As máquinas e as perdas no descarregamento do silo

Quanto mais a massa de silagem é porosa, mais facilmente o ar poderá penetrar no seu interior, portanto, a redução da porosidade é a prerrogativa principal.

Publicado por: e

Publicado em: - 2 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 2
Ícone para curtir artigo 0

Quanto mais a massa de silagem é porosa, mais facilmente o ar poderá penetrar no seu interior, portanto, a redução da porosidade é a prerrogativa principal para conter perdas por deterioração aeróbia. Além deste fato, quanto mais matéria seca (MS) é estocada dentro de um mesmo volume, menores serão os custos fixos de armazenamento por unidade de MS.

A densidade e a porosidade são propriedades inter-relacionadas, sendo dependentes do conteúdo de umidade, estrutura da forragem, espécie forrageira, estádio de maturidade, tamanho de partícula e pelo manejo imposto durante a confecção e desabastecimento do silo.

Na remoção, a densidade poderá ser afetada principalmente pelo modo como a silagem é retirada (por exemplo: equipamento utilizado no corte da fatia do painel), devido às perturbações que poderão ser provocadas na estrutura da massa remanescente, o que pode levar a maior susceptibilidade à penetração de oxigênio.

A retirada e o fornecimento da silagem aos animais têm funcionado como um importante dreno de matéria seca e energia durante o processo de ensilagem. No Brasil, parte desse problema está na dificuldade que o produtor encontra em adquirir equipamentos que desenvolvam um trabalho considerado ideal durante o desabastecimento do silo.

Com grande freqüência, fazendas de grande porte têm utilizado pás carregadeiras frontais na remoção de silagem; contudo, esta máquina não é apropriada para este tipo de operação, devido à desestruturação provocada ao longo do painel, o que leva ao intenso ingresso de ar na massa, além dos acidentes que têm ocorrido com os operadores pelo desmoronamento da porção superior do silo. O uso de pás carregadeiras cria condições para que o oxigênio caminhe tanto no sentido horizontal, como no vertical (Figura 1), aumentando as perdas por deterioração.

Figura 1. Manejo correto e errôneo durante o desabastecimento do silo e as formas com que o ar penetra na massa ensilada.

Figura 1

O manejo de retirada poderá ser auxiliado com o uso de desensiladoras (providas de rolo giratório e lâminas de corte), que executam o trabalho com precisão, promovendo o corte do painel no sentido de cima para baixo (Figura 2). Embora, este equipamento possa ser encontrado com preço elevado, pois são poucos os fabricantes dentro do mercado nacional, o que inviabiliza na maioria das vezes a sua compra.

Figura 2. Desensiladora provida de rolo giratório e lâminas de corte.

Figura 2

D'Amours & Savoie (2004), estudando a densidade de silagens de milho em silos trincheira, avaliaram o painel em duas profundidades (0 a 18 cm e 18 a 36 cm) e verificaram que na camada mais profunda, a silagem é 9% mais densa quando comparado com a camada de 0 a 18 cm (Tabela 1). Segundo os autores, as propriedades A e E utilizavam desensiladoras com rolos giratórios, o que colaborou para os valores mais altos de densidade na camada menos profunda.

Ainda segundo os autores, o equipamento utilizado e a forma como a silagem é removida são componentes essenciais na diminuição de perdas após a abertura do silo.

Tabela 1. Densidade de silagens de milho (Kg MS/m3) em função da profundidade no painel.

Figura 3

Fonte: Modificado de D'Amours & Savoie (2004)

Outro maquinário que tem sido utilizado com freqüência nas fazendas brasileiras é o garfo hidráulico (Figura 3), principalmente em sistemas que trabalham com silagem de capim, o que facilita a confecção imediata de rações totais. Entretanto, o uso da mandíbula na prensagem da silagem durante a retirada parece promover perturbações nas camadas laterais, quando o trabalho de desabastecimento está sendo executado (observações de campo), o que necessita ser avaliado experimentalmente.

Figura 3. Garfo hidráulico durante a remoção de silagem de capim.

Figura 4
Ícone para ver comentários 2
Ícone para curtir artigo 0

Material escrito por:

Thiago Bernardes

Thiago Bernardes

Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG. www.tfbernardes.com

Acessar todos os materiais
Rafael Camargo do Amaral

Rafael Camargo do Amaral

Zootecnista pela Unesp/Jaboticabal. Mestre e Doutor em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ/USP. Gerente de Nutrição na DeLaval. www.facebook.com.br/doctorsilage

Acessar todos os materiais

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Rafael Camargo do Amaral
RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 10/06/2008

Prezado camilo xavier da costa,

Sim, existe a possibilidade da realização com essa forrageira de silos tipo fardo. Apenas é necessário saber qual o tipo de equipamento o senhor tem disponível na propriedade, pois caso a máquina colhedora não seja destinada para corte de capim, poderá haver problemas no recolhimento do material picado.

Atenciosamente,
Rafael e Thiago

camilo xavier da costa
CAMILO XAVIER DA COSTA

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 09/06/2008

Sou produtor de leite, gostaria de saber se é possível fazer silagem de capim colonião e se pode fazer tipo fardos, para um período maior. Obrigado.

Camilo da Costa

<b>Resposta dos autores</b>

Prezado Camilo Xavier da Costa,

Sim, existe a possibilidade da realização com essa forrageira de silos tipo fardo. Apenas é necessário saber qual o tipo de equipamento o senhor tem disponível na propriedade, pois caso a máquina colhedora não seja destinada para corte de capim, poderá haver problemas no recolhimento do material picado.

Atenciosamente,
Rafael e Thiago
Qual a sua dúvida hoje?