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Sustentabilidade na cadeia do leite da Nova Zelândia

POR DIEGO RODRIGUES

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/09/2020

3 MIN DE LEITURA

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No artigo anterior, definimos sustentabilidade como a capacidade de uma instituição, processo ou sistema em continuar a exercer suas atividades ao longo do tempo e vimos como isto pode se aplicar ao nosso dia a dia. Vamos ampliar nossa compreensão discutindo a abordagem do tema pelo setor leiteiro na Nova Zelândia.

O país produziu mais de 21 bilhões de litros de leite em 2019 com apenas 5 milhões de vacas alimentadas principalmente a pasto. É o maior exportador mundial e as divisas geradas pelo produto correspondem a cerca de 30% de toda exportação neozelandesa.

Nestas condições, ao observamos métricas como a produção anual por vaca, por hectare ou pelo número de trabalhadores, percebemos a alta produtividade do sistema que tende a gerar estresse em seus componentes. São os efeitos colaterais da boa performance que se acumulam com o tempo.

Para entendermos melhor esta ideia, podemos abordar o exemplo do nitrogênio como contaminante ambiental resultante da produção leiteira da Nova Zelândia. A alta produtividade no país depende do uso de fertilizantes para correção do nitrogênio disponível para o crescimento das pastagens; aqui costuma-se dizer que qualquer produtor de leite é, antes de mais nada, um produtor de capim de qualidade. Os custos com fertilizantes correspondem a parte significativa do total da operação.

Após décadas de uso, iniciaram-se os relatos de que muito do nitrogênio aplicado deixa o ciclo produtivo e contamina as fontes de água, tornando-se um problema ambiental e de saúde. A questão logo tomou o centro do debate político e da administração pública.

Neste ponto, observe como a questão pode impactar negativamente o futuro de um produto do qual a economia neozelandesa é tão dependente. Se trata de algo que piora a cada ciclo produtivo e mina o planejamento de longo prazo. Observe também que, como em outras questões ambientais difusas, os culpados nem sempre são prontamente identificados e frequentemente as causas são complexas – existem outras fontes que contaminam o ambiente com nitrogênio.

De qualquer forma, a estratégia que tem sido adotada pelo setor é a de assumir sua responsabilidade e agregar valor a seus produtos por meio do marketing verde. Uma série de soluções ambientais têm sido adotadas, sendo uma delas o Sustainable Dairy: Water Accord (Lácteos Sustentáveis: Acordo da Água), projeto iniciado em 2015 e endossado por toda a cadeia produtiva e pelo governo com o objetivo de melhorar o desempenho dos efeitos da produção leiteira sobre a água.

O acordo da água prevê o controle das áreas ao redor de rios e corpos da água (impedindo seu uso para a produção de leite), o gerenciamento de nutrientes como nitrogênio e fósforo que são perdidos para o ambiente e o gerenciamento de efluentes e do uso racional da água. Estas e outras iniciativas têm produzido resultados animadores, mas ainda há muitos desafios à frente.

Quando tratamos de um negócio, sustentabilidade refere-se não somente ao meio ambiente. Assim, o Dairy Tomorrow Strategy (estratégia para o leite de amanhã) foi criado por meio da grande integração da cadeia e pela capacidade de planejamento. Trata-se de um olhar atento ao futuro do leite na Nova Zelândia.

A estratégia baseia-se em algumas premissas: que o leite sustentável representa um papel crítico para a sociedade neozelandesa; no compromisso da cadeia com os limites ambientais; na máxima valorização da matéria prima; na valorização humana e animal e sua proteção e na transparência. A partir destes fundamentos, vários projetos com foco em sustentabilidade estão sendo executados. Podemos citar como exemplos o “Construindo grandes locais de trabalho”, que visa atrair mão de obra para as fazendas, e o “Liderança mundial em cuidado animal”, na área de bem-estar animal e valorização do produto frente ao mercado consumidor mais exigente.

Este quadro geral, bastante resumido, indica como um dos maiores produtores de lácteos tem tratado seu planejamento de longo prazo. Para além dos problemas presentes, o setor leiteiro neozelandês avalia o cenário e o mercado em constante mudança e deposita seus recursos também no futuro. Sustentabilidade garantindo as próximas gerações.

DIEGO RODRIGUES

Auditor Fiscal Federal Agropecuário do Mapa, Doutorando em Epidemiologia Aplicada às Zoonoses/USP e pesquisador temporário na Massey University/NZ.

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