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De volta à Nova Zelândia

WAGNER BESKOW

EM 04/04/2013

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De 15 a 25 de março, tive o prazer de acompanhar um grupo de produtores, empresários, gestores de indústrias, técnicos, consultores, dirigentes de cooperativas, professores, entre outros, numa viagem técnica pela Nova Zelândia, muito bem organizada por Marcelo Carvalho (MilkPoint), com apoio e expertise da CAEP (Brasil) e Farm to Farm Tours (NZ).

Foram nove dias intensos visitando várias fazendas, centros de pesquisa, universidades e empresas da cadeia produtiva do leite, balanceados com descontração, cultura e belezas naturais, tanto na Ilha Norte como na Sul.

Sol e cansaço deram vez a momentos de descontração e ótimos papos. Restaurante da Vinícola Rossendale, em Christchurch, com vinho da casa.


Tendo vivido e estudado lá, conheço bem os contrastes entre nossos países e sei como pensam ambos os lados. No início não é fácil para os brasileiros entenderem o sistema deles, pois naturalmente se começa avaliando as coisas de lá com os olhos e parâmetros daqui. Em consequência, as reações que observei nos primeiros dias eram:

“Não é possível, tem alguma coisa que não fecha nessa história”.
“Esses caras tão nos conversando, não pode ser”.
“Ninguém consegue chegar a esse número de vacas como esse pessoal diz que chegou”.
“Pra fazer isso tem que ter subsídio, não pode ser. Isso é impossível!”
“Esses caras vão quebrar”.


Na medida em que os relatos vão se tornando consistentes e que os parâmetros começam a fazer sentido, as pessoas sentem como se tivessem entrado numa outra dimensão. De fato lhes digo: entraram. Deste ponto em diante, os comentários predominantes eram:

“Você viu que todos eles falam em metas, um monte de números, e todos sabem na ponta da língua não só os detalhes do custo de produção, mas também o retorno sobre o capital investido? Lá a gente não fala nisso, não!”
“Você viu que impressionante esse casal aí?”
“Cara, que maneiro isso aí. Eles teem tudo no computador! Olha ali, o sujeito só puxa e tá tudo na ponta dos dedos e em todas propriedades é assim”.
“Viu só quantas pessoas ordenham essas vacas? Um cara sozinho faz tudo! (...) Também, elas entram e saem sozinhas da ordenha”.
“Vou voltar pra casa e encerrar a produção. Fiquei com vergonha”.


Acho que essas expressões dão uma ideia do impacto que uma experiência dessas representa. O grupo cresceu e desenvolveu linguagem própria. No ônibus, os percursos eram proveitosos. Havia questionamentos, dúvidas, observações valiosas. Nas visitas as perguntas fluiam sempre. Embora nunca tenha faltado tempo para boas risadas e brincadeiras, me chamou a atenção o profissionalismo dos componentes. Sinto que todos parecem ter ficado com a mesma impressão.

Vacas aguardam serem mudadas de piquete em pastagem irrigada de azevém perene e trevo-branco na Ilha Sul.


Dados físicos

Para que o leitor melhor dimensione a realidade do leite na Nova Zelândia, apresento abaixo um resumo de dados produtivos que compilei para o grupo antes de partirmos.

Três aspectos importantes para você poder entender estes números: 1) o produto lá não é litro de leite e sim sólidos butírico-proteicos ("sólidos GPB"), ou seja, gordura e proteína bruta pagos por kg, tanto que na composição do preço há um demérito/penalidade para volume; 2) a produção nacional é sazonal, as vacas dão cria em julho/agosto e são secadas em abril/maio; 3) as superfícies e produtividades por área referem-se a áreas efetivas com vacas, visto que a recria é toda terceirizada no país.

Dados da produção de leite na Nova Zelândia (junho/2012).


Fontes: LIC National Database, DairyNZ, Animal Evaluation Database, Animal Health Board Annual Report, Real Estate Institute of New Zealand e Statistics New Zealand.
HF = Holandês-Frísio; JE = Jersey; HF/JE = Kiwicross.

 

** Estes dados referem-se a uma conversão para o que seria o volume se o leite da NZ (8,8%) tivesse nosso conteúdo médio (6,6%) de sólidos GPB.


Notem que com menos de 12.000 produtores, sem subsídios desde 1984 e criticados pela "baixa produtividade" na visão volume que domina nossas mentes, a NZ (que mal chega ao tamanho do RS) produz mais leite que todo o Brasil com seus (aproximdamente) 600.000 produtores de leite inspecionado (chego a este número aproximado, que nem o IBGE conhece!, dividindo 22 bilhões de litros inspecionados por 365 dias e por 100 litros por produtor, que é a média diária geral predominante no país hoje, segundo meus levantamentos). Nós produzimos 22 bilhões, eles 19,1 bilhões, mas quando convertemos para o nosso padrão de (falta de) sólidos, eles produzem o equivalente a 25,6 bilhões de litros de leite no "padrão Brasil" de sólidos. Ou seja, 16% mais leite que nós com apenas 2% do nosso número de produtores! E registre-se ainda que a produção lá, como no mundo todo, também é familiar.

