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Mitos e verdades sobre irrigação de pastagens. 3. Estacionalidade de produção

POR MARCO A. A. BALSALOBRE

E PATRICIA MENEZES SANTOS

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 31/10/2003

3 MIN DE LEITURA

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Grande parte dos produtores que implanta um sistema de irrigação de pastagens tem como principal objetivo reduzir a estacionalidade de produção forrageira e a necessidade de suplementação do rebanho no período "seco".

A produção de forragem depende de fatores ligados ao clima, ao solo, à planta e ao animal, além das interações entre os mesmos. Dentre os fatores climáticos que influenciam o desenvolvimento vegetal, pode-se citar: precipitação pluvial (interfere na umidade do solo), luminosidade (quantidade e qualidade de luz), fotoperíodo e temperatura.

A aplicação de água elimina (ou reduz) os efeitos do estresse hídrico sobre a planta, aumentando a produtividade do pasto. Desta forma, ela será interessante em situações em que a produção seja limitada, principalmente, pela deficiência hídrica. Em diversas regiões do Brasil, no entanto, o desenvolvimento das plantas forrageiras no período de entressafra é limitado também (ou principalmente) pela temperatura e por outros fatores como luminosidade e fotoperíodo. No artigo "Irrigação de pastagens e fatores limitantes ao desenvolvimento das plantas forrageiras", publicado neste radar em 2002, foi discutido um método para estimar os valores de temperatura base inferior (temperatura que limita o desenvolvimento de uma determinada espécie) para gramíneas tropicais utilizando o conceito de unidade fototérmicas (conceito que associa fotoperíodo e temperatura) (Medeiros et al. 2002). Neste trabalho, os autores estimaram que a temperatura base para o capim-elefante é de 13oC. Esse valor é semelhante a outros dados citados na literatura e explica porque a maior parte da produção desta espécie ocorre no período do verão.

O diferencial de resposta da produção de matéria seca à irrigação entre os períodos de verão e inverno será determinado, principalmente, pela latitude do local. Balsalobre et al. (2003) utilizaram um modelo de predição baseado no parâmetro unidade fototérmica (Villa Nova et al., 1983) para definir a lotação média de algumas localidade e a distribuição da lotação entre verão e inverno (Quadro 1).


Com base nos dados do Quadro 1, Balsalobre et al. (2003) simularam o efeito da implantação de um pivô de 100 ha em uma propriedade de 1.000 ha (irrigação de 10% da área) em cada região (Quadro 2). Os autores observaram que o déficit de capacidade suporte é maior nas maiores latitudes.


Comentário: As simulações feitas por Balsalobre et al. (2003) indicam que a introdução de irrigação em uma propriedade nem sempre irá resolver o problema de estacionalidade de produção, podendo, em muitos casos, agravá-lo. Estes resultados mostram a importância do planejamento da propriedade como um todo antes de se realizar um determinado investimento. Ultimamente, tem sido relativamente comum a divulgação de resultados de taxa de lotação bastante elevados em áreas irrigadas, mesmo em períodos de temperatura mais baixa. Estes resultados devem ser analisados com muito critério. Apesar do cálculo da taxa de lotação ser relativamente fácil, alguns detalhes devem ser observados a fim de evitar-se uma superestimativa dos valores. Por exemplo, no caso de pastejo rotacionado, não se deve confundir taxa de lotação média com taxa de lotação instantânea. O número de dias que o piquete ficou vedado antes da entrada dos animais e o uso de lote de repasse também são detalhes que podem levar a uma superestimativa da taxa de lotação, se não forem considerados corretamente durante os cálculos.

Referências

BALSALOBRE, M.A.A.; SANTOS, P.M.; MAYA, F.L.A.; PENATI, M.A.; CORSI, M. Pastagens Irrigadas. In: Peixoto, A.M.; de Moura, J.C.; Pedreira, C.G.S.; de Faria, V.P. Simpósio sobre Manejo da Pastagem, 20. Anais. Piracicaba, 2003a.
MEDEIROS, H.R.de; PEDREIRA, C.G.S.; VILLA NOVA, N.A. Temperatura base de gramíneas forrageiras estimada através do conceito de unidade fototérmica. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 39., Recife, 2002. Anais. Recife: SBZ, 2002.
VILLA NOVA, N.A.; CARRETERO, M.V.; SCARDUA, R. Um modelo de avaliação do crescimento da cana-de-açúcar (Saccharum spp.), em termos da ação combinada do fotoperíodo e da temperatura média do ar. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE AGROMETEOROLOGIA, 2., Campinas, 1983. Anais. Campinas: IAC, 1983. p.31-48.

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ROBERTO GARBELINI

PARANAÍBA - MATO GROSSO DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 03/11/2003

Não sei dizer se realmente não consegui acompanhar o raciocinio do prof. Balsalobre, ou se a simulação em questão não retrata a realidade de determinadas regiões com irrigação de forrageiras com absoluto sucesso. Sabemos por exemplo que na região de governador Valadares, só é possivel explorar com sucesso a atividade leiteira com suporte das irrigações lá praticadas. Exemplo também conhecido é a produção agricola no Estado de Israel com base na irrigação, fico portanto confuso na colocação que nosso colega calculou e/ou simulou sua teoria. Vale também dizer que os pivôs centrais em funcionamento atualmente contribuem sistematicamente para aumento da produtividade agricola; e que sabe-se que as gramíneas devem ser tratadas como culturas da soja, milho e demais ...; para que se possa ter sucesso na exploração pecuária, fico por entender tal teoria com dados em simulação!
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