Workshop CBQL/Qualileite-USP: Qual seria hoje o maior desafio para a redução da CCS nos rebanhos leiteiros?

O Centro de Estudos sobre Qualidade do Leite da USP (QualiLeite-USP) e Conselho Brasileiro de Qualidade do Leite (CBQL) promoverão o Workshop QualiLeite / USP-CBQL - "Como produzir leite com <400.000 células/ml?", nos dias 21 e 22 de julho.

Publicado por: MilkPoint

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O Centro de Estudos sobre Qualidade do Leite da USP (QualiLeite-USP) e Conselho Brasileiro de Qualidade do Leite (CBQL) promoverão o Workshop QualiLeite / USP-CBQL - "Como produzir leite com <400.000 células/ml?", nos dias 21 e 22 de julho.

A temática central do workshop será como reduzir a CCS de rebanhos leiteiros, enfocando os diferentes aspectos para o controle da mastite bovina, que é a doença que mais causa prejuízo para a pecuária leiteira.

O público alvo é composto por técnicos, produtores, pesquisadores e demais profissionais envolvidos na área de qualidade do leite e controle de mastite. Esta é uma oportunidade para profissionais da área de qualidade do leite para o intercâmbio de experiências e idéias sobre os avanços recentes no controle da mastite.

Confira abaixo a entrevista realizada com Marcos Veiga dos Santos e com Paulo Fernando Machado, palestrantes do evento.

Figura 1

Marcos Veiga dos Santos

Marcos Veiga dos Santos é Médico Veterinário pela FMVZ-USP e tem mestrado em Nutrição Animal pela FMVZ-USP e doutorado em Ciências dos Alimentos pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP. É professor associado FMVZ-US e Presidente do Conselho Brasileiro de Qualidade do Leite-CBQL.


Qual seria hoje o maior desafio para a redução da CCS nos rebanhos leiteiros?

Marcos Veiga: A redução da CCS é sem dúvida um grande desafio para o produtor. Para a grande maioria a maior dificuldade é a falta de uso de ferramentas de diagnóstico como a CCS individual das vacas e a cultura bacteriológica do leite para identificação dos agentes causadores de mastite. Desta forma, a situação mais comum é o produtor imaginar que não tem o problema no seu rebanho, pois normalmente não é feito nenhum tipo de teste específico para monitoramento de mastite subclínica. Outro grande desafio é a assistência técnica e a necessidade de valorização da qualidade do leite, por meio de sistemas de pagamento diferenciado, que bonifiquem o leite com baixa CCS. Além disso, os resultados dos programas de controle apresentam resultados no médio e longo prazo.

A mastite é uma doença muito frequente em rebanhos leiteiros?

Marcos Veiga: A mastite subclínica é uma das doenças que mais causam prejuízos nos rebanhos leiteiros. Os estudos e levantamentos indicam que cerca de 30-40% das vacas em lactação apresentam a doença, o que significa um grande prejuízo em termos de redução da produção de leite para o produtor. Além deste prejuízo, que não é percebido, existe também a perda de bonificação para as empresas que têm sistemas de valorização da qualidade.

Figura 2

Paulo Fernando Machado

Paulo Fernando Machado é Engenheiro Agrônomo pela Universidade de São Paulo e tem mestrado em Ciências dos Alimentos e Pastagens e doutorado em Ciências dos Alimentos pela Universidade de São Paulo, e pós-doutorado em Bioquímica do Rúmen pela Michigan State Uviversity. É professor titular de Bovinocultura de Leite pela Universidade de São Paulo. Coordena a Clínica do Leite DA ESALQ/USP.


Os temas das palestras do Workshop Mastite parecem estar em uma sequência pré-estabelecida. Porquê?

Paulo Machado: O objetivo do workshop é fornecer informações e ferramentas para que o profissional da área tenha um plano de ação completo para controlar a mastite e, com isso, reduzir as células somáticas para menos do que 400 mil céls/mL. Por isso a seqüência de palestras na forma que foi idealizada. No início discutiremos a situação atual dos rebanhos brasileiros quanto ao nível de infecção da glândula mamária e mostraremos que a situação é crítica - cerca de 40% das vacas estão infectadas. Em seguida mostraremos como coletar amostras de leite visando a identificação da mastite sub-clínica e da presença de bactérias. Discutiremos, então, como analisar os resultados destas análises e as mais recentes tecnologias de como controlar os principais agentes infecciosos através de antibióticoterapia, da vacinação, etc. Finalmente, discutiremos como fazer com que as pessoas de fato implementem de maneira comprometida as práticas recomendadas - uma coisa é ter um plano no papel e outra bem diferente é ter o plano sendo realizado.

Porquê este tema de recursos humanos num workshop sobre mastite?

Paulo Machado: O controle da mastite tem tudo a ver com as pessoas. Dizem até que a mastite é mais um problema das pessoas do que das vacas. Em um estudo feito na Holanda observou-se que 45% da diferença na contagem de células somáticas entre rebanhos se devia à atitude do ordenhador. Ou seja, dependendo de como ele encara a mastite (sua percepção se existe ou não problema) existe mais ou menos células somáticas no tanque de leite. Assim, temos de, em primeiro lugar, fazer com que o produtor e o ordenhador tenham a percepção que possuem problema de mastite e daí ensiná-los a como eliminar as causas do problema, treiná-los nas práticas de controle e acompanhá-los, dando retorno sobre a evolução da mastite.

Agora com o possível atraso na entrada dos novos limites de células somáticas da IN-51 não teremos menor motivação dos produtores para combater a mastite?

Paulo Machado: Sim, teremos. O produtor terá a percepção de que o problema foi varrido para debaixo do tapete e vai empurrar com a barriga o trabalho de combater a mastite. Ele deve entender, no entanto, que a mastite rouba cerca de R$100 por caso clínico e R$35 a R40 por mês para cada vaca sub-clínica com cerca de 500 mil cels/mL, fora o eventual bônus da indústria. Assim, um rebanho de 100 vacas, com leite do tanque com 500 mil céls/mL, estaria perdendo ao redor de R$ 4.000,00 por mês. Se imaginarmos que o lucro desta propriedade é da ordem de R$ 10.000,00 por mês, teríamos que a mastite representa 40% de perda no lucro. É muito dinheiro.

Existe outra razão, além de técnica ou financeira, para que o produtor queira reduzir a mastite?

Paulo Machado: A mastite é a principal doença do rebanho leiteiro. Ela trás um sentimento de frustração muito grande. Normalmente as melhores vacas são aquelas que são acometidas pela doença porque ficam mais tempo no rebanho, possuem sistema imunológico mais comprometido, etc. Quando o produtor vê esta vaca com mastite ele tem um sentimento de pesar muito grande, que extrapola para toda a atividade e para todas as pessoas envolvidas. Como resultado, o negócio como um todo sofre. É, portanto, importante que os níveis de células somáticas e de mastite clínica sejam mantidos baixos para que o produtor se orgulhe e seja otimista, o que reflete em melhores resultados para toda a atividade.

Confira a programação completa pelo site.

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