Chocado? Não fique. Se quiser entender de onde vem esses resultados, leia este artigo que escrevi em dezembro de 2012. Em resumo, o que se constata são frutos de décadas de metas consistenes, muita pesquisa, muito trabalho e cultura. Nada lhes foi dado.

Centro de ordenha novo (fazenda de Craig Elliott). Note a higiene, o fácil acesso e a capacidade dos resfriadores. Cena típica na Nova Zelândia.


Mais dados e informações

Em um brilhante artigo, Marcelo Carvalho relata detalhes que não pretendo repeti-los, como o drama da seca deste ano, a questão econômica e as mudanças que veem ocorrendo por lá. Confira isso e muito mais clicando aqui.

Para entender melhor como se configura o sistema de produção, a enorme dependência do pasto e os níveis variados de suplementação existentes hoje, recomendo verificar estes dados que apresentei em uma frutífera discussão com Prof. Mühlbach aqui no MilkPoint, ainda antes da viagem.

Azevém perene e trevo-branco, base produtiva da Nova Zelândia contribuindo com pelo menos 60% do consumo diário de matéria seca (% da dieta vinda do pasto % das propriedades: 100/10; 90/32; 85/36; 75/18; 60/4 - Fonte: DairyNZ, 2012). Seta vermelha indica minhoca, encontrada em abundância em pastagens bem manejadas. Logo abaixo, raiz pivotante do trevo-branco, responsável por 100-200kg de N/ha/ano via simbiose. (Foto: Massey University, março/2013).


Tenho muita e detalhada informação sobre custos, rentabilidade e capacidade de pagamento das dívidas pelos produtores, temas que discutimos em toda a viagem, mas precisaria de um outro artigo só para isso.

Uma longa história de aprendizagem

Em fevereiro passado havia completado 20 anos que minha esposa e eu pisamos pela primeira vez na Nova Zelândia (1993), na época para realizar meu curso de mestrado. Foram dois anos e quatro meses de intensos estudos e viagens técnicas, num país extremamente democrático, eficiente, estável, sem subsídios, sem buracos, sem carimbos, sem corrupção, sem atravessadores, sem um papelzinho no chão, de governo enxuto, onde a polícia não usa armas e políticos são servidores sem privilégios.

De volta ao Brasil em abril de 1995, em nosso primeiro dia de regresso do que viria a ser a primeira estadia por lá, assistimos dois policiais militares de serviço (RS) jogando lixo pelas janelas de sua viatura, simultaneamente. Não foi fácil voltar a conviver com essas coisas, mas era um primeiro sinal de que teríamos que ter muita paciência e ponderar muito tudo que vimos e aprendemos.

Dois anos se passaram como consultor agropecuário e professor universitário, muitas aulas, muitas palestras, estudos e mais pesquisas seguidas de continuadas tentativas de mudança de nosso setor produtivo me ensinaram três lições importantes: 1) o Brasil ainda não estava preparado para a mensagem que eu trouxera; 2) a solução que precisávamos não poderia vir pronta de fora; 3) eu precisaria me aprofundar muito mais técnica e cientificamente, porque a luta ia ser bem mais dura que eu imaginara.

Alunas da Massey University (instituição onde estudei) realizam ordenha durante nossa visita (março/2013). A "No. 4 Dairy Farm" serve ao ensino e à pesquisa, mas como todas as fazendas das universidades, também tem que dar resultado econômico direto.


Rebanho da No.4 Dairy Farm (Massey University) voltando aos piquetes.


Não desistimos. Entendendo o valor daquela fonte inspiradora, voltamos para a NZ em agosto de 1997, agora para meu doutorado, com muito mais experiência de vida, casca já mais grossa e determinação redobrada de ajudar a mudar nossa realidade. Quatro anos e quatro meses de aprofundados estudos e tantas outras passagens até que, em dezembro de 2001, véspera de Natal, zarpamos para o Brasil com a sensação de missão cumprida, com muita esperança e também muita saudade. Por limitações financeiras, em ambas as ocasiões estivemos direto lá, com compromisso de voltar para o Brasil por pelo menos o mesmo tempo fora.

