Tratamento da mastite subclínica utilizando terapia simultânea
A terapia simultânea, que pode ser utilizado em algumas situações e com potenciais benefícios no tratamento da mastite subclínica em vacas leiteiras.
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Atualmente, a recomendação geral é para tratamento apenas dos casos de mastite clínica e em situações muito específicas de mastite subclínica, tais como elevada prevalência de quartos infectados por Streptococcus agalactiae. Tais recomendações são justificadas pelas baixas taxas de curas de casos subclínicos e nos altos custos do descarte do leite com resíduos de antibióticos, o que na maioria das situações supera os benefícios do tratamento de casos subclínicos. Por outro lado, para os casos mastite clínica, o tratamento intramamário é recomendado, pois o leite não pode ser enviado para o laticínio, além do risco de perda do quarto devido ao agravamento do caso de mastite e por razões de bem-estar do animal.
Recentemente, foi proposto um novo protocolo para tratamento de mastite, chamado de terapia simultânea, que pode ser utilizado em algumas situações e com potenciais benefícios. Para as vacas que apresentam caso de mastite clínica, recomenda-se que seja feito o diagnóstico de mastite subclínica nos demais quartos e, caso se confirme à ocorrência de casos subclínicos no mesmo animal, pode ser feito o tratamento de todos os quartos infectados: clínicos e subclínicos ao mesmo tempo.
Uma possível vantagem é que o tratamento de mais de um quarto intramamário com antibiótico no mesmo animal não aumenta o período de descarte do leite, e não acarretaria aumento no custo do leite descartado, em comparação com o tratamento apenas do quarto com mastite clínica. Evidentemente, o custo adicional seria o do medicamento extra utilizado para o tratamento dos quartos com mastite subclínica, no entanto, o benefício deste tipo de procedimento seria maior probabilidade de cura de casos subclínicos, maior produção de leite em função da cura e possibilidade de redução da CCS do leite do tanque, sem um custo tão elevado, em comparação com o custo do tratamento apenas dos casos subclínicos.
Para avaliar o potencial de uso da terapia simultânea, foi desenvolvido um estudo por pesquisadores franceses, os quais estimaram o seu impacto econômico e os seus efeitos sobre a CCS e taxa de cura microbiológica da mastite subclínica utilizando este tipo de terapia. Para tanto, dois grupos de vacas foram aleatoriamente distribuídas em dois tratamentos: terapia simultânea (tratamento com 200 mg de cefalexina para os casos clínicos e subclínicos do mesmo animal, por 4 ordenhas consecutivas) e controle (apenas tratamento dos casos clínicos com o mesmo medicamento e protocolo). Para o grupo da terapia simultânea, após o diagnóstico do caso clínico, foi realizado o CMT nos demais quartos para identificar se algum quarto apresentava mastite subclínica. O período de descarte do leite foi o mesmo para os dois grupos: seis ordenhas após o ultimo tratamento.
De acordo com um modelo de avaliação econômica desenvolvido, o tratamento apenas dos casos de mastite subclínica é inviável economicamente, pois os custos são maiores que os benefícios em termos de taxa de cura, independentemente do estágio de lactação em que a vaca se encontra. Contudo, os pesquisadores avaliaram que o uso do protocolo de terapia simultâneo acima descrito, traz retorno financeiro, quando feito durante os seis primeiros meses de lactação, em função da taxa de cura e da redução da CCS.
Para vacas que já apresentam caso de mastite clínica, o uso do CMT teve boa especificidade (0,74) e sensibilidade (0,73) para diagnosticar quartos com mastite subclínica. Foram selecionadas 85 vacas com 88 casos de mastite clínica e 113 quartos com mastite subclínica, para distribuição entre a terapia simultânea e o controle. Para os casos de mastite clínica, não houve diferença entre a taxa de cura para a terapia simultânea e o grupo controle (cerca de 62%). No entanto, para os casos de mastite subclínica, a taxa de cura para a terapia simultânea foi muito maior (63%) que no grupo controle (27%).
A taxa de cura da mastite subclínica do grupo controle é a chamada cura espontânea. Neste caso, a terapia simultânea teve taxa de cura de casos subclínicos 50% maiores que as taxas de cura espontânea. Em conseqüência desta maior taxa de cura, houve redução da CCS do leite das vacas que receberam a terapia simultânea, em comparação com o grupo controle. Ambos os grupos apresentavam CCS de 550 a 600 mil cel/ml, sendo que as vacas tratadas com a terapia simultânea apresentam queda substancial após dois meses do tratamento para cerca de 120 mil cel/ml, enquanto que no grupo controle esta queda foi menor, para 360 mil cel/ml.
Deve considerar, ainda, que as taxas de cura de casos de mastite subclínica obtidas no estudo em questão podem variam em função de alguns fatores, tais como: agente causador, duração da infecção, número de parições da vaca, idade, estágio de lactação e número de quartos infectados. Deve-se enfatizar que o estudo avaliou apenas casos de mastite clínica e subclínica nos cinco primeiros meses de lactação, o que aumenta a chance de cura. Isto significa que o protocolo de terapia simultânea não deve ser utilizado como uma medida padrão para todos os casos, mas pode ser uma ferramenta adicional para o produtor, cujo objetivo imediato é reduzir o impacto da mastite subclínica sobre a CCS e sobre a produção de leite.
Além disso, o uso da terapia simultânea depende de um adequado diagnóstico de casos de mastite subclínica com o uso do CMT, cuja interpretação depende de quem realiza o teste. Ainda que promissor, novos estudos devem ser desenvolvidos para confirmar estes resultados e dar maior embasamento no uso desta ferramenta de manejo para controle de mastite.
Fonte: Fabre et al. Proceedings of the British Mastitis Conference, p.1-18, 2004.
Material escrito por:
Marcos Veiga Santos
Professor Associado da FMVZ-USP Qualileite/FMVZ-USP Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225 Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP Pirassununga-SP 13635-900 19 3565 4260
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LAJINHA - MINAS GERAIS - ESTUDANTE
EM 23/03/2021
EU JA ORDENHEI VACAS LA EM UMA REGIAO CHAMADA RIO MAIOR.
ONDE ELES AMPUTAM O QUARTO MAMARIO COM MAIOR NUMERO DE CCS AI A VACA POJA E O LEITE FICA SENDO JOGADO FORA .

