FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO

Queijo feta e iogurte grego estão ameaçados de perder suas nacionalidades

ESPAÇO ABERTO

EM 06/06/2016

0
0
Por Max Goniadis, para o portal Blasting News. 

É sabido que alguns alimentos são considerados pratos típicos de determinados países ou regiões. E não só é isto que está envolvido nessa relação de comida e nação, pois se o visitante quer de fato, conhecer ou saborear determinada iguaria, ele pode conseguir muito mais do que degustar unicamente o alimento. Ele pode passar a compreender, por exemplo, a história, a cultura, a memória de um povo e até mesmo as manifestações religiosas do país envolvido, somente pela comida oferecida.

A China tem no Pato de Pequim, um prato típico de sua culinária; os escargots ou caracóis são aperitivos apreciados na França; a costela assada é um dos componentes principais do churrasco norte-americano e a Grécia não foge à regra de possuir saborosos alimentos que são reconhecidos internacionalmente como de origem grega ou tipicamente produzidos e enviados ao mundo por aquele país.

Mas nem tudo é só sabor e beleza quando se fala do típico queijo feta e o saudável iogurte grego. Há também muito dinheiro envolvido na comercialização desses itens e exportação dos mesmos. Provavelmente, em um futuro não tão distante, os comerciais sobre o queijo feta nas televisões da Grécia não sejam mais acompanhados pelo som melodioso e exótico do bouzouki (instrumento musical típico da Grécia com o aspecto de uma guitarra bojuda), tendo como pano de fundo as paisagens paradisíacas das ilhas gregas.

Mas o porquê disso? O que está acontecendo com a produção do queijo feta pela Grécia e suas indústrias? A resposta é terrivelmente simples! Em um país de economia cada vez mais achatada, o queijo feta está correndo o risco iminente de perder o título de alimento tipicamente grego (com a produção protegida legalmente pelos seus cidadãos em função de acordos comerciais recentes), possibilitando que o Canadá e a África do Sul produzam também o delicioso queijo feta.

Resumindo, a União Europeia, por meio de nova legislação comercial está prestes a assinar com canadenses e sul-africanos a criação de linhas de produção para similares ou versões do queijo grego, feito de leite de cabras e ovelhas.

Evangelos Apóstolos, que é o atual ministro do Desenvolvimento Rural da Grécia, tinha dito que não pactuaria com a assinatura desse acordo econômico da União Europeia, inclusive ameaçando vetar diretamente a negociação. Por outro lado, todos sabem que devido aos interesses financeiros que extrapolam a identidade nacional não só dos gregos, essa é uma batalha perdida, onde Apóstolos passa a culpar o governo que o antecedeu, alegando que o combinado oficial já tinha se dado em setembro de 2014. Para quem não sabe, as exportações do feta grego para o mundo representam, para a abalada economia da Grécia, o equivalente a aproximadamente 380 milhões de euros anualmente.

Os problemas não param por aí, uma vez que além do queijo feta, também o conhecido, e aclamado em vários países, iogurte grego, está sob a ameaça de perder a sua identidade grega. Nesse momento a República Checa ganhou a permissão à fabricação e exportação dessa saborosa bebida láctea depois que a Comissão Europeia delegou aos checos esse “direito”.

Um paralelo é como se todos testemunhassem que japoneses de Tóquio estivessem preparando uma típica feijoada brasileira, ou seja, simplesmente não combina.

 

0

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.