Agora a bagagem que trazíamos era diferente e não mais esperávamos que todos ouvissem, pois sabíamos que a mensagem era para poucos. Tudo que eu precisava era de “poucos que fizessem a diferença”. Nada mais. Trabalhei por outros cinco anos, novamente como professor/pesquisador universitário, refinando e testando aqui o que desenvolvi no doutorado, descartando um bom tanto e agregando uma série de elementos novos, via pesquisa e experiência prática, que refletiam tanto nossas dificuldades nacionais como nossas riquezas, ambas inimagináveis por lá.

Acabara de finalizar e testar um modelo de produção feito para nossa realidade (o SIPS – sistema intensivo a pasto com suplementação) e partia para implantá-lo em mais propriedades rurais, quando fui convidado pela CCGL para adaptá-lo ainda mais e estendê-lo com exclusividade a seus produtores de leite. Topei e foi gratificante. Resultados em escala comercial? Em 7-12 meses: 100% mais leite nas propriedades que o adotaram com custo por litro 25% menor, resultando em 400-700% mais renda líquida ao produtor, com menos mão-de-obra, mais sanidade, maior qualidade do leite, melhor reprodução e endividamento zero. Superamos a NZ em produtividade da vaca, da terra, em custo mais baixo e maior retorno sobre o capital. Apresentei esses dados no Interleite Sul 2010.

Quanto de NZ tem nisso tudo? Uns 60%. Muito! Outros 10% devo a conhecimento gerado nos EUA e o restante (30%) foram descobertas e adaptações que teem sido realizadas em colaboração no Brasil (UFPEL, UERGS, CCGL e agora com a Transpondo, olhando o Brasil como um todo).

Durante todo esse tempo, jamais perdi o contato com a Nova Zelândia. Assino e publico na revista NZ Dairy Exporter (editada há 88 anos), mantenho trabalhos em colaboração com pesquisadores neozelandeses e sou o único brasileiro membro da Royal Society of New Zealand, a “Academia Real de Ciências da Nova Zelândia” (RSNZ) e, como membro, somos frequentemente consultados pelo parlamento, pelo primeiro ministro e por seus órgãos governamentais, contribuindo com posicionamentos técnico-científicos para as políticas públicas de lá. Um pouco de retorno de tudo que recebi...

Painéis permanentes montados para visitantes sintetizam os desafios, as pesquisas e o manejo adotados na Lincoln University Dairy Farm (LUDF), hoje referência nacional em eficiência produtiva e econômica.


O que fica de tudo isso para mim

A certeza de que avançam os que querem e queixam-se os que não sabem fazer melhor. Somos um país rico em tudo e nada nos impede de sermos líderes mundiais em produção de leite a baixo custo e alta eficiência. Trabalho por isso todos os dias de minha vida e, projetando os vários casos de sucesso que se somam hoje em nosso país, sinto que ainda terei o prazer de testemunhar isso como realidade nacional.

Parabenizo e agradeço ao MilkPoint pela oportunidade propiciada a todos nós. Foram momentos de aprendizagem (minha inclusive) e de grande troca de experiências. Tanto lá como após o retorno só ouvi e só tenho a relatar aspectos positivos da viagem. Que outras possam acontecer.

Por fim, deixo aqui minha reconhecida admiração pelos amigos neozelandeses com sua fibra, garra, coerência, organização e, sobretudo, pela atitude vencedora que permeia um povo em que sua mulher foi a primeira a conquistar o direito ao voto, foi o primeiro a escalar o Everest, mandou os latões de leite para museu em 1950 e aboliu totalmente seus subsídios agrícolas em 1984, para citar apenas algumas de suas proesas e exemplos para o mundo.

Wagner Beskow
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WAGNER BESKOW

TRANSPONDO Pesquisa Treinamento e Consultoria Agropecuária Ltda: Leite, pastagens, manejo do pastoreio, rentabilidade, custos, gestão, cadeia do leite, indústria, mercado. palestras, consultoria, cursos e treinamentos.

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CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 12/06/2014

Olá Donizeti,

Vou responder aqui, que já pode servir para outros. Minha receita:

1) Aprender e dominar a língua inglesa. Sem isso, nada feito. Considere isso feito aoconquistar aprovação no IELTS ou TOEFEL. PRocure no Google.

2) Decidir a área particular de interesse e usar o Google para descobrir o que há lá nessa área. Nas buscas do Google, entre as palavras de busca incluir a expressão "site:nz". com isso as buscas se resumirão a sites de lá.

3) Há duas Universidades em ciências agrárias Massey e Lincoln University:
http://www.massey.ac.nz/
http://www.lincoln.ac.nz/

4) Nestes sites, identificar pesquisas, professores e conhecimento de interesse.

5) Decidir se desejas "diploma" (=especialização"), "masters" (=mestrado), ou "PhD" (=doutorado; tem que ter mestrado).

