ESQUECI MINHA SENHA CONTINUAR COM O FACEBOOK SOU UM NOVO USUÁRIO
FAÇA SEU LOGIN E ACESSE CONTEÚDOS EXCLUSIVOS

Acesso a matérias, novidades por newsletter, interação com as notícias e muito mais.

ENTRAR SOU UM NOVO USUÁRIO
Buscar

Conhecimento de precisão: minimizando gastos e incrementando a produção

POR INSTITUTO DE AGRICULTURA REGENERATIVA

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/04/2022

9 MIN DE LEITURA

2
48

Muito se fala na produção leiteira dos últimos anos em Agricultura de Precisão, Pecuária de Precisão, Agricultura 4.0, Agricultura 5.0 e muitos outros termos ainda mais complexos.

Mas afinal, o que é isso e para que serve? São sistemas de gerenciamento e enfoques produtivos baseados na coleta e utilização de informações (precisas) a fim de se obter melhores resultados socioeconômicos e ambientais na produção agrícola e pecuária.

Em termos mais simples, são formas de produção baseadas em “Conhecimento de Precisão” dos sistemas produtivos que inclui o histórico de uso das áreas, a situação atual e prognósticos futuros.

Apesar de sua utilização ser, na maioria das vezes associada à alta tecnologia, maquinários, softwares e demais equipamentos digitais / robóticos sofisticados, seu custo pode ser muito mais baixo do que se imagina e o resultado surpreendente.

Nesse foco, mostraremos como economizar sem a necessidade de aquisição de equipamentos e softwares caros: somente com diagnóstico e planejamento técnico adequado por meio do uso de tecnologia digitais, dispensando, em um primeiro momento, até mesmo idas a campo. Isso não depende da localização da propriedade e se aplica a áreas de 5 ha ou de 500 ha (ou mais), que desenvolvam somente a atividade leiteira, ou que tenham várias atividades, integradas ou não (Fig. 1).

 

Figura 1: Possibilidades de melhoria da atividade leiteira em diferentes arranjos produtivos.


Fonte: RegenerAgri, 2022

 

O desafio de economizar sem diminuir a produção

Como você procederia, como produtor rural ou consultor técnico, diante de uma possibilidade de investimento?

Para começar:

  • Levantaria os preços e condições de mercado?
  • Procuraria a opinião de alguém de confiança?
  • Faria uma análise aprofundada da real necessidade / oportunidade desta despesa, da estratégia de desembolsos e da existência ou não de alternativas mais vantajosas que possam substituí-la?

Pois bem, se você tender para uma análise mais detalhada do investimento, uma possibilidade é iniciar pelo processamento de mapas e imagens de satélites. Uma análise espacial abrangente traz elementos novos sobre a propriedade, até mesmo para quem “conhece as áreas como a palma da mão”, devido à sua visualização como um todo, facilitando a melhoria de aspectos que ainda não tinham sido considerados.

 

Um mundo de informações gratuitas a serviço da produção de alimentos.

Atualmente existem diferentes sites e softwares gratuitos, que permitem desde a visualização das propriedades rurais até a demarcação / medição de áreas de interesse a partir de seu contorno ou de fotos / pontos georreferenciados contidos nas mesmas.

Infelizmente, muitos produtores ainda não dispõem de mapas e análises de suas áreas, dificultando a tomada de decisões tecnicamente embasadas, tornando-as muito arriscadas, pelo fato de terem como única base opiniões e hábitos consolidados.

Nesse caso, o primeiro passo é verificar se as áreas estão registradas no Cadastro Ambiental Rural (CAR). Se estiverem inscritas nesse cadastro, é possível baixar os contornos e desenhar piquetes, corredores, lagos, açudes e áreas sem potencial produtivo para determinar as áreas efetivas de pastagens, lavouras e de vegetação florestal / arbustiva (Fig. 2).

 

Figura 2: Determinação de áreas efetivas de pastagens, lavouras e vegetação florestal / arbustiva.


Fonte: Elaborado pelos autores com base no Cadastro Ambiental Rural e imagens Google Earth.

Se não houver registros no CAR, a alternativa é obter os contornos das áreas, a partir de dados cartográficos antigos, descrições do produtor ou por levantamento in loco (se houver necessidade de informação mais precisa).

Eventuais esclarecimentos e discussões de resultados iniciais podem ser feitos virtualmente. Assim, é possível obter informações suficientes para as tomadas de decisão que poderão resultar em economias surpreendentes, muito rapidamente e sem precisar se deslocar. Como resultado de uma reflexão mais elaborada, a conclusão pode ser algo como: “...não será necessário realizar parte dos gastos com reformas de áreas de pastagens, estimados inicialmente”.

Com essas informações em mãos, pode-se partir para o uso de dados altimétricos, que informam sobre a facilidade de condução dos animais nas áreas, a eficiência produtiva, o grau de dificuldade da realização de subdivisões, o risco de erosão, a necessidade de construção de terraços, cordões vegetados etc. (Fig. 3). Dependendo da necessidade, diferentes softwares de informação geográfica podem ser utilizados a fim de se obter um maior ou menor detalhamento.
 

