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Efeito da coloração do pelame sobre cortes comerciais de ovinos mestiços

VÁRIOS AUTORES

PRODUÇÃO

EM 21/10/2013

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O estresse térmico por calor provoca uma série de alterações no organismo animal que afetam o potencial produtivo pela maior requisição de energia para a manutenção da homeotermia. Nesse âmbito, o pelame do animal constitui um meio importante de troca de calor com o ambiente e estudos demonstram que animais com pelame escuro estão mais susceptíveis aos efeitos do estresse calórico devido a sua maior capacidade de absorção dos raios solares, enquanto animais de pelame claro são mais eficientes em refletir esses raios.

Como visto, a cor da pelagem é um fator bastante importante na determinação da tolerância ao calor em animais e um dos motivos é o fato de os animais com pelame mais claro absorverem entre 40% a 50% menos radiação do que aqueles com pelame escuro (MCMANUS et al., 2011). Contudo, a literatura na pigmentação e na adaptação da pele é escassa e não fornece uma ideia holística dos efeitos da pigmentação da pele em parâmetros e no comportamento fisiológico (DARCAN et al., 2009).

Na região Nordeste do Brasil, a ovinocultura possui grande importância socioeconômica e está voltada principalmente para a produção de carne. No sistema de produção de carne, as características quantitativas e qualitativas da carcaça são de fundamental importância, pois estão diretamente relacionadas ao produto final. No entanto, para a melhoria da produção e da produtividade, o conhecimento do potencial do animal em produzir carne é fundamental (ALVES et al., 2003).

Além do ganho de peso, a qualidade de carcaça é importante na produção de carne. Portanto, estudos avaliando as características de carcaça devem ser associados a estudos de desempenho visando à seleção dos melhores animais para corte. As medidas realizadas na carcaça são fundamentais, pois permitem comparações entre tipos raciais, pesos e idades de abate, sistemas de alimentação e, ainda, o estabelecimento de correlações com outras medidas (LOUVANDINI et al., 2007).

As carcaças podem ser comercializadas inteiras ou sob a forma de cortes. Os cortes cárneos em peças individualizadas associados à apresentação do produto são importantes fatores na comercialização. O tipo de corte varia de região para região e principalmente entre países e a proporção desses cortes constitui um importante índice para avaliação da sua qualidade (ALVES et al., 2003).

Dado o exposto, objetivou-se analisar a influência da coloração do pelame (preto e branco) sobre os cortes comerciais das carcaças de ovinos mestiços ½ Santa Inês x ½ Dorper no semiárido brasileiro.

O experimento foi realizado no Núcleo de Pesquisa para o Trópico Semiárido (NUPEÁRIDO), do Centro de Saúde e Tecnologia Rural (CSTR), da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Campus de Patos-PB, região semiárida do Nordeste do Brasil, que se caracteriza por apresentar um clima BSH (classificação Köppen).

Para caracterização do ambiente térmico, calculou-se o ITGU (índice de temperatura de globo negro e umidade) no ambiente de sombra e de sol das condições experimentais, de acordo com a fórmula: ITGU = TGN+ 0,36(Tpo) + 41,5, na qual TGN significa a temperatura de globo negro e Tpo, a temperatura do ponto de orvalho, ambas registradas através de dois termômetros de globo negro, um instalado na sombra e outro no sol a uma altura semelhante a dos animais, ambos acoplados a um datalogger para medição e registro dos dados.

Foram utilizados 30 ovinos ½ Santa Inês x ½ Dorper, 15 com pelame preto e 15 com pelame branco. Todos os ovinos receberam dieta composta de feno de Tífton (Cynodon spp.), suplementação mineral e água ad libitum. Os animais foram vacinados e vermifugados no início do experimento e permaneceram alojados em baias de madeira (figura 1), contendo comedouros e bebedouros individuais durante todo o período experimental, que durou 60 dias.