6) Pensar em como pagarás as contas, inclusive a universidade. Aqui uma dica para começar:
http://www.aid.govt.nz/funding-and-contracts/scholarships/eligible-countries/latin-america

7) No site da Universidade escolhida, localizar e-mail do professor da área, futuro potencial orientador (alguém que admires e queiras ser seu pupilo!). Escrever a ele, mas só depois de estar bom no inglês !!!

8) Daí para frente cada um faz seu caminho.

Embora meu doutorado tenha se dado na "era Internet", meu mestrado também lá foi todo planejado quando ainda se tinha que escrever no papel, postar, esperar 21 dias para chegar etc. Mesmo assim, consegui vencer TODAS as etapas que te listo acima. Hoje é tudo muito mais fácil. SÓ DEPENDE DE TI.

No futuro me escreve e me conta. Encontras meu contato aqui:
http://www.transpondo.com.br/

Grande abraço e boa sorte.

Wagner Beskow
DONIZETI DA SILVA

CAMPO NOVO DE RONDÔNIA - RONDÔNIA - ESTUDANTE

EM 12/06/2014

Vagner ,sempre tive vontade de melhorar meu conhecimento, e)tou terminando o meu curso(faculdade) de AGRONOMIA,e gostaria de saber como faço para me especializar na nova Zelândia?Se vc souber, por favor me mande uma dica.(donizeti_bs@hotmail.com)
TIAGO MANTOVANI

SANTO ANTÔNIO DA PLATINA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 12/08/2013

Mas o eu quero dizer com tudo isso é lhe agradecer. Porque viajei 1000 km do norte do Paraná para a cidade de Passo Fundo na Interleite para ouvir você dizer uma coisa que me valeu a viagem.
Assim como você ao sair da EMBRAPA fiquei muito entusiasmado para por em pratica o que aprendi e não perdia uma oportunidade em discutir o assunto, principalmente aqui no milkpoint.
Discussões idiotas,e escutar coisas tais comos:
- o seus sistema não é a pasto você usa concentrado. ( E porque nao usar concentrado sendo que temos subprodutos em abundância e baratos)
- o seu sistema não é a pasto você suplementa com silagem no inverno. ( Por acaso seria vantagem fazer uma produção sazonal sendo que no inverno o preço do leite é mais alto e eu tenho um clima ameno e sem chuva que possibilita que com apenas um cocho trenó ter um "free stalll" ao céu aberto e barato.
- mas esse pasto que você tem é muito bom não pode ser considerado pastagem. ( não precisa nem comentar esse item).
Mas o que você disse na interleite que valeu minha viagem foi dizer que quando falamos em sistema a pasto queremos dizer SIPS, e não se trata de procurar ou copiar receitas. Não há receitas, mas pessoas inteligentes estudam como as outras solucionaram seus problemas e buscam nelas inspiração para solucionar os seus.

Por isso quero lhe dizer obrigado.
TIAGO MANTOVANI

SANTO ANTÔNIO DA PLATINA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 12/08/2013

Prezado Wagner. Entrei na faculdade no intuito de ao sair de lá tivesse conhecimentos adequados que elevassem os índices produtivos e econômicos da propriedade da minha família. Mas na metade do quinto ano percebi que os conhecimentos adquiridos nos 4,5 anos não ajudariam em nada na minha meta pois como sempre as matérias zootécnicas ensinadas na faculdade são relegadas a segundo plano ou distantes da realidade. Então fui procurar fazer estagio na EMBRAPA sudeste tendo como orientador o Dr Arthur Chinelato. Lá fiquei maravilhado pelo o que o Programa balde cheio fazia pelos produtores.
E aprendi durante este tempo a base para produção de leite no Brasil. Ou seja eu aprendi a como ser eficiente produzindo leite no Brasil no próprio Brasil com todas as suas dificuldades (sem ajuda do governo, sem subsídios, perdendo 20% da área produtiva para reserva legal, mão de obra brasileira, impostos e todas as indiossincrasias do nosso pais).
Com o Dr Arthur aprendi a ser eficiente economicamente tanto em sistemas confinados ou a pasto, porque o que interessa não é o sistema em si e sim como são usados os fatores produtivos como vacas em lactação por hectare, produtividade por área (litros/há/ano),etc.
E o mais importante lucratividade por área (reais/há/ano) porque a partir desse dado conseguimos comparar se o melhor é produzir leite a pasto, confinado, cana, soja ou qualquer outra coisa, como eu já disse aqui http://www.milkpoint.com.br/cadeia-do-leite/giro-lacteo/leitor-comenta-o-que-interessa-nao-e-o-sistema-em-si-mas-o-nivel-de-eficiencia-dos-recursos-produtivos-81385n.aspx#comentario79458
Aprendi a analisar qual foi a necessidade que cada pais teve para chegar ao seu sistema de produção (como por exemplo porque na NZ a produção é sazonal e não se usa concentrado, porque nos USA se descarta os animais com no maximo 5 anos,etc).
Aprendi analisar e comparar os dados de produção dos nossos produtores mais eficiente com os dados de produtores americanos, neozelandês, europeus, argentinos e uruguaios, e percebi a enorme superioridade que temos sobre eles.
Muito se discute se devemos importar o modelo de produção americano, neozelandês, europeu. Na minha opinião já temos o nosso modelo de produção desde a década de 80 (vide o CPZ da ESALQ) o que deveríamos importar é a cultura desses povos.
Ao sai da EMBRAPA fui aplicar o que aprendi em minha propriedade e consegui sair, num horizonte de 5 anos, de 600 litros dia para 1500 litros dias com produtividade de 15.200 litros/há/ano (o que considero baixo ainda) e lucratividade de R$ 3.040,00, usando o modelo que você brilhantemente batizou de SIPS.

