Pastagens em sistemas silvipastoris
Pastagens: A utilização de pastagens cultivadas ou florestas plantadas de maneira isolada é bem mais simples do que sistemas silvipastoris. Dessa forma, nestes sistemas integrados manter o equilíbrio entre os componentes e suas interações, além da relação com os fatores ambientais disponíveis, tornam a atividade mais complexa e dependente de um planejamento rigoroso. Por Bruno Pedreira, Jorge Portela e Vitor Guarda.
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Publicado em: - 3 minutos de leitura
Quando se trata de espécies forrageiras, é necessário conhecer sua tolerância e capacidade produtiva em ambientes sombreados (Andrade et al. 2003). Além disso, o conhecimento das características morfofisiológicas e estruturais das plantas é de suma importância para que sejam escolhidas e manejadas adequadamente a fim de garantir a longevidade do sistema.
A produção de forragem é afetada pela diminuição da radiação luminosa disponível para as plantas no sub-bosque e o fator luz só deixa de ser o mais importante, quando existem outras limitações mais fortes, como, por exemplo, limitação nutricional, fator que deve sempre ser corrigido. Outros fatores são água, temperatura e comprimento do dia reduzido, os quais comprometem a planta em qualquer sistema. Esses aspectos não inviabilizam, tampouco desencorajam o sistema silvipastoril, mas precisam ser entendidos.
Nos dias atuais, em função de pressões econômicas e ambientais, qualquer atividade precisa ser economicamente viável e ambientalmente correta. Dessa forma, em locais onde a pressão econômica é mais forte e as questões ambientais não são um entrave, os sistemas ainda tendem a ser exclusivos. Nesses casos a silvicultura ou a pecuária são conduzidos separadamente. No entanto, a verticalização (intensificação) da produção está cada vez mais em evidência, e com isso sistemas integrados de produção, normalmente iniciados em menor escala, são o primeiro passo para a diversificação das atividades na propriedade. Outro aspecto referesse ao alto custo da terra em algumas regiões do país que faz com que se busquem alternativas de melhor aproveitamento do solo (não deixando áreas em pousio), obtendo maior retorno no sistema como um todo e melhorando o fluxo de caixa do projeto.
Além disso, quando se propõe um sistema silvipastoril, é preciso ter conhecimento adequado para planejá-lo e gerenciá-lo. Nesse caso é preciso mensurar a quantidade de árvores versus perdas na produção de forragem, incluindo nesse processo o conhecimento de fisiologia de plantas forrageiras para que o manejo do pastejo seja feito de forma a garantir a perenidade da pastagem e, conseqüentemente, a economicidade do projeto.
Neste ambiente está evidente que o efeito da sombra muda toda a dinâmica da planta forrageira, proporcionando aumentos na área foliar específica, na quantidade de lignina, no alongamento de colmos e na diminuição das reservas. Dessa forma, ao implantar um sistema silvipastoril, mais do que nunca, o respeito aos limites fisiológicos das plantas forrageiras, ao período de descanso e ao estande de plantas na área tornam-se aspectos ainda mais relevantes, que se negligenciados podem comprometer o sistema rapidamente. Nesse sentido, a quantidade e o formato de distribuição das árvores tornam-se fatores cruciais no processo.
