Nem todas as vacas emprenham de primeira: como reinsemina-las de forma eficiente?

Reduzir o intervalo entre inseminações é essencial para melhorar os resultados reprodutivos do rebanho. Conheça estratégias de detecção de cio e ressincronização precoce que otimizam o manejo das vacas. Saiba como aumentar a taxa de prenhez e tornar a reprodução mais eficiente!

Publicado em: - 5 minutos de leitura

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1. Nem todas as vacas emprenham no 1º serviço. Qual é a próxima oportunidade?

Nos últimos três textos, apresentamos a importância do primeiro serviço pós-parto para a eficiência reprodutiva (Indicadores reprodutivos – O 1º serviço pós-parto é o carro-chefe da reprodução). Destacamos a importância de inseminar as vacas ao final do período de espera voluntário (PEV) utilizando a inseminação artificial em tempo fixo (IATF), aumentando a taxa de serviço (TS) e, ao mesmo tempo, buscando alta fertilidade nessa primeira inseminação por meio da utilização de programas de fertilidade (Presynch + Protocolo) (Programas de Fertilidade para o 1º serviço pós-parto – O pontapé inicial do manejo reprodutivo; e Atingindo ≥ 50% de concepção no 1º serviço de vacas com diferentes programas de fertilidade).

Discutimos também que a meta de taxa de concepção na 1ª IATF é ≥ 50%, resultado cada vez mais comum em fazendas bem manejadas e que implementam programas como Duplo E-Synch, MatchDay-Synch 7 e Duplo-Ovsynch para o 1º serviço (Atingindo ≥ 50% de concepção no 1º serviço de vacas com diferentes programas de fertilidade). Elevar a concepção no 1º serviço é fundamental para atingir altas taxas de prenhez a cada 21 dias, aumentar a proporção de vacas que emprenham no início da lactação e reduzir o intervalo entre partos.

Apesar da evolução dos programas de IATF para o 1º serviço e dos avanços na fertilidade, nem todas as vacas emprenham na primeira oportunidade. Portanto, precisamos identificar e reinseminar de forma eficiente aquelas que permanecem vazias. A principal estratégia para reinseminar rapidamente essas vacas é a detecção do cio de retorno. Apesar das dificuldades intrínsecas à detecção de cio em vacas de maior produção, existem ferramentas que podem aumentar sua eficiência, como a pintura da base da cauda com bastões ou tintas específicas, a utilização de adesivos para identificação da aceitação de monta e os monitores de atividade, cujo uso tem aumentado de forma consistente no Brasil.

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Considerando a inseminação como o Dia 0 e assumindo que a vaca não emprenhe, entre aquelas que retornam ao cio, a maioria manifesta esse retorno entre os dias 18 e 25 após a IA. Além disso, uma proporção adicional de vacas pode ser identificada em cio até o diagnóstico de gestação, realizado por volta dos 32 dias. A Figura 1 apresenta a distribuição das reinseminações ao longo de um ano em uma fazenda que utiliza programa de fertilidade para o 1º serviço pós-parto.

 

Figura 1. Exemplo da distribuição das reinseminações em cio de retorno ou em tempo fixo durante 12 meses em uma fazenda utilizando programas de fertilidade (Presynch + Protocolo) para o 1º serviço pós-parto. Abreviações: DG (diagnóstico de gestação), IATF (inseminação artificial em tempo fixo). Adaptado de Consentini et al. (2025).

Nesse exemplo, mais de 40% das vacas vazias foram reinseminadas em cio de retorno, reduzindo o intervalo entre inseminações e contribuindo positivamente para a taxa de serviço. É importante lembrar, entretanto, que a porcentagem de vacas detectadas em cio de retorno varia consideravelmente entre fazendas e é influenciada por diversos fatores, como o conforto dos animais, o nível de produção de leite, as ferramentas auxiliares utilizadas para detecção de cio, o treinamento e a experiência da mão de obra e o grau de comprometimento da propriedade com a detecção do cio de retorno.

 

2. É possível diminuir o intervalo entre inseminações utilizando IATF?

A maioria das fazendas utiliza uma combinação entre a detecção do cio de retorno e a IATF para reinseminar as vacas vazias. Tradicionalmente, o protocolo de IATF é iniciado no momento do diagnóstico de gestação, realizado por ultrassonografia ou palpação a partir de aproximadamente 30 dias após a inseminação. Esse é um manejo rotineiro e eficiente para otimizar a taxa de serviço, pois as vacas que não foram detectadas em cio de retorno passam pelo diagnóstico de gestação e, quando identificadas como vazias, iniciam um novo protocolo de IATF.

Atualmente, existem também estratégias de ressincronização precoce, nas quais o protocolo de IATF é iniciado antes mesmo do diagnóstico de gestação, permitindo encurtar o intervalo entre inseminações também das vacas reinseminadas em tempo fixo. Essas estratégias envolvem o início do protocolo de IATF na semana anterior ao diagnóstico de gestação, ou seja, sete dias antes. No momento do diagnóstico, as vacas gestantes não dão continuidade ao protocolo, enquanto as vacas diagnosticadas como vazias finalizam o protocolo e são reinseminadas. Dessa forma, é possível reduzir em sete dias o intervalo entre inseminações dessas vacas.

A Figura 2 apresenta exemplos de programas de reinseminação combinando a detecção do cio de retorno com a IATF, utilizando a ressincronização iniciada no momento do diagnóstico de gestação ou a ressincronização precoce. Vale reforçar que estão apresentados apenas exemplos desses programas, que podem apresentar variações e ser ajustados de acordo com a rotina e as preferências de cada propriedade.

 

Figura 2. Opções de programas de reinseminação combinando detecção de cio de retorno e IATF. No Resynch-32, o protocolo de ressincronização é iniciado no momento do diagnóstico de gestação das vacas vazias, enquanto no Resynch-25 o protocolo é iniciado na semana anterior ao diagnóstico (sete dias antes) e finalizado após a identificação das vacas vazias. Abreviações: DG (diagnóstico de gestação), IATF (inseminação artificial em tempo fixo), GnRH (hormônio liberador de gonadotrofina), P4 (progesterona), PGF (prostaglandina F2α), CE (cipionato de estradiol). Adaptado de Consentini et al. (2021).

Portanto, reforçamos neste texto a importância de reinseminar as vacas de forma eficiente, sempre buscando manter um intervalo curto entre inseminações. Com isso, aumentamos a taxa de serviço e, consequentemente, a taxa de prenhez a cada 21 dias e a eficiência reprodutiva geral do rebanho. Atualmente, existem ferramentas auxiliares capazes de aumentar a eficiência da detecção do cio de retorno, além de diferentes estratégias de manejo com IATF, incluindo os programas de ressincronização precoce. Cabe a cada fazenda monitorar seus indicadores, como taxa de serviço, intervalo entre inseminações e fertilidade das vacas inseminadas em cio ou por IATF, além de considerar sua rotina de manejo, para definir o programa de reinseminação mais adequado à sua realidade.

Carlos Eduardo Cardoso Consentini1,Rodrigo Belli2, Tiago Carneiro3, Rafael Stolf4, Roberto Sartori4

1GlobalGen reproductive engineering, 2Fazenda Canto Porto,3Fazenda Bela vista, 4ESALQ/USP

 

 

 

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Material escrito por:

Carlos Eduardo Cardoso Consentini

Carlos Eduardo Cardoso Consentini

Gerente Técnico da GlobalGen Vet Science, Doutor pela ESALQ/USP e University of Wisconsin-Madison, Mestre pela ESALQ/USP e Médico Veterinário pela FMVZ/USP

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