Conhecendo alguns agentes causadores de mastite: C. bovis, Nocardia sp , fungos e leveduras
<i>C. Bovis</i> é a espécie de corinebacterium mais comumente isolada em bovinos. Este agente causador de mastite é considerado um patógeno secundário, que habita normalmente o canal do teto e, desta forma, pode ser controlado pelo uso da desinfecção dos tetos após a ordenha (pós-dipping). Em rebanhos nos quais não é realizado do pós-dipping, o <i>C. Bovis</i> pode ser isolado em até 60% dos quartos.
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C. Bovis é a espécie de corinebacterium mais comumente isolada em bovinos. Este agente causador de mastite é considerado um patógeno secundário, que habita normalmente o canal do teto e, desta forma, pode ser controlado pelo uso da desinfecção dos tetos após a ordenha (pós-dipping). Em rebanhos nos quais não é realizado do pós-dipping, o C. Bovis pode ser isolado em até 60% dos quartos.
C. bovis é uma bactéria Gram-positiva e catalase positiva. Ao microscópio são visualizados como bastonetes não esporulados, ainda que possam apresentar formato esférico ou oval. As principais fontes do Corynebacterium bovis são o interior da glândula mamária e canal do teto. Pode ser considerado um agente contagioso, pois a sua transmissão pode ocorrer principalmente durante o momento da ordenha, de vaca para vaca. A alta incidência de C. Bovis em um rebanho indica uma deficiência na desinfecção dos tetos pós-ordenha, em particular para os produtos cujo ingrediente ativo é o LDBSA (ácido sulfônico linear duodecilbezeno).
Este agente apresenta patogenia limitada, colonizando principalmente o canal do teto e determinando pequeno aumento na CCS (em torno de 300-400 mil células/ml) e limitada redução na produção leiteira. Os casos são quase sempre subclínicos e leves, ainda que ocasionalmente o C. Bovis possa ser isolado em amostras de leite de casos de mastite clínica e alguns rebanhos podem apresentar alta incidência de mastite clínica por este agente. Em termos de controle a terapia da vaca seca é altamente eficaz na eliminação de infecções subclínicas causadas C. Bovis, não sendo recomendado o tratamento dos casos subclínicos.
Nocardia sp
Ainda que pouco comuns, alguns casos de mastite podem ter como agente causador a Nocardia, sendo a espécie mais freqüentemente isolada a Nocardia asteróides. Os reservatórios possíveis vetores não são bem estabelecidos, mas a Nocardia sp pode ser encontrada no solo, água e pele do úbere da vaca. Podemos ter ainda como fontes do patógeno a utilização de cânulas e frascos de antibióticos de uso múltiplo que são contaminados durante o manuseio, levando a sua transmissão durante o tratamento intramamário. A Nocardia sp pode também ser introduzida dentro do úbere quando não é feita uma adequada assepsia antes do tratamento. É ainda possível que este agente possa ser transferido do ambiente para a vaca ou entre as vacas durante a ordenha.
A mastite causada por Nocardia pode ser subclínica, clínica ou aguda. Nos quartos infectados por Nocardia sp podem ser encontrados nódulos endurecidos ou áreas de extensa fibrose. A secreção pode ser purulenta e os animais acometidos podem apresentar febre alta. Algumas infecções podem resultar na formação de fístulas, que se rompem e drenam para o exterior. As infecções causadas por Nocardia sp não respondem ao tratamento com antibióticos, pois o agente é resistente à maioria dos antibióticos. Desta forma, as medidas de controle passam pelo uso de produtos descartáveis para tratamento intramamário, sendo desaconselhável a utilização de produtos de uso múltiplo. Recomenda-se o descarte de vacas comprovadamente infectadas por Nocardia sp ou a secagem permanente do quarto afetado, visando a eliminação da fonte de infecção.
Casos de mastite por Nocardia não são geralmente problemas de rebanhos, podendo ser em grande parte resolvidos com medidas de higiene na ordenha e no tratamento intramamário.
Leveduras e fungos
As fontes de leveduras e fungos são o solo, plantas, matéria orgânica em decomposição e preparações para tratamento de mastite (frascos de uso múltiplo), além de seringas e cânulas contaminadas.
As novas infecções causadas por estes patógenos ocorrem principalmente pela infusão intramamária sem cuidados com assepsia do teto antes do tratamento, ou possivelmente durante a ordenha quando os procedimentos de higiene não são adequados.
Desta forma, o controle passa pelos cuidados com assepsia dos tetos antes do tratamento intramamário e pelo uso de produtos descartáveis. Não é recomendado o tratamento com antibióticos nos quartos comprovadamente infectados, pois pode ocorrer exacerbação dos sintomas clínicos da mastite. As infecções causadas por leveduras podem apresentar cura espontânea. O isolamento leveduras e fungos em casos de mastite deve servir como alerta para os procedimentos de tratamento e normalmente não apresenta grande significância em termos de mastite do rebanho.
Fonte: Laboratory and Field Handbook on Bovine Mastitis,1999.
Material escrito por:
Marcos Veiga Santos
Professor Associado da FMVZ-USP Qualileite/FMVZ-USP Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225 Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP Pirassununga-SP 13635-900 19 3565 4260
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