Em muitas situações a forragem colhida e a consumida não possuem nenhuma relação de interdependência, devido à interferência do homem no processo, mas em sistemas de pastejo, esses estágios não podem ser separados, de forma que a interação entre eles gera uma importante influência sobre produção animal e ao sistema como um todo. Consequentemente, decisões de manejo que melhorem a eficiência em um dos estágios, certamente reduzirá em outro. Assim a essência do manejo de pastagens é alcançar um balanço efetivo entre as eficiências do processo produtivo: crescimento, utilização e conversão (Hodgson, 1990).
Figura 1-Representação esquemática dos processos de produção animal em pastagens e suas eficiências (Adaptado de Hodgson, 1990).

A definição e o planejamento de sistemas de produção animal em pastagens devem ser norteados pelos objetivos finais a que se propõe determinada exploração econômica, cada qual com suas peculiaridades e complexidades (Da Silva e Sbrissia, 2001). Sistemas podem visar à exploração do mérito genético dos animais (produção por animal) (Da Silva e Pedreira, 1997) ou mérito da planta forrageira (altas produções de matéria seca por ha), favorecendo aumento das taxas de lotação e maiores produtividades. Para tanto é preciso entender o processo e suas eficiências para que possa utilizá-lo da melhor maneira possível, de acordo com os objetivos do sistema.
Eficiência de crescimento e a produção de forragem
A eficiência de crescimento de uma planta forrageira é função do potencial genético e das condições do meio (recursos disponíveis), gerando uma produção liquida de matéria seca, que é função do crescimento da forragem nova e da morte e desaparecimento de forragem velha (Da Silva e Sbrissia, 2001).
Nesse contexto, a colheita do máximo de material verde possível através de redução das perdas por morte, senescência e decomposição de tecidos a um patamar mínimo, corresponderia à técnica de manejo que seria o conceito de manejo racional de pastagens (Da Silva e Pedreira, 1997). Esse ponto pode ser definido para as diferentes espécies e cultivares de plantas forrageiras através de estudos de fluxo e renovação de tecidos (dinâmica e acúmulo de matéria seca) aliados a avaliações de demografia de perfilhamento.
Eficiência de utilização da forragem
A eficiência de utilização da forragem em sistemas de pastagens pode ser definida como a proporção da forragem bruta acumulada a qual é removida por animais em pastejo, antes de entrar em senescência, e quanto maior a quantidade de forragem produzida, a otimização da eficiência de utilização corresponde à minimização das perdas de tecidos foliares por senescência (Lemaire, 1997). A proporção de tecidos de folha que escapam a desfolhação e senescem pode ser estimada pela razão entre tempo de vida da folha e o intervalo de desfolhação, a qual determina o máximo número de vezes que uma folha pode ser desfolhada (Mazzanti e Lemaire, 1994). A importância da eficiência de utilização da forragem produzida é cada vez mais reconhecida e por isso é importante destacar a associação entre rebrotação vigorosa, produção e utilização da forragem produzida no manejo das pastagens (Corsi e Nascimento Jr., 1994).
Eficiência de conversão e o produto animal
De acordo com Hodgson (1990) a eficiência de conversão dos nutrientes ingeridos em produto animal aumenta porque a proporção do total de nutrientes ingeridos requeridos para manter as funções vitais diminui progressivamente conforme o consumo total aumenta. Assim, animais com alto potencial de produção em sistemas baseados em pastagens possuem baixa exigência de mantença e/ou alta capacidade de ingestão de matéria seca, resultando em uma eficiência de conversão maior que animais de menor potencial para uma mesma circunstância.
Uma alta conversão (favorecendo desempenho) está diretamente associada com um alto consumo de matéria seca que por sua vez, é resultado direto de altas ofertas de forragem o que, conseqüentemente, implica em baixa eficiência de utilização da forragem acumulada, com altas perdas de material por senescência e morte (Da Silva e Sbrissia, 2001). O contrário também é observado, em situações de baixas ofertas de forragem, onde a eficiência de utilização é maximizada, a conversão é comprometida, resultando em menor desempenho.
Essas fases do processo produtivo interagem entre si continuamente, de tal forma, que interferir em qualquer uma delas afetaria diretamente as outras. A eficiência de uso da energia solar em crescimento de forragem é sempre baixa e varia em torno de 2 a 4% (Hodgson, 1990), além disso, as vias fotossintéticas são processos inerentes à sobrevivência das plantas, que possui alguns bilhões de anos em evolução, portanto, não são passiveis de grandes modificações. Apesar disso, tanto a taxa de crescimento da forragem quanto à eficiência de uso da luz podem ser melhoradas (Da Silva e Sbrissia, 2001).
A eficiência de conversão (7 a 15 %) também é uma característica intrínseca do animal, mas que pode ser beneficiada em detrimento da eficiência de utilização, apesar disso não representar grandes mudanças na eficiência do sistema como um todo (Hodgson, 1990). Já está última, a eficiência de utilização, tem valores entre 40 e 80%, demonstrando uma grande amplitude de variação, o que a torna uma ferramenta de manejo bastante interessante e que promove mudanças drásticas no sistema de produção animal em pastagens, provavelmente conseqüência de que a maioria dos processos relacionados à colheita de forragem pelo animal em pastejo seja passível de manipulação e monitoramento, tais como, controle do período de descanso e de ocupação, taxas de lotação, práticas de conservação e suplementação (Da Silva e Sbrissia, 2001).
Dessa forma o manejo do pastejo mostra-se como uma primeira alternativa para qualquer intervenção no sistema, antes que qualquer outra atitude seja tomada, mostrando a necessidade de ser entendido dentro do contexto de ecossistema de pastagens, compreendendo seus componentes morfofisiológicos e suas relações.
Referências bibliográficas
CORSI, M.; NASCIMENTO JR., D. Princípios de fisiologia e morfologia de plantas forrageiras aplicados no manejo das pastagens. In: PEIXOTO, A. M.;MOURA, J. C., et al (Ed.). Pastagens: Fundamentos da Exploração Racional. Piracicaba: FEALQ, v.2, 1994. p.15-47.
DA SILVA, S. C.; PEDREIRA, C. G. S. Princípios de ecologia aplicados ao manejo da pastagem. Simpósio sobre Ecossistemas de Pastagens, 1997. Jaboticabal. FUNEP, 3. p.1-62.
DA SILVA, S. C.; SBRISSIA, A. F. O ecossistema de pastagens e a produção animal. Simpósio sobre Manejo de Pastagem, 2001. Piracicaba. FEALQ. p.731-754.
HODGSON, J. Grazing management: science into practice. London: Longman Scientific and Technical, 1990. 203
LEMAIRE, G. The physiology of grass growth under grazing: tissue turnover. Simpósio Internacional sobre Produção Animal em Pastejo, 1997. Viçosa. UFV. p.117-144.
MAZZANTI, A.; LEMAIRE, G. Effect of nitrogen fertilization on the herbage production of tall fescue swards grazed continuously with sheep. 2. consumption and efficiency of herbage utilization. Grass and Forage Science, v. 49, p. 352-359, 1994.
