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E se o fígado estiver funcionando mal?

NOVIDADES DOS PARCEIROS

EM 15/08/2021

7 MIN DE LEITURA

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A esteatose hepática (fígado gorduroso), definida como a concentração patológica de triglicerídeos (TG) no órgão, é a alteração metabólica mais frequente em vacas leiteiras de elevado desempenho, sendo sua incidência no primeiro mês após o parto de 50% (40 e 10% dos animais padecendo esteatose moderada e severa, respectivamente) (Bobe et al, 2004). A esteatose hepática acontece devido à grande quantidade de nutrientes que são exigidos pela glândula mamária das vacas de elevada produção. A seleção genética, favorece os animais de maior produção, que possuem grande aptidão para perder peso nas primeiras semanas de lactação e que, portanto, mobilizam ácidos graxos para atender, principalmente, às necessidades energéticas da produção de leite. No entanto, as exigências aumentam aproximadamente 21 dias antes do parto, tanto pelo final do crescimento fetal quanto pela produção de colostro (Figura 1). As dietas para vacas lactantes com elevada concentração de gordura, o alto escore da condição corporal (ECC) ao parto e a acidose ruminal durante o período de transição incrementam o risco de esteatose hepática.

Balanço energético em vacas leiteiras durante o período de transição

Figura 1. Balanço energético em vacas leiteiras durante o período de transição

Os valores fisiológicos de TG no fígado são menores que 1%. Entre 1-10% de TG no órgão considera-se esteatose de severidade média e superior a 10% de severidade elevada. Dificuldades no diagnóstico (necessidade de biópsias hepáticas) limitam um cálculo preciso da ocorrência de esteatose hepática. As avaliações de AGNE plasmáticos, corpos cetônicos e as mudanças excessivas de ECC durante o pré e o pós-parto podem indicar mobilização de gordura, estado nutricional deficiente e o risco de padecimento de esteatose. 

A partir do parto, as necessidades de energia para a produção de leite são maiores que a energia produzida a partir da dieta e sua fermentação ruminal (Figura 1), aumentando-se o risco de doenças durante a transição (Bobe et al., 2004). O menor consumo de matéria seca e a redução da produção de insulina promovem, em parte, a mobilização de ácidos graxos do tecido adiposo. Estes ácidos graxos não esterificados (AGNE) são transportados pela corrente sanguínea e chegam ao fígado para serem oxidados e produzirem energia (oxidação total), entretanto uma parte deles se tornam corpos cetônicos (oxidação parcial), que retornam à corrente sanguínea. A cetose metabólica é o aumento na concentração sanguínea de corpos cetônicos (BHBA = 1-1,2 mM ou >1,2 mM para a patologia subclínica ou clínica, respectivamente). 

Se o nível de AGNE for superior à capacidade de oxidação e transporte enzimático do fígado, eles serão reesterificados e armazenados como TG no tecido hepático, existindo então uma conexão entre cetose e esteatose. A elevação de corpos cetônicos plasmáticos significa que muitos AGNE chegam ao fígado, com alto risco de acúmulo nos hepatócitos. A elevada concentração sanguínea de AGNE, associada à esteatose hepática, tem relação com o incremento na incidência de doenças (deslocamento de abomaso, cetose, metrite e retenção de placenta) durante o periparto (Ospina et al., 2010; Figura 2), com efeitos negativos sobre a produção e a reprodução das vacas.

Incremento do risco de patologias durante o periparto das vacas leiteiras.

Figura 2. Incremento do risco de patologias durante o periparto das vacas leiteiras.

Por outro lado, o manejo pós-parto, que influencia em grande medida a variação do ECC durante o início da lactação, pode se apresentar mais importante que o ECC ao parto, no tocante à incidência de esteatose hepática. Assim, as vacas que não são obesas ao parto também são suscetíveis de padecerem esteatose hepática, caso o manejo exacerbe a mobilização de reservas corporais (Jorritsma et al., 2001). 

Novas pesquisas também estão mostrando que o acúmulo de TG no fígado pode ser uma patologia subclínica comum durante toda a vida dos ruminantes, especialmente nos de elevado desempenho. De fato, alguns experimentos mostraram que vacas de maior produção leiteira (maior demanda energética), apresentaram aumento no acúmulo de TG hepáticos durante o início da lactação (Jorritsma et al., 2001; Bollatti et al., 2020). Embora a mobilização de reservas corporais no puerpério das vacas seja necessária, ela deve estar dentro de limites adequados. Animais que apresentaram baixa e alta concentração plasmática de AGNE ao momento do parto, produziram menos leite acumulado nos primeiros 100 dias de lactação em comparação às vacas com mobilização intermediária (Marín et al., 2011). Fazendo mais complexo o tópico, dentro da mesma raça, animais de similares ECC e grau de mobilização, apresentaram diferentes respostas metabólicas e produtivas, evidenciando que existem diferentes metabiotipos (Ghaffari et al., 2020).

