Potencializando o uso da cana-de-açúcar como capineira
Como período de estiagem está se iniciando na região Centro-Sul do nosso país, o uso da cana-de-açúcar (colhida fresca) na dieta de ruminantes cresce em função: i) da adversidade climática e ii) do processo de maturação (acumulo de açúcares) que as plantas sofrem.Desse modo, seguem algumas recomendações para potencializar o uso dessa cultura no manejo da fazenda:[...]
Publicado em: - 3 minutos de leitura
1. Qual a melhor variedade de cana-de-açúcar para a alimentação animal?
Resposta: A variedade que têm mudas disponíveis e que possui bom desempenho agronômico na sua região. O que resolveria se eu lhe dissesse que a variedade XX XXXX é a ideal, a qual não apresenta mudas disponíveis para o plantio ao longo dos anos? Portanto, se a sua propriedade se encontra numa zona sucroalcooleira, utilize as variedades que a usina recomenda aos seus fornecedores (produtores) que os seus animais estarão bem servidos.
2. Quantas variedades devem fazer parte do canavial?
Resposta: Pelo menos duas variedades, o ideal é três. Essa recomendação pode ser fundamentada no conceito que as usinas utilizam sobre o Período de Utilização Industrial (PUI), ou seja, as mesmas exploram as variedades de cana-de-açúcar com base em maturação (precoce, média ou tardia). Desse modo, o pecuarista poderia utilizar a denominação PUA (Período de Utilização Animal), colhendo as variedades nos respectivos picos de sacarose, as quais apresentariam maior valor nutricional.
3. Quando se usa a cana-de-açúcar na forma in natura (fresca) é necessário adicionar cal?
Resposta: NÃO. A cal só dificulta o manejo na maioria das propriedades, pois é um fator a mais a ser embutido no dia-a-dia da fazenda. A justificativa para se utilizar cal é para reduzir a frequência de cortes. Contudo, nós recomendamos que você estoque cana-de-açúcar sem fazer a moagem, por um período de até seis dias, o que pode facilitar o manejo. A outra justificativa para tal uso é o discurso que a cal promove hidrólise da fibra. Veja bem, o que queremos da planta de cana é o seu alto teor de sacarose, ou seja, não estamos preocupados em melhorar fibra. Cana-de-açúcar tem baixa concentração desse componente (FDN entre 45-50%; Capim-Elefante, por exemplo apresenta 70%), contudo a fibra presente é de baixa digestibilidade. Desse modo, teremos que conviver com isso e adequar o seu uso de acordo com a categoria animal. Caso você queira explorar o que a cana-de-açúcar tem de positivo, faça um bom manejo do seu canavial, explorando o pico de maturação das variedades. Além desta estratégia invista em manejo pós-corte, despalhando os colmos. Em experimentos realizados na Universidade Federal de Lavras, Siécola Júnior (2011), encontrou resposta positiva em ganho de peso de novilhas leiteiras quando a planta despalhada foi comparada com a cana integral (palhas e ponteiro). Em outro estudo do mesmo autor, a cana despalhada tendeu a aumentar a digestibilidade da dieta e as vacas apresentaram produção de leite numericamente superior frente à cana integral (com palhas e ponteiro). Isso nos remete a pensar que a gestão do canavial e do pós-corte é essencial quando se deseja elevar a eficiência com dietas a base de cana. Resumindo: A cal não melhora o valor nutricional do volumoso!
4. A cana-de-açúcar, obrigatoriamente, deve ser utilizada com uréia?
Resposta: NÃO. A uréia é apenas um ingrediente fornecedor de nitrogênio (proteína bruta). Outros ingredientes protéicos (farelo de soja; caroço de algodão) podem e devem ser utilizados na dieta com cana, principalmente para animais de maior exigência nutricional. Por muito tempo a “receita” cana + uréia + sulfato de amônio foi recomendada. Ao adicionar 1% dessa mistura (uréia+sulfato) à cana e oferecer aos animais, você estará ofertando a eles uma dieta que será capaz de promover desempenho animal medíocre, além de exceder a quantidade de nitrogênio não proteico (NNP) que o animal é capaz de metabolizar. Portanto, a uréia é apenas um ingrediente de rações como os demais apontados acima são. Ela se diferencia deles por ofertar NNP e não proteína verdadeira. A sua inserção na dieta pode ser importante apenas quando se quer ajustar o fornecimento desta fração (NNP) no ambiente ruminal.
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Material escrito por:
Thiago Bernardes
Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG. www.tfbernardes.com
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ITATIBA - SÃO PAULO - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS
EM 02/12/2015

CATANDUVA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 15/06/2015
GOSTARIA DE SABER SE EM UM CONFINAMENTO COMPOST BARN , EU CONSIGO MANTER PRODUÇÃO ACIMA DE 25 LT DIA FORNECENDO A CANA-DE-AÇÚCAR IN NATURA OU SILAGEM DE CANA , JUNTAMENTE COM RAÇÃO BALANCEADA, NA PROPORÇÃO DE 1 KG DE RAÇÃO PARA CADA 3 LT LEITE. ?

