitários passam a adquirir maior importância. Dentre os principais, podemos citar alguns como as verminoses, urolitíase nos machos, intoxicação por cobre e toxemia da prenhez em ovelhas gestantes.

Todas estas doenças poderão ser controladas desde que conhecimentos prévios de sua etiopatogenia sejam de domínio dos ovinocultores. Entretanto, para alguns, estes conhecimentos ainda são de pouco domínio, o que nos estimula a discuti-los nesta seção de uma forma sucinta e objetiva, recomendando algumas formas de manejo para reduzir a incidência destas patologias sobre os rebanhos.

INGRID MONTEIRO MEDINA

Mestre em Ciências na área de concentração de Ciência Animal e Pastagens com ênfase em Ciência de Carnes (Qualidade Final)...

ANDRESSA NATEL

Mestre em Zootecnia com ênfase em Produção Animal pela FMVZ/UNESP. Atualmente trabalha como consultora na Sima Consultoria.

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ISAÍAS VIANA DA SILVA

CHAPADINHA - MARANHÃO - ESTUDANTE

EM 10/10/2017

Muito bom!!
NADIR BATISTA ALVES DA SILVA

EM 09/02/2017

ESTE ARTIGO ME AJUDOU MUITO,TIROU ALGUMAS DÚVIDAS  E ME TRANQUILIZOU EM RELAÇÃO A ALIMENTAÇÃO DOS ANIMAIS.
INGRID MONTEIRO MEDINA

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL - ZOOTECNISTA

EM 09/06/2009

Prezado Sérgio Mangano de Almeida Sanros.

Acreditamos que ainda falta ao país uma raça brasilei­ra especializada para corte e, preferencialmente, que tenha capacidade genética para produzir carne e pele de qualidades. Esta assertiva encontra suporte nas demandas crescentes dessas comodities, nos mercados interno e externo.

Particularmente, no que tange à raça Santa Inês, entende-se que apresenta potencial ímpar para ocupar esse espaço, mas, certamente, ainda não deve ser considerada competitiva quando confrontada, por exemplo com raças ­européias especializadas para produção de carne, apesar da excelente qualidade da carne e da pele.
GIANCARLO DALLA COSTA

BANDEIRANTES - PARANÁ - ESTUDANTE

EM 23/05/2009

olá, gostaria de parabeniza-las pelo ótimo artigo.

Caro Sérgio, gostaria de passar um pouco da minha ainda pequena experiência, nós aqui na faculdade UENP-PR, estamos trabalhando com fêmeas SRD extremamente voltadas para Santa Inês, não sabemos ao certo o grau de sangue mas puxam muito para o Santa Inês. No cruzamento com Texel tivemos resultados excelentes quanto a produção de carne, na minha opinião hoje com o mercado cada vez mais exigente, poderíamos pensar em cordeiros cruzados para a produção de carne, tendo em vista todas as características que o Santa Inês linhagem materna emprega e em cima destas as características que outras raças especializadas em carne empregarão nos cordeiros...
bom acho que isso, abraço a todos
CAIO ALVES DA COSTA

BOA VISTA - RORAIMA - PESQUISA/ENSINO

EM 18/05/2009

Meus parabéns pelo artigo, muito bom e objetivo principalmente com relação à nutrição dos animais nos diferentes estágios prodtutivos.

Uma sugestão que daria seria um artigo que comente mais com relação à nutrição por categoria animal, principalmente em relação as matrizes (vazias, gestantes e lactantes).

Obrigado.
SÉRGIO MANGANO DE ALMEIDA SANROS

LONDRINA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 16/05/2009

Caras Autoras

Gostaria de parabeniza-las pelo ótimo artigo, e fazer alguns comentarios.

Como técnico atuando da área tenho enfrentado situações que põem em dúvida a ATUAL capacidade da raça Sta Inês, em produzir carne. Isso levando em conta os animais que realmente encontramos no campo, e não os animais "de pista" que vemos por aí em exposições, mas que nunca chegam a produzir carne efetivamente.

Gostaria da opinião das autoras e também dos caros leitores sobre o assunto, deixando claro que não sou contra a raça de forma nenhuma, mas sim penso que esta ainda não se encontra em condição de ser a "raça mãe" da ovinocultura brasileira, vejam bem, AINDA...

Espero e torço que este quadro se inverta, mas por enquanto, tenho ressalvas em utilizar a raça em projetos de produção de carne.

Agradeço a todos
CECÍLIA JOSÉ VERÍSSIMO

NOVA ODESSA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 15/05/2009

Trabalho com ovinos no Instituto de Zootecnia em Nova Odessa há 15 anos. Desde essa época (década de 90) quando o IZ montou seu sistema de produção baseado em pastagens de qualidade (piquetes de Aruana e Tanzânia, adubados anualmente) e confinamento das matrizes com seus filhotes durante o período da lactação (que, para as lanadas, acontece no período da seca), as contagens de ovos nas fezes (OPG) dos cordeiros criados confinados o tempo todo (desde o nascimento) é sempre muito próxima de zero, podendo ir até o acabamento sem haver necessidade de vermifugação.

No entanto, o confinamento traz outros problemas sanitários, igualmente graves, como é o problema da mastite. Tentamos criar os cordeiros e suas mães em sistema de semi confinamento (um cocho coletivo coberto em uma área pequena, mas com terra. Pois bem, nesta área, mesmo sendo passado herbicida para matar as plantas existentes, sempre acaba nascendo uma plantinha e daí a ovelha come e ensina o cordeiro a comer também.

Então, no semi confinamento, ou quando se cria mãe e filho no pasto, temos que vermifugar os cordeiros quando são desmamados, senão existe a possibilidade de haver muitas mortes e baixo desempenho. O problema é o que fazer quando a propriedade tem uma cepa de Haemonchus multirresistente (resistente a tudo quanto é vermífugo)?.

Aí, no meu ponto de vista, a solução é utilizar reprodutores sabidamente resistentes à verminose, ou voltar ao confinamento total (em galpões fechados, sem acesso à terra) desde o nascimento, com o cuidado de observar a condição do úbere, e do leite ou do colostro das ovelhas ao parto, tratando convenientemente e imediatamente as ovelhas que apresentarem sintomas de mastite (inclusive a subclínica, diagnosticada com o reagente CMT; geralmente, 3 dias após o parto já se pode utilizar este exame).

Desta forma, ovelhas com peito perdido que tiverem dois filhotes pode-se imediatamente começar a tratar com leite de vaca esse segundo filhote, ou tentar colocar ele para mamar em outra ovelha, senão, a morte desse segundo filho (geralmente o menor) é certa! Outra iniciativa importante no controle da mastite é, uma vez constatada a doença, separar a ovelha doente das outras (pelo menos enquanto realiza o tratamento), a fim de que os cordeiros não sirvam de veículo para levar a doença para outras ovelhas sadias.