Figura 3: Representação planialtimétrica e 3D com vistas à otimização do uso das áreas produtivas e da mão-de-obra.


Fonte: Elaborado pelos autores por meio do software QGIS® a partir de imagens do Google Earth e do modelo de elevação Alos Palsar - Alaska Sattelite Facility, Fairbanks University of Alaska Geophysical Institute, 12,5 m de resolução espacial.
 

De posse da caracterização espacial das áreas, o segundo passo é a determinação da produção de biomassa ao longo do último ciclo produtivo, para conhecer o que ocorreu nas áreas nesse período e identificar potencialidades e reais necessidades de intervenção (Fig. 4).

 

Figura 4: Produção de biomassa vegetal entre julho e novembro estimada por NDVI.


Fonte: Elaborada pelos autores por meio da aplicação EOS - Crop Monitoring, com base em imagens Sentinel-2 - Copernicus Service Information, 10 m de resolução espacial.

 

Analisando o histórico da produção de biomassa dos últimos meses, é possível perceber diferenças de cobertura vegetal, formas de cultivo e potencial produtivo entre as áreas a fim de evidenciar a ocorrência de:

  • Áreas mais produtivas, consolidadas e manejadas em plantio direto, que não demandam maiores investimentos em fertilidade do solo;
  • Áreas com preparo frequente de solo, cujo manejo deve ser ajustado, sem necessidade a priori de correção da fertilidade;
  • Áreas menos produtivas, degradadas ou em formação, para as quais é necessário direcionar investimentos.

Note-se que, no exemplo apresentado na Figura 4, as áreas de menor potencial representam menos da metade da área produtiva total da propriedade (250 ha). Se considerarmos, um custo de reforma de R$ 2 mil/ha (baixo, no panorama atual de preços), a provável economia gerada pela análise realizada seria de mais de R$ 1 mil para cada hectare de área produtiva (R$ 250 mil, no caso referido), considerando somente os gastos com correção de fertilidade do solo.

Esse conjunto de informações, que evidentemente não dispensa a necessidade de realização de análises de solo para precisar as quantidades de fertilizantes e corretivos necessários, fornece um “norte” rápido, precioso por sua utilidade e, sobretudo, abrangente. Com ele é possível reavaliar as subdivisões existentes, o uso das áreas (para pastejo, produção de feno, silagem e grãos) e, até mesmo, a localização de bebedouros, abrigos e instalações de ordenha e alimentação. Tem-se assim, a possibilidade adicional de melhorar a eficiência de utilização das pastagens e o conforto dos animais, assim como, de reduzir seu gasto energético.

A transformação desse “norte” em tomada de decisão demanda, no entanto, uma visão de mais longo prazo. Assim, o terceiro passo é a determinação do histórico de uso e produção da área nos últimos anos / décadas (Fig. 5) para poder projetar com maior acurácia seu uso futuro e as perspectivas de agregação de valor do sistema produtivo.

 

Figura 5: Histórico de uso (a) e de produção de biomassa (b) entre 1985 e 2020.

Fonte: Elaborada pelos autores por meio da plataforma Google Earth Engine, com base em imagens Landsat 5, 7 e 8, coleção 2, nível-2, <5% de cobertura de nuvens, 30 m de resolução espacial - US Geological Survey, agrupadas (valores médios) por períodos de cinco anos, exceto 2021-2022. Representação: (a) em RGB (cor natural); (b) em NDVI (verde = maior produção de biomassa).
 

Aqui o uso de imagens de satélite e softwares específicos não substituem as informações fornecidas pelo produtor e demais pessoas que conheçam as áreas a mais tempo, mas permitem uma visão mais ampla, incluindo conversões de uso, realocações de instalações e efeitos diversos (devidos a infraestruturas e outras atividades).

Os procedimentos envolvidos são semelhantes aos anteriores, demandam mais tempo e a utilização de recursos computacionais um pouco mais sofisticados (também gratuitos), mas, permitem a determinação do potencial produtivo das áreas ao longo dos anos, sua evolução e legalidade ambiental.

Essa maior riqueza de informações, além de eliminar o efeito de eventos de curto prazo (secas, enchentes, crises econômicas), pode servir de base para procedimentos de certificação e agregação de valor. Surgem assim, maiores possibilidades: além da simples economia nos investimentos, tem-se novas perspectivas de remuneração, acesso a mercados e redução de riscos.
 

A era do “Conhecimento de Precisão”: desafios e possibilidades

Para se usufruir de novas tecnologias na produção de leite não são necessários equipamentos e recursos de informática de alto custo. É necessária, isto sim, uma mudança de mentalidade no sentido de valorizar mais o conhecimento, os processos e as interações naturais, e menos os equipamentos e demais recursos tecnológicos modernos.

