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Nota de esclarecimento: silagem de grãos de milho não mata o rebanho

POR THIAGO BERNARDES

THIAGO FERNANDES BERNARDES

EM 14/08/2017

2 MIN DE LEITURA

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No último domingo (13/08/2017) foi exibida uma matéria em rede nacional, a qual se tratava das mortes de bovinos ocorridas em uma propriedade no município de Ribas do Rio Pardo, MS. Segundo a reportagem, amostras dos alimentos utilizados na ração dos animais foram encaminhadas aos laboratórios da região e a toxina botulínica foi encontrada na silagem de grãos de milho, o que pode ter levado os bovinos a óbito. Desse modo, foi concluído pela reportagem, que este tipo de silagem é considerado uma ‘armadilha’ para os produtores e que este tipo de alimento não deve ser utilizado no plano alimentar das propriedades rurais.

Infelizmente, esta foi uma afirmação desastrosa e completamente sem fundamentos. A silagem de grãos úmidos é uma técnica utilizada pelos pecuaristas de todo o mundo. No Brasil, a sua importância é destacada porque a maioria dos grãos de milho possui baixa digestibilidade do amido, devido ao tipo de endosperma que os grãos apresentam (tipo duro). Com a fermentação dos grãos por meio da ensilagem, o amido se torna mais digestível, o que eleva a eficiência de uso do alimento, ou seja, o animal come menos, mas produz mais porque o alimento é melhor aproveitado.

Com relação a silagem de grãos reidratados, existe ainda uma outra vantagem que é do ponto de vista econômico, pois os grãos podem ser comprados em períodos de alta oferta, ou seja, quando os preços estão mais baixos.

A presença da toxina na silagem pode ter ocorrido pela contaminação de carcaça de origem animal (Exemplo: rato morto e em decomposição). Casos semelhantes ocorreram nos Estados Unidos e em Israel, onde mais de 500 bovinos morreram, devido à toxina botulínica. Nestes casos, a carcaça de um animal e as fezes de aves contaminaram um ingrediente utilizado na ração. Assim como ocorreu no Brasil, como vários alimentos compõem a dieta dos animais e estes são misturados em grande volume diariamente, basta um deles estar contaminado que as mortes por intoxicação podem ocorrer, pois 1 g da toxina purificada é capaz de matar 10 milhões de indivíduos. Desse modo, é importante estar atento a possíveis fontes de contaminação de todos os ingredientes da ração, não só da silagem.

Portanto, a conclusão de que a silagem de grãos é ‘armadilha’ para os produtores NÃO é correta. A mesma é preconizada por professores/pesquisadores que desenvolvem estudos na área e que vem sendo muito bem utilizada por nutricionistas e produtores brasileiros.
 

THIAGO BERNARDES

Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG.
www.tfbernardes.com

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ELISÂNGELA FREITAS

ITAJAÍ - SANTA CATARINA

EM 27/08/2019

Bom dia, aqui na Fazenda está acontecendo uma grande mortandade de gado no confinamento. Qual motivo pode estar causando a morte desses animais? A maioria pesa na média800 kilo. Veterinário foi chamado fez lavagem, porém hj pela manhã já morreram mais3 estamos desesperados não sabemos mais qual atitude tomar.
FRANCISCO CAMILO DOS SANTOS FILHO

ABEL FIGUEIREDO - PARÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 17/08/2017

ACREDITO Q TENHA SIDO UMA FALA MAL CONDUZIDA DO PESQUISADOR E QUANTO A GLOBO, É SEMPRE TENDE PARA O LADO DA CONTROVÉRSIA, OU SEJA PROVOCAR CONFUSÃO NA CABEÇA DO POVO, POIS SILAGEM DE MILHO SEMPRE FOI UTILIZADA E TODO TÉCNICO COM O MÍNIMO DE CONHECIMENTO SABE QUE QUALQUER VACILO NA ELABORAÇÃO E ACONDICIONAMENTO DA SILAGEM E SEUS COMPONENTES PODE GERAR PROBLEMAS. SE PARA UM PEQUENO REBANHO PODE OCORRER CONTAMINAÇÃO, IMAGINEM PARA UM NÚMERO DESSE.
RAQUEL MARIA CURY RODRIGUES

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 17/08/2017

Pessoal, bom dia.



