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O que vem mudando na produção de leite do Brasil?

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 25/05/2022

7 MIN DE LEITURA

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Atualizado em 25/05/2022

A pecuária leiteira nacional não foge ao padrão observado no mundo de modernização acelerada e transformações. A tradicional atividade de produção de leite evoluiu ao longo das décadas e vem apresentando mudanças na maneira como é executada.

Ocupando espaço entre os quatro maiores produtores de leite do mundo, o Brasil está passando por um processo que pode ser considerado de transição, quando comparado com a jornada pecuária de países como Estados Unidos e Nova Zelândia, países estes que também disputam um dos lugares entre os maiores do ranking de produtores e exportadores de leite.

A maneira de produção de leite, voltada para subsistência, não é mais a predominante em termos de abastecimento do mercado. A pecuária está caminhando para concretização de um sistema profissional, de escala, competitivo e que vem incorporando tecnologias cada vez mais intensivas de conhecimento e sofisticadas. Estas afirmativas podem facilmente ser constatadas a partir dos dados das tabelas seguintes.

 

Tabela 1: Quantidade de fazendas de leite no Brasil em períodos selecionados.

quantidade de fazendas leiteiras no BR
Fonte: IBGE e Embrapa Gado de Leite. (2021 – projeções da Embrapa Gado de Leite)

Conforme se vê na tabela 1, existe um movimento contínuo de redução do número de produtores de leite no estrato até 100 litros, com previsão de redução para menos de 937 mil em 2021, correspondendo a 45,3% de redução em relação a 1996. Esses produtores podem ter deixado a produção, como muitos acreditam, mas podem também ter crescido a escala e passado para estratos superiores. Destaca-se que o estrato até 400 l/faz/dia tem crescimento positivo até 2017, quando experimenta reduções contínuas atingindo 2,6% em 2021, comparado à 2006, podendo indicar que esta escala de produção passou a não ser suficiente para manter os produtores na atividade.

Os dados de 2021 fortalecem a hipótese de que será preciso aumentar a escala para continuar na atividade. Isto porque, considerando que a queda no extrato até 100 em 2006 é maior em valores absolutos (533.638 produtores) que o aumento do extrato até 400, no período 1996-2006, parece razoável inferir que alguns produtores de até 100 litros lograram êxito em aumentar a escala de produção e uma boa parte deixou a atividade.

Mesmo que todo o aumento do extrato até 400 litros/dia tenha sido provido por produtores que aumentaram sua escala, o que não parece ser o caso, o número de excluídos nesse segmento foi bastante acentuado. A partir de 2017, o processo de exclusão de produtores inclui produtores de 400 l/faz/dia, como mencionado, sendo constante para extrato até 100 litros/dia em todo o período estudado. Este fato materializa a assertiva que fazendas que produzem até 400 litros por dia vêm diminuindo, abandonando a atividade ou crescendo em escala.

Os produtores de menor volume de produção enfrentam dificuldades na compra de insumos, pagando maiores preços e também têm sua remuneração menor por conta da escala reduzida. Assim, as circunstâncias da escala impõem aos produtores menores uma dinâmica perversa de comprar a preços mais altos e vender a preços mais baixos, forçando-os ao crescimento, abandono da atividade, ou suportar condições de sobrevivência e empobrecimento.

Além das dificuldades advindas da baixa escala de produção, esses produtores não possuem acesso à assistência técnica profissional e continuada que possa ajudá-los na tomada de decisão sobre adoção de tecnologias. Por serem cada vez mais complexas e mais sofisticadas, as tecnologias exigem assistência técnica para seu manejo e para o progresso de produtores de qualquer escala, sendo imprescindível para os pequenos e médios produtores, notadamente aqueles com menor acesso à informação e ao conhecimento técnico. Maior escala implica em tecnologias mais eficientes, fechando assim um ciclo vicioso para os produtores de baixa escala de produção.

Para tornar a situação dos dois estratos de menor produção ainda mais desafiante, eles perderam relevância no abastecimento do mercado, sendo responsáveis por apenas 45.9% em 2021, contra mais de 85% em 1996, segundo estimativas da Embrapa Gado de Leite. Perder relevância no abastecimento do mercado significa perder poder político e de barganha com os entes públicos e privados de poder na cadeia de valor.

