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Importância da altura para a utilização das pastagens

POR ALDA LÚCIA GOMES MONTEIRO

E CLAUDIO JOSÉ ARAÚJO DA SILVA

PRODUÇÃO

EM 11/05/2007

6 MIN DE LEITURA

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A altura das pastagens é uma ferramenta importante no manejo das propriedades devido à facilidade de observação e visualização. Porém, alguns aspectos importantes devem ser levados em consideração para maior eficiência no uso desta ferramenta. O presente texto pretende abordar alguns desses importantes aspectos relacionados à altura das pastagens e ao comportamento de caprinos e ovinos.

Têm sido comuns afirmações equivocadas de que os caprinos mas, principalmente os ovinos, preferem pastagens de pouca altura. Porém, vários trabalhos constataram a maior seleção destes animais por locais das pastagens com maior altura (Betteridge et al., 1994; Carvalho, 1997; Silva, 2006). No caso dos caprinos, muitas vezes esse aspecto não é citado devido ao comportamento mais exploratório dos animais, sua preferência por arbustos e sua possibilidade de posição bipedal para se alimentar.

Nesse contexto, Silva (2006) trabalhou com as gramíneas Aruana (Panicum maximum) e Hemártria (Hemarthria altíssima cv. Flórida) no Paraná avaliando-as em diferentes alturas de manejo com caprinos. No caso, o capim Aruana estava disponível aos animais em duas alturas médias, 20 e 50 cm, e a Hemártria, em 14 e 39 cm.

A preferência dos caprinos foi facilmente percebida em relação à altura da pastagem e à massa disponível de folhas. Assim, os caprinos pastejaram por mais tempo e, conseqüentemente, tiveram oportunidade de ingerir maior quantidade de forragem quando as alturas e as disponibilidades de folhas eram maiores. Isso ocorreu, no caso do capim Aruana quando a pastagem estava manejada com 50 cm de altura e no caso da hemártria com 39 cm. Na Figura 1, pode-se verificar isso de forma clara, através do percentual de tempo em pastejo diário.


Figura 1. Pastagens de Aruana e hemártria ofertadas com diferentes alturas e o percentual do tempo destinado ao pastejo de caprinos (Silva, 2006).

Esse efeito da altura também havia sido observado em pastagem de grama-estrela (Cynodon nlemfuensis), na qual cabras da raça Saanen consumiram mais forragem nos locais que apresentaram maior altura da pastagem (Ribeiro et al., 2000).

É importante o entendimento que o fato dos animais pastejarem principalmente locais de maior altura não acontece em vão.

Normalmente, esses locais contêm uma maior massa de folhas, e quanto maior a quantidade de folhas, melhor a qualidade da forragem uma vez que há maior teor de proteína e melhor digestibilidade e, provavelmente, isso proporcione maior consumo pelo animal.

É importante lembrar que o processo de pastejo ocorre desde os estratos superiores em direção aos inferiores e os trabalhos de Martinichen (2002) e Silva (2006) indicaram que o incremento na altura da pastagem proporcionou aos animais um horizonte mais profundo de folhas, o que pode proporcionar aos animais a oportunidade de alta ingestão de forragem, como pode ser observado na Figura 2, com as duas alturas estudadas na pastagem de capim Aruana para os caprinos.


Figura 2. Efeito da altura da pastagem de capim Aruana na distribuição vertical da forragem (Silva, 2006).

A altura indica então a quantidade de biomassa disponível para os animais. A preferência por maior altura significa oportunidade de alta ingestão à medida que a altura potencializa maior consumo de forragem (Carvalho et al., 2001).

Vários autores relataram correlação positiva entre a altura e a massa de forragem (Martinichen, 2002; Perin, 2003; Silva, 2004; Silva, 2006). No entanto, vale dizer que, por outro lado, em muitas situações a maior altura da pastagem pode significar maior presença de tecidos lignificados, tais como os colmos das plantas, que são indigestíveis (Prache e Peyraud, 2001). Portanto, é importante que a forragem seja colhida nova, antes do declínio de sua qualidade. Então, deve-se estar atento para o fato de que pastagens demasiadamente altas podem dificultar o consumo dos animais em função de sua limitação qualitativa, que por sua vez limita a quantidade a ser ingerida pelos animais para atender sua demanda energética e/ou proteica.

Além disso, o excesso de altura pode indicar provável perda de forragem, ou seja, o animal não consegue ingerir e começa a sobrar pasto, e isso resulta em perda do alimento produzido, implicando em perdas econômicas. Ou seja, a sua alternativa forrageira de baixo custo, que seria a pastagem, torna-se improdutiva por ser utilizada na forma inadequada.

Observa-se então que, nesse contexto, a orientação e o monitoramento da altura pelo técnico e/ou produtor é fundamental. Nesse sentido, recomenda-se que o ponto de medição de altura no perfil da pastagem seja feito baseando-se na região das folhas.