LAJINHA - MINAS GERAIS - ESTUDANTE
EM 23/03/2021

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 16/02/2018
Gostaria de saber se a recomendação medicamentosa é a mesma para o quarto com mastite clínica e para os quartos com mastite subclínica.
Existe a possibilidade de se usar medicação diferente e de menor custo para a cura da subclínica?
Fernando Ceresa Neto
f.ceresa.neto@gmail.com
PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO
EM 23/02/2018

TEJUPÁ - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 13/02/2018

JI-PARANÁ - RONDÔNIA - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 01/12/2009
<b>Resposta do autor:</b>
Prezado Ranilson Vieira De Oliveira",
Obrigado pela mensagem. Neste momento, o livro está esgotado e ainda não temos definição sobre a data de nova edição. Assim que for definido, divulgaremos para o interessados. Atenciosamente, Marcos Veiga

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 28/11/2005
O tratamento da mastite subclínica é semelhante ao tratamento da mastite clínica? Seria basicamente a introdução de remédio nos quatro quartos, visto que o antibiótico injetável já é um tratamento geral?
Abraço,
Fernando Cerêsa Neto
<b>Resposta do autor:</b>
Fernando,
Está correto. O tratamento simultâneo seria a infusão de uma bisnaga em cada quarto que esteja com mastite clínica e subclínica, ao mesmo tempo. Neste caso, não haveria necessidade de tratamento injetável.
Atenciosamente,
Marcos Veiga
BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 08/11/2005