Figura 1 - ovinos em confinamento.

Uma vez por semana, os animais eram submetidos a estresse térmico através da exposição à radiação solar direta, como demonstrado na figura 2, durante uma hora, entre 14h00 e 15h00, totalizando oito exposições durante o período de confinamento.

Figura 2 – ovinos expostos à radiação solar direta.

Antes do abate, os ovinos permaneceram em jejum de sólidos por 18 horas. Ao abate, os animais foram pesados e atordoados, e a sangria foi feita através da secção da veia jugular e artéria carótida. A pele foi retirada e houve a avaliação da carcaça dos animais (figura 3), e secção mediana ventral dividindo-a em duas hemicarcaças. Estas foram mantidas em câmara de resfriamento por 24 horas e meia-carcaça esquerda foi dividida em cinco cortes comerciais, de acordo com o esquema da figura 4: paleta, perna, pescoço, lombo e costela, que foram separados e pesados para análise.


Figura 3 - carcaças dos ovinos mestiços Santa Inês x Dorper.



Figura 4 - Esquema de distribuição anatômica de cortes comerciais realizados em carcaças ovinas. 
Fonte: http://www.farmpoint.com.br/radares-tecnicos/qualidade/principais-cortes-comerciais-da-carcaca-ovina-40929n.aspx



Foi utilizado o delineamento inteiramente casualizado (DIC), com dois tratamentos de acordo com a coloração do pelame (branco e preto) e quinze repetições. Os dados obtidos foram analisados através do Sistema de Análises Estatísticas e Genéticas (SAEG, 1993) e foi aplicado o Teste F a 5% de probabilidade.

A média de ITGU encontrada para os ambientes de sombra e de sol foram bastante elevadas, sendo 82,81 e 89,08 respectivamente, valores que caracterizam estresse térmico para ovinos, já que, de acordo com Baêta e Souza (2010), valores de ITGU de até 74 indicam uma situação de conforto para os animais, de 74 a 78 é considerado um estresse leve, 79 a 84 situação perigosa e acima de 84, indicam uma situação de emergência.

Os pesos, em gramas, dos cortes comerciais da hemicarcaça esquerda dos ovinos estão apresentados na tabela 1.

Tabela 1. Peso (em gramas) da hemicarcaça esquerda (CE) e dos cortes comerciais de ovinos de pelagens branca e preta.



Não houve diferença significativa (P>0,05) sobre o peso da hemicarcaça esquerda, pescoço e lombo. Os ovinos pretos apresentaram os menores valores (P<0,05) para o peso dos cortes de paleta, perna e costela. A exposição a condições adversas do meio ambiente constitui fator condicionante na condição corporal dos ovinos, podendo ocasionar diminuição do crescimento e menor deposição de massa muscular corpórea. Como afirma Marai et al. (2007), o aumento no catabolismo ocorre principalmente em depósitos de gordura e/ou massa magra corporal devido a uma depressão das vias metabólicas, causando uma deterioração drástica na utilização da proteína.

O conhecimento das mudanças que alteram as proporções dos cortes comerciais, resultantes das mudanças metabólicas nas reservas energéticas para demanda do tecido muscular e o manejo desta deposição de tecidos é mais complicado na época da seca (MENEZES et al., 2008), pela menor disponibilidade de alimento e consequente menor ingestão, além do maior impacto do estresse térmico sofrido pelos animais nesse período.

Corroborando com a afirmação de Alves et al. (2003), observou-se que os cortes como perna e paleta foram os que apresentaram maiores pesos em relação aos outros, o que pode ser explicado pela maior quantidade de tecido muscular que esses cortes possuem, quando comparados com os demais.

Conclusões


A cor do pelame influencia o peso dos cortes comerciais paleta, perna e costela dos ovinos nas condições estudadas. Mais estudos devem ser realizados relacionando a cor do pelame à carcaça de ovinos Santa Inês x Dorper.