Destaca-se que o número de produtores nos dois extratos de maior produção cresceu de forma decrescente para o estrato de 400 – 2000 e cresceu de forma crescente no de maior que 2.000 litros por dia. Isto pode estar sinalizando que o estrato de até 2000 litros/faz/dia pode estar atingindo limites adequados de escala, conforme indicado se compararmos a quantidade de produtores em 2019 com 2021 - tabela 1.

Todavia, em ambos extratos, houve crescimento do número de produtores de forma intensa e persistente, em todo o período estudado. Os ganhos de escala proporcionam maiores retornos sobre o capital investido, mesmo na presença de margens menores, notadamente em períodos como os vivenciados nestes dois últimos anos com elevado aperto das margens, devido ao aumento dos custos de produção.

O gráfico 1 mostra a evolução da produção, da produtividade e do tamanho do rebanho ordenhado, considerando o ano de 1980 como base 100. Com raríssimas exceções de anos específicos, a produção de leite no Brasil vem crescendo sistematicamente ao longo do período estudado. Em 2021, cerca de 41 anos, a produção de leite no Brasil cresceu 311%, considerando as estimativas de queda da ordem de 2% naquele ano. Note que o crescimento da produtividade e do rebanho, variáveis explicativas do aumento de produção, tem performance diferente ao longo do período estudado.

Até 1990 o crescimento da produção foi explicado, praticamente de forma igual, por ambas as varáveis, produtividade e tamanho do rebanho, sendo que a primeira cresceu mais que a segunda, 16% e 12%, respectivamente. No período subsequente, 2000, houve uma diferenciação significativa entre essas variáveis explicativas da produção, por conta do crescimento da produtividade e decréscimo do tamanho do rebanho. 

A produtividade passa a ser a variável explicativa única do aumento da produção por conta da redução do rebanho e aumento da produção. Enquanto a produtividade cresceu, até então em 64%, o tamanho do rebanho cresceu apenas 8% em relação ao ano base, mas experimentou uma redução de 6,4% sobre o número de vacas ordenhadas no período anterior.

No período de 2000 a 2010 tanto a produtividade quanto o tamanho do rebanho são relevantes para explicar o aumento de 275% da produção em referência ao ano base. A produtividade atingiu 98% de crescimento e o rebanho 39% em relação ao ano de 1980. Entretanto, o crescimento relativo do rebanho no período, foi maior do que o da produtividade, mesmo sendo esta, ainda, a variável explicativa mais importante do crescimento da produção. Nos dez últimos anos a produtividade se destaca de tal ordem que passa a ser a única variável explicativa do crescimento da produção de leite que atingiu 311% em relação ao ano base.

O rebanho, em 2020, decresceu 29,5% em relação ao período anterior e 2% em relação ao ano base, devolvendo todos os aumentos dos períodos anteriores. Por outro lado, a produtividade cresceu 49% em relação ao período anterior e chegou a 318% em relação ao ano base, um crescimento espetacular, sendo a única variável explicativa da produção de leite no Brasil no período. A redução do rebanho, com aumento da produção e da produtividade, é a certeza da profissionalização da produção de leite no Brasil. Isto implica em produção de um alimento denso em conteúdos alimentares e com menor impacto ambiental e menor pegada de carbono, pela redução do plantel.

Gráfico 1: Produção, produtividade e número de vacas ordenhadas de 1980 a 2021 (1980 = 100).

projecao vaca producao
Fonte: IBGE e Embrapa Gado de Leite. Dados organizados pelos autores. 2021 (estimativa)


Considerando que a produtividade média brasileira, da ordem de 2.600 litros/vaca/ano é ainda muito baixa em relação a outros países com pecuária leiteira avançada, e considerando ainda, que existem fazendas no Brasil com nível tecnológico igual aos países de pecuária mais moderna, pode-se dizer que há um enorme espaço de crescimento para médios e pequenos produtores. Isto implica afirmar que a tecnologia existe e está disponível, o desafio é poder adotá-la e saber manejá-la de forma a torná-la economicamente viável nas condições e particularidades das diferentes propriedades.

No certo é que, a cadeia agroalimentar do leite no Brasil caminha a passos largos para ocupar um lugar de destaque no mercado internacional, figurando como a “bola da vez” do agronegócio nacional.


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Autores

José Luiz Bellini Leite 
Lorildo Aldo Stock
Bruna Ruback

 

milkpoint mercado

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