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Inseminação artificial em tempo fixo

POR MARIA EMILIA FRANCO OLIVEIRA

PRODUÇÃO

EM 13/01/2012

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A inseminação artificial (IA) é uma importante ferramenta no manejo reprodutivo dos rebanhos e traz benefícios indiretos e diretos. Os indiretos são os pressupostos necessários à sua implantação: adoção de instrumentos de controle (escrituração zootécnica) e de manejo (sanitário, reprodutivo e nutricional). O ganho direto seria o aumento da produtividade com o uso de reprodutores com mérito genético comprovado (Silva et al., 2007).

Apesar dessas vantagens, a técnica de IA ainda não é maciçamente empregada na ovinocaprinocultura. Os principais limitantes estão associados as técnicas invasivas (ex. IA por via laparoscópica e transcervical por tração, especialmente em ovinos). Os procedimentos necessitam de equipamentos e qualificações específicos dos técnicos médicos veterinários, o que o torna oneroso e indispensável a presença do profissional.

A técnica de inseminação artificial em tempo fixo (IATF) contribui neste contexto, por apresentar vantagens, como: (1) programar os trabalhos de inseminação e de manejos, reprodutivo e produtivo para períodos específicos, de forma a otimizar a mão de obra; (2) inseminação de um grande número de fêmeas em um curto espaço de tempo; (3) incremento da eficiência da técnica de inseminação artificial (i.e. maior número de proles de (IA), acelerando o progresso genético); e (4) padronização dos lotes e planejamento das épocas de nascimento e desmame. A programação da IATF é realizada por meio de tratamentos hormonais, de forma a induzir a sincronização do estro e a ovulação dos animais, dispensando-se a observação de estro. Desta maneira, a IATF é uma tecnologia útil para resolver algumas das dificuldades inerentes à inseminação artificial convencional, como a eliminação as falhas de observação de estro e programação dos serviços de IA.

A eficiência dos programas de IATF está basicamente relacionada a condição corporal da fêmea, qualidade seminal e sincronização entre ovulações e a IATF. Os protocolos hormonais de sincronização do estro e/ou ovulação são indispensáveis para garantir menor variação de tempo entre as ovulações das fêmeas. Os protocolos de sincronização do estro permitem o emprego da IATF, mas sua eficiência pode ser incrementado com a adição de hormônios indutores de ovulação, como o GnRH e o LH.

Neste contexto, apresentaremos nesse artigo a compilação de resultados preliminares publicados por nosso grupo sobre o efeito da administração de GnRH no protocolo de sincronização sobre as respostas ovarianas em ovelhas da raça Santa Inês (Oliveira et al., Domestic Animal Reproduction, v.43, p.74, 2008).

O objetivo do estudo foi avaliar o efeito da adição de GnRH ao protocolo de sincronização do estro na resposta ovariana em ovelhas Santa Inês. Nos dois grupos (G-Controle, n=32; G-GnRH, n=32), as ovelhas receberam esponjas intra-vaginais com 60 mg MAP, permanecendo por 9 dias. Foram administrados 300UI de eCG e 37.5 µg d-cloprostenol, IM, 48 horas antes da retirada da esponja. As ovelhas do G-GnRH receberam ainda, 25μg do análogo do GnRH (GestranT - Lecirelina, Tecnopec, Brazil) IM, 16 horas após a remoção da esponja.

Por laparoscopia, as estruturas presente na superfície dos ovários às 42 horas após a remoção da esponja foram classificadas como folículos grandes (FG: 4-6 mm de diâmetro), folículos pré-ovulatórios (FPO: > 6 mm) ou ovulados (OV). A analise estatística dos dados foi conduzida pelo SAS, sendo as proporções comparadas pelo teste de Qui-quadrado (P<0.05). No G-Controle, 40,6% das ovelhas tinham FG, 21,9% tinham FPO e 31,2% tinham OV. Diferentemente, no G-GnRH, 6,45% das ovelhas tinham FG, 16,13% tinham FPO e 77,42% tinham OV.

