ESQUECI MINHA SENHA CONTINUAR COM O FACEBOOK SOU UM NOVO USUÁRIO
Buscar

Ferramentas para avaliar a limpeza de vacas alojadas em compost barn

POR KARISE FERNANDA NOGARA

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/09/2021

7 MIN DE LEITURA

0
2

Atualizado em 20/09/2021

Sabemos que o maior desafio em compost barn é controlar a umidade da cama, para proporcionar uma superfície seca e confortável aos animais.

Junto com uma umidade da cama muito elevada (>65%) vem alguns problemas:

  • Processo de compostagem ineficiente,
  • Taxa de secagem baixa,
  • Animais mais sujos com aderência de fezes e cama aos pelos, úbere e pernas,
  • Maior risco a sanidade da glândula mamária.

Por estes motivos, o manejo da cama é muito importante, visto a sua capacidade de influenciar a limpeza das vacas (LESO et al., 2013). 

A umidade da cama é um preditor da higiene dos animais alojados em compost barn, o que explica a correlação moderada (r = 0,40) entre a umidade da cama e o escore de sujidade dos animais (ECKELKAMP et al., 2016; NOGARA et al., 2021).

Da mesma forma, a sujidade dos animais correlaciona-se positivamente com a CCS do leite (SCHREINER & RUEGG, 2002). Esta variável é grande importância na atividade leiteira, tanto para o produtor (através da diminuição na produção de sólidos, redução na produção de leite e consequentemente na bonificação recebida do laticínio) e para a indústria láctea (através do rendimento de derivados e tempo de prateleira).

Para auxiliar a verificar a limpeza dos animais, há diversas metodologias citadas na literatura, como:

1. A metodologia de (SCHREINER; RUEGG, 2002) leva em consideração a aderência de materiais e dejetos nos tetos e úbere das vacas. Assim, o escore de sujidade é descrito na escala de 1 a 4, onde em 1 está completamente limpo, 2 pouco sujo, 3 sujidade mediana e em 4 apresenta alta concentração de sujidade e bem aderida.

2. A metodologia de Canadian Bovine Mastitis and Milk Quality Research Network considera a sujidade das pernas, flanco, úbere e tetos dos animais. A escala utilizada foi de 1 a 4, onde 1 é considerado limpo e 4 muito sujo. A limpeza da parte traseira e laterais do úbere indica a qualidade da cama, bem como sua dimensão. Sempre é indicado verificar a necessidade de reposição de cama e consistência das fezes.

3. A metodologia de FAYE & BARNOUIN (1985), chamada de índice de limpeza individual, faz a caracterização através de pontuações (0 a 2) em cinco áreas do corpo do animal. Essas áreas, também chamadas de zonas, são:

  • Zona 1: Região genital, desde a base da causa até o início do úbere;
  • Zona 2: Úbere visto posterior;
  • Zona 3: Parte inferior dos membros posteriores, limitado pelos jarretes até os talões;
  • Zona 4: Visão do úbere lateralmente (ventralmente);
  • Zona 5: Coxa.

As pontuações são descritas por: 0 (livre de sujidade); 0,5 (presença de algumas manchas); 1 (manchas extensas, porém compreendem menos que 50% da área); 1,5 (as manchas apresentam-se em mais de 50% da superfície); 2 (a área está completamente suja).

Após as considerações deve-se proceder a soma essas notas dadas conforme as zonas descritas. A pontuação irá variar de 0 a 8 (limpo ou muito sujo). Pontuações de 0,5 são consideradas aceitáveis.

  • No estudo de FÁVERO et al. (2015) a maioria das vacas permaneceram limpas, com escore 1 e 2, obtendo uma média 2,1 em relação a limpeza de úbere, tetos, flanco e pernas, não sendo verificado diferenças entre as estações do ano. 
     
  • Já OFNER-SCHRÖCK et al. (2015) ao utilizar a metodologia de Faye & Barnouin (1985), observaram que a zona corpórea dos animais que apresentava-se mais suja era a zona 3 (pernas traseiras), com escore 0,80. Já a região do úbere, vista lateralmente (zona 4), se apresentou como o local com menor sujidade, obtendo o escore 0,19.
     
  • SHANE; ENDRES; JANNI (2010) encontraram como média do escore de higiene das vacas 3,1, caracterizando que as vacas estavam ligeiramente sujas. Já BARBERG et al. (2007) encontraram um escore médio de 2,7.
     
  •  Ao avaliar 1010 vacas, em oito municípios de Santa Catarina, RADAVELLI et al. (2020) observaram que maioria dos animais (84%) apresentam escore 1 e 2, o que vai de encontro com os dados de PILATTI et al. (2021), e apenas 2,6% dos animais com escore 4.

A manutenção da limpeza dos animais está associada ao manejo e a qualidade da cama, sendo a umidade da cama o fator de maior influência. As estações do ano também podem influenciar nesta variável, visto que durante o inverno há uma maior dificuldade de manter o processo de compostagem, acarretando em altos escores de sujidade.

Dessa forma, é de extrema importância priorizar o manejo de cama, realizando o revolvimento da cama de duas a três vezes ao dia, durante o horário da ordenha. Utilizar materiais para a reposição de cama de boa capacidade absortiva, como serragem e maravalha, sempre que observar a aderência da mesma na pele e pelos dos animais, juntamente com a verificação da temperatura da cama, para verificar se o processo de compostagem está ocorrendo de forma desejável.

Também, a densidade animal deve ser respeitada conforme a dimensão do galpão, para que as vacas tenham espaço suficiente para se movimentar dentro do barracão, mas também que a deposição de dejetos não seja superior que a capacidade de secagem da cama. A ventilação no sistema é outra ferramenta essencial, pois além de auxiliar na troca de ar dentro do galpão, favorecendo o bem-estar animal através da melhor sensação térmica, os ventiladores também auxiliam na retirada da umidade e, consequentemente, a secagem da cama.