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL
EM 09/06/2015
sua função no Milk Point.Já está esclarecido.Eu também fui extensionista pela Nestlé Bahia durante 8 anos ,era responsável pela execução do programa de assistência técnica no sul da Bahia. Porem sou descendente de família de pequenos pecuarista e agricultores no Ceará,minha terra natal.
Meu Pai era líder Rural e me ensinou a tratar a classe dele com carinho.
Conclui meu curso de Veterinária pela UFMG em 1974.Agora estou aponsentado porem trabalhando para meu filho que por ser Medico não tem tempo. Arrendamos uma fazenda aqui em Campo Grande MS local que escolhemos para lidar com pecuária de corte.
Trabalhei nesta outra atividade durante os últimos 30 anos no sul da Bahia. Implantei a seminação artificial em 72 propriedade durante todo esse tempo. Tenho muito orgulho desta profissão a exercerei até o fim da vida. Tenho 71 anos e ainda sou uma criança para aprender muita coisa com vocês todos. Conte com meu apoio sempre.Garanto que não vou mais lhe atrapalhar.
Muito grato Dr Tiago ;Abrahão
LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 08/06/2015
Eu compreendo a sua posição como produtor e consultor, contudo o espaço aqui é para discutir assuntos relacionados a suplementação volumosa (capineiras, silagens). Sobre uso do pasto é em outra sessão.
Entenda que eu não estou preconizando tecnologia, eu apenas sou o colunista deste espaço, contratado pelo site para publicar matérias sobre volumosos.
Se você fizer uma pesquisa rápida no site verá que eu, a todo momento, tento publicar matérias, as quais auxiliam o produtor rural. Sou um apoiador desta classe.
Como pesquisador, eu poderia me abster sobre o assunto cana com uréia, mas pelo contrário, coloco minha 'cara a tapa' e mostro publicamente que determinadas técnicas estão ultrapassadas.
Portanto, não induzo ninguém a adoção de técnicas caras ou ineficientes. Apenas exerço o meu trabalho procurando realizar um pouco de extensão rural por meio do site.
Att,
Thiago Bernardes
LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 08/06/2015
Recomendações existiram, mas pense que os tempos caminham e a ciência vai descobrindo novos rumos. O que era 'verdadeiro' há 30 anos atrás pode não ser agora e assim sucessivamente. Nutrição animal é biologia e em biologia não existe regra, receita, pacote.... Em biologia 1+1 pode não ser 2.
Att,
Thiago Bernardes

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL
EM 08/06/2015
para o crescimento econômico da atividade pecuária pelo Brasil a fora.É com educação
básica para todos.Posso afirmar que a grande maioria frequentam frequentam mais as
casas de ração e de farmácia duque as de sementes e adubo .Este assunto ureia não estaria gerando tantas perguntas e duvidas como agora. Estou engordando novilhas
há 70 dias com GMD 948 gramas ás custas de um bom manejo e uma suplementação
mineral proteinada .Nossos pecuaristas são induzidos às alternativas cara de ,de custo
elevado e de certa forma nociva para ,diminuindo a vida ´útil do rebanho principalmente
vacas de alta produção.A alternativa pasto deve-se esgotar primeiro para depois lançar
mão desses artifícios. Vejamos o grande exemplo do bem sucedido programa Balde Cheio.Que Deus dê muitos anos de vida ao Dr Artur Chinelato precursor desta técnica
BALDIM - MINAS GERAIS - ESTUDANTE
EM 08/06/2015
Com relação à utilização de cana + uréia, existe um trabalho da Epamig que trata sobre o tema e está disponível em : file:///C:/Users/aluno/Downloads/serie_mais_alimentos_concetrado_minerais_epamig.pdf
Minha dúvida é: A utilização destas formulações atende em parte ao propósito de sua postagem?

BOM DESPACHO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 08/06/2015

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL
EM 08/06/2015
A primeira foi como aditivo proteico nas misturas minerais ,campanha até de órgãos publico,isto já faz varias décadas,
Ureia na cana de açúcar ,recomendado pelo CNPGL de Juiz de Fora MG,
Ureia no farelo de milho idem ,ureia no melaço de cana,ureia na ensilagem de milho a 0,05% por tonelada de material picado em borrifamento,ureia na formulação de ração .
Caro Dr Tiago; se não estivermos interpretando corretamente suas afirmações ; solicito esclarecer seus comentários atenciosamente ,Abrahão ,veterinário auto-nomo.
LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 08/06/2015
Primeiro eu peço calma! Segundo eu peço bom senso!
Agora que vocês estão mais calmos e que entenderam que as situações devem ter bom senso eu retomo a minha fala.
Por favor vejam a resposta que dei ao Fernando. A uréia pode sim ser utilizada, mas a mesma tem um limite para que seja inserida na dieta e que mantenha/aumente a produção. Ocorre que o 'pacotão' foi colocado no mercado há dezenas de anos e até poucos anos atrás ninguém dizia nada a respeito, simplesmente recomendava. Contudo, não podemos continuar com esta recomendação para TODOS os casos, pois há alternativas mais eficientes. Ocorre que os técnicos e os produtores quando pensam em cana pensam também em uréia, mas nem sempre é assim. Alguns produtores podem se tornar mais eficientes fazendo uso de cana com outros ingredientes proteicos associados a uréia ou não, este é o recado. Uréia é uma fonte de NNP, contudo na quantidade recomendada (1% da matéria verde) excede a capacidade de utilização das bactérias ruminais. Trocando em miúdos: É muita uréia para um animal. Mesmo utilizando parte desta quantidade, somente a fonte NNP não garante aminoácidos a maximização do crescimento microbiano e nem do aporte de proteína metabolizável aos animais (aqueles com genética para mais de 10 kg de leite por dia). Por isso, cana + 1% de uréia é uma ferramenta limitada.
Att,
Thiago Bernardes

