FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO
Buscar

As capineiras não são mais as mesmas

POR THIAGO BERNARDES

THIAGO FERNANDES BERNARDES

EM 06/04/2020

1 MIN DE LEITURA

8
16

O nome capineira nos remete a uma área da propriedade, usualmente cultivada com capim-Elefante, o qual tem o seu crescimento explorado na estação chuvosa para ser fornecido na estação seca sob baixíssimo valor nutritivo. Este cenário permaneceu (em alguns casos ainda permanece) por décadas em muitas fazendas leiteiras, motivado pela divulgação feita por instituições de pesquisa de que o capim-Elefante era a opção ideal para alimentar vacas em lactação.

Como a cadeia leiteira teve uma reviravolta nas duas últimas décadas, produtores tiveram que tomar medidas para permanecer na atividade. Uma delas foi a busca pela intensificação, para aumentar a produtividade, principalmente em regiões de terras caras. Para intensificar, se faz necessário confinar as vacas e, desse modo, o capim-Elefante maduro teve que ser substituído pela silagem de milho, pois aquele modelo de produção arcaico já não se permite.

Neste novo cenário nutricional, os capins frescos começaram a ter um novo espaço na dieta de vacas em lactação. Agora, não como fonte de forragem principal, mas como secundária (baixa inclusão na dieta). Estes resultados são claramente vistos pelo recente levantamento que fizemos sobre dietas praticadas em fazendas leiteiras. Cento e quarenta e nove propriedades sob sistema intensivo, localizadas nos 6 estados que mais produzem leite (RS, SC, PR, SP, MG e GO) foram entrevistadas. Quarenta e sete fazendas (32%) responderam que usavam diariamente forragem fresca picada na ração das vacas, com inclusão média de 5%. Ou seja, estas propriedades estavam cultivando capins tropicais, principalmente aqueles pertencente ao grupo do gênero Cynodon (Tifton-85 e Coastcross), mas com uma perspectiva diferente daquela praticada num recente passado, momento em que a exploração da biomassa era preconizada.

Por quê este cenário mudou tão rapidamente? Porque não há mais espaço para erros quando se trabalha com sistemas intensivos. A vaca moderna é exigente, o “sistema” é exigente. Os aspectos agronômicos devem andar ao lado dos nutricionais e vice-versa. Portanto, as capineiras não são mais as mesmas. São unidades de produção de forragem que buscam um balanço entre produtividade e valor nutritivo. Ou seja, elas fazem jus ao sistema na qual elas estão inseridas.

THIAGO BERNARDES

Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG.
www.tfbernardes.com

8

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

CÁSSIA DOMINGUES

SILVIANÓPOLIS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/04/2020

Professor Thiago gostaria de saber se fubá probiotado (levedura cana de açúcar) ,o senhor recomenda? Trabalhamos com piquete rotacionado (Mombaça)e estamos usando esse probiotado a mais ou menos um ano. Agradeço sua atenção
THIAGO BERNARDES

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 08/04/2020

Prezada Cássia, Eu não tenho experiência com este produto. Infelizmente, não tenho como te ajudar.

Att,
Thiago Bernardes
CÁSSIA DOMINGUES

SILVIANÓPOLIS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/04/2020

Agradeço pela sua atenção professor
EM RESPOSTA A THIAGO BERNARDES
CÁSSIA DOMINGUES

SILVIANÓPOLIS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/04/2020

Professor qto ao uso desse fubá probiotado utilizado aqui favor perguntar ao seu aluno Edmilson Heleno dos Reis Domingues ele dará todas informações necessárias. Grata
THIAGO BERNARDES

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 07/04/2020

Caro Guilherme, não é tão simples assim a definição de o quanto inserir na dieta. Isso depende de vários fatores, principalmente aqueles relacionados aos demais ingredientes que você usa, bem como a quantidade de cada um deles. Eu citei o valor 5% porque foi a média encontrada por todas as fazendas que entrevistamos. Forragens com valor nutritivo superior podem ser inseridas em maior quantidade e o inverso é verdadeiro. Fibra é essencial para a vaca, mas não podemos limitar o seu consumo pelo excesso na dieta. A FDN vinda de forragem não pode ultrapassar 1% do peso vivo, senão há restrição de consumo.
GUILHERME DUARTE TOMAZ DE SÁ

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 07/04/2020

Obrigado pelo direcionamento de raciocínio!
GUILHERME DUARTE TOMAZ DE SÁ

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 07/04/2020

Bom dia, uma das opções que uso as capineiras são para corrigir a fibra efetiva da dieta, já que a silagem cortada na jf não atinge um tamanho de partícula ideal para fazer o colchão fibroso. Porém não sei qual seria a "inclusão' ideal dessa na dieta, essa inclusão de 5% pode ser usada para esse fim?
ALEX MOREIRA

NOVA INDEPENDÊNCIA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 06/04/2020

BOM DIA!!!
Os capins do TIFTON-85 e COST-CROSS são capins tropicais?
MilkPoint AgriPoint