Pastos recomendados para áreas encharcadas
Seção Pastagens: "Falando sobre capins destinados às áreas encharcadas, vale ressaltar a princípio que alguns produtores têm o hábito de utilizar áreas da propriedade para aumentar a sua produção ao máximo, e, para isso, fazem peripécias para sistematizar várzeas, brejos e outros territórios alagados para atender uma nova pastagem. Mas, zonas alagadas devem ser transformadas em pastagem?", por Marco Aurélio Factori, Doutor em Zootecnia pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia - UNESP/Botucatu/SP.
Publicado em: - 4 minutos de leitura
Primeiramente, vale lembrar que todo sistema que utiliza pasto deve ser produtivo e rentável acima de tudo. Os sistemas em pastagem não devem usar a pior área da propriedade enquanto as áreas mais férteis, planas e adequadas são destinadas a outras culturas. Como sempre digo, nenhum produtor rural produz pasto e sim, o boi. Será que devemos pensar que os animais podem se alimentar em qualquer lugar? Os animais têm problemas de casco? Podem ser atacados por predadores?
Podemos definir manejo de pastagem como a arte e a ciência de utilização do recurso forrageiro na propriedade, com vistas à produção animal. Se a pastagem é então para o animal, primeiramente temos que saber se ela serve para ele. O pasto deve atendê-lo.
Falando sobre capins destinados às áreas encharcadas, vale ressaltar a princípio que alguns produtores têm o hábito de utilizar áreas da propriedade para aumentar a sua produção ao máximo, e, para isso, fazem peripécias para sistematizar várzeas, brejos e outros territórios alagados para atender uma nova pastagem. Mas, zonas alagadas devem ser transformadas em pastagem?
Nós temos hoje poucas opções de forrageiras que atendem solos encharcados. Logicamente, esse encharcamento deve ser ameno, tanto para a forragem, quanto para o boi que irá comê-la. Já vi casos em que o produtor rural gastou dinheiro em demasia para implantar uma área que ficava alagada 80% do período do ano, ou seja, utilizava aquele espaço apenas por dois ou três meses – algo totalmente inviável. Em outro caso, o produtor até conseguiu fazer a pastagem, mas surgiram tantos problemas de casco e outros em relação aos animais por causa da umidade, que o sistema também tornou-se impraticável.
Sobre as opções forrageiras para plantio em solos encharcados, existem algumas disponíveis comercialmente, ou já bastante difundidas entre produtores e técnicos para uso em áreas de baixada, sujeitas à inundação ou alagamento temporário.
Dentre elas, a Brachiaria arrecta (capim tanner-grass), foi muito popular no passado. Outra que podemos citar é Brachiaria humidicola, capim sujeito ao encharcamento ou alagamento temporário. Segundo informações, ele pode ser recomendado como uma das opções forrageiras para substituir as áreas de pastagem que estão em processo de degradação por causa da síndrome da morte do capim-marandu (problema causado pela alta quantidade de água no solo – problema nacionalmente conhecido).
A Brachiaria mutica (capim-angola), propagado por meio vegetativo, pelo plantio de estolões ou mudas, é muito bem adaptada em solos de baixada, sujeitos a alagamentos temporários, estando difundido em praticamente todo o território nacional. O “capim-tangola” é um outro híbrido natural entre os capins tanner-grass e angola. É agressivo, adaptado a solos de baixa fertilidade, desenvolvendo-se bem tanto em locais secos como em locais úmidos. Tolera solos encharcados ou sujeitos a alagamentos periódicos.
O capim-setária também é uma antiga opção, mas em comparação com outros capins, apresenta teores elevados de oxalato em seus tecidos, especialmente quando as plantas são jovens, e devido a isso, foram atribuídos casos de intoxicação em bovinos mantidos em pastejo devido a esse fator.
Pesquisas recentes têm sido desenvolvidas comparando a tolerância ao alagamento do solo de novos acessos de capins do gênero Brachiaria. Em comparação com a Marandu, de um modo geral, todos são mais tolerantes - não significando que o Braquiarão pode ser plantado em solo encharcado.
Sobre os capins do Gênero Panicum, podemos generalizar que não são toleráveis ao encharcamento. São capins extremamente produtivos (principalmente o Tanzânia e Mombaça), porém não toleram umidade. Os do Gênero Cynodon, possuem tolerância intermediária. No entanto, se multiplicam por muda, um fator que encarece o sistema.
Não tão recente, mas diria atualmente, foi lançado no mercado o capim que é uma alternativa para plantio em áreas úmidas sujeitas a alagamentos temporários. É o capim-tupi - uma cultivar estudada pela Embrapa. A nova cultivar (nova variedade de Brachiaria humidicola) tem crescimento rápido e é mais produtiva na seca que a humidicola comum.
Em pastagens tropicais, as situações de excesso de água no solo podem ser eventos relativamente comuns, diminuindo a capacidade produtiva e longevidade dessas pastagens. O uso de gramíneas forrageiras que se adaptem a situações periódicas ou permanentes de excesso de água no solo constitui-se em medida necessária. Para tanto, o pisoteio do gado, o trânsito de máquinas, ou o impacto da chuva no solo descoberto podem comprometer a capacidade natural de drenagem do solo por causa da compactação, tornando o solo suscetível à ocorrência de períodos mais intensos de alagamento ou encharcamento. Assim, mesmo naqueles locais onde o excesso de água no solo não seja naturalmente esperado, é possível que as práticas de manejo vigentes ou passadas contribuam para tornar esse estresse comum na pastagem.
O conhecimento da resposta dos capins tropicais ao alagamento ou encharcamento do solo é importante para determinar as plantas que têm potencial de uso em locais sujeitos a esse estresse. Para tanto, em locais demasiadamente encharcados, não há, a meu ver, condições para implantar uma pastagem, e sim, devem ser preservados de outra forma. Para tudo deve existir um bom censo. O boi não consegue pastejar em situações extremas, ao menos que dele não seja exigida produção.
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Material escrito por:
Marco Aurélio Factori
Consultor, Factori Treinamentos e Assessoria Zootécnica.
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EM 22/05/2021
O que caracteriza, em termos de fisiologia vegetal, a adaptação da setária ou a humidícola, ao encharcamento?
Tem algo a ver com o tipo de raiz?
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Att, Obrigado!

