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Qual o impacto do coronavírus nas exportações dos EUA?

GIRO DE NOTÍCIAS

EM 17/04/2020

7 MIN DE LEITURA

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No final da semana passada, Tom Vilsack, CEO do Conselho de Exportação de Lácteos dos EUA (USDEC), concedeu uma entrevista à rádio AgriTalk, dos EUA, sobre a situação atual das exportações de laticínios do país com a crise do Covid-19. Confira a entrevista:

Chip Flory (apresentador): Como o Covid-19 impactou o comércio de laticínios?

Vilsack: Eu descreveria isso como um “soco” na agricultura americana e nos preços das commodities em geral. Para os produtores de leite, foi um momento particularmente difícil, porque vimos uma queda muito rápida nos preços. O leite de classe III caiu cerca de 26% e o leite da classe IV 36%. E justamente quando esperávamos ter um bom ano. As pessoas estavam muito otimistas em relação a 2020 pois, após os últimos quatro ou cinco anos, era absolutamente necessário um ano de bons preços.

Quando as escolas fecham e o serviço de alimentação é encerrado, os laticínios são diretamente afetados nos EUA e no mundo. Vimos isso acontecer. Existe muita incerteza econômica e o turismo caiu para zero nos principais mercados. Portanto, esperamos e prevemos que haverá uma queda nas exportações entre 1% e 4%, dependendo de quanto tempo isso durar.

Flory: Como isso mudou o foco do Conselho de Exportação de Lácteos dos EUA? Vocês mudaram a mensagem ou o foco de desenvolvimento do mercado?

Vilsack: Nós não mudamos a mensagem, mas, além de comunicarmos que nosso suprimento é seguro, nutritivo e produzido de forma sustentável, queremos garantir que o mundo saiba que temos oferta. Eu acho que há a tendência de algumas pessoas pensarem que, porque os restaurantes e outras empresas estão fechadas, a indústria de laticínios também está. Bem, esse não é o caso. As vacas não sabem que há um vírus, então continuarão produzindo leite, os fazendeiros estão levando o leite para processamento e, portanto, ainda temos grande quantidade disponível, e queremos que o mundo saiba disso.

Estamos obviamente focando em alguns mercados. O Sudeste Asiático continua sendo um mercado importante. Vimos, em fevereiro, um aumento da atividade na China, o que foi positivo. Essa é uma parte do mundo que está superando o vírus um pouco mais rapidamente. Então, estamos procurando maneiras pelas quais possamos continuar promovendo os laticínios, usando a tecnologia e sendo criativos. Mas a mensagem não mudou: temos suprimentos e estamos felizes em fornecê-los a qualquer pessoa no mundo.

Flory: Fiquei bastante encorajado com os números de fevereiro, eles mostram que o que você está fazendo no USDEC está funcionando.

Vilsack: Foi o sexto mês consecutivo de crescimento. Fevereiro foi melhor que no ano passado. Eu vou te dizer que fiquei surpreso com isso. Mas a realidade é que esperamos ver alguns declínios significativos em março e abril. Um dos mercados que mais me preocupa é o México. Este é um mercado que, além de estar lidando com o vírus, também tem uma moeda desvalorizada e a indústria do petróleo devastada pela queda dos preços. Essa é obviamente uma área de preocupação. Estamos de olho nisso, tentando fazer tudo o que podemos junto à indústria de laticínios mexicana para aumentar o consumo e, ao menos, manter esse mercado importante para nós.

Anna-Lisa Laca (apresentadora): Secretário, fiquei curiosa sobre como o vírus impactará a implementação do USMCA (Acordo Estados Unidos-México-Canadá) e, com as nossas fronteiras com o Canadá e o México sendo limitadas, qual o impacto disso nas exportações.

Vilsack: Essa é uma pergunta muito importante. E acima de tudo, quando o USMCA entrará formalmente em vigor? Como você sabe, os Estados Unidos é o último dos três países a certificar aos outros dois que está em conformidade com o contrato, em termos de regras e regulamentos estabelecidos. Acho que o objetivo era fazer isso até 1º de junho. Isso não vai acontecer. Agora, a meta é 1º de julho, podendo ser adiado, mas sabemos que ela entrará em vigor e, quando isso acontecer, haverá uma nova oportunidade para nós no Canadá.

Estamos tentando garantir que as pessoas entendam que, quando você fecha a fronteira para que as pessoas, não significa necessariamente que as mercadorias não podem atravessar. Tivemos um pequeno problema no México há uma semana, quando o departamento de saúde de lá decidiu, por falta de pessoal, que não seria capaz de processar a papelada para obter as certificações de importação. Garantimos que eles basicamente criassem a oportunidade nos escritórios regionais de obter esses certificados, para que pudéssemos mover o produto através da fronteira. Eu acho que o ponto-chave aqui não é tanta confusão ou talvez um atraso na fronteira. É manter o mercado, certificando-se de que, apesar de haver devastação econômica em muitos desses países, ainda há a necessidade de alimentos e a indústria de laticínios dos EUA pode resolver essa necessidade.

