Penetração de oxigênio no silo: reflexões sobre o tema
A conservação da forragem na forma de silagem é caracterizada pela fermentação lática espontânea que ocorre em ambiente anaeróbio.
Quanto aos fatores ligados à acidificação da massa, estes são obtidos quando ocorre predominantemente fermentação homolática (Driehuis et al., 1999) e podem ser alcançados com facilidade, por exemplo, na cultura do milho, devido às suas características desejáveis relacionadas a capacidade de fermentação (alta concentração de carboidratos solúveis, baixo poder tamponante e umidade reduzida) (Allen et al., 2003).
O contato da massa com o oxigênio é inevitável durante algumas fases que compreendem o processo de ensilagem (abastecimento do silo, armazenamento e desabastecimento). Segundo Sprague (1974), citado por Woolford (1990) e Pahlow et al. (2003), em um silo bem fechado o O2 presente na massa é consumido rapidamente pelo processo de respiração celular e pela microbiota (microrganismos aeróbios facultativos), pois em 15 minutos cerca de 90% do oxigênio é removido e menos de 0,5% permanece após 30 minutos. Pelo fato do silo não ser ambiente hermético, durante o período de armazenamento o ar penetra no seu interior (Muck et al., 2003), principalmente no topo e nas zonas laterais em contato com a parede (Bolsen et al., 1993), sendo que este problema pode se agravar, sobretudo durante o fornecimento da silagem aos animais (Honig, 1991). A presença de O2 desencadeia a proliferação de microrganismos indesejáveis presentes na massa (leveduras, fungos e bactérias aeróbias) que se desenvolvem a cargo de substâncias energéticas presentes na forragem, acarretando em perdas no valor nutritivo da silagem e redução do consumo pelos animais (Lindgren et al., 1985).
Segundo Bernardes et al. (2005), no Brasil, devido a inobservância dos processos de oxidação de nutrientes pelos microrganismos aeróbios e a, conseqüente, deterioração da silagem, pouca importância tem-se dado na prática, por se tratar na maioria das vezes de um problema assintomático. A impossibilidade de mensurar as perdas totais por manejo inadequado que ocorre nas propriedades rurais e a dificuldade de as determinarem quantitativa e qualitativamente por meio de trabalhos experimentais, resultam em falta do estímulo à percepção e à divulgação de resultados para a economia de produção. Dificilmente os produtores acreditam em perdas elevadas pelo problema de oxidação da massa, pois só consideram aquelas que são visíveis (com presença de fungos), o que subestima as reais perdas envolvidas na ensilagem (Siqueira et al., 2005).
O alvo dos trabalhos até o momento sobre deterioração aeróbia inclui a utilização de ácidos durante a ensilagem (Mills & Kung, 2002), doses de amônia e uréia (Hill & Leaver, 2002), emurchecimento e/ou adição de inoculante microbiano (Castro et al., 2006), aditivos absorventes e disponibilizadores de substrato (Bernardes et al., 2003), bem como métodos de alteração da fermentação com a utilização de bactérias heteroláticas produtoras de acetato e/ou propionato (Higginbotham et al., 1998; Driehuis et al., 2001).
O tema deterioração aeróbia não se limita as questões relacionadas com as perdas, porque o desenvolvimento de microrganismos, como algumas espécies de bactérias (,i>Bacillus, Clostridium e Listeria) e alguns fungos filamentosos podem influenciar nos aspectos ligados a qualidade higiênica da silagem (Lindgren et al., 2002). A multiplicação de clostrideos pode reduzir a qualidade do leite e de inviabilizar a produção de determinados tipos de queijo. O crescimento de fungos pode vir acompanhado pela produção de micotoxinas na massa. Dessa forma, os animais que são alimentados com grandes proporções de silagem na ração (vacas leiteiras) podem intoxicar-se, causando efeitos diretos ao seu desempenho e colocando em risco a saúde humana que utiliza alimentos de origem animal ao longo da cadeia alimentar (Whitlow & Hagler Jr., 1997).
Por estas razões, se faz necessário colocar em ação todas as estratégias para reduzir a penetração de O2 no silo, evitando seus efeitos deletérios, tanto de ordem nutricional como sanitária, durante o armazenamento ou durante o consumo da silagem.
Material escrito por:
Rafael Camargo do Amaral
Zootecnista pela Unesp/Jaboticabal. Mestre e Doutor em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ/USP. Gerente de Nutrição na DeLaval. www.facebook.com.br/doctorsilage
Acessar todos os materiaisThiago Bernardes
Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG. www.tfbernardes.com
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LUCAS DO RIO VERDE - MATO GROSSO - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE
EM 24/05/2008
Parabéns pela matéria.
Esse material veio ampliar e muito com meus conhecimentos práticos. Atualmente estamos fazendo silagem de milho. Na teoria parece tudo muito fácil, mas na prática é bem diferente, sempre temos problemas, principalmente em relação a compactação, quantidade de trator (toneladas) suficiente para compactar a massa verde que chega por hora no silo.
Trabalhamos com peso de trator referente a 40% da massa verde cortada por hora e 20% a mais de compactação sobre a quantidade de hora cortada ao dia.
Essa técnica tem nos mostrado um resultado execelente. Além de uma boa compactação a vedação é outro ponto muito importante, que realmente pode compremeter toda a qualidade da silagem.
Trabalhamos com silos de superfície no tamanho grande, para otimizar o espaço próximo a fábrica de ração e em função da quantidade de bois que serão confinados. Observamos também que o controle é um dos fatores essênciais para se ter eficiência em qualquer atividade, por isso pesamos as primeiras cargas para ter uma amostragem do peso e anotamos todas as cargas descarregas nos silos e em cima disso fazemos controle do peso necessário para compactação.
Esse artigo é o material que precisava para melhorar meus conhecimentos teóricos, de forma que possa aplicá-lo no dia a dia do meu trabalho.
Obrigado e um grande abraço.

