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Fornecendo propilenoglicol via silagens

Vacas em lactação em período de transição são frequentemente acometidas por cetose em consequência do desequilíbrio energético. O propilenoglicol (PG) tem sido utilizado no tratamento deste distúrbio metabólico por aumentar a concentração de glicose plasmática. Desse modo, quando os animais são diagnosticados com este distúrbio uma das opções é o fornecimento de doses diárias de PG por meio de produtos comerciais. 

Contudo, uma bactéria denominada Lactobacillus buchneri, utilizada em inoculantes para silagem tem a capacidade de produzir PG, na forma de 1,2 propanodiol durante a fermentação. Estudos têm mostrado que quando a mesma é inoculada em silagens a concentração de PG pode variar de 0,5 a 4% da matéria seca (MS). Concentrações de 2% MS são comumente encontradas em silagens de milho inoculadas com L. buchneri, o que tem despertado o interesse de vários pesquisadores sobre o uso deste inoculante como atenuador dos quadros de cetose, pois até o momento a aplicação desta bactéria tem objetivado apenas o controle da deterioração aeróbia de silagens.

Atualmente, a dieta de vacas em lactação tem sido composta por duas ou mais silagens, o que aumenta a chance dos animais ingerirem a quantidade diária de PG para que efeitos benéficos sejam evidenciados.

Por exemplo:

  • Uma dieta contendo silagem de planta inteira de milho e silagem de grãos (úmidos ou reconstituídos) ofertaria 13 kg MS/vaca/dia (11 de silagem de milho e 2 de silagem grãos). Se considerarmos que cada silagem teria 2% MS de PG, as vacas poderiam ingerir 260 g de PG/dia, valor próximo do recomendado (300 g/dia) por várias pesquisas sobre uso de PG no tratamento de cetose.

Um recente estudo avaliou vacas nas seis primeiras semanas pós-parto ingerindo dietas com ou sem silagem de azevém tratada com L. buchneri. No tratamento inoculado, havia 4x a concentração de PG quando comparado ao controle (silagem não inoculada). Os resultados mostraram que a concentração de β-hidroxibutirato sanguíneo aumentou em vacas ingerindo silagem sem L. buchneri.

Por outro lado, a concentração β-hidroxibutirato se manteve ao longo da avaliação nas vacas que consumiram silagens tratadas, mostrando o efeito positivo da inoculação sobre o estágio metabólico dos animais. Embora os primeiros estudos sejam promissores, mais pesquisas precisam ser conduzidas com o objetivo de consolidar o uso desta bactéria (via inoculante) no tratamento de cetose. Quanto mais silagens forem inseridas na dieta, mais PG a vaca poderá consumir, o que aumentará as chances de efetivação do inoculante, uma vez que o efeito do PG é dose dependente.

THIAGO FERNANDES BERNARDES

Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG.
www.tfbernardes.com

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CARLOS ALBERTO AGNOLIN

SÃO CARLOS - SANTA CATARINA - PESQUISA/ENSINO

EM 31/08/2018

Prezado Thiago, no texto é abordado sobre o propilenoglicol (PG), no entanto, quando é descrito sobre a silagem "...silagem teria 2% MS de PD..." acredito que seria PG. Seria interessante rever as abreviações utilizadas já que a sigla PD é muito utilizada como referencia a proteína e pode causar confusão pra o leitor.
Atenciosamente.
THIAGO FERNANDES BERNARDES

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 31/08/2018

Caro Carlos,

Você está correto. Foi uma distração da minha parte. Faremos a correção.

Muito obrigado,
Thiago Bernardes