Flory:. Qual é o desafio de manter esses relacionamentos em todo o mundo agora?

Vilsack: É difícil, porque obviamente não podemos visitar as pessoas pessoalmente. Mas pedimos às nossas equipes no país que procurassem seus clientes para garantir que eles tenham suprimento e que estamos interessados em continuar fazendo negócios. E, então, estamos usando a tecnologia para isso. Vamos tentar ser criativos sobre como promovemos os lácteos nos EUA. Há muitas coisas interessantes que podemos fazer. Temos um centro de excelência em laticínios, estabelecido em Cingapura, com capacidade para fazer muitas coisas interessantes na cozinha, para promover os queijos dos EUA. Tudo isso está nos desafiando a reimaginar como fazemos negócios, como essa cadeia de suprimentos e esse sistema econômico mundial mudarão por causa do vírus. Queremos estar um passo à frente em vez de um passo atrás.

Laca: Fiquei curiosa, secretário Vilsack, com sua história no USDA. O que você pensa sobre o Plano de Crise do Leite (proposto pelo NMPF e IDFA) e quais componentes você acha que o secretário Perdue provavelmente implementará ou seria mais fáceis de implementar?

Vilsack: Bem, ouça, ele tem um trabalho difícil, porque todo produto tem argumentos legítimos. Mas acho que o setor laticínios têm um caso particularmente válido, considerando o fato de ter passado por cinco anos difíceis antes de ser atingido pelo vírus. Penso que, acima de tudo, ele precisa tomar uma decisão sobre o programa de cobertura de margens. Percebi que as pessoas não se inscreveram, mas você sabe, essa é uma situação difícil e única. Espero que ele pense em reabrir esse programa para fornecer suporte. Caso contrário, vamos perder muitos produtores de leite.

Espero também que o departamento tome uma decisão rápida de comprar produtos lácteos, para que possamos levá-los o mais rápido possível aos bancos de alimentos. E acho que será importante ter flexibilidade no funcionamento dos programas de alimentação escolar e de verão, para que possamos levar comida para as crianças que, se não fosse a pandemia, estariam recebendo uma ou duas refeições na escola.

E então acho que ele pode ter que pensar um pouco: 'O que fazemos para evitar o descarte de leite que está ocorrendo agora? Existe uma maneira de incentivar uma redução na produção para que não sejamos confrontados com a necessidade de ter que desperdiçar esse maravilhoso e nutritivo leite que nossos agricultores estão produzindo?'

Flory: Quando você pensa que poderá ser possível uma recuperação do desafio que o mundo enfrenta agora?

Vilsack: Chip, você quem terá que me dizer o que vê. Os esforços de saúde pública que estamos realizando serão bem sucedidos? E será que a intervenção que o governo está injetando na economia será suficiente? Se a resposta a esta pergunta for: a saúde pública funcionará, a injeção começará a funcionar muito rapidamente, então acho que vemos uma recuperação rápida.

Se um desses dois não estiver funcionando da maneira que deveria, acho que veremos uma recuperação muito mais longa. E se nenhum deles funcionar particularmente bem, provavelmente veremos uma situação de altos e baixos em que obtemos um pouco de progresso e depois damos outro mergulho.

Acho que todos nós estamos orando pelo que eles chamam de recuperação em V, declínio acentuado, mas uma aceleração acentuada. Mas vai exigir muito trabalho duro. Vou lhe dizer que o fato de o Congresso aprovar essas leis é a parte mais fácil. A parte mais difícil é implementar todos esses programas de maneira a fornecer o recurso para as pessoas que mais precisam e as muitas decisões difíceis que esses secretários de gabinete precisam tomar.

O secretário Perdue, em particular, tem algumas decisões muito difíceis à frente. E ele tem que fazê-las rapidamente e sem que sua equipe esteja completa no USDA, porque eles têm algumas posições que não foram preenchidas em muitas partes do governo. Portanto, não é uma situação fácil agora, com certeza.

Dito isto, você sabe que, por Deus, temos muitas dificuldades aqui, especialmente aqueles que moram no trabalho e criam as famílias em áreas rurais. Já passamos por tempos difíceis e entendemos como passar por eles. Temos fé em nós mesmos e em nossa família e comunidade, em nosso país e em Deus e, e acho que essa fé vai nos sustentar, mas não será fácil. Espero sinceramente que façamos isso de uma maneira que preserva o máximo possível da agricultura dos EUA. Seria uma vergonha se perdêssemos mais agricultores por causa desse vírus.

As informações são do Farm Journal & MILK Magazine, traduzidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.

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