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Feno de alfafa: retorno líquido supera algumas atividades agrícolas

POR DUARTE VILELA

PRODUÇÃO

EM 02/10/2019

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Para que o Brasil continue sendo protagonista no crescimento sustentável a taxas superiores às registrada no mundo, atuando de modo eficiente e com retorno econômico e social, deve-se dar ênfase a recursos que visem garantir a agregação de valor aos produtos. Além disso, é mandatário rendimentos positivos e que remunerem adequadamente os fatores de produção no longo prazo. Uma cultura multifacetada com grande potencial de uso, como a alfafa, pode sustentar este protagonismo.

Originária da Ásia Menor, é cultivada desde 700 a.C pelos árabes, Irã e Afeganistão, apesar de grande parte das pesquisas com esta cultura terem sido conduzidas em países de clima temperado, principalmente nos Estados Unidos. A alfafa é uma leguminosa tetraploide, perene e que, normalmente, vive de quatro a oito anos, às vezes mais, dependendo da variedade e clima, mas, principalmente, dos tratos culturais. O recomendável é manter um stand com pelo menos 300 plantas/m2 e o replantio ou rotação de cultura quando atingir menos de 100 plantas/m², que, dependendo do manejo e da região, daria-se com três anos de cultura economicamente viável, podendo, em alguns casos, chegar a cinco anos.

Esta planta tem uma particularidade entre as leguminosas, possui um sistema radicular profundo, o que a torna muito resistente, especialmente às secas, apesar de responder muito bem à irrigação, principalmente em região tropical. Cultivada em várias latitudes, a alfafa possui alta produtividade, elevado teor proteico, alta digestibilidade e boa aceitabilidade por várias espécies animais. Sua capacidade de fixar nitrogênio atmosférico no solo a qualifica para participar de sistemas de cultivo em rotação de cultura gramínea - leguminosa, assim como sua baixa sazonalidade na produção de forragem a distingue de várias forrageiras tropicais.

Um estudo de três anos conduzido pela Universidade de Minnesota nos Estados Unidos comparou o retorno líquido por hectare para várias atividades agrícolas, mostrando retornos positivos para alfafa não irrigada de 227,5 dólares; soja de 75 dólares e milho de 37,5 dólares.

O custo de produção por área de alfafa (Tabela 1) e o custo de produção e de venda de alfafa processada de diferentes maneiras (Tabela 2), mostram claramente que o valor de venda suplanta o de produção de alfafa independentemente do tipo de processamento utilizado, quer como pré-secado, feno ou pellets.

No Brasil, não há estudos comparativos sobre o retorno econômico das principais commodities como alternativa à produção de feno ou pellets de alfafa para venda no mercado local ou internacional. Assim, o economista da Embrapa Gado de Leite, José Luiz Bellini Leite, comparou o seu retorno líquido com outras culturas, semelhantemente ao estudo conduzido em Minnesota (Tabela 3).

Tabela 1. Custo de produção de 1 ha de alfafa.

Tabela 2. Custo de produção e valor de venda no mercado nacional.

A produção anual de feno por área será tomada conforme estudos conduzidos por Meireles (2019) e pela Embrapa na Região Sudeste (Tabelas 1 e 2). Os preços e as produtividades das commodities selecionadas serão tomados conforme referência oficial da CONAB (Indicadores da Agropecuária. Observatório Agrícola, ano XXVIII, n. 8, agosto de 2019. Disponível em: https://www.conab.gov.br/info-agro/precos/revista-indicadores-da-agropecuaria. Acessado em 19.09.2019)

Tabela 3. Análise comparativa da receita líquida com a produção e comercialização do feno de alfafa comparativamente a algumas commodities.

A tabela 3 mostra que o feno de alfafa produzido com irrigação compete no mercado nacional com o algodão, milho e soja, proporcionando uma renda líquida por área superior a estas culturas. Foram adotados valores conservadores para a produtividade da alfafa que pode chegar a 20 toneladas por hectare ano, conforme dados da Embrapa na Região Sudeste do Brasil. Dependendo da produtividade e dos custos de produção, o feno de alfafa mostra-se como alternativa para os produtores nacionais, principalmente aqueles que querem diversificar a produção e agregar valor aos seus produtos comercializados. Se optar por compor sistemas em rotação de cultura com uma gramínea (algodão, milho), por suas características de fixação de nitrogênio, traz benefícios econômicos e ambientais adicionais, pela redução na quantidade de fertilizante nitrogenado necessário para a cultura subsequente. Estudos complementares podem ainda evidenciar que a alfafa na forma de pré-secado tem excelentes condições de competir e obtém preços muito expressivos no mercado nacional e de pellets no mercado internacional.

O preço atual da tonelada de feno de alfafa no mercado internacional, conforme a qualidade, varia de US$ 220-240 para a categoria “Good”, US$ 240-260 para “Prime” e de US$ 260-280 para “Supreme”. O preço do pellet supera US$ 270 a tonelada. Vale a pena para o produtor fazer “as contas”, considerando as condições de produção em sua região.

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REINALDO

SÃO CARLOS - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 16/10/2019

Excelente artigo, mostrando de forma clara e objetiva o potencial de utilização de feno de alfafa nos trópicos. A alfafa, como parte da dieta, reduz o custo de produção de leite, seja utilizando na foma de feno ou pastejo. Portanto, há mercado para o produtor que deseja investir na produção de feno de alfafa nas principais regiões produtoras de leite do Brasil.
Falta implementar um forte programa de transferência de tecnologia e de comunicação para inserir alfafa como opção forrageira para animais de alto potencial genético no País. As universidades brasileiras podem nos ajudar muito nisto!!