Os dois rebanhos haviam apresentado resultados negativos em monitoramentos de rotina realizados no âmbito da Estratégia Nacional de Testagem do Leite. No entanto, após os animais manifestarem sinais clínicos compatíveis com a infecção, novas amostras foram coletadas e os resultados positivos confirmados por testes de PCR nos Laboratórios Nacionais de Serviços Veterinários do USDA.
Desde o início do surto, em março de 2024, a influenza aviária de alta patogenicidade foi identificada em bovinos leiteiros de 19 estados americanos. Embora o número de estados com registros tenha diminuído em 2026, as novas ocorrências mostram que o vírus continua circulando. As autoridades federais e estaduais investigam como a infecção chegou aos rebanhos e buscam evitar novas disseminações.
Biosseguridade precisa fazer parte da rotina
Uma pesquisa apresentada pelo Farm Journal na MILK Business Conference de 2025 apontou lacunas na biosseguridade de propriedades leiteiras americanas com pelo menos 250 vacas. Embora 68% dos entrevistados afirmassem possuir um plano de biosseguridade, 34% disseram não revisá-lo regularmente.
O levantamento também identificou falhas no controle de acesso: mais de 20% das fazendas não restringiam a entrada nos galpões, enquanto 38% não limitavam o acesso às áreas de armazenamento de alimentos. Além disso, 16% não monitoravam a entrada de visitantes e 33% utilizavam câmeras para acompanhar as instalações. Para Kirk Ramsey, veterinário de serviços profissionais da Neogen, é necessário garantir que as medidas de biosseguridade funcionem na prática, protegendo não apenas os rebanhos contra grandes surtos, mas também os trabalhadores e suas famílias contra a exposição a agentes infecciosos.
Entre as medidas recomendadas estão revisar quem entra na propriedade, limitar a circulação de visitantes, higienizar equipamentos e controlar o deslocamento entre grupos de animais. O USDA também oferece assistência financeira para apoiar o fortalecimento da biosseguridade e ajudar a compensar custos relacionados à influenza aviária.
Outra doença também exige atenção em bovinos
Além da gripe aviária, a doença hemorrágica epizoótica (EHD) foi confirmada em bovinos não lactantes no condado de Waukesha, em Wisconsin, em 29 de setembro. Foi a primeira detecção confirmada em bovinos no estado desde 2013, durante um surto que também afeta cervos-de-cauda-branca no sudeste da região. Segundo a publicação original, os animais afetados eram novilhas jovens criadas a pasto e apresentavam lesões leves nos cascos. Com acompanhamento veterinário, foram coletadas amostras que confirmaram a presença do vírus da EHD.
Diferentemente da influenza aviária, a doença hemorrágica epizoótica é transmitida por pequenos insetos hematófagos do gênero Culicoides. São enfermidades distintas, mas os dois episódios reforçam a importância de investigar sinais clínicos incomuns e identificar rapidamente suas causas.
A recomendação também se aplica à entrada de novos animais nos rebanhos. Derek Nolan, especialista em educação e extensão leiteira da Universidade de Illinois Urbana-Champaign, orienta que os produtores conversem com os veterinários antes de comprar bovinos, verificando testes individuais e do rebanho de origem, condições de saúde, qualidade do leite e histórico sanitário.
Quais sinais de gripe aviária observar nas vacas?
Entre os sinais clínicos de influenza aviária em bovinos estão:
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Queda na produção de leite;
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Redução do apetite;
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Alterações na consistência das fezes;
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Leite mais espesso ou com aparência semelhante à do colostro;
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Febre baixa.
Os produtores também devem observar mudanças no comportamento e na aparência dos animais, especialmente quando vários apresentam sinais semelhantes. Diante de suspeita, a orientação é entrar em contato com o veterinário do rebanho para avaliar a necessidade de testes e seguir as recomendações das autoridades sanitárias para notificação e contenção.
A ocorrência de novos casos mesmo após resultados negativos em monitoramentos anteriores reforça que a biosseguridade não deve ser tratada como uma medida pontual. A revisão periódica dos protocolos, o controle de acesso, a higiene e a comunicação rápida de alterações clínicas são fundamentais para reduzir o risco de introdução e disseminação de doenças nas fazendas leiteiras.
As informações são do Dairy Herd, traduzidas pela Equipe MilkPoint.
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