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Leite a pasto e confinamento de gado leiteiro: o que os técnicos nunca dizem

POR GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

ESPAÇO ABERTO

EM 17/09/2009

Muito temos ouvido e lido sobre os sistemas de produção mais adequados para o Brasil. Todavia, em que pese os suplementos culturais sempre elevados de cada um dos opinadores, tudo não passa, até então, de mero jogo de preferências, sem a certidão precisa da pesquisa séria e descomprometida com os ideais pessoais.

Se certo é que algumas experiências deram certo, em alguns cantos do extenso território nacional, o mesmo não se pode dizer como regra, eis que, tal como o que acontece na vida própria de cada indivíduo, "cada caso é um caso" e, assim, a soma das experiências alheias, por si só, não pode ser tida como verdade imbatível, eis que, diz o adágio popular, "a experiência e a roupa alheias nunca nos servem completamente".

Partindo desta premissa, lidamos com a pecuária de leite desde há muito tempo, vislumbrando, não como técnicos, que não o somos, mas como produtores de leite, que já presenciamos e vivemos quase todas as formas de manejo, variando do leite a pasto até ao confinamento total.

Como todo começo, o leite a pasto é sempre o mais procurado, posto que, por razões óbvias, uma propriedade rural é composta de terras e estas ou são pastos ou são matas. Assim, este é o sistema que consideramos primário, seja qual for o nível financeiro do adotante, o que movimentou, desde os tempos da colônia, o negócio leiteiro pátrio.

Se levássemos em conta, apenas e tão somente, esta facilidade estrutural, estaríamos com os seguidores de Artur Chinelato e adotaríamos esta modalidade de exploração de pecuária leiteira como a ideal. Mas, a verdade é que esta já desgastada prática não é a panacéia anunciada, aliás, entendemos que não ultrapassa à simplicidade de mero placebo, uma solução barata e sem nenhuma outra pretensão do que o nada fazer para evoluir, o manter-se estagnado, com medo de romper às fronteiras do óbvio.

Todavia, as coisas não se nos afiguram assim tão simplistas: o pasto, como um ser vivo, não é tão carecedor de investimentos ao ponto de só abrirmos nossas porteiras e despejarmos nossas reses em seu interior, seguros que o leite que elas produzirão se pagará, de forma automática, no final do mês. É preciso corrigir solos, plantar as cultivares certas, assistência técnica, cercas, roçagem, semeaduras de reposição, manejo adequado, entre tantas outras despesas.

Aí começam as incertezas do sistema, desde o preço das terras, cada vez mais elevado, em face da constante evolução social, que se aglomera nas zonas urbanas, fazendo com que estas migrem seus tentáculos rumo ao campo, com a consequente especulação imobiliária e a supervalorização dos terrenos, o que impede que as grandes extensões - ideais para a viabilidade do modelo - fiquem na posse do produtor, como outrora, no tempo de nossos avós, acontecia.

Em contrapartida, os diversos solos, a extensão continental e os climas variados que são encontrados em nosso País, não nos permitem trabalhar com a necessária segurança, eis que se, no Sul do território nacional, predomina o frio, no Nordeste é o calor acentuado, e, o pasto sofre em ambas as condições, perdendo em qualidade e não mais permitindo que o animal se alimente, exclusivamente, do material que nele se encontra enraizado.

Lado outro, os animais que são de forma mais comum criados, que podemos dividir, de forma simplória, apenas por questões meramente didáticas, em europeus e mestiços, padecem, sem exceções, em ambos os tipos de realidade, já que, se uma vaca holandesa se adapta bem ao frio, uma mestiça sofre com ele, e vice-versa.

Destarte, somente o pasto puro não vai permitir que o animal produza em escala que se torne viável, eis que, estudos recentes, nos conduzem à assertiva de que uma vaca tira de um pasto excelente, sem qualquer suplemento, apenas e tão somente, dez litros de leite/dia, se e, somente se, tiver genética para tanto.