A gordura do leite é outro bom biomarcador para se avaliar o risco de cetose metabólica e esteatose hepática. Uma vaca holandesa, que produz leite no primeiro mês de lactação com mais de 4,8% de gordura, provavelmente mobiliza grandes quantidades de ácidos graxos de cadeia longa do tecido lipídico. A espectroscopia FTIR permite avaliar a origem dos ácidos graxos do leite; os de cadeia curta, denominados de novo, são derivados dos produtos da fermentação ruminal (de C4:0 a C14:1, denominados), os de origem mista (de C16:0 a C16:1) e os de cadeia longa ou pré-formados, originários tanto da dieta quanto da gordura corporal mobilizada (C18:0, C18:1 e C18:2). Normalmente, a gordura do leite é composta de 18 a 30% de ácidos graxos sintetizados de novo, 35 a 40% pelos mistos e 30 a 35% pelos ácidos graxos pré-formados. A determinação da origem dos ácidos graxos no leite é útil para individualizar os fatores de risco e prevenir a esteatose hepática. 

A perda excessiva de ECC durante a transição e a alimentação inadequada são importantes fatores de risco da esteatose hepática das vacas leiteiras. Esses dois fatores estão associados à endotoxicose (passagem de endotoxinas bacterianas à corrente sanguínea) como resultado da metrite, mastite ou da morte de bactérias pela acidose ruminal. As endotoxinas estimulam os processos inflamatórios e reduzem a disponibilidade de lipoproteínas (VLDL) necessárias para transportar os TG no sangue, tendo como consequência, o acúmulo deles nos hepatócitos.

Ainda que não seja grave, a esteatose hepática causa:

1. Redução da função ovariana e do desempenho reprodutivo devido à diminuição na produção de colesterol e hormônios sexuais (estrogênios e progesterona);

2. Diminuição da disponibilidade de glucose (menor gliconeogênese), molécula fundamental nos processos vitais e produtivos; 

3. Alteração da detoxificação hepática de amônio e endotoxinas;

4. Depressão do sistema imunológico (menor citotoxicidade, fagocitose, produção de imunoglobulinas e interferon), com o aumento na incidência de doenças pós-parto (mastite e metrite principalmente).

Existe pouca informação sobre a incidência de cetose ou esteatose hepática no Brasil. A avaliação de 118 vacas Holandesas (23,4 kg leite/vaca/d) durante as primeiras oito semanas de lactação, em uma fazenda do noroeste do estado de São Paulo, demonstrou uma incidência de cetose de 12,5% (Lago et al., 2001). Não obstante, é sabido que um maior desempenho leiteiro está associado a uma maior mobilização de reservas, e portanto, ao aumento na incidência de cetose. Em fazendas de gado Holandês,  no estado do Paraná, a ocorrência de cetose subclínica em vacas multíparas (29,5 kg leite/vaca/d) foi 15%, porém, quando a produção alcançou 41,5 kg leite/vaca/d a cetose se incrementou a 30% (Freitas et al., 2020). 

Para finalizar, podemos resumir que embora existem diferenças individuais, a esteatose hepática é uma patologia comum nas vacas leiteiras. A correta função hepática é necessária para o adequado desempenho produtivo, reprodutivo e econômico. Estratégias adequadas de manejo e alimentação, com o uso de nutrientes específicos, especialmente durante o período de transição, podem atenuar o efeito do balanço energético negativo e potencializar a função hepática, bem como a saúde das vacas.

A suplementação de colina e/ou metionina das vacas leiteiras durante a transição faz parte dessas estratégias alimentares. Porém, a suplementação desses nutrientes deve ser feita sob a forma protegida para que se evite a ação dos microrganismos ruminais e se consiga a absorção deles no intestino. Para esses nutrientes, existem diferentes produtos comerciais e métodos de proteção, que mudam a biodisponibilidade da colina ou metionina e, com isso, a resposta animal à suplementação.

O Ruprocol® e o Timet®, são fontes protegidas de colina e metionina cuidadosamente desenvolvidas pela Vetagro, para garantir o equilíbrio entre a concentração inicial, o by-pass ruminal e a digestibilidade intestinal. Ambos produtos, distribuídos pela Farmabase, possuem uma relação interessante de preço e biodisponibilidade dos nutrientes, sendo a cada dia insumos mais presentes nas fazendas do Brasil.

Quer saber mais? Fale conosco!

 

Artigo original de Alessandro Fantini disponível na língua italiana aqui

Adaptado por Luis Depablos (luis.depablos@vetagro.com)

Referências disponíveis mediante solicitação. 

 

Este é um conteúdo da Vetagro.

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