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EM 25/03/2020
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PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 09/09/2019
Pelo que entendi, o único capim que irá bem nesta situação é o capim Brachiaria Humidicola ou a Mutica. Neste caso, com esta lamina de água, os dois seria os mais indicados. Att. Marco Aurélio Factori
EM 06/09/2019
att; Donovam Bandeira
dodo.donovam@gmail.com
SÃO PAULO - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 06/09/2019
EM 06/09/2019
PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 23/07/2019
Um capim para o seu caso, que tolere todos estes dias de alagamento será um pouco difícil.. porém pode ser plantado a braquiaria Humidicola. Este capim tolera um pouco mais de alagamento porém, se for muito alagado será difícil até de plantar. Att. Marco Aurélio Factori

CAMPO MAIOR - TOCANTINS - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE
EM 18/07/2019

BRASILÂNDIA DE MINAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE
EM 26/12/2018
PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 02/03/2017
Infelizmente não tenho nada para te recomendar neste seu caso. Att. Marco Aurélio Factori

PONTES E LACERDA - MATO GROSSO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 02/03/2017
a área sofre alagamento no período das águas mas e bem produtivo na seca...
qual a melhor opção?

PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 23/02/2017
PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 18/10/2016
Obrigado pela contribuição. Att. Marco Aurélio Factori
SIDERÓPOLIS - SANTA CATARINA - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS
EM 18/10/2016
PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 05/09/2016
As forrageiras sugeridas aponto no próprio texto e por isso não tenho mais sugestões. Se precisar de ajuda para escolher uma ou outra forrageira em função da sua região, entre em conato. Att. Marco Aurélio Factori

BARRA BONITA - SANTA CATARINA - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 01/09/2016
PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 24/06/2016
Não conheço nenhum trabalho que fala sobre gotejamento subterrâneo para capim. De verdade não poderei te ajudar, mas se o sistema serve para culturas, com certeza servirá também par o capim. Sobre a quantidade de água, segundo os trabalhos, uma forrageira precisa de 4 a 6 mm de água por metro quadrado por dia (3 a 6 litros de água por dia por metro quadrado) ou ainda no mínimo 30 mil litros de água por dia por hectare. Neste sistema que você falou, se der certo, pense ao redor de 2 litros, ou 20 mil litros por hectare por dia, pois não terá perdas por evaporação consideráveis. Caso precise, trabalho com assistência técnica de forma presencial ou a distância. Qualquer coisa entre em contato. E-mail: mafactori@yahoo.com.br Att. Marco Aurélio Factori

ITAOBIM - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 23/06/2016
PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 23/06/2016
Sobre sua duvida, opte por plantar, neste caso, um capim como o Mombaça para pastejo ou o Capim Elefante- Napier na área inferior mas na parte que não alaga e irrigue se for possível. Na área que alaga, opte por um capim que suporte este alagamento. Na outra área, fértil, trabalhe com um capim para pastejo, Podendo ser o Mombaça mesmo e não irrigue, em função do alto custo pela distância da água. Se for cortar, pode ser o Napier mesmo. Penso que será a melhor forma. Att. Marco Aurélio Factori