Referências bibliográficas

ALVES, K.S.; CARVALHO, F.F.R.; FERREIRA, M.A.; VÉRAS, A.S.C.; MEDEIROS, A.N.; NASCIMENTO, J.F.; NASCIMENTO, L.R.S.; ANJOS, A.V.A. Níveis de Energia em Dietas para Ovinos Santa Inês: Características de Carcaça e Constituintes Corporais. Revista Brasileira de Zootecnia, v.32, n.6, p.1927-1936, 2003.

BAÊTA, F. C.; SOUZA, C. F. Ambiência em Edificações Rurais: Conforto animal. 2.ed. Viçosa: Editora UFV, 2010. 269 p.
DARCAN, N.K.; CANKAYA, S.; KARAKOK, S.G. The effects of skin pigmentation on physiological factors of thermoregulation and grazing behaviour of dairy goats in a hot and humid climate. Asian - Australasian Journal of Animal Sciences, vol.22, n.5, p.727-731, 2009.

LOUVANDINI, H.; NUNES, G.A.; GARCIA, J.A.S.; MCMANUS, C.; COSTA, D.M.; ARAÚJO, S.C. Desempenho, características de carcaça e constituintes corporais de ovinos Santa Inês alimentados com farelo de girassol em substituição ao farelo de soja na dieta. Revista Brasileira de Zootecnia, v.36, n.3, p.603-609, 2007.

MARAI, I.F.M.; EL-DARAWANY, A.A.; FADIEL, A.; ABDEL-HAFEZ, M.A.M. Physiological traits as affected by heat stress in sheep - A review. Small Ruminant Research, vol. 71, p.1–12, 2007.

MCMANUS, C.; LOUVANDINI, H.; GUGEL, R.; SASAKI, L.C.B.; BIANCHINI, E.; BERNAL, F.E.M.; PAIVA, S.M.; PAIM, T.P. Skin and coat traits in sheep in Brazil and their relation with heat tolerance. Tropical Animal Health and Production, vol.43, p.121–126, 2011.

MENEZES, L.F.O.; LOUVANDINI, H; MARTHA JÚNIOR, G.B; MCMANUS, C.; GARCIA, J.A.S; MURATA, L.S. Características de carcaça, componentes não-carcaça e composição tecidual e química da 12a costela de cordeiros Santa Inês terminados em pasto com três gramíneas no período seco. Revista Brasileira de Zootecnia, v.37, n.7, p.1286-1292, 2008.
 

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BONIFÁCIO BENICIO DE SOUZA

Professor Associado - UAMV/CSTR/UFCG, Bolsista de Produtividade do CNPq

NAYANNE LOPES BATISTA DANTAS

Médica veterinária, Mestra em Zootecnia e Doutoranda em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

GABRIEL JORGE CARNEIRO DE OLIVEIRA

Prof. Associado da UFRB/ CCAAB, Pós-Doutorandodo NUBS/CSTR/ UFCG

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JOSÈ HERALDO COSTA

EM 08/11/2016

NA verdade estou vendo como  criar carneiro santa inès, preciso de mais informacão
LUCIANO FERREIRA DOS SANTOS

MIRANTE - BAHIA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 29/10/2013

Muito bom, parabéns...
ANDERSON PEDREIRA

SALVADOR - BAHIA - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 21/10/2013

Tenho algumas questionamentos sobre o trabalho:



1 - Gostaria de ver os dados do experimento na parcela testemunha ou seja,  onde cordeiro pretos e brancos submetidos a 100% de sombra;

2 - A diferença poderia ser a raça influenciando uma vez que animais totalmente negros podem ter suas características zootécnicas mais próximas do Santa Inês, que sabidamente possuem peças relativamente menores. Fato este que não significa menos produtivo uma vez que é uma raça que produz maior números de cordeiros por ano, maior números de matrizes cobertas, maior taxa de prenhez...