Mastite subclínica reduz a produção de leite e o retorno econômico
Os resultados do estudo indicam que quartos mamários com mastite subclínica causada por patógenos contagiosos e ambientais aumentaram a CCS.
Os resultados do estudo indicam que quartos mamários com mastite subclínica causada por patógenos contagiosos e ambientais aumentaram a CCS.
Seção Qualidade do Leite: "Durante as últimas décadas, o melhoramento genético de vacas leiteiras teve como foco a busca de alta produção de leite e outras características diretamente relacionadas, tais como a produção de leite/dia e a produção de sólidos. Este foco de melhoramento genético fez com que as vacas, ao longo de aproximadamente 50 anos, fossem diretamente selecionadas para aumentar o volume de leite produzido/dia, e consequentemente, expressassem maior produção por lactação", por Marcos Veiga Santos e Bruna Gomes Alves, da FMVZ-USP.
Seção Qualidade do Leite: "No caso da mastite contagiosa, a maior parte das novas infecções são transmitidas durante o processo de ordenha a partir de uma vaca doente. Por outro lado, na mastite ambiental podemos perceber que a vaca torna-se infectada no intervalo das ordenhas ou durante a ordenha, mas o principal reservatório das causas mastite ambiental é o ambiente que a vaca vive, principalmente quando há excesso de esterco, barro ou outro composto orgânico", por Marcos Veiga Santos e Bruna Gomes Alves, da FMVZ-USP.
Seção Qualidade do Leite: "Selantes de teto são formulações inertes, sem propriedades antimicrobianas, e que são injetados no canal do teto no momento da secagem para atuar como uma barreira física contra a invasão de micro-organismos causadores de mastite. Um estudo recente demonstrou que o selante de teto aplicado em associação com antibióticos intramamários na secagem reduziu o risco de mastite clínica na lactação subsequente em 48% em comparação a vacas que receberam apenas o antibiótico", por Marcos Veiga Santos (Professor Associado da FMVZ-USP) e Tiago Tomazi (doutorando da FMVZ-USP).
Seção Qualidade do Leite: "Quando analisados em conjunto, os dados de pesquisa sobre terapia estendida indicam que há aumento da taxa de cura e menor recorrência de mastite durante a lactação em comparação com o tratamento convencional. Alguns estudos indicam a taxa de cura pode aumentar em até 2x, passando de 30% na terapia convencional para cerca de 60% na terapia estendida. No entanto, alguns estudos mostram resultados similares entre os dois protocolos de tratamento, o que indica que nem sempre devemos esperar por resultados positivos com a terapia estendida, em razão de fatores ligados com o tipo de bactéria, características da vaca (idade, número de casos de mastite anteriores; histórico de CCS) e do tipo de antibiótico usado", por Marcos Veiga Santos, da FMVZ/USP.
Seção Qualidade: "Nos rebanhos com elevada porcentagem de vacas com mastite crônica ou com alta prevalência de vacas com Staphylococcus aureus, o descarte de todas as vacas nem sempre é uma medida viável, pois implica em um custo imediato elevado e redução drástica da produção de leite. Nestas situações, recomenda-se que as vacas com mastite crônica sejam primeiramente segregadas e que seja feito o diagnóstico do agente causador da mastite, para que a tomada de decisão em relação à vaca seja feita de forma mais acertada", por Marcos Veiga Santos, da FMVZ/USP.
Seção Qualidade do Leite: "A mastite é atualmente a principal doença de rebanhos leiteiros e na maior parte das vezes as causas são de origem bacteriana. Dentro os principais agentes causadores, o grupo de Staphylococcus sp são os agentes etiológicos mais isolados em amostras de leite mastítico, sendo que o S. aureus é a espécie mais isolada em casos de mastite subclínica", por Marcos Veiga Santos e Bruna Gomes Alves, da FMVZ-USP.