Ocorre que, no Brasil, seja em que região for, há dois períodos distintos: o das chuvas e o da estiagem. No primeiro, o pasto viceja, enverdece, torna-se proteico; no segundo, quase morre. Como não se pode parar de produzir leite, os níveis de produção caem drasticamente, no segundo estágio, inviabilizando o manejo.

Daí, passa-se à suplementação com aditivos (ração) no cocho, o que entendemos que descaracteriza o dito "leite a pasto", eis que passamos, na realidade, a ter um semi-confinamento. Deixa, portanto, de ser tão barato o método de exploração, já que envolve, a partir daí, outros tipos de gasto e de manejo.

Em contrapartida, temos o tão atacado sistema de confinamento, onde o clima e suas variações não têm importância direta, eis que os ambientes controlados, os deixam do lado de fora dos complexos e os animais não sofrem com seus rigores.

Instrumentos como ventiladores, aspersores de vapor e até mesmo, climatizadores de ambiente, fazem com que as temperaturas ideais de produção sejam constantes e o conforto térmico dos animais perene. Assim, aliado ao fato de que, neste sistema, o animal é alimentado de forma correta, com a qualidade e a quantidade de nutrientes necessárias para o fim a que se destina (produção de leite), os resultados são sempre superiores a todos os outros arquétipos de exploração.

Por óbvio, os investimentos iniciais são bem mais salgados que no caso do leite a pasto, mas, passada a fase inicial de implantação, a produção individual e coletiva do rebanho supera às despesas, eis que, no confinamento, as vacas atingem a médias de mais de quarenta litros de leite/dia, bem superiores às do gado em regime único de pastejo.

Impede afirmar, neste comenos, que é mito a anunciada apologia de que o animal a pasto é mais saudável que o confinado, de que o tempo de produção neste é menor que naquele, eis que, como o confinamento é um método de criação controlada, as enfermidades - que, diga-se de passagem, ocorrem em todos os sistemas, indiscriminadamente - são detectadas de imediato e sua erradicação mais segura, porque prematuro o diagnóstico e a longevidade do animal depende de sua composição genética e não da forma de criação.

Um outro ponto, que não pode ser olvidado, é que, apesar dos laticínios sempre adotarem o pagamento melhor pela qualidade do produto, com teores de gordura e proteína sendo considerados, nenhum deles descarta um produtor de mais de mil litros de leite/dia, ainda que seu produto atinja a níveis comuns destes desideratos. Em palavras outras, tem muito maior poder de barganha e de imposição de preço um produtor de mil litros de leite/dia, com teor baixo de gordura e proteína, que um produtor de duzentos litros/dia que possua elevadas taxas destes elementos.

Finalmente, como a produção é elevada, o confinamento permite que o número de animais seja menor, o que reduz os problemas sanitários, pela existência de menos cascos, menos úberes, menos sistemas reprodutivos a serem vitimados por distúrbios, de sorte que é muito melhor lidar com dez animais de quarenta litros cada do que com quarenta de dez litros.

Entretanto, cada proprietário tem que ter a consciência de suas limitações físicas e financeiras, antes de adotar qualquer metodologia de exploração, já que as realidades são individuais, neste caso, e cada um sabe aonde e como pode colocar as suas pernas.

GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

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VINNIE MOORE

EM 30/09/2019

Puxa vida devo agradecer vocês ganharam meu dia que site fantástico cheio de noticias não me canso de Elogiar já é a minha terceira visita por aqui absolutamente fantástico.


<a href="https://www.estanciatamburil.com.br">Gir Leiteiro</a>
FAGNER VITORIA

CACOAL - RONDÔNIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/07/2018

GUILHERME ALVES: Novamente li o seu artigo, e quero salientar o quanto o mesmo esta me servindo de orientação. Sou um pequeno produtor de leite, média de 100 L/dia, e atualmente trabalho com 24 piquetes de mombaça irrigado. Porém estou inquieto por algumas razões, que dentre elas a maior é que o sistema fica 1200 mtrs de casa, devido a água para a irrigação. E é aí que está o gargalo, ordenhar de manha e a tarde, roçar, adubar piquetes etc. está cansativo, devido a distância.
Recentemente comprei 6 vacas holandezas, 3 está em lactaçao, e duas delas esta atigindo 20 litros dias, (com complemento de 5 kg de quirera de milho e núcleo cada).
Estou pesquisando sobre o sistema de Compost Barn, e estou muito convicto que o mesmo seria bastande ideal, pois eliminaria o problema da distância e tambem aumentaria o conforto das vacas, levando em consideração que onde moro é bastante quente (Sao Miguel, Rondonia).
Resumindo, a minha idéia seria montar o "pequeno" sistema de confinamento Compost Barn, para as vacas que hoje produzem de 15 litros acima.

Se Puder expressar sua opinião sobre a minha idéia....

Grato, Fagner.
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 12/03/2018

Prezado Will Melo: Obrigado por sua participação e por suas palavras. É muito salutar saber que, quase nove anos depois de sua publicação, meu artigo ainda gera interesse entre os leitores do Milk Point. Mais agradável ainda, é ver que o mesmo se tornou verdadeira profecia do que estaria reservado ao Brasil, em termos de manejo, com centenas de produtores evoluindo para o confinamento integral de animais de aptidão leiteira, com muito sucesso. Não tenho condições de avaliar a excelência de seu sistema de produção, por dois motivos: não sou técnico da área e, portanto, minha experiência é meramente empírica e sou adepto dos sistemas confinados (tie stall, free stall e compost barn), porque viso à produção de leite em larga escala e, nestes, os animais da Raça Holandesa e Jersey (as que seleciono e as que mais produzem leite no mundo) podem expressar a totalidade de seus potenciais produtivos. Nos ditos sistemas a pasto e no sistema semiconfinado, como o seu, diversos fatores interferem nesta capacidade e, portanto, fazem a produtividade ser menor que o possível. Mas, sugiro que procure algum técnico do setor, aí de sua região, para que ele possa avaliar se o caminho adotado é o certo!!! Grande abraço. Qualquer outra dúvida, estou às ordens.
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
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WILL MELO

TEIXEIRA DE FREITAS - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 12/03/2018

Primeiramente, parabéns pelo brilhante exposto. Artigo muito interessante, retrata exatamente como penso, os produtores tradicionais e ultrapassados tem receio de investir R$2,00 de ração ao dia para obter um ganho de 10kg e maior nutrição individual.
Pus em prática um projeto pensado recentemente que consiste em:
100 vacas com duas ordenhas ao dia que ficam em pasto rotacionado de capim Mombaça, em apenas 10ha, divididos em 24 piquetes, cuja rotina do rebanho é, por volta das 7:00 as vacas são tocadas ao curral de ordenha, onde existem coxos individuais, que são ofertados ração peletizada + milho puro grão enquanto as vacas são ordenhadas consomem a ração, após comerem toda ração, retornam ao pasto, rotina que se repete por volta das 16:00.
Consomem ração duas vezes e passam o resto do dia em pasto irrigado e rotacionado de Mombaça com bastante árvores sombreiros pelo pasto oferecendo bom conforto e clima agradável.
As vacas saltaram de 10, 12 para 26, 28 kg/dia. Com 60 vacas em lactação, conseguimos média superior a 1500kg/dia mas sinto que tem potencial para aumentar a produtividade.

Gostaria que avaliasse meu tipo de manejo e me orientasse havendo possibilidade.
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 07/03/2018

Prezado Fagner Vitoria: Obrigado por sua participação. Mesmo após quase nove anos de sua publicação, meu texto ainda gera interesse, o que me faz chegar à conclusão de que a mensagem foi recebida. Já são 1721 opiniões expressadas, pelos mais diversos produtores e técnicos, do Brasil e do Exterior, recorde absoluto do Milk Point. Agradeço sua aceitação aos ditames ínsitos no texto.
Um grande abraço,

GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
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FAGNER VITORIA

CACOAL - RONDÔNIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 07/03/2018

Muito boa postagem.
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/11/2017

Prezado João Carlos Vieira: Obrigado por sua participação. Realmente, a situação em que se encontra mergulhada a pecuária leiteira nacional é deprimente, muito embora ela seja um dos pilares que sustenta a balança comercial brasileira. Entendo que, depois de me encontrar com quase treze anos de imersão total no setor, sempre estivemos abandonados à própria sorte e que não possuímos, infelizmente, o DNA do associativismo. Portanto, apesar de a união da qual você fala - e que é encontrada em outros Países produtores de leite - ser de extrema importância, temo que já aprendemos a nos manter na individualidade, e, dificilmente, conseguiremos nos unir em torno de qualquer projeto que vise ao desenvolvimento coletivo. Destarte, parece mais alvissareiro, neste instante de instabilidade, cada um de nós fazer a própria parte, dentro das nossas porteiras, e, com o desempenho alcançado, poder usufruir das vantagens que a cadeia produtiva nos oferece. Se nos quedarmos a esperar que o elo mais frágil e importante da cadeia - que somos, de forma indene de dúvidas, nós, os produtores - se torne o mais forte, poderemos ser engolidos pela tecnologia e pela ineficiência normal dos que se estagnam. Melhor trabalhar intensamente nosso próprio destino, que ficar sentados em nossas varandas, esperando o tempo passar.

Um abraço,





GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

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JOAO CARLOS VIEIRA

DELFIM MOREIRA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/11/2017

Após alguns anos tentando produzir leite em uma pequena propriedade   do sul de minas , vejo que somos abandonados pelas cooperativas , governantes, prefeituras, sindicatos.... temos só deveres e obrigações....impostos a pagar ,cobranças de todos os lados.   a solução para produção é sem duvida nenhuma a união de todos para comprarmos insumos mais baratos e vendermos o nosso produto com o preço justo.se não estamos vivendo de ilusão                                          
JOAO CARLOS VIEIRA

DELFIM MOREIRA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/11/2017

APOS ALGUNS ANOS TENTANDO PRODUZIR LEITE EM UMA PEUQENA PROPIEDADE DO SUL DE MINAS GERAES, PERCEBI QUE SOMOS ABANDONADOS PELOS GOVERNANTES E NÃO TEMOS ORINTAÇÃO DE NINGUEM, APENAS COBRANÇA...ACREDITO QUE DEVEMOS UNIR FORÇAS,PARA COMPRAR NOSSOS INSUMOS E NEGOCIAR NOSSOS PRODUTOS, SEM AJUDA DOS SINDICATOS, PREFEITURAS,COOPERATIVAS ETC.NÃO TEREMOS SUCESSO
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/10/2016

Prezado Juliano Marcelo Borges: Bom dia. Obrigado por sua participação. A resposta a seu questionamento é muito difícil de ser efetivada sem que se tenha conhecimento integral da região em que estão instaladas as terras e sem um estudo complexo da propriedade em si, que envolva demonstrativo da área a ser, efetivamente, utilizada para a pecuária leiteira e, até mesmo, as condições climáticas e pluviométricas. Além de eu não deter conhecimentos específicos na área (não sou técnico do setor), não teria como dar alguma opinião sem o estudo da situação local. Portanto, sugiro a você que contate os técnicos existentes na sua região para que o mesmos possam estudar o terreno e apontar a solução mais correta ao seu interesse.

Qualquer outra dúvida, estou às ordens.



Um abraço,



GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

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JULIANO MARCELO BORGES

ITAGUARA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/10/2016

bom dia guilherme

tenho oito alqueiros de terras que nao e formado e estou querendo mexer com gado de leite. estou querendo morar na propriedade, eu minha esposa e dois filhos.te pergunto

qual forma devo começar a trabalhar e ter uma renda que nos atenda?

ABRAÇOS

OBRIGADO
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/02/2016

Prezado dhouglas: Boa noite. Obrigado por sua participação. Eu lhe diria que nenhum dos dois: o primeiro que você descreve, nada mais é que um confinamento, sem a devida técnica para tanto. Não pode dar certo, porque falta conforto aos animais que responderam produzindo menos leite. O segundo, leite a pasto que, j´pa está comprovado que, sem concentrado, é um desastre total. Jamais conseguirá ter a média de trinta litros/animal/dia em nenhum dos sistemas descritos. Arrisco a dizer que, se o piquete do segundo modelo for excelente, pode atingir a vinte litros/animal/dia, o que já seria muito bom. Mais que isto é complicado.