WAGNER BESKOW

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 07/06/2013

Caro OSVALDO JUNIOR: teu feedback é muito apreciado, mais ainda por seres produtor. O produtor é o cerne da cadeia do leite. Tudo se constrói em volta e a serviço do sucesso dele. Para os demais elos ganharem, o produtor tem que ganhar, ou seria o mesmo que "matar a galinha dos ovos de ouro".

Como vês no artigo, tais ganhos nem sempre veem de complicar as coisas (erro muito comum no Brasil), frequentemente veem de simplificá-las.

Grande abraço e muito obrigado.

Wagner Beskow
https://www.facebook.com/Transpondo
OSVALDO JUNIOR

GOIÁS

EM 03/06/2013

wagner parabens pela materia...vc realmente me fez mudar varios pontos e aspectos como produtor de leite...



WAGNER BESKOW

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 02/05/2013

Prezado CELSO ALEXANDRE:

Pareces dedicado em fazer acontecer. Todas as práticas que citaste vão no sentido de produção, parte fundamental do processo. Se errarmos nela, o resto simplesmente não acontece. No entanto, produzir é, mesmo assim, uma parte. A seguinte é fazer com que a vaca consuma o que com tanto trabalho e investimento produziste e que ela faça isso trabalhando ela mesma. Uma vaca de 550kg, p.exemplo, tem que ingerir aprox. 17kg de MS de pasto em 24h. Isso equivale a 100kg de MN (matéria natural) ou a uma pilha de 1,10m de altura se fosse ser cortada e amontoada.

Em cima disso temos que fazer ela consumir o concentrado em proporção à produção diária que queremos que ela atinja, ou da mudança em peso corporal dela que desejamos. Este concentrado tem que entrar SEM substituir pasto.

Somado a tudo isso, o manejo da pastagem tem que ser tal que eu ofereça a ela qualidade top de forragem pelo tempo mais longo possível e usaremos a própria vaca para atingir isso.

"Ah, mas isso não funciona. Faz calor, as vacas não comem, chove elas estragam as pastagens, esfria ou não chove e param de crescer os pastos..." Ouço sempre a mesma coisa, mas apenas até o dia que o sujeito parar para entender as ferramentas que o SIPS lhe coloca na mão. O dia que "cai a ficha" ele se dá conta que nada disso é barreira. Que quem estraga a pastagem é homem com seu manejo errado, não a vaca, que o alimento conservado é, mais do que nada, parte importante do manejo da pastagem. Aprende que não pode brigar com a vaca, que precisa entender a ler o comportamento animal a favor da vaca, consequentemente a seu favor e de repente tudo muda.

Isso dá uma ideia do que envolve o SIPS (sistema intensivo a pasto com suplementação).

Te sugiro responder a enquete (o questionário) que se encontra no site da Transpondo. Estou levantando interessados e logo teremos novidades. Apostilas serão disponibilizadas através dos cursos SIPS básico, intermediário e avançado. Se deseja acesso, dê uma olhada lá.

Procure por "Aprendendo o SIPS" em www.transpondo.com.br

Grande abraço e parabéns pelo que já pareces ter atingido.
CELSO ALEXANDRE

LONDRINA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/04/2013

caro Wagner já pedi um livro seu, pergunto se voce tem uma apostila sobre SIPS, pois faço adubaçao, calcareo, adubo foliar rotação de pastos e talvez possa melhorar com a sua orientação sobre o SIPS, faço plantio direto desde 1981 e planto forrageiras de inverno (aveia, azevem, aveia branca para feno pre´-secado junto comcenteio), maiores informações fico agradecido, Celso Alexandre.
WAGNER BESKOW

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 23/04/2013

Prezado JAIR MELLO:

O trabalho em busca de resultado econômico ao produtor tem sido desenvolvido por um pequeno número de pessoas que eu conheço. De forma consistente e há muitos anos por realmente muito poucos.