Seção Qualidade: "Os anti-inflamatórios não-esteroidais (AINEs) têm capacidade analgésica, anti-inflamatória e antipirética, principalmente na inibição das enzimas ciclooxigenases. O meloxicam é um inibidor preferencial da COX-2 e seu uso tem sido correlacionado com a diminuição de tromboxanos no leite durante a mastite, redução das concentrações de prostaglandinas e melhora mais rápida dos sinais clínicos da mastite. Além disso, têm sido relatado que a utilização do meloxicam em adição à antibioticoterapia no tratamento da mastite clínica resulta em menor CCS", por Marcos Veiga Santos e Bruna Gomes Alves, da FMVZ-USP.
Seção Qualidade do Leite: "A terapia antimicrobiana por via intramamária continua sendo uma das principais formas de tratamento de mastite clínica em vacas leiteiras. A busca de tratamentos com antimicrobianos específicos contra os agentes causadores de infecções intramamárias (IIM) aumenta a eliminação do micro-organismo, e consequentemente, reduz os gastos com medicamentos e descarte de leite", por Marcos Veiga Santos (Professor Associado da FMVZ-USP) e Tiago Tomazi (doutorando da FMVZ-USP).
Seção Qualidade do Leite: "Considerando a carência de informações relacionadas ao conforto e sanidade de vacas leiteiras alojadas em sistemas de compostagem, um estudo comparou o sistema compost barn com outros sistemas de alojamento, especialmente free stall com cama de areia sobre: a) higiene, b) locomoção, e, c) indicadores de mastite", por Marcos Veiga Santos (Professor Associado da FMVZ-USP) e Tiago Tomazi (doutorando da FMVZ-USP).
Seção Qualidade do Leite: "Resultados preliminares de um estudo, que vem sendo realizado pela equipe do Laboratório Qualileite FMVZ-USP em 20 rebanhos leiteiros, indicam que os agentes ambientais são o principal grupo causador de mastite clínica, representando cerca de 65% dos casos. Além dos estreptococos ambientais, o grupo dos coliformes vem apresentando crescente importância como causa de mastite clínica, em especial nos rebanhos bem manejados e de alta tecnificação, nos quais o controle de mastite contagiosa já atingiu um alto grau de eficácia. Neste rebanhos, Escherichia coli e Klebsiella spp. podem representar mais de 50% dos casos de mastite clínica ambiental, principalmente em rebanhos com baixa CCS do tanque", por Marcos Veiga Santos, Professor Associado da FMVZ-USP.
Seção Qualidade do Leite: "A cultura de amostras de leite tem sido usada para diagnóstico das causas da mastite há muito tempo. Essa metodologia permite o isolamento e identificação dos patógenos causadores de mastites, sendo considerada o "padrão ouro" para comparação de resultados quando se usam outros testes de diagnósticos. Sem conhecer os agentes causadores de mastite, a tomada de decisões para controlar o problema é dificultada, pois somente pode-se tomar medidas gerais e não específicas dentro do rebanho", por Marcos Veiga Santos, Professor Associado da FMVZ-USP e Alessandra Módena Orsi.
Seção Qualidade do Leite: "Ainda que seja uma das doenças mais estudadas das vacas leiteira, a mastite ainda é considerada como a que mais causa prejuízos.
Seção Qualidade: "Diversos fatores de risco podem estar associados com a incidência de mastite clínica, os quais podem ser categorizados em três níveis.
Seção Qualidade do Leite: "A criação de animais de reposição independentemente do sistema de criação utilizado, é um ponto crítico para a produtividade de uma fazenda leiteira, uma vez que esses animais representam o futuro do rebanho. Nesse caso o objetivo principal é proporcionar condições adequadas para que as novilhas sejam criadas para expressar o máximo potencial de produção de leite, na idade adequada e com o menor custo. Um dos fatores para o sucesso do desenvolvimento e do crescimento das novilhas é a manutenção da saúde, sendo a mastite uma das doenças que podem afetar a capacidade produtiva desses animais", por Marcos Veiga Santos, Professor Associado da FMVZ-USP e Alessandra Módena Orsi.
Seção Qualidade do Leite: "Participei recentemente de um interessante encontro mundial de especialistas em mastite e qualidade do leite.
