Hiperqueratose dos tetos e sua influência na mastite - Parte 1

A barreira primária contra a entrada de microrganismos causadores de mastite é mantida pela integridade da extremidade da pelo dos tetos.

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O que é hiperqueratose e as suas causas?

A barreira primária contra a entrada de microrganismos causadores de mastite é mantida pela integridade da extremidade da pelo dos tetos. Desta forma, é fácil concluir que quando ocorre alteração da pele dos tetos existe maior risco de novas infecções intramamárias. Conceitualmente, a hiperqueratose da extremidade dos tetos de vacas leiteiras é um aumento da pele que recobre a região do canal do teto e orifício externo. Podem ainda ser empregados diversos termos para descrever estas alterações dos tetos, como: formação de calos, calosidade, cornificação e outros nomes populares.

Analisando histologicamente o tecido da extremidade dos tetos, pode-se observar que a hiperqueratose é o resultado da hiperplasia (aumento do número de células) do extrato córneo das camadas da pele nesta região. Sendo assim, os termos muito utilizados como inversão, eversão ou prolapso dos tetos seriam incorretos.

De maneira simplificada, a hiperqueratose representa um crescimento excessivo da pele do teto, ou seja, trata-se de uma resposta fisiológica normal da pelo dos tetos em relação à ação do equipamento de ordenha, ordenha manual ou do próprio bezerro. O início e a severidade dessa condição são afetados enormemente pelo clima e condições ambientais, manejo de ordenha, nível de produção de leite e ainda pela variação genética individual. Estas alterações não aparecem de forma súbita e sim no longo prazo, entre 2 a 8 semanas.

Como esperado, a ocorrência de hiperqueratose dos tetos é mais comum em rebanhos com altas produções, devido ao maior desafio dos tetos pelo maior tempo de ordenha. Nos países temperados, o inverno é a estação mais propícia para o aparecimento da hiperqueratose.

Diversos mecanismos e causas têm sido levantados para esta condição, as quais podem ser agrupadas nas seguintes:
 

  • Alterações relacionadas ao equipamento de ordenha

  • Efeitos ambientais

  • Agentes infecciosos

Os principais fatores que afetam a ocorrência de hiperqueratose incluem: a forma do teto, produção de leite, pico do fluxo de leite durante a ordenha, duração da ordenha e sobre-ordenha, estágio e número de lactação e as interações entre manejo e equipamento de ordenha.

Vacas que apresentam tetos com forma irregular, mal posicionados ou tamanho inadequado para a ordenha mecânica têm maior chance de aparecimento de hiperqueratose, independentemente do equipamento e do manejo de ordenha. Entre as causas infecciosas, destacam-se as infecções por herpesvirus, que causam lesões nos tetos e dificuldade maior para a ordenha destes animais e maior risco de mastite.

Quanto às alterações relacionadas ao equipamento de ordenha, deve-se enfatizar que ambos o manejo e o equipamento de ordenha podem estar relacionados ao problema. O grau de hiperqueratose dos tetos pode estar diretamente relacionado com a duração e manejo da ordenha, sendo que o problema pode estar no baixo fluxo de leite/alto vácuo no início e final da ordenha. Outra causa importante é a sobre-ordenha (ordenha prolongada sem fluxo de leite) é geralmente causada pela inadequada preparação do úbere antes da ordenha, o que resulta em pouca ejeção do leite. Isto indica que o aparecimento de hiperqueratose não está necessariamente relacionado apenas com altos níveis de vácuo do equipamento de ordenha. Em alguns casos, a simples redução do nível de vácuo do sistema pode aumentar o tempo total de ordenha e agravar ainda mais o problema. Mesmo considerando que em um mesmo rebanho todos os animais são ordenhados todos os dias pelo mesmo equipamento e pelos mesmos ordenhadores, o equipamento de ordenha é uma das causas mais apontadas para explicar o aparecimento desta condição.

Entre as várias recomendações para o funcionamento da pulsação do equipamento de ordenha, destaca-se que a fase de massagem dos tetos deve ser de pelo menos 15% do ciclo completo. Quando os pulsadores encontram-se funcionando de forma inadequada e a fase de massagem é menor, existe probabilidade de aparecimento de hiperqueratose.

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Material escrito por:

Marcos Veiga Santos

Marcos Veiga Santos

Professor Associado da FMVZ-USP Qualileite/FMVZ-USP Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225 Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP Pirassununga-SP 13635-900 19 3565 4260

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Kleyson Almeida
KLEYSON ALMEIDA

DIVINÓPOLIS - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 30/08/2021

Minha vaca deu hiperqueratose em um dos tetos pela mamada do bezerro excessivo tem reversão?Vaca de cria bezerra com 10 meses. Obrigado
Aldair Camargo
ALDAIR CAMARGO

UNIÃO DA VITÓRIA - PARANÁ - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 27/07/2023

depende muito do grau em que se encontra a hiperqueratose no teto do animal.
FELICIO MANOEL ARAUJO
FELICIO MANOEL ARAUJO

LAJINHA - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 16/04/2020

Parabens pela materia fr.Marcos.
Moro em Portugal e trabalho aqui na ordenha e este problema aqui é grande,mais como as ordenhas aqui e o tratamento com o gado é uma vergonha nao vale a pena nem falar.
Qual a sua dúvida hoje?