Conforme comentário acima enviado, segue link para o site da Embrapa Gado de Corte, portal no qual se encontra a nota de esclarecimento da instituição sobre o assunto: http://www.embrapa.br/gado-de-corte.



Obrigada! Abraços,
EMBRAPA GADO DE CORTE

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 16/08/2017

Prezados, boa tarde! Leiam, por gentileza, detalhamentos da Embrapa  Gado de Corte sobre o assunto: http://www.embrapa.br/gado-de-corte. Sds.
ANDERSON MAGNO DE AGUIAR

INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 16/08/2017

Quando sair os resultados laboratoriais dos materiais que foram encaminhados para análises, eu duvido que a Globo volte novamente a fazenda pra apresentar os resultados.
EDVANDO CABRAL

PARAUAPEBAS - PARÁ - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 16/08/2017

Infelizmente nossa mídia continua a deturpar os fatos, o fato do produtor não ter feito o certo, não dá o direito de falar mal de um alimento usado a tanto tempo, se assim fosse, quem não limpa a caixa dágua da sua casa pode achar que água faz mal a saúde  
EVA ELOISA FORMAGIO EVA

EM 16/08/2017

Gostei muito da explicação. Ótima matéria
CAHLIL LOBO FAGUNDES

JEQUIÉ - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 16/08/2017

Bom dia caros, reforço a pergunta de Jose Mauricio: e a vacinação? não seria capaz de evitar o problema?



att.
DENIS TEIXEIRA DA ROCHA

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 16/08/2017

Nota de Esclarecimento da Embrapa está disponível no site https://www.embrapa.br/gado-de-corte.



Para acesso direto à Nota: file:///C:/Users/embrapa/Downloads/Esclarecimento%20-%20Silagem%20e%20Botulismo.pdf
HELTON HIPOLITO DE MORAES

SÃO PAULO - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 16/08/2017

E a vigilância sanitária animal Goiana  já se pronunciou sobre os relatórios devidos onde fatalmente estarão provadas quais os "produtos" que foram adicionados ao alimento fornecido no cocho dos animais que morreram ??? Será que a verdade prevalecerá ou o poderio economico do grupo em questão, abafará o caso ??? Nada sei, mas sei que na região em que estão instaladas as fazendas do grupo existem muitas granjas avícolas. Como bem sei o quanto o ser humano insiste em economizar recursos em desfavor da população, isso em todo as as instâncias e órgãos. Aqui em São Paulo mesmo, na região de Itapetininga, sempre que percorro fazendas e sítios, vejo montanhas de cama de aviário amontoadas perto dos cochos, pergunto e me respondem que será utilizada nas pastagens !!! Aí eu faço a denúncia para a fiscalização sanitária local, mas tudo fica como sempre, parece que a corrupção sempre está na dianteira da verdade e honestidade. Pobre Brasil 
JOSE MAURICIO MOREIRA FILHO

LAGOA DA PRATA - MINAS GERAIS

EM 15/08/2017

Boa noite a todos! De muita importancia neste momento um artigo esclarecedor como este, parabens ao autor. Mas uma observacao, ninguem mencionou sobre a vacinacao. Seria possivel que a qantidade de contaminante fosse tao grande que a imunizacao dada pela vacina seria insuficiente?
JUNIOR SALDANHA

SÃO CARLOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/08/2017

Concordo..uma vergonha para a instituição "Embrapa"
PAULO CESAR DIAS THOMAZELLA

SOROCABA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 15/08/2017

Boa Noite!