Cabe a alguns ser linha de frente. A outros, apoio na retaguarda. Quem conhece a ti e ao trabalho sabe que és um destes raros e que atuas em ambas posições. Por tua postura discreta, raramente circula teu nome na mídia, mas sabemos que muito dos avanços que vemos se acelerarem agora tem teu trabalho por trás, desde teu tempo da Cotrijuí.

Se compararmos com a velha curva sigmoide de crescimento que tão bem descreve seres vivos e populações de plantas e animais, remamos por anos na Fase 1. Aquela que parece que nada está acontecendo. É a fase que os fracos e imediatistas desistem, porque não entendem que para tudo é necessário tempo.

Estamos começando a entrar na Fase 2. Essa fase será de dar frio na barriga. Está tudo pronto para acontecer. Agora o tempo se encarrega de acelerar a subida. Não vamos reconhecer esse nosso setor em muito pouco tempo. E não há caminho de volta...

Ainda vamos todos comemorar muito esse processo, claro os que tiverem se adaptado, porque os dinossauros estão ficando para trás. Sempre ficaram e continuarão ficando, só que neste caso e na fase que se inicia será um descarte assustador para eles.

Isso é válido para todos: vacas, produtores, técnicos, transportadores e indústrias. Veremos muitos caírem fora daqui para a frente e quanto mais saltarem do trem, mais gente competente assumirá e mais rápido e mais longe iremos.

Tu vives isso no teu trabalho todos os dias. Talvez só não estivesse considerando que a velocidade está por mudar. Anota essa e observa.

Grande abraço Jair e muito obrigado por tuas considerações e reflexões.

Wagner
WAGNER BESKOW

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 22/04/2013

Aprendendo o SIPS:

Para trocarmos saliva por ações e resultados práticos, estou levantando interessados em aprender o Sistema Intensivo a Pasto com Suplementação (SIPS). Mais detalhes no site www.transpondo.com.br

Lá você encontrará o que é possível atingir com este método e um link (no final do texto do dia 22 de Abril) para um formulário onde você indicará suas preferências de como acessar este conhecimento. O mesmo formulário pode ser acessado clicando no atalho abaixo:

http://ow.ly/kjnIN

Um passo importante no sentido de expandir este conhecimento a quem realmente 1) desejar, 2) tiver "olhos de ver, ouvidos de ouvir" e 3) determinação para fazer a diferença.

Abraço a todos.

Wagner Beskow
JOSÉ SOARES DE MELO

PIUÍ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/04/2013

Prezado professor Wagner Beskov
Minha viagem à NZ foi organizada por outro grupo de São Paulo em fevereiro de l998. Não estivemos com o prof. Parry. Ficamos conhecendo o prof. Collin Holmes na Universidade de Massey com o qual passamos uma tarde inteira. Foi uma viagem inesquecível.
Obrigado por sua atenção. É muito bom conhecer pessoas que somam um sólido conhecimento científico, vivencia prática, idealismo e um grande apetite para o trabalho.
Espero aprender muito com você.
WAGNER BESKOW

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 19/04/2013

Prezado JOSÉ S. DE MELO:

Talvez tenhamos nos encontrado lá na NZ nesta tua viagem há 15 anos (1998?). Não teria sido num grupo organizado pela Esalq/USP e não tiveram vocês jantando na casa do então Prof. Parry Mathews em Palmerston North? Caso afirmativo, minha esposa e eu estávamos lá a convite de Parry e esposa.

Que bom ouvir teu relato e que a experiência acima te tenha entusiasmado. Como argumento no artigo "NASCE UMA NOVA ESTIRPE DE PRODUTOR DE LEITE NO BRASIL" (http://ow.ly/kf4uK), as coisas estão mudando rapidamente para os que tem atitude e fazem por onde, porque realmente esse nosso país permite maravilhas de norte a sul e o produtor de leite pode, hoje, deixar de ser o patinho feio da pecuária e ter mais que dignidade: ter o melhor negócio entre seus pares.