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 21/05/2008
Um grande abraço.

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 12/05/2008
Obrigado.

CONSTANTINA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 08/05/2008
Concordo plenamente que dietas devem ser formuladas por pessoas capacitadas. Não entendo a sua colocação quando você fala que a silagem de 2 cm pode ser a única fonte de fibra e fala de uma relação de concentrado volumoso. Para esclarecer um pouco mais minhas colocações quando falei da necessidade de termos mais fibra além da silagem de 2cm, cito o caso hipotético de uma dieta de vacas em confinamento em que a alimentação é exclusiva de silagem e concentrado (milho + farelo de soja). Com certeza em lotes de alta produção onde o consumo de ração é maior (10-12 Kg), não acredito que as vacas poderão resistir por muitos dias sem que haja problemas de casco, deslocamento de abomaso entre outros. Com certeza em casos que utiliza-se outros volumosos como a pastagem por exemplo, poderemos compensar a deficiência da silagem. Se existirem vacas que suportam dietas em que as maiores partículas são de 2 cm gostaria de conhecê-las.
Um abraço a todos.

REGISTRO - SÃO PAULO - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS
EM 08/05/2008

CONSTANTINA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 06/05/2008
Pelo que descreve o autor deste texto o principal vilão da conservação da silagem é a presença de Oxigênio no silo, principalmente por não conseguirmos vedar completamente a entrada de ar no silo. Pelo que tenho observado a campo as perdas visuais de silagem são grandes em muitas propriedades e com certeza se analisarmos os valores de oxidação da massa constataremos uma triste realidade, além é claro dos microorganismos indesejáveis que acabam se desenvolvendo e causando inúmeros problemas nos animais alimentados, principalmente em se tratando de problemas reprodutivos.
Vejo que um dos principais fatores que influenciam na manutenção da qualidade da nossa silagem é a compactação do silo, influenciada pelo mau dimensionamento, pela compactação inadequada e principalmente pelo tamanho de partículas. Este último fator, classifico como o mais importante, e para mim acaba tornando-se um paradigma. Acredito que seja de comum acordo que se tivermos uma parcela das partículas maiores (5 a 10 Cm) nossas vacas irão agradecer pois teremos uma melhor saúde ruminal, mas é de conhecimento de todos os que já acompanharam o processo de ensilagem do milho por exemplo que sempre que tivermos partículas superiores a 2-3 cm a compactação torna-se complicada e as perdas aumentam gradativamente. Talvez para minimizarmos este problema precisaremos de melhores híbridos, com um período de corte maior, proporcionando mais tempo para se realizar a colheita adequada (principalmente em casos de intempéries climáticas), mas com certeza o principal fator que influencia para que conseguimos produzir partículas menores é termos máquinas em boas condições e que desempenhem um bom trabalho. Vejo que este é um grande problema dos nossos produtores.
Atualmente tenho preferido orientar e confeccionar silagem com pequenas partículas (2-3 cm) para que se possa compactar melhor e ter menores perdas, no entanto no momento de balancear a dieta geralmente precisa-se incluir algum outro produto (feno por exemplo) que forneça uma maior quantidade de fibras. Bem é um tema muito amplo e com certeza este tipo de debate esclarece algumas dúvidas e com certeza cria outras, mas faz parte.
Grande abraço a todos.

PORTO VELHO - RONDÔNIA - PESQUISA/ENSINO
EM 28/04/2008
Parabéns pelo artigo! Muito Bom!

MÍDIA ESPECIALIZADA/IMPRENSA
EM 28/04/2008
Esse artigo veio ilucidar o vago conhecimento que temos sobre como melhor conservar a silagem. Estamos gratos pelo artigo, parabens

BOM JESUS DA LAPA - BAHIA
EM 18/04/2008
Parabéns!
Kalil Salles Filho - Engº Agrônomo.