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Forragem hidropônica: o futuro da alimentação animal?

POR MAYSA SERPA

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/10/2020

4 MIN DE LEITURA

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A hidroponia consiste numa técnica de cultivo de plantas sem solo. Sim, é isso mesmo que você leu! As plantas são cultivadas suspensas ou em uma matéria inerte, recebendo uma solução composta de água e nutrientes necessários para seu desenvolvimento.

Parece coisa de filme de ficção científica, daqueles em que o planeta é destruído e as pessoas precisam viver em órbita no espaço, se virando para produzir alimentos como der. Mas eu te garanto, isto já é realidade, inclusive aqui no nosso Brasil.

produção de folhosas hidroponicas
Produção de folhosas para alimentação humana por hidroponia. (Fonte: GroHo)

As chamadas “fazendas urbanas” – que produzem principalmente folhosas – já estão presentes em número expressivo em grandes cidades, funcionando em galpões, lajes ou até no fundo de restaurantes. Este modelo de produção de alimentos vem conquistando consumidores e, dependendo do tamanho do cultivo, podem render até 3 toneladas de alimentos mensalmente, segundo uma matéria recentemente publicada no Valor Econômico.

Pelo jeito este modelo de cultivo funciona e tem bom rendimento, então por que não o utilizar também para produção de forrageiras para animais? Aí é que está: isso também já vem sendo feito! Porém, até onde vai nosso conhecimento, esta técnica ainda não é utilizada em larga escala para produção animal no Brasil, porém algumas empresas fora daqui já vem apostando bastante nisso.


Sistrema Hydrogreen para produção de forrageiras hidropônicas. (Fonte: Hydrogreen)

Um exemplo é a Hydrogreen, uma divisão da empresa CubicFarm® Systems, especialista em sistemas de plantio vertical – como também pode ser chamada a hidroponia. Enquanto a empresa-mãe se concentra na produção de alimentos para humanos, a Hydrogreen é especializada em produção de forragem para animais. Na verdade, a empresa nasceu quando um produtor da Dakota do Sul quis desenvolver uma forma mais eficiente de produzir alimentos para seu rebanho. Ele começou a construir e hoje existe um sistema totalmente automatizado, denominado HydroGreen Grow System. Confira o vídeo e veja como funciona:

Como o sistema é todo automatizado, uma só pessoa consegue realizar o trabalho, desde a semeadura até a colheita. A produção vertical consiste em empilhar prateleiras de cultivo, o que permite uma alta produção em espaço bastante reduzido – independentemente das condições edafoclimáticas, usando apenas uma fração da água utilizada na agricultura tradicional.

Ok, a técnica parece ser bastante promissora, mas você deve estar se perguntando sobre o valor nutricional deste tipo de alimento. Acertei? Bom, segundo o site da empresa, ele é uma ótima fonte de energia e fibra, possuindo até 25% mais proteína que forrageiras convencionais, alta digestibilidade, palatabilidade e maior disponibilidade de fósforo. Você pode acessar toda a descrição nutricional aqui.

É importante ressaltar que esses valores e características referem-se exclusivamente ao sistema de produção da Hydrogreen, e não necessariamente refletem a realidade de toda produção hidropônica. Ainda assim, esta é uma tecnologia super inovadora e já serve para nos deixar pensativos sobre as novidades que vêm sendo ou ainda vão desenvolvidas para a pecuária leiteira.


Fonte: influxlipids.com

Obviamente, um outro questionamento importante é se “a conta fecha”. Em um país com condições ótimas para plantio – como o Brasil – provavelmente os custos para utilização de hidroponia são superiores aos observados para produção de forrageiras convencionais. Contudo, com a constante necessidade de aumento da produção de alimentos e intensificação da pecuária, produzindo mais em menos espaço, esta é uma ferramenta promissora e que precisamos saber da existência.

Logo, a mensagem mais importante deste texto é: mantenha a cabeça aberta! Coisas que são inimagináveis para nós estão acontecendo em todas as partes do mundo. A alimentação das vacas com forragem hidropônica pode ser uma realidade aqui em pouquíssimo tempo! Por que não? Tudo é possível!

