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Qual a constituição da fibra dos volumosos?

POR RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

E THIAGO BERNARDES

THIAGO FERNANDES BERNARDES

EM 04/01/2011

3 MIN DE LEITURA

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A avaliação quantitativa e, sobretudo a qualitativa da parede celular dos vegetais está fortemente relacionada com as características morfológicas da planta, sendo este efeito manifestado pelo porte, resistência e características peculiares a cada vegetal. Quanto à alimentação animal, a parede celular representa o principal substrato para ruminantes, uma vez que a microbiota existente em um dos compartimentos estomacais destes animais utilizam estes carboidratos estruturais para sintetizar compostos orgânicos, sendo estes posteriormente absorvidos e utilizados como fonte de energia para os mesmos.

No entanto, em regiões de clima temperado, a ótica da fibra dos alimentos é um pouco diferente, visto que em sistemas de produção intensivos (confinamentos com dietas ricas em concentrados) a fibra é fornecida com o intuito de manutenção da função ruminal.

Assim, o conhecimento sobre quantidade e tipo de fibra existente na dieta dos animais, pode ser usado como uma ferramenta auxiliar para nutricionistas na formulação de dietas mais próximas do ideal, culminando em adequado desempenho animal. A parede celular de uma planta é composta basicamente por carboidratos estruturais (celulose e hemicelulose) e também por lignina. Outros compostos orgânicos como proteínas e pectina, ou inorgânicos como a sílica, também podem estar presentes na parede e/ou na lamela média.

Durante o crescimento da planta, a parede celular modifica-se gradualmente de acordo com as necessidades fisiológicas e/ou estímulos externos sofridos durante este período, podendo esta porção tornar-se mais espessa e impregnada por lignina, sendo este fenômeno uma característica da formação da parede secundária.

Sem dúvidas, a celulose é o principal carboidrato estrutural presente na parede celular. Pode representar cerca de 10 a 30% da matéria seca (MS) de forragens. Exceto na aveia (10% da MS), a maioria dos cereais possuem uma pequena porção deste elemento em sua constituição (1 a 5% da MS). A celulose é um polímero de D-glucose unido por ligações  1-4 (beta), estando disposta principalmente na forma cristalina, fase esta que proporciona maior resistência contra o rompimento da estrutura provocado por soluções químicas.

Assim, pode-se dizer que a celulose é solúvel e parcialmente hidrolisável em soluções de ácidos minerais fortes (hidrofluórico anidro, sulfúrico 72%, hidroclórico 40% ou fosfórico 84%) e amônia líquida; e insolúvel em água, solventes orgânicos e ácido nítrico. Apesar das soluções básicas serem incapazes de dissolver a celulose, proporcionam uma expansão da estrutura que leva ao rompimento das ligações de hidrogênio entre as cadeias de polissacarídeos.

A hemicelulose também é um carboidrato estrutural encontrado na parede celular, podendo apresentar níveis compreendidos entre 10 e 25% da MS de forragens e subprodutos agro-industriais. Pode ser composto por diferentes ligações do tipo  (1-4 e 1-3) e  (alfa) (1-4 e 1-3). Este polissacarídeo é amorfo, e por esta razão, possui uma menor resistência à solubilidade e hidrólise do que a celulose.

A pectina é um polissacarídeo amorfo formado principalmente por polímeros de ácido galacturônico encontrado na lamela média. Pode ser extraída por água fervente, diluição com ácido a frio, soluções ferventes contendo agentes quelatantes tais como oxalato de amônio ou ácido etilenodiaminatetracético (EDTA).

A lignina é um polímero tridimensional com estrutura complexa, sendo o terceiro constituinte mais comum da parede celular. Conteúdos menores que 5% da MS são encontrados na maioria dos concentrados e forragens jovens, porém, níveis de até 12% da MS podem ser observados, contribuindo para um fortalecimento da parede.

Outros constituintes tais como: minerais como a sílica presente em folhas de gramíneas ou por contaminantes externos como partículas de solo; ácidos fenólicos (p-cumárico, ferúlico e diferúlico); proteínas; células da epiderme e taninos condensados (proanthoacinidin), também estão presentes na constituição da parede celular, porém, em menor quantidade. Os taninos condensados, lignina e proteínas indigestíveis estão intimamente relacionados, pois representam complexos indigestíveis comuns aos vegetais.

RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

Zootecnista pela Unesp/Jaboticabal.
Mestre e Doutor em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ/USP.
Gerente de Nutrição na DeLaval.
www.facebook.com.br/doctorsilage

THIAGO BERNARDES

Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG.
www.tfbernardes.com

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RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 18/01/2011

Prezado Luciano M. Redu,

A parede celular dos vegetais, naturalmente irá ser modificada de acordo com as alterações na sua idade, ou seja, quanto mais velha a planta, maior porção fibrosa irá aparecer e, além disso, o arranjo entre as moléculas poderá prejudicar ainda mais a digestibilidade do alimento.

Alguns tratamentos para hidrolise de fibra são conhecidos, como por exemplo o hidróxido de sódio e cal virgem. Que teoricamente quebram essas móleculas levando-as como porção de carboidratos solúveis e dessa forma, aumentando a qualidade do alimento. Porém, esses tratamentos podem elevar custos, ser prejudiciais para saúde humana e muitas vezes "funcionam na teoria". Quando do momento de aplica-lo na práica, os benefícios são pequenos e não se justificam.

Atenciosamente

Rafael e Thiago
LUCIANO M. REDU

OUTRO - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/01/2011

existem meios de se obter um melhor aproveitamento desta energia(celulose-hemicelulose e pectina)oriunda dos volumosos ou somente o momento de corte da palnta influencia na melhor absorção desta fonte de energia?
NATALINO RASQUINHO - ZOOTECNISTA UNEAL

NOVA ODESSA - SÃO PAULO

EM 04/01/2011

Como sempre, informações importantíssimas para técnicos e produtores.

Parabéns.

Devemos considerar que estes constituintes como citado pelos autores estão presentes nos vegetais ou na parede celular dos vegetais (PCV) em maior ou menor intensidade em detrimento da maturidade da planta. Daí a importância do momento ideal do corte para a ensilagem ou fornecimento "in natura" do material.

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