Seção Qualidade do Leite: "A secagem é uma necessidade fisiológica da vaca leiteira, que inicia-se com a interrupção das ordenhas e da produção de leite para preparar a glândula mamária para a lactação seguinte. O foco de estudos nesta área tem sido baseado nas estratégias de secagem, duração do período seco, manejo nutricional dentro do período seco, e por fim como esse manejo afeta a lactação subsequente. Entretanto, ainda existem poucos estudos sobre os efeitos da secagem sobre o bem estar da vaca", por Marcos Veiga Santos, Professor Associado da FMVZ-USP Qualileite/FMVZ-USP Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite e Bruna Gomes Alves, Mestranda do Programa de Pós-graduação em Nutrição e Produção Animal, FMVZ-USP.
Seção Qualidade do Leite: "A mastite continua sendo uma das doenças que mais causam prejuízos para a pecuária leiteira em nível mundial.
Seção Qualidade do Leite: "A resistência aos antimicrobianos dos patógenos causadores de mastites pode ser medida por meio de testes laboratoriais de sensibilidade fenotípica, frente a concentrações pré-determinadas de antimicrobianos para inibir o crescimento de bactérias. Podem ser utilizados os testes de disco difusão (antibiograma), diluição em ágar e microdiluição em caldo. Para interpretação dos resultados existem comitês internacionais que estabelecem critérios de interpretação (sensível, intermediário e resistente) para os métodos de antibiograma e também os pontos de inibição no caso da microdiluição (MIC)", por Marcos Veiga Santos, Professor Associado da FMVZ-USP Qualileite/FMVZ-USP Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite e Alessandra Módena Orsi.
Seção Qualidade: "A mastite clínica é uma forma de apresentação da doença, na qual ocorrem alterações visuais do leite e/ou do quarto mamário, e ocasionalmente, também podem ocorrer sintomas sistêmicos. Este tipo de mastite é facilmente percebido pelo ordenhador, pelo uso rotineiro do teste da caneca de fundo preto, durante a preparação da vaca antes da ordenha. Quando a detecção da mastite não é realizada, ou feita de forma deficiente, uma parcela das vacas com mastite clínica pode ser ordenhada juntamente com as demais vacas sadias, o que causa significativo aumento da CCS do tanque", por Marcos Veiga Santos, Professor Associado da FMVZ-USP Qualileite/FMVZ-USP Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite.
Seção Qualidade do Leite: "Algumas pesquisas demonstraram que a diminuição do período de 60 dias para 28 dias não altera a produção de leite da próxima lactação, enquanto outros indicaram que essa redução pode ser prejudicial ao próximo ciclo de lactação. Porém, mais do que a duração do período seco, alguns estudos sugerem benefícios quando as vacas são alimentadas com uma dieta [...]", por Marcos Veiga Santos, Professor Associado da FMVZ-USP Qualileite/FMVZ-USP Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite.
A análise econômica de uma doença tem o objetivo principal estimar o impacto ocasionado pela enfermidade sobre o desempenho econômico da fazenda leiteira. No caso da mastite bovina, as perdas devido aos casos clínicos são percebidos com maior facilidade pelo produtor, uma vez que os sinais clínicos são evidentes e o leite produzido é descartado.
A competitividade dos sistemas de produção de leite está diretamente associada com o desenvolvimento de programas de controle e prevenção de doenças. Isto ocorre uma vez que a ocorrência de doenças em fazendas leiteiras tem como consequência o aumento dos custos de produção e de perdas. Dentre as doenças da vaca leiteira, a mastite é uma das que mais afetam a lucratividade da fazenda, cujo monitoramento é feito pela CCS do tanque ou das vacas individualmente
A mastite pode trazer impactos negativos sobre a saúde pública dos consumidores, pois é a doença que mais demanda o uso de antibióticos em vacas adultas. Por outro lado, a mastite é sem dúvida um enorme problema econômico, seja pela redução do preço do leite, aumento dos custos de produção e redução da quantidade de leite produzido pelas vacas infectadas. Fora da porteira, a mastite acarreta significativas perdas econômicas nas indústrias de laticínios em razão de menor qualidade e diminuição do rendimento de fabricação de produtos lácteos.[...]