Quando sair o curso sobre o SIPS em MG será um prazer vê-lo no grupo. Obrigado, José.
ENG. AGR. JAIR S. MELLO

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 19/04/2013

Prezado Wagner,

Parabéns por mais este excelente artigo, com qualidade, conhecimento e sabedoria, condizente com o que vem difundindo e ensinando desde que te conheço. Os depoimentos dos seus orientados e produtores como o Mateus e de tanto outros, respondem qualquer dúvida. A vida é um eterno aprendizado, tanto do lado pessoal, sentimental quanto profissional. Só muda, só aprende quem tem mente aberta para as mudanças. Temos que aprender com GENTE QUE FAZ. Acho muito boa essa discussão de idéias, pontos de vista e de conhecimento. Não existe modelo ideal para todos os produtores em todos os lugares do mundo e nem do Brasil. Existem modelos ajustados e ajustáveis à realidade de cada produtor que devem e podem ser melhorados e utilizados. Entendo que todos os produtores de leite querem é ter LUCRO, querem aumentar a produção e produtividade com qualidade de vida da família e sustentabilidade econômica e ambiental. Como fazer isso? Como obter isso? Não tem "receita de bolo", nem modelo copiado de outros países. Temos que usar a inteligência, a experiência e a capacidade técnica que cada um possui, para chegar aos resultados desejados. É isso que você prega e faz. Muitos técnicos tem publicado e produtores comprovado, de que a produção de leite no RS dá uma rentabilidade de 4 a 5 vezes maior que a soja. Mesmo assim, com a excelente safra deste ano, tem produtores vendendo vacas para ir para a soja. Mas tem produtores investindo no leite, comprando vacas, melhorando fertilidade do solo, colocando irrigação, investindo em sistema de produção sustentável, enfim, tudo depende de como se olha o negócio, ou como ameaça ou como oportunidade.
Wagner, essa discussão e o aprendizado que você está proporcionando através do MilkPoint, é uma oportunidade para os que querem e para os que acreditam.
Produzir leite no Brasil e falando especificamente da região Sul, no cenário atual de excelente preço pago pelo leite ao produtor, com o mercado internacional em alta, com redução na oferta mundial de leite, com restrição as importações, é uma coisa. Outra coisa bem diferente, é encarar a realidade do preço mundial, com livre mercado, onde os custos de produção e todas as ações dentro da porteira tenham que estar bem afinadas e dimensionadas. Temos que lembrar que as coisas na nossa vida, nos negócios, no mercado de lácteos, são feitas de altos e baixos. Como escreveu recentemente nosso amigo Luis Otávio: ... "devemos buscar e consolidar uma forma de trabalho em que se ganhe muito dinheiro nos tempos de alta produção e bons preços, e que se sobreviva com a "cabeça fora d'água" nos momentos de crise".

Esse é nosso desafio. Não é para todos os técnicos e nem para todos os produtores.

Um abraço,

Jair Mello

JOSÉ SOARES DE MELO

PIUÍ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/04/2013

Prezado dr. Wagner Beskow.
Você me entusiasmou. Sou produtor de leite há mais de 30 anos. Fiz uma viagem maravilhosa à Nova Zelândia, há l5 anos e as conversas de grupo entre nós eram exatamente como você relatou. Já aprendi muito na vida (tenho 65 anos), mas sinto sinceramente que tenho muito mais a aprender.
Por essas razões, se eu tiver oportunidade, gostaria muito de ser seu aluno no SIPS. caso se organize uma turma aqui em Minas.
Meus parabéns, e um grande abraço
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/04/2013

Prezado Wagner Beskow e Wayne Brod Beskow: Espero, sinceramente, que o Brasil saia da bolha e entenda que existe vida muito mais desenvolvida e produtiva fora do pasto, nos confinamentos integrais. Só assim poderemos vencer este medo de inovar, evoluir e crescer, que nos mantém aprisionados nesta bolha, há quinhentos e treze anos. Ou, então, continuaremos a importar milhares de litros de leite, como acontece atualmente.
Um abraço,


GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
=HÁ OITO ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
WAGNER BESKOW

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 17/04/2013

WAYNE:

Entendi o paralelo: no filme a vida foi possível fora da bolha... Obrigado mano veio. Adiante por aí também!

EDUARDO:

Resumiste de forma objetiva, sintética e imparcial o artigo acima e sua mensagem central. Muito bom! Fico agradecido pela luz !!!

Tudo tem seu tempo para acontecer e a compreensão da mensagem de encarar de frente as dificuldades com determinação, desapego, mente aberta, objetivos claros, planejamento, independência e atitude vencedora também.

Me anima perceber que é crescente no Brasil o número de pessoas preparadas para entender do que estamos falando.

Boa sorte na nova empreitada e obrigado.
EDUARDO BOHRER DE AZEVEDO

OUTRO - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 17/04/2013

Prezado Wagner,

Em primeiro luger te parabenizo pelo texto, e agradeço, pois a medida que eu ia lendo, me sentia novamente em terras kiwis.....assim, como uma nova viagem.