Com os resultados destas pesquisas mencionadas e as demais encontradas na literatura, podemos dizer que os animais em compost barn obtêm um bom nível de limpeza.

Essa limpeza das vacas é essencial para minimizar o risco de mastite. Pois  a cada uma unidade aumentada no escore de sujidade dos animais a chance de um novo caso de mastite aumenta em 32% (FÁVERO et al., 2015). E já é conhecido que a mastite é a doença mais importante dentro da atividade leiteira, devido aos seus prejuízos, que vão desde a secagem de tetos, descarte de vacas, queda no rendimento da produção, aumento dos custos com medicamentos e em casos mais severos levando a morte do animal.

Gostou do conteúdo? Deixe seu like e seu comentário, isso nos ajuda a saber que conteúdos são mais interessantes para você.

Referências Bibliográficas

BARBERG, A. E.; ENDRES, M. I.; SALFER, J. A.; RENEAU, J. K. Performance and welfare of dairy cows in an alternative housing system in Minnesota. Journal of Dairy Science, [S. l.], v. 90, n. 3, p. 1575–1583, 2007. DOI: 10.3168/jds.S0022-0302(07)71643-0.

Canadian Bovine Mastitis Research Network.October 2017. Cow Cleanliness Assessment. https://www.medvet.umontreal.ca/rcrmb/dynamiques/PDF_AN/Toolbox/Factsheets/EN_cleanliness%28WEB_oct201 4%29.pdf

ECKELKAMP, E. A.; TARABA, J. L.; AKERS, K. A.; HARMON, R. J.; BEWLEY, J. M. Understanding compost bedded pack barns: Interactions among environmental factors, bedding characteristics, and udder health. Livestock Science, [S. l.], v. 190, p. 35–42, 2016. DOI: 10.1016/j.livsci.2016.05.017. Disponível em: https://dx.doi.org/10.1016/j.livsci.2016.05.017.

FÁVERO, S.; PORTILHO, F. V. R.; OLIVEIRA, A. C. R.; LANGONI, H.; PANTOJA, J. C. F. Factors associated with mastitis epidemiologic indexes, animal hygiene, and bulk milk bacterial concentrations in dairy herds housed on compost bedding. Livestock Science, [S. l.], v. 181, p. 1871–1413, 2015. DOI: 10.1016/j.livsci.2015.09.002. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/158599/WOS000365362800032.pdf?sequence=1.

FAYE, B.; BARNOUIN, J. Objectivation de la propreté des vaches laitières et des stabulations. L’indice de propreté. Bulletin Technique, Centre de Recherches Zootechniques et Vétérinaires de Theix, [S. l.], v. 59, p. 61–67, 1985. Disponível em: https://prodinra.inra.fr/?locale=fr#!ConsultNotice:175062.

NOGARA, Karise Fernanda; BUSANELLO, Marcos; HAYGERT-VELHO, Ione Maria Pereira; ZOPOLLATTO, Maity; FRIGERI, Karen Dal Magro; ALMEIDA, Paulo Sergio Gois De. Characterization and relationship between bulk tank milk composition and compost bedded variables from dairy barns in the Rio Grande do Sul state, Brazil. Turkish Journal of Veterinary and Animal Sciences, [S. l.], v. 46, p. 1–35, 2021. DOI: 10.3906/vet-2101-85.

OFNER-SCHRÖCK, E.; ZÄHNER, M.; HUBER, G.; GULDIMANN, K.; GUGGENBERGER, T.; GASTEINER, J. Compost Barns for Dairy Cows - Aspects of Animal Welfare. Open Journal of Animal Sciences, [S. l.], v. 5, n. =, p. 124–131, 2015. DOI: 10.4236/ojas.2015.52015. Disponível em: https://www.scirp.org/journal/paperinformation.aspx?paperid=55276.

PILATTI, Jaqueline A.; VIEIRA, Frederico Márcio C.; SANTOS, Lucélia Fátima Dos; VISMARA, Edgar S.; HERBUT, Piotr. Behaviour, hygiene, and lameness of dairy cows in a compost barn during cold seasons in a subtropical climate. Annals of Animal Science, [S. l.], 2021. DOI: 10.2478/aoas-2021-0033.

RADAVELLI, Willian Mauricio; DANIELI, Beatriz; ZOTTI, Maria Luísa Appendino Nunes; GOMES, Fábio José; ENDRES, Márcia I.; SCHOGOR, Ana Luiza Bachmann. Compost Barns in Brazilian Subtropical region (Part 1): facility, barn management and herd characteristics. Research, Society and Development, [S. l.], v. 9, n. 8, p. 1–22, 2020.

SCHREINER, D. A.; RUEGG, P. L. Effects of tail docking on milk quality and cow cleanliness. Journal of Dairy Science, [S. l.], v. 85, n. 10, p. 2503–2511, 2002. DOI: 10.3168/jds.S0022-0302(02)74333-6. Disponível em: https://dx.doi.org/10.3168/jds.S0022-0302(02)74333-6.

SHANE, E. M.; ENDRES, M. I.; JANNI, K. A. Alternative bedding materials for compost bedded pack barns in Minnesota: A descriptive study. Applied Engineering in Agriculture, [S. l.], v. 26, n. 3, p. 465–473, 2010.

 

KARISE FERNANDA NOGARA

Zootecnista formada pela UFSM/campus Palmeira das Missões/RS. Atualmente mestranda do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da Universidade Federal do Paraná. Trabalha com a qualidade e composição do leite e sistema de confinamento compost barn.

0

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

MilkPoint AgriPoint