Algumas espécies de gramíneas de clima tropical foram submetidas a três níveis de sombreamento (0, 30 e 60%). De maneira geral, houve redução na produção em função da redução na quantidade de luz disponível. Brachiaria brizantha cv. Marandu; B. decumbens e Andropogon gayanus cv. Planatina apresentaram redução na produção, e no maior nível de sombra a produção caiu em 27%, 45% e 49%, respectivamente, decorrente da redução da radiação luminosa em ambiente sombreado. Melinis minutiflora e Setaria anceps cv. Kazungula não tiveram suas produções alteradas pelo sombreamento (Castro et al.,1999).
Ainda nesse estudo, uma resposta interessante foi relatada com relação ao Panicum maximum cv. Vencedor, que a pleno sol e com 30% de sombra apresentou produção semelhante, demonstrando o potencial dessa planta em sistemas silvipastoris. No entanto, quando submetido a 60% de sombra, sua produção reduziu em 28%. Por isso, a definição do espaçamento dos renques é de suma importância, para que se tenha ganho com a produção de madeira (árvores), conforto térmico para os animais, sem maiores perdas em produção de forragem.
ANDRADE, C.M.S.; GARCIA, R.; COUTO, L. PEREIRA, O. G.; SOUZA, A.L. Desempenho de Seis Gramíneas Solteiras ou Consorciadas com o Stylosanthes guianensis cv. Mineirão e Eucalipto em Sistema Silvipastoril. Revista Brasileira de Zootecnia, v.32, n.6, p.1845-1850, 2003 (supl. 2).
CASTRO, C.R.T.; GARCIA, R.; CARVALHO, M.M. et al. Produção forrageira de gramíneas cultivadas sob luminosidade reduzida. Revista Brasileira de Zootecnia, v.28, n.5, p.919-927, 1999.
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Material escrito por:
Vitor Del Alamo Guarda
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Jorge Nunes Portela
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JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 14/02/2014
Para escolha de espécies vc deve levar em conta o clima da região. É preciso que vc informe pluviosidade média (quanto chove por ano), número de meses secos, tipo de solo (em termos de fertilidade). Veja, existem espécies como o mogno africano, teca e cedro australiano que tem chamado muito a atenção de produtores e investidores. Entretanto é importante lembrar que estas espécies apresentam exigências mais restritas com relação a aspectos ambientais (solo e clima) portanto dependendo disto podem ou não ser viáveis na sua região. Outra coisa, o conhecimento técnico a respeito destas espécies ainda é escasso o que o força a ficar dependente de especialistas. Para não errar, sugiro o eucalipto, que tem material genético adaptado a diversas regiões, disponibilidade de mudas (viveiros em diversas regiões) e tecnologia consolidada. Além disso cresce rápido, de modo que, se feita uma boa implantação, com 1 ano de idade os animais já podem entrar no sistema. Outra coisa, é uma madeira que pode ser utilizada para diversos fins (madeira serrada, lenha, mourões de cerca, estacas, postes, estrutura para construções rurais) o que amplia as suas possibilidades de mercado.