Gostaria de fazer um breve comentário sobre a discussão levantada sobre sistemas de produção. Pelo menos pra mim, ficou claro que o objetivo do texto não é de dizer que o sistema a pasto usado pelos neozelandeses é o melhor para ser usado por todos, mas sim uma mensagem da forma empresarial que eles pensam a produção de leite e de que não há milagres, mas sim muito trabalho e ciência por trás de tudo. Ou seja, eles entenderam bem o que tinham em mãos para produzir, e assim moldaram sua atividade. Essa é a lição que deveria ficar para todos.


Abraço
WAYNE BROD BESKOW

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - PESQUISA/ENSINO

EM 14/04/2013

Wagner, minha admiração de irmão caçula.
Li todos os comentários acima após ler os artigos.
Fiquei lembrando daquele filme do menino da bolha ao ler a tese do confinamento ...
Adiante mano véio.
WAGNER BESKOW

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 14/04/2013

Em tempo, EGON:

A recomendação que te passei acima é aquela responsável de se fazer à distância com as informações que deste. Há outras medidas auxiliares (como bicarbonato com água goela abaixo para diminuir a acidose de imediato e estimular consumo da fibra) que se pode lançar mão, mas que requereriam mais detalhes (Quanto de concentrado elas estão comendo? Em quantas vezes? ele é tamponado? etc.).

Outra coisa: o esterco ideal para vacas em lactação que se deseja alta produção é 3 = pastoso mole. Isso quem diz sou eu, não ouvirás o mesmo de outros. No entanto, um 4 (pastoso duro) é mais seguro contra o tipo de problema que estás tendo, só que produzem menos do que com um 3, ainda que melhor um 4 do ponto de vista de saúde ruminal que um 2.

Abraço e bom domingo.
WAGNER BESKOW

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 14/04/2013

VERA:

Muito obrigado e é isso mesmo. Tua experiência de FFA, agora aposentada, que o diga! Que bom que tens participado aqui no MilkPoint. Espero que consigas seguir monitorando os avanços e contribuindo.

EGON:

Vou te responder por perceber que estás necessitando de uma ajuda. No entanto, preciso que todos entendam que isso configura uma consulta e que, no meu caso, vivo de consultoria, palestras e treinamentos.

Entendendo que os valores mencionados sejam do tanque e não de uma ou poucas vacas em isolado, o problema normalmente advém de insuficiente consumo de volumoso ou de insuficiente conteúdo de fibra efetiva deste proporcionalmente ao volume de concentrado.

Quando o problema é quantidade insuficiente de volumoso, é problema típico de final de ciclo de pastos anuais (no caso de verão). Fibra efetiva baixa ocorre em início de ciclo, com pastagens de alta digestibilidade aliado à baixa fibra (por definição) do concentrado.

A causa mais comum que conheço é uso errado (excessivo) de silagem de grão úmido, que é concentrado e não volumoso! Muitas vezes também advém de SMPI (silagem de milho planta inteira) picada muito fina.

Ocasionalmente, o problema também se deriva de excesso de gordura não protegida em algum componente da dieta. Esta encobre a fibra no rumem e impede que as bactérias ataquem a celulose.

Nos dias quentes de verão, quando a vaca não pasta como se gostaria mas come seu concentrado, também se pode cair nesse problema. No SIPS eu ensino como evitar isso, tranquilamente.

Todo esse quadro acima leva a uma acidose ruminal e, se continuar, também aparece laminite. Tipicamente tu deves ter vacas que ora comem bem, ora não. Como a gordura que relatas é muito baixa, é provável, inclusive que no esterco delas contenha muco (uma gosma em fios) que se desprende das paredes do intestino (popular "raspa de tripa"). O esterco delas estará um 2 (mole, pendendo a líquido) numa escala de 1 (diarreia) a 5 (duro e embolado). Repara o esterco como está e, com uma varinha fina, passa no esterco e vê se localiza esse muco brilhoso.

O teu problema antes da penalização no pagamento é queda em produção e vai acarretar em condição corporal baixa e até mesmo problemas de reprodução. O consumo errático também levará a casos de cetose (vacas apresentarão quadro de aceto-acidose). Teu caso é grave e necessita ação HOJE, pois estás perdendo muito dinheiro! A boa notícia é que se for de ordem nutricional mesmo, é de fácil solução (exceção seria numa seca, sem volumoso disponível).

SOLUÇÃO: aumentar a proporção de fibra efetiva na dieta. Identificar porque elas não estão comendo suficiente volumoso; verificar a qualidade da fibra; se for o caso, diminuir algum alimento gorduroso sendo usado; inicialmente diminuir concentrado até que elas retomem consumo normal de volumoso.

Sem ver teu rebanho, o esterco delas, os alimentos e suas quantidades, comportamento animal etc., são essas as ponderações.

Espero ter ajudado. Serve como exemplo de consulta.