Um abraço,



GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

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DHOUGLAS

ABRE CAMPO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/02/2016

BOA TARDE GUILHERME

estou começando na pecuária leiteira e estou com algumas duvidas

oque da mais rentabilidade sistema semi intensivo com as vacas ficando o dia todo no curral com silagem de milho e concentrado após as 2 ordenhas e são levadas para piquete de brs zuri para passar a noite?

ou sistema em rotacionado sem a silagem elas o dia todo nos piquetes mais o concentrado?

as vacas tem produção media de 30 llitros dia
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/12/2015

Prezado Michel Valter Kazanovski: Entre os dez maiores produtores de leite do Brasil (Top100, Milk Point, 2015), estão quatro mineiros e três paulistas, sendo que os três maiores são de São Paulo (Colorado,em Araras; Espólio de Olavo Barbosa, em Tapiratiba; e, Agrindus, em Descalvado). Não há paranaenses entre os dez maiores produtores de leite do Brasil.  

Interessante a conclusão do relatório final da pesquisa: "O sistema de produção mais utilizado pelos Produtores Top 100 foi o de confinamento das vacas, presente em 61 propriedades. Dentre as fazendas que possuem o sistema confinado, 72% utilizam Free-Stall e 28% confinam utilizando piquetes de terra. Dentre as 39 fazendas restantes, 23 utilizaram o sistema de semi-confinamento e 16 o de Pastejo rotacionado. O sistema Compost Barn de confinamento também foi citado por alguns produtores, porém sem se constituir no sistema principal das propriedades que o mencionaram".  

Como se verifica, o confinamento integral de bovinos leiteiroséutilizado por 61% dos maiores produtores do Brasil, não por acaso e, não porque dá prejuízo, mas porque é o mais eficiente e lucrativo.

Um abraço,



GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

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JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/12/2015

Prezado Michel Valter Kazanovski: Obrigado por sua nova participação. Os dados que lhe repassei, sobre Castro, são do IBGE. Realmente, em pesquisa divulgada, recentemente, pelo Milk Point, a produtividade animal/dia de Castro, que ainda é o Município que mais produz leite no Brasil, é de 7.200 litros  por lactação, ou seja, apenas  23,60 litros/animal/dia, muito abaixo de Araras, onde a produtividade ficou em 10.800 litros por lactação, ou seja, 35,40 litros/animal/dia e que adota, também, o sistema confinado. Portanto, você, novamente, está correto. Interessante observar a diferença de lactação que existe entre os animais confinados e os não, com as médias caindo, praticamente, em 35,72%, quando analisamos só o Paraná. Se levarmos em consideração a produtividade de Araras e de Descalvado, onde estão as duas maiores produtoras de leite do Brasil, por exemplo, esta diferença cresce vertiginosamente.

Um abraço,



GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

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MICHEL KAZANOWSKI

QUEDAS DO IGUAÇU - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/12/2015

Caro Guilherme,



Castro tem sim a maior média do estado, porém está longe de atingir 40 litros/vaca/dia, o que perfaz uma média de 12.000 litros/vaca/ano. A média geral dos produtores da região Centro-Oriental fica ao redor de 4500 litros. As fazendas avaliadas pela fundação ABC, que envolve os produtores filiados às Cooperativas Capal, Frisia e Castrolanda, grande maioria de confinadores, tem média de cerca de 7.000 litros, ou 23 litros/vaca/dia.



Abraço
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/12/2015

Prezado Michel Valter Kazanovski: Obrigado por sua nova participação. Tem razão. O erro foi meu, que não me expressei da maneira que queria. O que eu quis dizer é em relação à produtividade e, não, ao volume. Castro é a cidade maior produtora de leite do Brasil e a média de produção é de, mais ou menos, quarenta litros/animal/dia, muito superior à das demais regiões do Paraná. Isso se deve não só à genética apurada do rebanho, mas, também, ao sistema de manejo, cuja predominância é do confinamento integral. Deixo aqui, ainda, a opinião de que, realmente, se você destinar aos animais as mesmas condições sanitárias e alimentares, suprindo suas demandas, a produção será semelhante em ambos os sistemas discutidos. O problema é conseguir, a pasto, implementar o suprimento de ambas as necessidades (alimentação + sanidade) do animal, na mesma proporção que no confinamento. Aí é que são elas, meu amigo.