SANTO ANDRÉ - SÃO PAULO
EM 14/02/2014

GUAPÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 16/05/2013
Obrigado.
IPERÓ - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 20/09/2012
Quero lhe agradecer pela ótima exemplificação. Realmente Angico aparenta ser uma boa escolha!
Levarei em conta e pesquisarei, conforme indicação.
Amigos, tenho outra dúvida:
O plantio de uma faixa de árvores para o lado interno do piquete implicaria em perda muito grande de pastejo/lotação? Não possuo corredor largo (4 Metros) e se não puder plantar na parte interna dos piquetes, só poderei plantar na linha da área de descanso, desincentivando o pastejo durante o período mais quente do dia.
Obrigado!
JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 19/09/2012
Prezado Caio, a Acacia mangium é uma boa alternativa pois além de ser leguminosa e, portanto, prover benefícios ambientais, tem madeira boa para uso de valor agregado. Entretanto, é sensível à pluviosidade. Abaixo de 1.500 mm, não é recomendada. Além disso o período seco não deve ser prolongado. Guanandi eu tenho receio, apesar de ter um alto valor de mercado ainda se sabe pouco sobre a silvicultura desta espécie (propagação, pragas, doenças, adaptação). O que se sabe é que precisa de água.
Bom se queres crescimento rápido e copa rala, sugiro os angicos (que ainda fornecem madeira boa para lenha e mourões no futuro).
Gliricídia é uma boa opção para alimentação animal e adubação verde (procurar pelo pesq José Henrique Rangel na Embrapa Tebuleiros Costeiros). A maioria dos trabalhos são do nordeste.
Paineira, tem copa bastante rala, mas muitos espinhos no caule. Flamboyant ocupa muito espaço a copa é muito grande o que implica que os animais irão ficar aglomerados embaixo da copa (acaba com o solo). O ideal é que a sombra fique distribuída o mais homogeneamente possível para que os animais possam pastejar e utilizar a área de forma mais homogênea durante todo o dia.
IPERÓ - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 17/09/2012
Primeiramente, obrigado pelo retorno!
- O sistema é semi confinamento, com pastejo em piqueteamento rotacionado de tifton para lactação, jiggs e aruana para novilhas e mombaça para as secas.
- Minhas vacas são 3/4 para 7/8.
- O Clima atinge altas temperaturas (hoje está 34º aqui, e elas estão derretendo embaixo de sombrites, por ex.)
- O solo é arenoso.
A dúvida é: Qual espécie escolher dentro de minhas condições (pasto, clima, solo, manejo, etc.)?
As opções da região em mudas de 3 metros são:
- Albizia Lebbet
- Angico Branco
- Angico Vermelho
- Gliricidia Sep.
- Gliricidia Sep.
- Acacia Mangium
- Acacia Negra
- Açoita de Cavalo
- Angico
- Bracatinga
- Carobão
- Cássia-Rósea
- Dedaleiro
- Farinha Seca
- Flamboyant
- Guanandi
- Ipê Roxo da Mata
- Ipê Amarelo
- Ipê Rosa
- Jacaranda
- Jaracatiá
- Paineira
- Olatano
Grato desde já
Caio Gomes
JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 12/09/2012
Se o caso for utilizar as espécies arbóreas como fonte de alimento para o gado (arbustivas forrageiras) daí a opção pode ser Leucena ou gliricídia. Caso o objetivo seja somente o sombreamento, preferência por espécies que não tenham copa muito larga nem densa, a copa deve ser alta e rala com as árvores bem distribuídas no pasto para que a sombra seja bem distribuída e os animais possam aproveitar a sombra pastejando e não amontoados em baixo de uma árvore.
SINOP - MATO GROSSO - PESQUISA/ENSINO
EM 11/09/2012
Qual é especificamente sua dúvida? Quais as suas opções? Como é o seu sistema de produção?
Att.
Bruno
IPERÓ - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 10/09/2012
Vocês poderiam me auxiliar?
Grato
Caio

ITAMARANDIBA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 05/06/2012

CÁCERES - MATO GROSSO
EM 09/04/2012
Muito bom o seu artigo, que bom que voces nos oferece trabalhos como este que nos garante uma produção acessível e ao mesmo tempo econômica. É isto que os pecuaristas deveriam se atentar e se beneficiar de modelos de produçao como este. Parabens.
Recentemente fiz um trabalho de pesquisa a campo com coleta de dados e ánalises laboratoriais com a especie Dipterix alata (nosso conhecido cumbaru), os resultados são impressionantes.

CARATINGA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 31/01/2012
Obrigado
PAVÃO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 26/01/2012
JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 26/01/2012
Um abraço,
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 25/01/2012
Respondendo ao Guilherme,
São coisas diferentes. O sistema de que falei trata-se de quando estamos pegando uma pastagem já degradada, sem floresta, e introduzimos árvores.
SINOP - MATO GROSSO - PESQUISA/ENSINO
EM 25/01/2012
Obrigado pelas informações. Fique a vontade, contribuições são sempre válidas.
Bruno
SINOP - MATO GROSSO - PESQUISA/ENSINO
EM 25/01/2012
Você pode encontrar mais informações em: http://www.cnpf.embrapa.br/pesquisa/safs/
Aqui em Sinop -MT, onde o relevo é completamente plano, temos duas experiências sendo instaladas nesse verão:
1) Gado de leite: a) linhas triplas, espaçadas de 15 metros; b) linhas duplas somente na borda dos piquete e c) sem sombra.
2) Gado de corte: a) linhas triplas (3,5 x 3,0) espaçadas a cada 30 metros e b) sem sombra.
Em alguns tempo, um a dois anos, teremos alguns resultados para divulgar.
Bruno
PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO
EM 24/01/2012
DESCALVADO - SÃO PAULO
EM 24/01/2012
JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 24/01/2012
Um abraço,
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG