iLPF: uma alternativa na Recuperação de Pastagens

O ato de reformar pastagens é uma rotina de alto custo para pecuaristas, contudo, na integração Lavoura-Pecuária-Floresta, quando a agricultura entra no sistema, além da correção e adubação melhorarem aspectos químicos do solo que serão aproveitados pela forrageira, os custos de adubação e plantio do capim entram na conta da agricultura, que tem os grãos como receita. Esse processo, além de reduzir custos, permite uma melhoria na transição água-seca, reduzindo o déficit de forragem na propriedade. Por Bruno Carneiro e Pedreira

Publicado em: - 2 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 5
Ícone para curtir artigo 0

Bruno Carneiro e Pedreira, Pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril

A pecuária é uma das atividades mais importantes do Brasil, o qual apresenta condições singulares no que diz respeito à produção animal, cuja alimentação do rebanho é feita com base em pastagens. Isso ocorre porque quando se compara os custos de produção da alimentação de rebanhos em pastagens, com sistemas que utilizam animais confinados e grãos na dieta, a pastagem aparece como a fonte mais econômica para alimentação de ruminantes. Nesse caso, a planta forrageira desempenha uma função de extrema importância, que reflete tanto no aspecto econômico, quanto na sustentabilidade do sistema. No entanto, o que se pode observar são respostas lenientes do sistema produtivo com relação a melhorias na produção de forragem e sua utilização.

O Brasil que possui alta representatividade na pecuária mundial, ainda identifica a manutenção de pastagens produtivas como um gargalo. A pecuária não é uma atividade em que a fase de planejamento está consolidada, resultando em pastagens degradadas, principalmente, por excesso de lotação, falta de manejo e reposição de nutrientes. Além da presença de cigarrinhas e lagartas.

O ato de reformar pastagens é uma rotina de alto custo para pecuaristas, pois substituir capim com capim a conta fica toda para a pecuária. Por outro lado, na integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), quando a agricultura entra no sistema, a correção e a adubação melhoram aspectos químicos de solo que serão aproveitados pela forrageira. Assim, esse custo de adubação e plantio do capim entra na conta da agricultura, que tem os grãos como receita, deixando um pasto estabelecido após a safra. Esse fato, além de reduzir custos, permite uma melhoria na transição água-seca, reduzindo o déficit de forragem na propriedade.

Se o pecuarista não tem maquinário adequado ou experiência com lavoura (regulagem de máquinas, plantio, condução, colheita, etc.) existe a possibilidade de estabelecimento de parcerias com agricultores, ou mesmo de arrendamento da área degradada para um parceiro que fará agricultura e depois devolve a terra com nova pastagem. A utilização contínua dessa técnica configura a integração Lavoura-Pecuária, a qual pode ser sempre feita numa porcentagem da propriedade garantindo a renovação das pastagens com certa frequência.

Além disso, é possível a utilização de árvores (integração Lavoura-Pecuária-Floresta ou Agrossilvipastoril) em renques, linhas, bosques, acompanhando as cercas, que se tornam fonte de renda extra. O componente florestal quando comercializado (lenha, lasca, serraria, etc.) pode se tornar a fonte pagadora, mesmo que parcialmente, da recuperação da pastagem. E durante esse período em que as árvores estão no campo, garantem sombra para os animais, permitindo melhores resultados em desempenho, além da recuperação de nutrientes (N, P, K, etc.) em camadas mais profundas do solo, melhoria da infiltração de água, entre outros.

Por isso, em tempos de busca por eficiência de produção e otimização de uso da terra a iLPF pode se apresentar como uma alternativa em Recuperação de Pastagens e auxílio na redução de custos da pecuária.
Figura 1Figura 2
Ícone para ver comentários 5
Ícone para curtir artigo 0

Material escrito por:

Bruno Carneiro e Pedreira

Bruno Carneiro e Pedreira

Pesquisador da EMBRAPA Agrossilvipastoril

Acessar todos os materiais

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Rogério Marcos da Silva Júnior
ROGÉRIO MARCOS DA SILVA JÚNIOR

UBERABA - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 02/08/2014

Muito bom o artigo,bem interessante e é de grande ajuda para a área que estou cursando!
Cesar Natal Cerri
CESAR NATAL CERRI

RIBEIRÃO PRETO - SÃO PAULO

EM 29/07/2013

Parabens pelo artigo Bruno, pois sou um divulgador desta pratica ILPF.
Bruno Carneiro e Pedreira
BRUNO CARNEIRO E PEDREIRA

SINOP - MATO GROSSO - PESQUISA/ENSINO

EM 25/07/2013

Prezado Pablo, infelizmente não tenho experiência na região em questão. Talvez os colegas da Embrapa Floresta possam lhe ajudar mais... veja o link: http://ilpfnafazendamodelopg.blogspot.com.br/
Pablo Zanin
PABLO ZANIN

PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL

EM 25/07/2013

Parabéns pelo artigo Bruno. Gostaria de perguntar qual espécie de árvore seria a mais indicada para iPF para sombra e renda extra?
Levando em conta a região de Pelotas RS, região da campanha .
Obrigado
Manoel Carlos da Silva Filho
MANOEL CARLOS DA SILVA FILHO

IPORÁ - GOIÁS - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 23/07/2013

Bom artigo. Acho que essa é uma alternativa bastante promissora, sem dúvida é a salvação da lavoura, melhor dizendo, da pastagem. Oferece todas as condições da produção sustentável em todos os aspectos.
Qual a sua dúvida hoje?