Um abraço,





GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

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GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/12/2015

Prezado Ronaldo Marciano Gontijo: Obrigado por sua nova participação. Este, inclusive, é o mote deste magnífico debate. A par das elevadas produções, sempre divulgadas para indivíduos de raças zebuínas, que não condizem com a realidade genética que abarcam, muitas delas oriundas de torneios leiteiros, onde os animais, via de regra, são "preparados" para a ocasião, qualquer bovino, seja ele de  que nicho racial seja,  para produzir alto volume de leite, necessita de alimentação recuperadora do desgaste orgânico a que se submete para tal. Somente a pasto, por óbvio, não conseguirá passar de doze litros/dia, mesmo que porte em si características genéticas de elite. Além disso, não se deve esquecer que todo animal de alta produção requer cuidados compatíveis com esta situação, o que demanda gastos com medicamentos e manejo mais incisivo. Somente a pasto nenhuma destas duas exigências serão cumpridas (alimentação + sanidade) com retorno financeiro suficiente. Isso explica, de maneira mais simples, as enormes diferenças encontradas entre as reais produções dos animais a pasto e a dos confinados.

Um abraço,



GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

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RONALDO MARCIANO GONTIJO

BOM DESPACHO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 01/12/2015

Caro Michel,

Em primeiro lugar eu disse que é média de curral de 30 litros para cima, o que é pouco provavel que você consiga fazer isto com pasto e concentrado apenas.

Segundo; seus dados não são uteis, para efeito de calculo considerei as necessidades de uma vaca com produção de 30 litros dia, 17 semanas de lactação, 3,5% de gordura no leite. o custo da dieta total da vaca no cocho foi R$ 0,49 menor que o custo do concentrado da vaca no pasto. Não creio que o custo de colocar a silagem no cocho seja superior ao custo do pasto. Mais como a diferença é muito pequena podemos considerar um empate.

Considerando ainda que na minha região vamos ter apenas 150 dias de pasto, não vejo outra alternativa que não seja ser eficiente no cocho.

Para finalizar, se eu estivesse na sua região, certamente eu trabalharia com pasto, se não tem falta de pasto, porque usar cocho?

Um abraço
MICHEL KAZANOWSKI

QUEDAS DO IGUAÇU - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 01/12/2015

Caro Guilherme,



A região de Castro, apesar de seus altos índices e muita tecnificação não é a maior bacia leiteira do PR. A região Sudoeste e a Oeste, onde predomina o sistema a pasto, são responsáveis juntas por um volume cerca de 3,5 vezes maior que a bacia leiteira de Castro.

Quanto ao clima, sim ele atrapalha, mas não inviabiliza o sistema que pode fazer muito para reduzir os efeitos deste problema.



Caro Ronaldo,



Sim, tens razão. Da mesma forma silagem de milho fornece nutrientes suficientes para essa mesma produção. Ambas são semelhantes, permitem que uma vaca produza uns 12 litros/dia. Quanto essa questão de com cocho ou sem cocho isso já foi demais debatido nesse espaço. a questão que se discute aqui é se este animal esta cerrado em um confinamento comendo silagem de milho ou a pastar seu volumoso em piquetes de pasto.



A vaca do seu exemplo demanda para produzir, além de uma das duas fontes de volumoso acima citadas, os seguintes nutrientes: *estimativa

Silagem de milho: 3,5kg de NDT e 1,8kg de PB

Pastagem: 5,5kg de NDT e 0,5kg de PB



Basta suprir esta demanda que ambas irão produzir o mesmo volume. Portanto essa história de baixa produção é grande besteira. Quanto a questão econômica é outra história. Basta fazer o cálculo da suplementação e verás que o custo da dieta de um para outro da bastante diferença.





Abraço