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Milhões de dólares são perdidos pelas empresas de lácteos após o fim das cotas da UE

ESPAÇO ABERTO

EM 30/04/2018

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Robert Schorsij atua na indústria de lácteos há mais de 30 anos e é consultor na Holanda, operando sob o nome da Greenmark Dairy. A Greenmark fornece aos clientes em todo o mundo análises e consultoria sobre o mercado de produtos lácteos sob medida em questões relacionadas ao mercado. Além disso, a Greenmark é ativa na otimização de fornecimento e vendas para clientes globais. Este material foi traduzido pela Equipe MilkPoint.

Enquanto a Comissão Europeia realizava uma reunião sobre os altos níveis de estoques de leite em pó desnatado, um analista argumentou que a indústria europeia pagou um alto preço pela abolição das cotas de produção de leite. Como a UE se saiu durante os três anos após o fim das cotas de produção de leite? O analista Robert Schorsij argumenta que o setor europeu pagou um alto preço pela "liberdade". E os altos estoques atuais de leite em pó desnatado é apenas um dos resultados mais óbvios disso tudo.

Durante os 30 anos de cotas leiteiras, o nivelamento da produção de leite ajudou a indústria em termos de oferta e demanda?

“A razão pela qual as cotas de leite foram implementadas para todos os estados membros da UE era administrar os desequilíbrios recorrentes anuais entre oferta e demanda. E funcionou, em termos de redução da produção de leite, com apenas um ano atípico, 1993, quando a produção de leite disparou”.

A abolição das cotas de produção de leite é responsável pelos atuais altos níveis de estoque de leite em pó desnatado?

“O instrumento da cota de produção de leite também foi eficaz na redução dos estoques de intervenção. Em 2005, a UE atingiu um equilíbrio; em anos sucessivos, os estoques caíram e não houve novas aquisições de intervenção pública até 2009. E isso teve menos a ver com desequilíbrios estruturais e mais com o acúmulo de estoques como resultado da crise financeira. A menos que haja uma forte gestão da produção de leite ou melhor, de seu crescimento, as tabelas acima sugerem que, após os anos de cota leiteira, haverá estoques de intervenção pública de leite em pó desnatado mais frequentemente. Se esses excedentes estão ou não em mãos privadas, ou em intervenção pública, depende da Comissão Europeia. O Comissário Phil Hogan afirmou recentemente que a indústria deve regular-se em termos de produção, uma vez que no futuro a UE não os salvará novamente”.

O leite em pó desnatado extra é uma desvantagem reconhecidamente. Mas certamente houve ganhos com a maior produção de leite. E quanto a manteiga?

“A abolição das cotas abriu as portas para um maior crescimento da produção de leite, mas o problema é que apenas alguns componentes do leite têm capacidade suficiente para tornar o crescimento sustentável. A manteiga está indo bem, enquanto o leite em pó desnatado não. Isso dificulta a abordagem do problema em seu núcleo. Embora os preços da manteiga tenham realmente aumentado, todos os outros preços caíram, gerando um retorno global mais baixo. A produção da UE de leite em pó desnatado saltou em 2015 e 2016, causando a maioria dos estoques que estão agora em intervenção. Nos anos subsequentes, a demanda aumentou, de modo que os níveis atuais de produção estão mais equilibrados, embora ainda muito altos. A chave para a recuperação do mercado de proteínas seria eliminar os estoques. Isso seria um exercício único. Isso, em combinação com um sistema de gestão de produção de leite, permitiria um mercado muito mais saudável”.

A indústria de processamento de forma geral estava 'em cima' do plano para acabar com as cotas. Então, três anos depois, o setor obteve ganhos como resultado ou não?

“Infelizmente, não. Os números falam por si mesmos. Se você comparar os preços médios das commodities, antes e depois da abolição das cotas (ver gráficos), podemos ver que a produção de leite não controlada viu a indústria de lácteos da UE perder 13,5 milhões de euros (US$ 18,54 milhões) por dia (de 1 de maio de 2015 a 28 de fevereiro de 2018)”.

cotas de produção de leite União Europeia

cotas de produção de leite União Europeia

Como essas perdas pela indústria se desdobraram?

“Vejamos uma cesta de receitas de vendas de manteiga, leite em pó desnatado, leite em pó integral, cheddar, gouda e soro de leite em pó doce, representando 60-65% do leite total da UE. A perda total de receita para processadores foi de 9,62 bilhões de euros (US$ 11,89 bilhões, mas adicione prejuízos para o restante dos produtos. Uma estimativa mais realista seria uma perda anual de receita próxima a 13,5 bilhões de euros (US$ 16,68 bilhões). Ou seja, 13,3 milhões de euros (US$ 16,44 milhões) todos os dias do ano”.

Isso não significa muito em termos de como e se isso afetou as margens dos processadores, afinal, os preços ao produtor também caíram...

“Isso é interessante. Se olharmos para os preços médios ao produtor da UE nos 35 meses anteriores e 35 meses após a abolição da cota de produção de leite, fica claro que os produtores viram o seu rendimento diminuir mais do que os processadores. Efetivamente, isso implica que, em teoria, as margens do processador aumentaram”.

E quais são as perdas totais incorridas pelos produtores, então?

“Sobre os 153 bilhões de quilos de leite que os produtores da UE produzem a cada ano, a perda de renda nos 35 meses após a abolição das cotas, em comparação com os 35 meses anteriores, foi de 17,2 bilhões de euros (US$ 21,26 bilhões). Com um rebanho leiteiro de 23,5 milhões de cabeças, isso é uma perda de renda de 732 euros (US$ 904,83) por vaca”.

E, claro, há o custo para a UE de comprar o excesso de leite em pó desnatado?

“Sim, a UE definiu cerca de 700 milhões de euros (US$ 865,27 milhões) em compras de leite em pó desnatado. Quanto desse valor será recuperado através de vendas, ainda não se sabe. Atualmente, a UE vende a 1.050 euros (US$ 1.297,92) por tonelada, com 370.000 toneladas ainda em estoque. No papel, já existe uma perda previsível de 239 milhões de euros (US$ 295,43 milhões), que deverá aumentar ao longo do tempo. Isto é exclusivo das perdas já incorridas, custos financeiros e armazenamento que equivalem a aproximadamente 55 milhões de euros (US$ 67,98 milhões)”.

Os estoques de leite em pó desnatado são claramente um fardo para o mercado. O que a Comissão Europeia está fazendo e isso é suficiente?

“A Comissão disse que vai dispor dos estoques o mais rápido possível, usando todas as possibilidades disponíveis. Isso não acontecerá mais este ano, mas podemos contar com isso para o próximo ano. A menos que os bens sejam destruídos através da utilização como biomassa, ou dados como ajuda alimentar, a eliminação terá inevitavelmente um forte impacto no mercado em geral”.

E no longo prazo, o que pode ser feito para fazer o mercado voltar ao equilíbrio? Trazer de volta as cotas, talvez?

“Trazer de volta as cotas é improvável, já que a maioria da indústria estava por trás da abolição delas. Agora, com o desequilíbrio entre a demanda por gordura e proteína, o problema em questão não é fácil. Mas um grande passo a frente é implementar ferramentas viáveis para gerir o crescimento da produção de leite, a fim de garantir uma renda sustentável para os 650.000 produtores de leite da UE”.

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