Lembra-se que o momento de utilização da forragem deve levar em conta dois aspectos: as forrageiras devem possuir área foliar para realizar fotossíntese e produzir massa; por outro lado, os animais devem consumir essa área foliar para obtenção de nutrientes com qualidade. Nesse caso então, o manejo mais apropriado deve garantir a rebrota e o crescimento da pastagem, conciliando quantidade disponível para atender as demandas nutricionais do animal conforme seu estado fisiológico, e mais a qualidade dessa massa ofertada.

Para encontrar esse ponto ótimo de equilíbrio é preciso encontrar nas propriedades o número exato de animais por unidade de forragem disponível nos piquetes de pastagem. Este é o conceito de pressão de pastejo, já discutida anteriormente nesta coluna, que nada mais é do que a preocupação em colocar, em determinado pasto, número de animais que esteja em equilíbrio com a produção forrageira.

Através do manejo pela altura busca-se exatamente esse ponto ótimo para cada espécie forrageira e para cada situação de pastejo. Na Tabela 1, estão apresentadas sugestões de manejo de algumas pastagens através da altura para caprinos e ovinos de diferentes categorias animais (Carvalho, 2004).

Tabela 1. Proposta de manejo da altura para ovinos e caprinos em diferentes espécies forrageiras e a provável massa de forragem.


Pode-se dizer então que a altura das pastagens é um indicador prático bastante consistente para caracterização de estratégias de manejo em condições de campo e de fácil adoção pelos produtores e técnicos, uma vez que não gera a necessidade de nenhuma ferramenta sofisticada para a sua execução e é de fácil entendimento pelo pessoal de campo.



Figuras 3 e 4. Medição de altura da pastagem com bastão medidor

Literatura Citada

BETTERIDGE, K.; FLETCHER, R.H.; LIU, Y.; COSTALL, D.A.; DEVANTIER, B.P. Rate of removal of grass from mixed pastures by cattle, sheep and goat grazing. Proceedings of New Zealand Grassland Association, v. 56, p. 61-65, 1994.

CARVALHO, P.C. de F. Relações entre a estrutura da pastagem e o processo de pastejo com ovinos. Jaboticabal. 1997. Tese (Doutorado em Zootecnia - Produção Animal) - Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias. Universidade Estadual Paulista.

CARVALHO, P.C.de F. Princípios Básicos do manejo das pastagens. Práticas em Ovinocultura. Ferramentas para o sucesso. Pereira Neto, O.A. (organizador). SENAR-RS. Porto Alegre. 2004.

CARVALHO, P.C.F.; MARÇAL, G.K.; RIBEIRO FILHO, H.M.N.; POLI, C.H.E.C.; MORAES, A. ; DELAGARDE, R. Importância da estrutura da pastagem na ingestão e seleção de dietas pelo animal em pastejo. In: Matos, W.R.S. et al. (Eds) A produção animal na Visão dos brasileiros, Sociedade Brasileira de Zootecnia, Piracicaba: FEALQ 2001. p. 853-871.

MARTINICHEN, D. Efeito da estrutura do capim Mombaça sobre a produção de vacas leiteiras. Curitiba. 2002. 64p. Dissertação (Mestrado em Agronomia Produção Vegetal) - Setor de Ciências Agrárias. Universidade Federal do Paraná.

PERIN, R. Caracteristicas da pastagem e desempenho animal em uma consorciação de Panicum maximum Jacq. cv. Tanzânia e Arachis pintoi submetida a diferentes alturas de manejo. Curitiba, 2003. 102p. Tese (Doutorado em Agronomia, Produção Vegetal) - Setor de Ciências Agrárias. Universidade Federal do Paraná.

PRACHE, S.; PEYRAUD, J. Foraging behaviour and intake in temperate cultivated grasslands. In: INTERNATIONAL GRASSLAND CONGRESS. Proceedings., 19, São Pedro, 2001. p. 309-319.

RIBEIRO, L.R.; ITAVO, L.C.V.; TOLEDO, V.A.A.; SOUZA, D.L.; DAMASCENO, J.C. Comportamento ingestivo de cabras Saanen em lactação em pastagem de grama estrela (Cynodon nlemfuensis). In: RENIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, VIÇOSA, CD-ROM..., 2000.

SILVA, A.L.P Estrutura do Dossel e o comportamento ingestivo de novilhas leiteiras em pastos de capim Mombaça. Curitiba. 2004. 104p. Tese (Doutorado em Agronomia, Produção Vegetal) - Setor de Ciências Agrárias. Universidade Federal do Paraná.

SILVA, C.J.A. Características Estruturais das Forrageiras Aruana e Hemártria e o Comportameto Ingestivo de Caprinos em Pastejo. Dissertação (Mestrado em Agronomia, Produção Vegetal). 2006. 102 p. - Setor de Ciências Agrárias. Universidade Federal do Paraná.

ALDA LÚCIA GOMES MONTEIRO

Coordena o Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos (LAPOC) da UFPR

CLAUDIO JOSÉ ARAÚJO DA SILVA

Pós-Doutorando do PNPD/CAPES no Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Vinculado ao Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos da UFPR (LAPOC-UFPR).

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LUIZ DE GONZAGA BASTOS DA COSTA

FORTALEZA - CEARÁ - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 28/07/2008

Super importante e muito prático este artigo.
Parabéns!