Para desenvolvermos um ótimo trabalho de campo, a nutrição de precisão em fazendas com controle dos índices zootécnicos se faz necessária para melhorar a eficiência em resultados.
Esses resultados vêm de um melhor aproveitamento da dieta pelas vacas de leite, sendo assim a análise dos ingredientes é fundamental. Não apenas saber o tipo de alimento que o produtor fornecerá aos animais, mas saber o processamento, tamanho de partícula, procedência e características organolépticas podem fazer todo diferencial no momento que as vacas comerão essa dieta formulada e o que irão aproveitar dessa dieta.
Ao falarmos de aproveitamento da dieta pelos animais, a digestibilidade dos nutrientes é onde precisamos prestar atenção. Partimos do pré-suposto que a digestibilidade seria a porção do alimento absorvido pelo animal em seu trato gastrointestinal. Mas é um conceito mais complexo porque diversos fatores podem alterar digestibilidade dos alimentos sendo eles, a ingestão de MS (matéria-seca), taxa de passagem, taxa de digestão e características do alimento fornecido.
O amido, juntamente com outros açucares, compõe o grupo dos CNE (Carboidratos Não Estruturais) e são assim classificados por estarem presentes no conteúdo celular e é fonte de energia altamente disponível. Na alimentação de vacas de leite, os grãos são a principal fonte de amido na alimentação animal, podendo conter até 80% de amido em sua composição.
Considerando que a principal fonte energética das dietas de vacas de leite vem dos carboidratos fornecer os grãos de qualquer forma ou tipo não irá transformar o amido em energia que os animais precisam.
Alguns trabalhos na literatura mostram que tipos de milho em relação ao seu processamento físico provocam alteração na digestibilidade do alimento. Rémond e colaboradores (2004) fizeram 2 experimentos em relação ao tamanho de partícula de um milho semiflint (0,7; 1,8; 3,7 mm) e do processamento físico (moído e laminado) e concluíram que o tamanho de partícula é uma ferramenta para manipular a degradação ruminal do amido (Tabela 5 do artigo).
Grande parte da alimentação de vacas de leite no Brasil tem como volumoso silagem de milho o que melhora no custo alimentar pelo aproveitamento da energia da digestibilidade da fibra (carboidratos estruturais) e pelo amido do milho. As silagens de milho produzidas no Brasil ainda apresentam alguns problemas como a presença de grãos inteiros de milho, tamanho de partícula da silagem e a digestibilidade da fibra baixa o que limita a utilização desse ingrediente para obtermos melhor eficiência. Nesses casos, não podemos formular dietas com mais baixa inclusão dos grãos e se faz necessário uma 2ª fonte de volumoso com partícula longa como fibra efetiva física (estímulo de ruminação).
Uma ferramenta a mais para auxiliar os nutricionistas na formulação das dietas de vacas de leite é a análise de amido nas fezes, ela pode mostrar uma falta de aproveitamento dos grãos da dieta que levam a resultados ruins de produtividade e não resposta a dieta formulada.
Essa análise fornecer uma resposta rápida e prática do que está ocorrendo de problema no processamento dos grãos e pode ser corrigida rapidamente para não ter perdas nos resultados. O teor de amido nas fezes não deve passar de 5%, valores maiores que esse devem acender uma bandeira vermelha na propriedade para avaliar onde pode estar a falha no processamento (milho inteiro na silagem, moagem do milho muito grande, etc.).
Essa é uma das ferramentas que a equipe técnica Poli-Nutri utiliza em seus clientes para poder ajustar e melhorar as dietas das vacas de leite e ter o melhor atendimento técnico. Nosso compromisso é com o resultado!
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Referências:
Patton, R.A.; Patton J.R.; Boucher, S.E. Defining ruminal and total-tract starch degradation for adult dairy cattle using in vivo data. J. Dairy Sci. 95 :765–782, 2012.
Rémond, D.; Cabrera-Estrada, J.I., Champion, M. et al., Effect of Corn Particle Size on Site and Extent of Starch Digestion in Lactating Dairy Cows. J. Dairy Sci. 87:1389–1399, 2004.
Sniffen, C.J.;Ward, R. Using Starch Digestibility Information in Ration Balancing. In http://www.wcds.ca/proc/2011/Manuscripts/Sniffen.pdf
Nutrição de Ruminantes/Editores Telma Teresinha Berchielli, Alexandre Vaz Pires, Simone Gisele de Oliveira. 2 ed. Jaboticabal: FUNEP, 2011 616p.