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A avaliação da consistência das fezes de vacas como ferramenta nutricional

POR JOSÉ ROBERTO PERES

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/04/2000

3 MIN DE LEITURA

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José Roberto Peres

Todo nutricionista deve saber observar e "interpretar" as fezes dos animais. Elas são um indicativo da qualidade da dieta que os animais estão consumindo e da extensão e local de sua digestão. De forma prática, o que se pode observar é o seguinte:

* As fezes, dentro de um mesmo lote, variam sua consistência de firme à diarréia? - boas ou ruins, as fezes de um lote recebendo a mesma dieta devem parecer similares, se elas estiverem consumindo a mesma dieta. Isto não ocorrendo, a probabilidade de estar ocorrendo seleção ou variação no consumo por parte de alguns animais é bastante grande.

* O esterco está espumoso apresentando bolhas de gás? Existem pedaços de "muco" no esterco? - o alimento deve ser digerido preferencialmente no rúmen e abomaso, com a absorção dos nutrientes ocorrendo principalmente no rúmen e no intestino delgado (trato digestivo anterior). Quando parte do alimento passa por estes compartimentos sem ser totalmente degradado ele é fermentado no intestino grosso (trato digestivo posterior), que não possui capacidade de absorção de nutrientes. Sendo assim, parte dos nutrientes é perdida. Neste caso os gases resultantes da fermentação aparecem nas fezes. Somado a isto, a fermentação tem como produto final vários ácidos, que irritam a parede do intestino grosso e provocam como reação de defesa a secreção de muco. Isto evidencia a ocorrência de danos na parede do intestino. Estes danos podem ser parcialmente responsáveis pela ocorrência de diarréias freqüentemente vistas em casos de acidose ruminal (que não permite a completa digestão dos alimentos no trato digestivo anterior). Portanto, este tipo de ocorrência indiretamente evidencia problemas a serem corrigidos na digestão ruminal.

A avaliação de porções de fezes cuidadosamente lavadas em peneira com malha de 1,5 mm permite o exame da fração sólida das fezes. As amostras devem ter 250 gramas, obtidas de montes de diversas vacas para maior representatividade. Neste material pode ser observado:

* Existem muitas partículas de fibra maiores que 1 cm de comprimento? - grandes partículas de fibra ou concentrado moído em tamanho visível nas fezes sugerem que o alimento não está sendo retido no rúmen por tempo suficiente para ser ruminado/digerido. Observe e corrija a quantidade de fibra efetiva da dieta.

* Existem nas fezes alimentos não digeridos como polpa de laranja ou caroço de algodão com línter ainda intacto? - estes alimentos normalmente são de fácil digestão. Caso não estejam sendo digeridos suspeite de acidose ruminal pois ela prejudica a digestão da fibra da dieta. Novamente verifique o teor de fibra efetiva na dieta.

* Existe nas fezes uma quantidade visível de grãos em partículas grandes? - a presença de alimento não digerido nas fezes é indicativo de uma redução geral na digestibilidade da dieta. Tanto a fibra quanto o amido podem escapar da digestão. Os grãos são retidos para digestão no rúmen no meio das partículas de fibra, sendo esta uma das razões para o atendimento dos requerimentos de fibra. Também o processamento que é dado aos grãos pode influir em seu aproveitamento. Quando moídos muito grosseiramente a eficiência no seu aproveitamento é menor e portanto eles ficam mais evidentes nas fezes. Grãos muito maduros em silagens colhidas tardiamente também podem "passar" pelo trato digestivo anterior sem ser digeridos; seu processamento seria necessário através de ensiladeiras que processem os grãos.

Comentário do autor: a observação das fezes é uma ferramenta subjetiva mas útil na identificação de problemas nutricionais. A existência de material não digerido nas fezes indica problemas na formulação ou manejo nutricional do rebanho.

fonte: Adaptado de: Hall, M. B., 1999. Southeast Dairy Herd Management Conference.

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MARIA DE FÁTIMA NETO

BARROLÂNDIA - TOCANTINS

EM 25/11/2019

Preciso de uma consulta. Boa tarde. Estou com uma novilhotas, vinda por compra, que apresenta um quadro de saúde não muito bom. Já aplicamos vários medicamentos mas não se curou por completo. Veja quando ela chegou a cerca de 2 meses atrás ela estava magra e foi emagrecendo mais. Apresentou uma diarreia com fezes pretas, parecia uma borra de café. Com a aplicação dos medicamentos a diarréia preta passou, mas ela continua espremendo e evacoando a todo instante, saindo apenas um pouquinho de fezes. Ela é boa de apetite, mas tudo que come parece que passa direto no intestino dela. As poucas fezes que expele apresenta cor verde escuro, parece estar normal. O quê devo aplicar nessa novilhotas?
LECILDA LOPES

NOVA OLÍMPIA - MATO GROSSO

EM 06/09/2019

Bom dia. Estou com uma novilha defecando preto. Preciso de um nome de remedio. Obg
JOÃO LEONARDO PIRES CARVALHO FARIA

MONTES CLAROS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 23/02/2018

Excelente, muito boas as explicações!
LEÔNCIO CEZAR

SÃO PAULO - SÃO PAULO - MÍDIA ESPECIALIZADA/IMPRENSA

EM 27/01/2012

Olá José Roberto Peres. Sou reporter da revista Balde Branco e estamos desenvolvendo uma pauta sobre o que a avaliação das fezes dos bovinos pode realmente nos dizer. Para isso gostariamos de uma entrevista com o Sr sobre o assunto. Há algum e-mail para contato? Aguardo uma resposta


Leôncio Cezar


Jornalista


cezar.sud@hotmail.com
FERNANDO CADARIO

SANTA CRUZ DE LA SIERRA - SANTA CRUZ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/07/2008

Estimados señores Milk Point.

Mil disculpas por el idioma, espero comprendan la carta que les envio.

Quiero primeramente felicitarlos por el sitio, relamente es excelente, soy un asiduo lector, tanto del punto leche como carne. Soy Veterinario Zootecnista y me desempeño en las areas de nutricion y reproduccion como actividades principales.

En esta oportunidad y ante la subida alarmante de los fosfatos para la preparacion de sal mineral, una de las fuentes alterantivas al fosfato mono y bi calcico es el TRI CALCICO. Quiero preguntarles si tienen algun estudio, articulo o experiencias sobre la utilizacion de este mineral tanto para sal mineral de lecheras como de corte.

Sobre el mismo tema, existe en mi region una extensa area donde predomina el ganado de corte, donde los pastos tienen excelentes niveles de fosforo (0.4 - 0.5 %) y ademas de ello las aguas son bastante salinas y el ganado no come sal. Mi pregunta es acerca el fosforo si debo o no suplementar (vacas de cria) y en el caso de la sal, en que forma debo suplementar micro minerales, si es posible con inyectables y con que periodicidad. Por favor y mil disculpas por las molestias.

Saludos

Fernando Cadario
MilkPoint AgriPoint