Patrícia Luizão Barbosa – Graduanda em Zootecnia – UFMT, Campus Sinop
Bruno Carneiro e Pedreira – Pesquisador – Embrapa Agrossilvipastoril
Após o estabelecimento de uma pastagens, a adubação de manutenção assume caráter indispensável. Quando isso não ocorre, a produção de forragem diminui com o passar dos anos, e em solos de regiões tropicais, as principais causas da redução na produção são a elevada acidez do solo (pH < 5,0) e a redução na disponibilidade de nutrientes, principalmente fósforo e nitrogênio (Rao et al., 1995).
Com isso, surge a necessidade de retomar a produtividade dessas pastagens, o que requer a aplicação de fertilizantes, a fim de permitir a manutenção da exploração animal como atividade econômica.
Dentre os macronutrientes, o potássio possue papel fundamental para a nutrição das plantas, responsável por uma série de funções fisiológicas e metabólicas, tais como: ativação de enzimas, fotossíntese, translocação de assimilados, taxa de transpiração das plantas, absorção de nitrogênio e síntese proteica. Com isso, sua baixa disponibilidade torna-se um limitante em sistemas de produção com utilização intensiva de solo (Andrade et al., 2000).
No solo, valor de potássio inferior a 30 mg.dm-3 é considerado baixo, entre 30 e 60 mg.dm-3 é médio e acima de 60 mg.dm-3 é alto. De imediato, a deficiência de potássio não provoca sintomas visíveis, no entanto, afeta a taxa de crescimento e, mais tarde, aparecem cloroses e necroses, que começam nas folhas mais velhas. Isso ocorre, pois o potássio possue alta mobilidade na planta, consequentemte, o suprimento para as folhas mais novas é mobilizado das folhas velhas, quando não há disponibilidade no solo (Bissani et al., 2004). Assim, nas folhas velhas, é possível observar clorose na borda das folhas, avançando em direção à nervura principal na forma de um "V" invertido (Mattos e Monteiro, 1998).
Para um bom crescimento da planta, os teores adequados de potássio variam entre 2 a 5% do peso seco, dependendo da espécie, do estádio de desenvolvimento e do órgão da planta. Entretanto, somente a presença do potássio na solução do solo não assegura a sua disponibilidade, pois este deve alcançar as raízes para que seja absorvido. Esse processo requer umidade no solo e crescimento radicular para o bom suprimento de potássio para as plantas (Bissani et al., 2004).
De acordo com Matto e Monteiro (1998), na diagnose nutricional de potássio em Brachiaria brizantha, recomenda-se a amostragem das lâminas de folhas novas, nas quais o nível crítico varia de 22 a 29 g kg-1. Isso significa, que valores inferiores a estes a planta está com deficiência nutricional.
Alguns fatores afetam a disponibilidade de potássio, tanto a curto, como médio e longo prazo, podendo destacar o material de origem, a textura e o grau de intemperismo dos solos, que não disponibilizam potássio através de minerais próprios do solo; a CTC e o pH, que com aumento de ambos retêm maiores quantidade de potássio e outros nutrientes, diminuindo perdas por lixiviação. E ainda fatores da própria planta, em que diferenças entre espécies alteram suas características, como a morfologia do sistema radicular e o poder de absorção de nutrientes pelas raízes. Por isso, existe classificação de plantas forrageiras quanto a exigência em fertilidade.
Uma forma de corrigir a deficiência de potássio no solo e, consequentemente, na planta, é com o uso de adubos potássicos, que podem ser de origem orgânica, normalmente com baixos teores do elemento, ou mineral, provenientes de rochas potássicas industrializadas.
Diante disso, o manejo adequado das pastagens é essencial para garantir a disponibilidade dos nutrientes para a planta, consequentemente, a manutenção da produtividade e melhoria da qualidade da forragem.
Referencias Bibliográficas
ANDRADE, A. C.; FONSECA, D. M.; GOMIDE, J. A.; ALVAREZ, V. H.; MARTINS C. E.; SOUZA, D. P. H.; Produtividade e Valor Nutritivo do Capim-Elefante cv. Napier sob Doses Crescentes de Nitrogênio e Potássio. Rev. Bras. Zootec., 29(6):1589-1595, 2000.
BISSANI, C. A.; GIANELLO, C.; TEDESCO, M. J.; CAMARGO, F. A. O.; Fertilidade dos Solos e Manejo da Adubação de Culturas. Porto Alegre, 2004.
MATTOS, W.T. DE; MONTEIRO, F.A.. Respostas de braquiária brizantha a doses de potássio. Sci. agric., Piracicaba, v. 55, n. 3, 1998 . Available from
RAO, I.M.; AYARZA, M.A. & GARCIA, R. Adaptive attributes of tropical forage species to acid soils I. Differences in plant growth, nutrient acquisition and nutrient utilization among C4 grasses and C3 legumes. J. Plant Nutr., 18:2135-2155, 1995.