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL
EM 07/06/2015
Caro Professor, esclareça este comentario que Fiz .Pois são mais de 40 anos que estudei na Universidade.Hoje estou no campo recomendando o uso da UREIA
Atencisamente. Abrahão
LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 07/06/2015
A sua afirmação foi muito utilizada no passado pelos defensores da famosa cana com uréia, porque muitos pensaram de forma micro e não macro e vou te dizer os motivos:
1) Uréia não melhora digestibilidade da cana-de-açúcar como divulgado. Não há uma publicação científica de peso que confirme essa hipótese.
2) Uréia pode sim ser fornecida exclusivamente, mas desde que o animal não produza mais de 10 kg de leite por dia. Caso ele tenha potencial para mais por que não introduzir outros ingredientes na dieta? A dieta irá fica mais cara? Sim, irá! Mas pense que uma relação de custo benefício. O produtor gasta mais com concentrados, mas produz mais leite, ou seja, ele aumenta eficiência na fazenda.
Os defensores da uréia até hoje não disseram que a uréia limita a produção de leite caso o animal tenha potencial para mais. Isso deveria ser relatado ao produtor.
Perceba também que a uréia não deve ser eliminada da dieta pois é uma ótima fonte de NNP. É simplesmente uma questão de compreensão de como balancear a dieta dos animais.
Att,
Thiago Bernardes
LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 07/06/2015
Se você inserir os dados de composição química da cana de açúcar associada somente com uréia numa planilha para balancear a dieta de bovinos leiteiros é possível perceber que o desempenho vai ficar limitado (10-12 kg leite/dia). Ou seja, não há necessidade de se desenvolver trabalhos científicos para se determinar isso. Um outro cenário seria associar a cana a outras fontes de proteína verdadeira podendo ou não associar também a uréia o que potencializaria a produção de leite das vacas.
O Brasil ficou e ainda continua 'patinando' nessa recomendação (cana + uréia), o que atrasa o desenvolvimento da pecuária leiteira brasileira.
É simplesmente uma questão de compreensão de como balancear a dieta dos animais.
Att,
Thiago Bernardes
LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 07/06/2015
A silagem de cana é uma alternativa para o manejo da capineira. Pesquisas brasileiras fizeram com que essa técnica evoluísse muito nos últimos anos. Contudo, não é recomendado para a todas as propriedades, ou seja, o produtor precisa ter estrutura física, de maquinários e de mão de obra para que a ensilagem tenha sucesso.
Att,
Thiago Bernardes

BARRA MANSA - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 06/06/2015

ITUIUTABA - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 06/06/2015
bom artigo. Discordo no tocante a abordagem sobre uso da ureia. A ureia é excelente alimento para ruminantes e o custo do kg da proteína bruta proveniente da ureia é de 3 a 4 vezes menor que a proteína do farelo de soja. Portanto temos que utilizar primeiro a ureia até o limite permitido pelo balanceamento da dieta, somente depois entrar com farelo de soja. Da forma que você colocou pareceu que ureia não poderia ser utilizada por ser uma fonte de NNP. Mas uma das vantagens dos ruminantes é aproveitar de maneira eficiente o NNP e transformá-lo em proteína nobre (bactérias ruminais).
CARRANCAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 05/06/2015

JABOTICABAL - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE
EM 02/06/2015

SACRAMENTO - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 02/06/2015
Esclarecedora sua abordagem sobre o uso de cana na nutrição de ruminantes, porém, no tópico 4, referente ao uso de cana + ureia, vários trabalhos comprovam que o uso de ureia misturada com cana, além de fornecer NNP como dito, melhora a digestibilidade da fibra, melhorando assim o aproveitamento do volumoso fornecido, diminuindo a taxa de passagem e aumentando o consumo de MS, onde há melhores resultados produtivos e zootécnicos.
Gostaria que esclarecesse melhor essa abordagem, já que esse tipo de alimentação é utilizado em várias propriedades e proporcionam relativamente um custo baixo, sendo esta aliada a uma suplementação (ração comercial; milho; caroço de algodão; farelo de soja, etc), suprindo as exigências nutricionais de grande parte do rebanho leiteiro e fazendo com que os mesmos expressem seu potencial genético.

LINS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 02/06/2015
mais pasto-- depois vou aumentando com a seca-- + ureia também--
essa cevada de cervejaria e um bom produto-?