O grande e eterno “processo tecnológico de ponta” é a fotossíntese das plantas que, em seu ciclo virtuoso, retira carbono (C) da atmosfera, alimenta a vida e devolve C ao solo, contribuindo para o aumento da matéria orgânica que é fonte de nutrientes para diferentes organismos..., e tudo recomeça, numa ótica regenerativa (Fig. 6).

 

Figura 6: Princípios fundamentais da Agropecuária / Agricultura Regenerativa.

Fonte: Elaborada pelos autores, com base no entendimento geral do enfoque “regenerativo”.
 

Neste sentido, a produção de leite em pastagens tem lugar de destaque: incentiva a cobertura do solo, permite sua mínima mobilização e a manutenção de raízes vivas o ano todo, promove a diversidade de cultivos e demais organismos, e facilita a redução do uso de agrotóxicos.

Em meio a esta diversidade de aspectos, a possibilidade de monitorar processos e potencializá-los com base em conhecimento de alto nível consiste na grande revolução das últimas décadas.

O conhecimento detalhado de áreas produtivas e demais processos gera a oportunidade de economizar centenas de reais em horas ou dias, sem precisar de maquinários caros. A descrição de seu histórico de longo prazo gera novas oportunidades presentes e futuras. Para isso, o setor precisa cada vez mais de produtores e técnicos capazes de gerar, utilizar, analisar e interpretar dados.

Faça sua parte! Prepare-se!

Colabore para a grandeza da produção agropecuária que o futuro nos reserva!

 

Sobre o Instituto de Agricultura Regenerativa

O Instituto de Agricultura Regenerativa é uma associação privada, sem fins lucrativos, engajada na consolidação de um novo paradigma: a produção de alimentos saudáveis, ricos em nutrientes e sem resíduos de substâncias tóxicas pode promover a restauração de processos e relações naturais, gerando benefícios socioeconômicos e ambientais. Como tal, seus efeitos se assemelham ao que ocorre em ambientes naturais, onde os diferentes indivíduos interagem, de forma sinérgica e complementar.

Sem deixar de reconhecer a contribuição de práticas como o preparo mínimo do solo e o uso de culturas de cobertura em substituição aos agrotóxicos como contribuições efetivas da agricultura orgânica, a agricultura regenerativa dá um passo à frente: incorpora uma abordagem holística da produção agrícola, embasada em princípios de hierarquia ecológica e práticas conservacionistas. Com isso, regeneração, manutenção e aumento da resiliência da produção de alimentos se aliam à melhoria da qualidade de vida de produtores e consumidores de alimentos, tanto do meio rural como de grandes aglomerações urbanas.

Mais informações, acesse o site.
 

Colaboraram para esta publicação

Marcelo Abreu da Silva - Engenheiro Agrônomo, Mestre e Doutor em Ecoetologia.
Milene Dick - Médica Veterinária, Mestre em Agronegócios e Doutora em Zootecnia.
Rickiel Rodrigues Franklin da Silva - Engenheiro Agrônomo, Mestre em Agronomia.
Sebastião Ferreira de Lima - Engenheiro Agrônomo, Mestre em Agronomia e Doutor em Fitotecnia.
Cícero Célio de Figueiredo - Engenheiro Agrônomo, Mestre e Doutor em Agronomia
Homero Dewes - Farmacêutico, Mestre e Doutor em Biologia.

 

Referências:

Cadastro Ambiental Rural, 2022. Disponível em: https://www.car.gov.br

Copernicus Service Information, 2022. Disponível em: https://www.copernicus.eu/en/access-data/dias

RegenerAgri, 2022. Planejamento Integrado de Sistemas de Produção. Disponível em: https://www.regeneragri.com/servi%C3%A7os/planejamento-integrado

US Geological Survey, 2022. Disponível em: https://www.usgs.gov/landsat-missions/landsat-data-access

INSTITUTO DE AGRICULTURA REGENERATIVA

O Instituto de Agricultura Regenerativa é uma associação privada, sem fins lucrativos, engajada na consolidação da produção de alimentos saudáveis, ricos em nutrientes e sem resíduos de substâncias tóxicas.

2

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

MUNDO AGRO MS

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 29/04/2022

Fantástico este artigo.
Prova da capacidade do Homem de perpetuar seu legado (com pouco gasto), enquanto alguns desembolsam $ bilhões na busca de condições de vida em outros planetas.
Obrigado pelas informações e pelo exemplo de defesa da "terrinha amada" e da produção agropecuária.
INSTITUTO DE AGRICULTURA REGENERATIVA

ELDORADO DO SUL - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 29/04/2022

Obrigado pelo gentil comentário. É isso aí: em um planeta como o nosso, buscar lugares alternativos para viver, ao invés de concentrar esforços para valorizar o que temos, não parece muito lógico. Continuem conosco na luta pela vida, pela valorização dos produtores rurais e por um mundo melhor. Um mundo onde nossos filhos possam beber a água dos rios da região onde moram.
MilkPoint AgriPoint