Por isso é importante buscar conhecer as tendências, ampliar nossa visão dos assuntos. Na cadeia láctea não é diferente e uma forma de fazer isso é participar do Dairy Vision 2020 Especial Edition. O formato online nos permitiu reunir diversos palestrantes – de vários países – e afirmar sem medo: este é o melhor programa sobre o setor lácteo já visto mundialmente. Será um divisor de águas na vida dos participantes!

E adivinhem quem será um dos palestrantes? John de Jonge, Diretor de Design da Hydrogreen. Mas ele não foi convidado para esse evento apenas por causa das forrageiras hidropônicas. John nasceu e cresceu em uma propriedade leiteira no Canadá e é um grande speaker e influenciador do setor lácteo no mundo, tendo experiência com várias empresas de inovação no segmento (confira o currículo completo aqui). É por isso que ele vai ministrar no evento a palestra “Uma visão sobre o futuro da produção de leite”, que – com certeza! – fará toda a diferença na sua forma de enxergar o setor.

Você não pode ficar de fora, confira nossa programação (recheada com 30 palestras de altíssimo nível) e faça logo sua inscrição. Venha ser protagonista em um mundo de transformações!

Ah, e se você conhecer a técnica de produção de forragem por hidroponia ou alguma fazenda que utilize, conta para a gente aqui nos comentários, vamos adorar saber!

MAYSA SERPA

Médica Veterinária e mestranda em Sanidade Animal pela UFLA, Editora Assistente de Conteúdo MilkPoint.

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ANTÔNIO NORBERTO OLIVEIRA PINTO

DIAS D'ÁVILA - BAHIA

EM 30/10/2020

Muito importante, estou utilizando a hidroponia na criação de aves para postura, mas estou encontrando dificuldades.
Gostaria de maiores informações.
Prof. Dr. Norberto Pinto,, Dias D Ávila Bahia.
RUBENS VOLNEI BENATO

BENTO GONÇALVES - RIO GRANDE DO SUL

EM 28/10/2020

Um sistema que certamente crescerá.
LEOVEGILDO LOPES DE MATOS

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 27/10/2020

Já mostrei em vários meios de comunicação, inclusive no MilkPoint que isto não é tecnologia e lugar nenhum do mundo precisa desse engodo. Esses defensores dessa idiotice aparecem, quebram algumas dezenas ou centenas de desavisados, somem e reaparecem 8-10 anos depois vendendo o milagre.
Há mais de 20 anos que tenho escrito e provado que isso não faz o menor sentido.
O balanço de carbono nesse período é negativo. Começa o processo com 2 kg de milho grão por metro quadrado, adiciona um substrato fibroso de baixa qualidade, bagaço ou capim picado e 20 a 25 dias depois colhe-se 25 kg de massa hidopônica, plantinha do milho, raizes e resíduo do tal substrato. Gastou-se mão de obra, instalações, tempo e solução nutritiva.
Os pilantras defensores (até professores universtários gastando recursos do CNPq, merecem cadeia) dessa aberração passam a fazer conjecturas: 25 kg/m2 equivalem a 250 ton/ha. O problema é que todo esse imbróglio começou com o equivalente 20 toneladas de milho com 87% de NDT para colher os tais 250 de um volumoso com 4 a 6% de matéria seca com 60-65% de NDT. Isto quer dizer que foram colocados para germinar uma quantidade de grãos equivalentes a 15,7 ton de NDT/ha para colher 250 ton FVH (forragem verde hidrpônica) com 5% de MS e 65% de NDT que renderia 8,1 ton de NDT/ha.
Negócio da China. A maneira mais rápida de empobrecer e quebrar.
MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 27/10/2020

Leo, entendo sua revolta a partir de experiências passadas. Mas o mundo tem mudado muito, as tecnologias têm evoluído bastante, e acho sempre saudável termos o benefício da dúvida. O John de Jonge é alguém com enorme experiência no setor, com muitos projetos de produção de leite. Vamos ouvir e, conforme for, criticar.
ROBERTO JANK JR.

DESCALVADO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/10/2020

Haja tapete de grama para isso dar certo.
LEOVEGILDO LOPES DE MATOS

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 27/10/2020

Roberto: Já imaginou se vcs fossem depender disso? Vc teria que fundar outra empresa.
O pior é que a cada 8 a 10 anos eles voltam, pois aqueles que tentaram já não querem saber disso e acabam pegando novos incautos.
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