Sistemas de ordenha robotizados; uma perspectiva europeia - Parte 2

Nos sistemas de ordenha robotizados (SOR) em funcionamento na Europa, as vacas escolhem o momento para serem ordenhadas. Saiba mais.

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Marcos Veiga dos Santos

Nos sistemas de ordenha robotizados (SOR) em funcionamento na Europa, as vacas escolhem o momento para serem ordenhadas, uma vez que não existe um horário pré-definido para a realização da ordenha. Desta forma, os animais que normalmente são ordenhados em média 2X ao dia em sistemas convencionais, podem ser ordenhados até 3X por dia, sendo que a média de ordenha dos rebanhos com SOR é de 2,6 a 2,8/dia.

O aumento no número de ordenhas pode representar um aumento na produção de leite de 3-4 litros/dia. Pode-se, desta maneira, supor que esta seja uma das vantagens da implantação de SOR na Europa, pois permite ao produtor o aumento da produção de leite sem o aumento com os gastos com mão-de-obra, os quais são bastante elevados nos países europeus. Estudos apresentados em recente simpósio internacional na Holanda estimam que pode haver uma redução de até 30% no número de horas trabalhadas para produção de leite numa fazenda com 70 vacas que adotou o SOR.

Outro tema que tem despertado grande interesse em relação ao funcionamento de SOR é quanto ao conforto animal. Alguns pesquisadores acreditavam que a adoção de SOR pudesse causar mais estresse nos animais, quando comparado com sistemas de ordenha tradicionais. No entanto, os resultados de pesquisas avaliando o nível de estresse em animais submetidos a SOR indicam que os animais eram mais calmos e apresentaram menores concentrações de hormônios que indicam estresse, como o cortisol. Portanto, a possibilidade de escolha do horário de ordenha pelo próprio animal parece ser um fator positivo sobre o seu conforto, o que pode resultar em maior produção de leite/animal.

Fora da Europa, existem atualmente cerca de 12 SOR em funcionamento no Canadá e um equipamento sendo instalado nos EUA. Novamente, a adoção destes sistemas no Brasil ainda pode estar bastante distante, visto que a grande maioria do leite que consumimos ainda vem da tradicional ordenha manual, excetuando-se, é claro, o leite importado europeu que perfaz cerca de 10% do nosso consumo total.

 

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fonte: Mark Varner – University of Maryland – Dairy-

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Material escrito por:

Marcos Veiga Santos

Marcos Veiga Santos

Professor Associado da FMVZ-USP Qualileite/FMVZ-USP Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225 Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP Pirassununga-SP 13635-900 19 3565 4260

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