Discutir aspectos não agronômicos de forrageiras requer a localização das mesmas no contexto financeiro de uma granja leiteira. Dentro de um custo alimentar por litro de leite de R$ 0,20 a R$ 0,23, qualquer opção forrageira representa de R$ 0,02 a R$ 0,06. O item de maior participação em planilhas de custo de produção de leite são os alimentos concentrados. Os concentrados têm representado algo em torno de R$ 0,17 a R$ 0,20 por litro produzido, de 75 a 85% do custo com alimentação do rebanho adulto. Mudanças na opção forrageira impactam no máximo 25% do custo alimentar.
Em uma contabilidade hipotética onde a alimentação representa 45% do custo total e onde o custo alimentar por litro de leite é R$ 0,205, o custo de produção do litro de leite ordenhado seria R$ 0,454. O custo com forrageiras representa algo em torno de 10% do custo de produção, precisamente 11,3% no exemplo acima, assumindo a participação máxima da forragem percentualmente ao custo alimentar (25%). Cogitar em mudança na opção forrageira nem sempre é o caminho mais curto para a obtenção de reflexos financeiros positivos à atuação sobre os modos de produção.
Mesmo tendo participação relativamente baixa no custo total de produzir leite, as forrageiras podem ter impacto financeiro significativo. A qualidade das forragens determina a possibilidade de inclusão dietética destes alimentos. Forrageiras com alta porcentagem de fibra (FDN) têm baixa digestibilidade (energia). A produção de leite com forrageiras de alto conteúdo fibroso requer maior inclusão dietética de alimentos concentrados para a dieta não se tornar limitante energeticamente. Forrageiras de má qualidade requerem maior consumo de alimentos concentrados por litro de leite produzido, estes, o maior item no custo de produção do leite.
Não se pode desprezar a capacidade das forrageiras de definir o uso de alimentos concentrados. Forrageiras de fibra baixa, ricas em carboidratos não fibrosos (CNF) de degradação rápida no rúmen, propiciam a formulação de dietas com alta porcentagem de forragens na matéria seca. Dietas com alta forragem são frequentemente vantajosas financeiramente e muito necessárias em nosso país, pois mesmo nosso produtor de baixa escala e que adota maneiras tradicionais de produção optou pelo uso de concentrados ("Diagnóstico da Pecuária Leiteira em Minas Gerais"). As três plantas tropicais que conciliam a alta produção de matéria seca por unidade de área com o alto conteúdo energético são: A cana-de-açúcar e as silagens de milho ou sorgo.
O papel das forrageiras na produção de leite
O papel das forrageiras na produção de leite
Publicado por: Marcos Neves Pereira
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RICARDO JOSÉ DA COSTA SILVA
CEARÁ - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 25/05/2008
Parabens pelo artigo.
Gostaria, se possível, de uma demonstração prática entre o uso de cana-de-açucar e a silagem de sorgo, para alimentação de vacas em lactação e vacas em período de transição.
Também gostaria muito de receber um exemplo de uma planilha de custos de produção leiteira, para que possa adotar no meu rebanho.
Ricardo Costa
<b> Resposta do autor</b>
Caro Ricardo, não sei como pensar em uma "demonstração prática" do uso destas forrageiras. Ambas têm baixo teor de fibra e baixo teor de proteína. O amido no sorgo é menos digestível que a sacarose na cana, mas a fibra da cana é de pior digestibilidade do que a fibra do sorgo. Ambas se adequam bem a lugares com noites quentes, teoricamente ruins para milho, mas as implicações em manejo da fazenda diferem muito (colheita, cultivo, etc). A decisão é da fazenda e depende de vários aspectos agronômicos e de manejo diário do rebanho, além das questões de fundo nutricional.
Não existe uma recomendação única de planilha de custo no Brasil. Eu adotaria uma contendo centros de custos recria e produção de forragem, como conceito básico. Sugiro que consulte a planilha utilizada pelo Educampo/Sebrae, apesar de ter a metodologia questionável (como todas as planilhas), tem sido utilizada em um grande número de propriedades, o que possibilita a comparação direta entre fazendas e entre sistemas de produção.
Gostaria, se possível, de uma demonstração prática entre o uso de cana-de-açucar e a silagem de sorgo, para alimentação de vacas em lactação e vacas em período de transição.
Também gostaria muito de receber um exemplo de uma planilha de custos de produção leiteira, para que possa adotar no meu rebanho.
Ricardo Costa
<b> Resposta do autor</b>
Caro Ricardo, não sei como pensar em uma "demonstração prática" do uso destas forrageiras. Ambas têm baixo teor de fibra e baixo teor de proteína. O amido no sorgo é menos digestível que a sacarose na cana, mas a fibra da cana é de pior digestibilidade do que a fibra do sorgo. Ambas se adequam bem a lugares com noites quentes, teoricamente ruins para milho, mas as implicações em manejo da fazenda diferem muito (colheita, cultivo, etc). A decisão é da fazenda e depende de vários aspectos agronômicos e de manejo diário do rebanho, além das questões de fundo nutricional.
Não existe uma recomendação única de planilha de custo no Brasil. Eu adotaria uma contendo centros de custos recria e produção de forragem, como conceito básico. Sugiro que consulte a planilha utilizada pelo Educampo/Sebrae, apesar de ter a metodologia questionável (como todas as planilhas), tem sido utilizada em um grande número de propriedades, o que possibilita a comparação direta entre fazendas e entre sistemas de produção.