Assim, as proporções foram diferentes entre os grupos (P<0,05) para FG e OV. O GnRH promoveu maior sincronia das ovulações comparado com o controle (G-Controle), culminando em ovulações mais cedo (P>0,05). A melhor fertilidade em programas de sincronização tem sido previamente determinada pela relação entre tempo da ovulação e inseminação (Lopéz Sebastián, 1992). Assim, os resultados do presente estudo são importantes para determinar o momento mais apropriado para a inseminação em protocolos de IATF.

Literatura consultada:

CHEMINEAU, P.; COGNIé, Y. Training manual on artificial insemination in sheep and goats. INRA, FAO, France, 222 p., 1991.

GONZÁLEZ, R. S.; HERNÁNDEZ, J. A. M. Reproducción de ovejas y cabras. UNAM Cuautitlán. 1ª Edição, México, 335p., 2008.

OLIVEIRA, M.E.F.; SANTOS, I.C.C. ; VICENTE, W.R.R. ; CORDEIRO, M.F.; FONSECA, J.F.; SOUZA, S.F. Effects of GnRH in Synchronization Protocol on Ovarian Responses in Santa Inês Ewes. In: 12th Annual Conference of the European Society for Domestic Animal Reproduction, 2008, Berlim. Proceedings of the 12th Annual Conference of the European Society for Domestic Animal Reproduction. Berlim : Blackwell Plublishing, 2008. v. 43. p. 74-74.

SILVA, A. S.; SILVA, E.V.C.; NOGUEIRA, E.; ZÚCCARI, C.E.S.N. Avaliação do custo/benefício da inseminação artificial convencional e em tempo fixo de fêmeas bovinas pluríparas de corte. Revista Brasileira de Reprodução Animal., v.31, n.4, p.443-455, 2007.

MARIA EMILIA FRANCO OLIVEIRA

www.mariaemilia.vet.br

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MARCELO DA COSTA LEAL

SALVADOR - BAHIA - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 02/01/2015

Estou querendo fazer inseminação vaginal nas minhas ovelhas 1/2 Dorper. Após a coleta do sêmen posso diluí-lo apenas em água de coco. A finalidade é apenas diluição do sêmen para uso imediato nas ovelhas.
NIZAN SÉRGIO PLENA

GUARA - DISTRITO FEDERAL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/04/2012

Boa tarde,



Tenho uma fazenda no centro oeste goiano e gostaria de saber se voces tem algum correspondente na região da Cidade de Padre Bernardo, para iniciar a IATF.

RESPOSTA, SE POSSIVEL PARA: nizan.pena@ana.gov.br



Grato



Nizan
MARCELA AZEVEDO

RIBEIRÃO PRETO - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 22/02/2012

Prezada,

curso veterinária e estou co um projeto no qual tenho que sincronizar as ovelhas do meu experimento, gostaria de saber qual é o melhor e mais atual protocolo de sincronização para ovelhas.Grata
MARIA EMILIA FRANCO OLIVEIRA

JABOTICABAL - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 19/01/2012

Prezado Paulo. De acordo com cada protocolo de sincronização indica-se um momento para as IATF. Segundo o protocolo descrito neste artigo as inseminação devem ocorrer antes das 42 horas, quando utiliza-se o indutor de ovulação (GnRH). Neste caso, indicamos serem realizadas por volta de 36 horas após a remoção do pessário vaginal.

Estou grata por sua participação.

Atenciosamente, Maria Emilia Franco Oliveira
PAULO CESAR DIAS THOMAZELLA

SOROCABA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 13/01/2012

Boa Tarde!

Gostei muito sobre o artigo apresentado.

Sou veterinário e realizo IATF em ovinos com sêmen congelado e a técnica  transcervical pois não possuo laparoscópio.Gostaria de saber qual o momento ideal de realizar a inseminação se eu usar o gestran plus.Agradeço sua atenção e parabenizo mais uma vez pelo artigo apresentado pois trabalho a nível de campo e todas essas informações são sempre bem vindas.

Atenciosamente

Paulo Thomazella

CRMV-SP 7548