Li a reportagem sobre o pesquisador da EMBRAPA.Uma das empresas de pesquisa agropecuária de maior respeito no mundo.Quanta matéria que li e na prática me ajudou muito.Obrigado.
ANTONIO CARLOS GOMES

SANTA MARIA - RIO GRANDE DO SUL

EM 15/08/2017

Boa tarde a todos,



Uma pergunta: e a EMBRAPA como instituição renomada que é, até agora não se pronunciou; vai se pronunciar quando ?



Mr. Antonio Carlos Gomes

President & CEO

PRESENÇA GROUP
SERGIO HAAS

IPORÃ DO OESTE - SANTA CATARINA

EM 15/08/2017

Para quem pouco sabe sobre tudo que foi dito fica muito claro que poucos parecem ter coragem de falar a verdade e muitos se esforçam em tudo para taparem o sol com suas peneiras. Muitos tolos querendo fazer todos ignorantes. O que está muito bem misturado na racao e poucos sabem que não poderia ser ou que todos sabem que não deveria e muitos fingem não saber??
GLADSTON MACHARETH

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL

EM 15/08/2017

Uma matéria, com os comentários inclusos, elucidativa.

Parabéns ao autor da matéria e aos comentários técnicos sobre o assunto.
DIMAS ANTONIO DEL BOSCO CARDOSO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 15/08/2017

Perfeita a nota de esclarescimento. Vemos muitas silagens mal feitas, contaminadas por terra, coliformes, clostridium e ingredientes de rações expostos no tempo ao ataque de roedores nas propriedades...

Antes de acusar alimentos, tem que rever os processos e armaxenamento dos alimentos...Parabéns pelos esclarecimentos e informações
MARCELO DE SOUZA LIMA

ITABERAÍ - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/08/2017

Nada como estar bem informado do que acontece, principalmente quando existe uma "caca" como resultado final. Gostaria somente de ressaltar, diante de tudo que já foi comentado, que falhas nos processos de produção ocorrem, mesmo quando as BPF estão presentes, sendo as ações corretivas o grande diferencial. Como bem ressaltado, até o mel de abelhas contém microorganismos indesejáveis, esperando os menos desaviados .

Em relação ao armazenamento a céu aberto, todos vimos a quantidade de milho que recebeu uma enorme chuva de domingo para segunda. Será o que vira esse nutriente mal acondicionado?

Mas é louvável ver um grande número de comentários positivos e de que funciona as tecnologias bem executadas.
CAROLINA SCHMIDT

CURITIBA - PARANÁ - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 15/08/2017

Ah, esqueci de mencionar que esta bactéria também só se multiplica em anaerobiose (sem oxigênio). Mas como há as que crescem em aerobiose também, e as facultativas... O jeito é recorrer à análise microbiológica sempre! E não é análise quantitativa não... É fazer pesquisas para as bactérias de risco para o rebanho e que podem contaminar a silagem. Além de que o pH deve ser analisado (e ainda tem as bactérias que consomem ácido e aumentam o pH, tem que ficar de olho). Análise é tudo nesta vida.
CAROLINA SCHMIDT

CURITIBA - PARANÁ - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 15/08/2017

O Clostridium botulinum está presente na terra e pode contaminar qualquer coisa proveniente dela, não precisa ter carcaça de animais, pesquisas já mostraram que 30% do mel brasileiro, por exemplo, é contaminado com C. botulinum. Ele está lá e é impossível eliminar, porque os esporos sobrevivem até a mais de 20 horas de fervura. O jeito são as boas práticas e controlar para que não se desenvolva e, se possível, como é no caso do leite, pasteurizar para eliminar as células viáveis (não esporuladas). Quando não é possível o aquecimento (no caso da silagem), pode ser feito o controle de pH e análises de laboratório. Se o pH estiver 4 ou menos, não há desenvolvimento dos esporos e nem as bactérias se multiplicam. Aí eu deixo a sugestão: farmacêutico na propriedade. É tanta tecnologia utilizada, não custa fazer análise da silagem. Pesquisa de bactérias como C. botulinum, Listeria monocytogenes, etc. Análise de pH... São pesquisas baratas. Um farmacêutico bioquímico teria feito a diferença neste rebanho.   
MilkPoint AgriPoint